Capítulo 10
Poemas Místicos
Prólogo
Só quem ama sofre e chora
Lágrimas da cruel desolação.
É triste, mas muito consolador,
O caminho da redenção.
Somos todos um, amando;
Embora sozinhos estando,
Na aparência de um viver,
Continuemos unidos
Para a estrada percorrer.
Dias sombrios, amargos,
Na doçura de um amor,
Fazem do nosso Calvário
Rota de luz e esplendor.
Confortando os aflitos
Com palavras de carinho,
Ofertemos nosso arrimo,
Sempre teremos para dar.
Elvira dos Santos Prado
26.4.1976
O firmamento se estende sobre nossos olhos
Há estrelas, estrelas, estrelas a brilhar.
Cada uma delas é um mundo que não conhecemos,
Mas aonde queremos um dia chegar...
Voemos, voemos,
Mergulhando neste infinito do Senhor.
Nossos espíritos anseiam
A verdade conquistar.
Soubéssemos cantar em versos
As maravilhas que, no sonhar das almas,
Desfilam harmoniosamente
Para deleite de nossos corações.
O poeta há de nos perdoar,
Pois quem entende de estrelas
Deve também saber cantar.
É hora, meus amigos;
Vamos, vamos trabalhar
Cantando com alegria
Para o tempo recuperar.
Jesus nos ensinou
No Calvário, a bem viver,
Exemplificando com amor
Os momentos de sofrer.
Sofrer com compreensão
Não é sofrer, meus irmãos.
É lutar com muita glória
Para nossa redenção.
Os exemplos do maior Mestre,
Aproveitemos as lições.
Não perdendo mais o tempo
Com outras ocupações.
6.6.1976
Pelas ruas de Jerusalém eu ia um dia...
Trôpego e cansado,
Sem arrimo e sem carinho.
A luta pela vida era espinhosa,
O caminho triste e mui sombrio.
Ia assim, como nauta sem destino,
Ao sabor das ondas e das tormentas;
Só a paixão pela vida me fazia viver.
Foi então que Te encontrei.
Senti em Teu olhar a luz da esperança,
Senti em Teus braços o calor do consolo,
Senti em Tua voz a maciez do ninho,
E me senti de novo revivido.
A chama do Teu olhar me envolveu
E senti que já podia caminhar também.
Foi tudo tão feliz,
Foi tudo tão fugaz...
Mas meu coração vibrou intensamente
E para sempre, sem nunca mais parar.
7.7.1976
3 - Boa tarde, meus irmãos,...
Boa tarde, meus irmãos...
À luz de Jesus, vamos orar,
Pedindo por todos
Que se acham na escuridão.
Escuridão de seus pecados,
De sua ignorância ou aflição.
Vamos a todos ofertar
Nosso inteiro coração.
É hora de labutar; disso sabemos de cor,
Mas com o coração
E não somente com palavras.
O Mestre está a nos esperar.
É só sabermos encontrá-Lo
Bem dentro de nossos corações.
Amor é vida; é vibração
Em favor de todos que Sabemos necessitados.
Amor é compreensão,
Amor é tudo que é sublime.
Mentalizemos as mais belas
Coisas que conhecemos na Natureza,
Em benefício da paz destes nossos irmãos.
Vamos assim buscar
Na própria natureza de Deus,
O bálsamo para seus males.
Cantemos com a natureza o mais belo hino de amor.
Elvira dos Santos Prado
23.9.1977
4 - Se quimeras ou quireras,..
Se quimeras ou quimeras...
Só podemos saber nós.
Da vida, uma ilusão
Vale mais que uma bolha de sabão.
Não critiques o que escrevo,
Pois o faço com o coração.
Vale mais assim, eu penso,
Que escrever com tuas mãos.
As trovas são motivo
De treino sem pretensão,
Enquanto isso aprendes
O que já estava na lição.
De sabor é feita a vida,
Quando a sabemos auscultar.
O coração pulsa forte
E a alegria é bem maior.
Somos fracos, muito fracos
Para poesia fazer,
Mas se o fazemos,
É um meio de lazer.
Boa noite, meus irmãos,
É hora de vos deixar,
Elvira vai trabalhar,
Em outras plagas amar.
1.10.1977
5 - Na mais dura provação...
Na mais dura provação...
Lembremos de Jesus,
Com amor e humildade,
Carregou a Sua cruz.
No Calvário, a meditar
Sobre a grande multidão,
Dentre tanta, tanta gente,
Foram poucos Seus irmãos.
Na amargura do cálice,
Que sorveu com tanto amor,
Não deixou para ninguém
O resto de Sua dor.
Da tristeza sob o pranto
De tanta desolação,
Confortado, entretanto,
Por outros de Seus irmãos.
Nos céus, ouviu em orquestra
Um coro de anjos cantar,
Preces lindas, amorosas,
Para o Espírito elevar.
Assim, nós também, com o Cristo,
Saibamos sofrer com amor,
Implorando a toda hora
O consolo até da dor.
Elvira dos Santos Prado
4.11.1977
6 - Nas profundezas da alma...
Sabe Deus o que lá vai;
O homem sofre, apanha,
Mas não sai do lodaçal.
É triste a penúria humana,
Num sofrer que não tem fim.
Soubesse o homem entender
A razão de seu martírio;
Encontraria a Jesus,
Acolhendo-o assim:
- Vinde a mim vós que sofreis;
Deixai o fardo no chão,
Pois quem comigo caminha,
Não sentirá o aguilhão.
De esplendor é feita a vida
Para quem sabe viver,
Abençoando com amor
Os seus dias de sofrer.
Sofrer com resignação,
Não é sofrer, meus irmãos;
É caminhar mais depressa
Para sua redenção.
Elvira dos Santos Prado
1.12.1977
7 - Senhor, é teu o meu amor...
Senhor, é Teu o meu amor...
Meu coração tem a alegria de uma flor,
Cantando à Primavera
Com efusão e esplendor.
Somos tantos, tão felizes,
A vida deixou-nos ser,
Através dos sofrimentos
Que pudemos bem viver.
Canto em versos minha dor,
Que foi sempre para mim,
Razão de luz e de amor.
Hosanas, meu Deus, Hosanas!
Do Calvário ao Paraíso,
Pouco falta para chegar.
Todo filho abençoado
Pelo Pai em obra sã,
Terá pela vida afora
A luz de uma eterna manhã.
Elvira vai terminar,
Para não pôr-se a chorar,
Pois alegria da alma
É lágrima que em gota cai
Pelos caminhos de flores.
Que Jesus nos mostre além.
Tertuliano vai vencer,
Como venceram os demais,
Para que sua alma vibre
Num Paraíso de Paz.
Elvira dos Santos Prado
5.12.1977
8 - Boa noite, meus irmãos...
Boa noite, meus irmãos...
Estamos a vos falar do fundo do coração.
O amor vence sempre,
E disso não vamos duvidar.
Se estamos empenhados
Em muito, muito amar.
Com a luz que vem de Jesus,
Caminhemos com amor,
Empunhando com ardor
A grande cruz do Senhor.
Pudessem todos entender
Quão belas são estas lições,
Não viveriam jamais
A dar tantos empurrões.
Enxotando a sorte que o Pai lhes dá
De seguirem a Jesus.
Não querem compreender
Do Calvário as lições.
Somos todos a lastimar
Desperdício tão atroz,
Esbanjando o tesouro
Que Deus lhes manda por nós.
A vida ensina, porém;
Temos fé e esperança
Que dias melhores virão
Para haver grande mudança.
Elvira dos Santos Prado
6.12.1977
9 - Nas rimas do meu canto...
Nas rimas do meu canto...
De eterno sofredor,
Cantarei lindas estrofes
Da história de um amor.
Vivia nos áureos tempos,
Em celeste mansão,
A ouvir os suaves cantos
Do meu triste coração.
Amando, embora com enlevo,
A mais linda natureza,
Não podia, entretanto,
Desfrutar tanta beleza.
Nas asas da viração,
Sonhava com o mais além.
E, sem o saber, sofria
A dor amarga da desilusão.
Viver com amores perdidos
No infinito dos céus,
Seria querer mesmo muito
Sorver da flor todo mel.
Por isso me conformava
De aqui na Terra viver,
Vivendo como num sonho
Que terminasse no céu.
Venturas, quantas venturas
Tão pouco as pude sonhar.
Pudesse fazer de novo
Meu barquinho de papel.
Saudade, quanta saudade
Dos tempos que já lá vão,
Minha vida de criança,
Minha bolha de sabão.
Na ligeireza da vida,
Pequei, errei, sofri.
Ficaram, no entanto, as lembranças
Que me confortam e dão fé.
Fé na bondade de Deus,
Que a tudo supre e bendiz,
Ajudando a toda gente
Com a linda luz do porvir.
Medeiros e Albuquerque
8.12.1977
10 - Nauta incerto e temeroso...
Nauta incerto e temeroso...
Que tem medo das tormentas,
Aflige-te sem motivo,
Pois o Pai é poderoso.
Sob os auspícios de Deus,
Queremos sempre vogar,
Trabalhando com amor,
Usando o que Ele nos deu.
Somos simples no trabalho,
Mas a alegria é maior;
Tudo faremos com alma
Para Jesus agradar.
Cem deslizes nos esperam,
Por certo, mas vamos lá;
Com fé, com muita coragem,
Não vamos escorregar.
Jesus nos contempla, rindo,
Com doçura e com amor.
É tempo de recomeçarmos
Novas lides do Senhor.
Elvira dos Santos Prado
14.12.1977
11 - E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.
E o Verbo se fez carne
E habitou entre nós.
Luz resplandecente no céu se faz.
É a noite de Natal.
Criaturas mil regozijam-se em paz.
Anjos celestiais entoam suaves canções.
Nossos corações se enternecem
E elevamos ao alto Nossas meigas orações.
Orações à Virgem Imaculada,
Ao seu Filho Redentor,
A São José e aos pastores
Que adoraram ao Senhor.
Eflúvios divinais envolvem nossas almas
E sentimos doçura imensa a nos embalar.
Alegria, alegria,
Cantam em coro os corações.
É festa nos céus e na Terra.
É hora de muito amar.
Hosana nas alturas,
Já não há o que temer.
Deus mandou para nossa glória
O Messias Salvador.
Jesus, Senhor, Amigo e Irmão,
Louvamos Teu nascimento
Do fundo do coração.
16.12.1977
12 - Muitos anos se passaram...
Muitos anos se passaram...
Desde que à Terra chegou
Um infante pequenino
Que bem maior encontrou.
Os anjos dizem amém,
Anunciando o Natal.
Pois primorosa alma
Desce dos céus outra vez.
Alegria contagiante.
Muitas almas se refazem
Da caminhada terrena,
Abençoando a criança
Que nova pátria encontrou.
Nova vida a espera
Com alegrias também,
Pois quem é feliz
O é sempre, aqui e no mais além.
O trabalho, bênção divina,
Que a todos é dada gozar,
Abençoará os teus dias
Na estrada a te esperar.
Trabalha e ama, meu filho;
A vida assim nos exige
Para que a volta aos céus
Seja de novo um cantar.
Cantar de glórias, de êxito
Por todo bem que se fez.
Deus ampara aos mais humildes,
Que voltam ao seu seio outra vez.
19.12.1977
13 - Na encruzilhada da vida...
Na encruzilhada da vida
Encontrei-te, alma amiga e sofredora;
Com a paixão dos bravos,
Levantei-te e a ti me uni.
Fomos pela vida afora,
Ao sabor dos ventos e das tormentas,
Sem saber por quê,
Em nada compreender.
Aos dissabores da sorte,
Choramos lágrimas cruéis,
De mil desilusões;
Mas a experiência marcou
Nossas almas, cansadas de sofrer.
Reerguemo-nos do mal
E o bem procuramos fazer.
Hoje sofres, pensando a sós estar,
Mas continuo te velando,
Por ti orando,
Para que ao final possas chegar.
20.12.1977
14 - Sem ti não poderei viver
Sem ti não poderei viver
Se a vida, em si,
Já me faz sofrer...
Por que despedaçar um coração assim?
O amor é refrigério em nossas almas.
A aflição se esvai – o desconsolo some.
Tudo se enaltece, tudo se enobrece.
É o reflorir dos corações;
É luz que a tudo
Vivifica e reconforta.
Nada sou, nada sei.
Tão somente estou a meditar.
A vida é sábia,
A vida ensina.
Quem quiser aprender
Procure caminhar.
Embora triste nos pareça,
O caminho é proveitoso.
É só saber olhar,
É só saber calar.
21.12.1977
15 - A vida não é triste não,...
A vida não é triste, não
A vida é alegria, é paz, é reconforto.
Ao coração que já tem compreensão,
A vida é amor, é luz, é calor.
Do mal tirando o bem,
Das trevas fazendo luz,
Vamos sempre com Jesus,
Por mais forte que seja a chuva,
Bênção ela sempre traz.
Até do lodo mais feio
Pura flor pode nascer.
Dos embates desta luta,
Tiremos sempre o melhor,
O que nos vai ajuntar
Aos tesouros naturais:
Ouro de luz e de paz.
Elvira dos Santos Prado
22.12.1977
16 - O teu caminho é de luz,...
O teu caminho é de luz
Mas também é de espinhos.
Das rosas tens o perfume,
Dos espinhos tens as dores.
Separando-os com a luz
De Jesus a nos guiar,
Não é difícil pisar
Sem nunca nos machucar.
Com cuidado e com carinho,
Livremo-nos dos espinhos.
Se o bem queremos colher,
Façamos por merecer.
De alegrias é feita a vida
Para quem sabe viver,
Tirando proveito maior
De tudo que for melhor.
23.12.1977
17 - Luz nos céus, luz na Terra...
Luz nos céus, luz na Terra
O amor nos invade o coração.
Deus vos saúda, meus filhos,
Por toda esta bela união.
Em versos singelos dizemos
O que nos vai no coração.
O amor é bênção divina,
Que faz tremendo clarão.
Como é bom amar!
Trabalhar querendo o bem a todos,
Doando paz,
Ventura de viver e de ser também alguém.
São muitos os deserdados,
Mas muito mais os fiéis,
Trabalhando com Jesus
Nesta estrada de lauréis.
Vamos, meus filhos, vamos
Ao trabalho – é bom viver!
Com Jesus em nossa frente,
A nada devemos temer.
Elvira dos Santos Prado
4.1.1978
18 - Neste dia tão feliz...
Neste dia tão feliz
Em que à Terra desceu
Mais um anjo do Senhor,
Louvamos o amor que nos enlaça e nos conduz
Por caminhos ignotos,
Mas sempre com muita luz.
O Senhor nos pastoreia
E sua glória sentimos,
Quando ainda pequeninos,
Fazemos por merecer
De Deus o louvor
E de Jesus o eterno Amor.
Somos almas gêmeas
Que muito queremos lutar
Para o infinito do Pai
Podermos um dia alcançar.
Embora por entre lágrimas
Do amor que nos faz sofrer,
Iremos por este mundo
Muitas rosas a colher.
Dos espinhos que tiramos
Com nosso próprio viver,
Restarão somente as flores
Para a Deus oferecer.
A vida é bela, meus filhos;
Tão bela e divina também;
Mas não a desperdicemos
Sem fazer pequeno bem.
O bem que aos outros fazemos
É luz que em nós se faz.
E com todos colheremos
Os louros de um reino em paz.
Trabalhemos com carinho.
Construamos nosso ninho,
Onde muitos passarinhos
Poderão se aconchegar.
Elvira dos Santos Prado
6.1.1978
19 - Chegados de muito longe,...
Chegados de muito longe
De países mais além;
Vieram os reis visitar
O presépio de Belém.
Guiados pela luz radiosa de uma estrela
Que nos altos do céu brilhou,
Abençoaram o menino
Que dos céus também chegou.
Incenso, mirra e ouro
Foram os presentes reais,
Simbolicamente oferecidos
Pelos mais nobres mortais.
Entre pastores felizes
Festejaram o eterno bem,
A chegada de Jesus,
Como presente do além.
De Deus o maior presente
Recebemos todos nós,
Raiando para nossas vidas
Novas luzes, novos sóis.
Agradecemos também
Com amor no coração
Os presentes que nos destes,
Cumprindo a tua missão.
Elvira dos Santos Prado
23.8.1978
20 - Luz Divina, luz de amor...
Luz Divina,
Luz de amor,
Abençoa os pequeninos,
Num mundo todo de dor
Pelas plagas infinitas,
Deste país, ainda em flor
Muitos sofrem, muitos choram,
Por um pouquinho de amor
Somos felizes, meu Deus,
E mais ainda o seremos,
Se pudermos dar de nós
Pouco que seja – o faremos.
Na oferta de um sorriso
Quanto bem podemos dar.
Mundos ditosos faremos
Os que amamos gozar.
Música suave encanto,
Que nos enche o coração.
Cultivando-te também,
Alegramos a muitos irmãos
No ambiente em que vivemos,
Far-se-á renovação,
Quando aos ouvidos soarem
As notas de uma canção.
Nas asas da viração
Queremos aos céus chegar,
Antegozando os prazeres
Que lá iremos achar.
Bendito os filhos do altíssimo,
Que ao bem maior se consagram.
Louvando com amor puríssimo,
Aos anjos que tanta paz nos trazem
Elvira dos Santos Prado
19.4.1978
21 - O amor em face da vida humana...
Amar é arte sublime,
Que nem a todos é dada gozar;
De anseios vive o homem,
Querendo o céu alcançar.
Venturas, quantas venturas
Poderemos encontrar,
No amor que nos une ao próximo,
Fazendo-nos asas criar.
Voos aos céus infinitos,
Buscando a eterna mansão;
Ensaiemos nossas mentes
Em feliz meditação.
Deus, está dentro de nós,
É só sabê-Lo encontrar.
No silêncio de uma prece
Quando nos parece estar sós.
Unamos nossos esforços
Em prol da alegria geral.
Combatendo todo erro,
Espancando todo mal
Felizes, muito felizes
Seremos um dia no além.
Vencendo nossas torpezas
Progrediremos também.
Elvira dos Santos Prado
26.4.1978
22 - Isabel é o teu nome,...
Isabel é o seu nome,
Nome de santa já tem,
Santifica pois tua vida
Para viveres no além.
São muitas as provas, sabemos,
Para o Reino do céu alcançar;
Mas com denodo e coragem
Chegaremos também lá.
Se as provas nós as temos,
Nas dores, nas aflições,
Alegrias outrossim recebemos
De muitos outros corações.
Ter no lar filhos queridos,
Esposo bom e carinhoso,
São consolos conseguidos
No caminho tortuoso.
Aos céus mendigamos as dádivas
Que recebemos do Pai,
Que é Supremo e Soberano
E nenhum dano nos faz.
Elvira dos Santos Prado
27.4.1978
23 - Ode ao amor...
Ode ao amor
Entre os antigos gregos,
Poema lírico destinado ao canto.
Composto de estrofes de versos com medida igual,
Sempre de tom alegre e entusiástico.
Passam adiante o fruto de suas realizações.
Amar é ser feliz – é viver o momento alheio,
Não com angústia dos que ainda estão aprendendo,
Mas com a certeza de uma vitória já alcançada.
Deus, nos faz felizes.
Quando nos entrosamos em seu seio,
Sentimos e amamos.
Sentimos o belo que é perfeito e bom.
Amamos porque sentimos
E vibramos com harmonia,
Porque fazemos parte do grande
Concerto universal.
A vida é bela e boa
Para os que já aprenderam a viver.
28.1.1979
24 - Se a vida impõe tropeços...
Se a vida impõe tropeços,
Saibamos tropeçar.
Com paciência e com amor,
Não vamos escorregar.
As lições bem aprendidas
A algum fim nos vão levar.
Com esperança e amor,
Não perdemos por esperar.
Só quem ama sofre e chora
Lágrimas de cruel desolação.
É triste mas muito consolador,
O caminho da redenção.
Somos todos um, amando;
Embora sozinhos estando
Na aparência de um viver.
Continuemos unidos
Para a estrada percorrer.
Dias sombrios, amargos,
Na doçura de um amor,
Fazem do nosso Calvário
Rota de luz e esplendor.
Confortando os aflitos
Com palavras de carinho,
Ofertemos nosso arrimo,
Sempre teremos para dar.
Elvira dos Santos Prado
9.2.1979
25 - Nos mares da vida...
Nos mares da vida
Queremos vogar;
Sofrendo e amando
Mas, aprendendo a remar.
Contra fortes correntezas
Vamos, vamos sem parar.
O mundo tem muita beleza;
Saibamos aproveitar.
Contemplando o que é belo
E aquilo que mais convém,
Alimentemos o espírito
Com a sabedoria do além.
Horizontes infinitos
Podemos descortinar,
Usufruindo os poderes
Que a todos é dado gozar...
5.9.1980
26 - Bendita seara...
Bendita seara
De luta e de dor,...
Que torna o pequeno
Em grande senhor.
De plagas em plagas,
De troféus em troféus,
Acumulando louros
Quais grandes heróis.
Heróis de batalhas,
Que a vida impõe;
Sejamos garbosos
Quais lindos corcéis.
Por amores perdidos
Quais sutis colibris,
Que buscam na flor
O perfume e o mel.
Nós também nos rendemos
E o viver é feliz,
Se curvam os humildes
À vontade do céu.
12.5.1985
27 - A vida me trouxe desgostos,...
A vida me trouxe desgostos,
Mas alegrias também;
O sol queima, o sol mata,
Mas faz renascer o Bem.
Se tristezas nos assolam,
A alma, que desanima;
Outro tanto nos consola,
A paz, que nos reanima.
Quantas vezes, tão atroz
O desespero nos traga,
Mas quando estamos a sós
Etérea visão nos afaga.
É Jesus, muito solícito,
Que nossa suplica escuta.
E tão depressa nos mostra
O caminho, que era implícito.
Esta luz, nós o sabemos,
Sempre brilha com amor,
Mas o descuido que temos
Nos leva à desgraça e à dor.
13.3.1989
28 - Na luminescência de um lindo dia...
Na luminescência de um lindo dia,
Eu vejo Deus, a nos falar de amor.
Amor pela Terra, pela Vida;
Auto valorização de um sofredor.
Alma que sofre, não te desalentes;
Antes agradeça o privilégio desta vida imensa
Que recebemos do Pai Onipotente,
Para ascensão à plano mais feliz.
A trajetória de uma vida humana,
É facho de luz buscando a imensidão,
Deixando para trás as falsas alegrias,
Na saudade de cada coração.
Nascer, viver, morrer e renascer,
Lei imutável, Lei divina.
Na florescencia está a vida;
Na recrudescência a volta ao infinito.
19.3.1989
29 - A chuva...
Perpassam as nuvens no céu a brilhar,
Formando figuras que a mente da gente
Insiste em querer a elas dar vida,
Na doce ilusão de histórias formar.
Mas vão elas brincando,
A outras buscando,
Querendo com isso
Mais fortes ficar.
Eis que de repente, soprando outros ventos...
A luz sai das trevas: coriscam relâmpagos,
No silêncio reboam tremendos trovões.
Começa a chover.
Brilhante torrente cai sobre a terra;
Limpando, banhando vales, montanhas,
Levando pros rios os aluviões.
Chuva grande ou serena
Toda ela vale a pena,
É benção que cai do céu.
19.3.1989
30 - Lembranças...
Pelas andanças no mundo,
Encontrei muitos amores;
Que foram se revelando
Através de risos e dores.
Com o coração a palpitar
Por deleites tão fugazes,
Procuro aqui e ali reconstituir episódios
De uma história milenar...
Entender: - eis a questão.
Amar:- a resolução.
15.3.1989
31 - A queimada...
Sinistro e belo espetáculo!
Dança da vida e da morte;
Quadro que extasia
Com emoção tão forte!
Labaredas bruxuleantes
Revoluteiam – quais deusas infernais,
Estrepidam em gemidos
Lancinantes e mortais.
Qual doença cancerosa,
Que a harmonia desfaz;
Vai ela pelas quebradas
Devastando o que Deus faz.
Homens, homens incensatos...
Olhai com mais devoção,
Este mundo que é vosso
- Obra da Criação.
25.03.1989
32 - Meu caro,...
Quantas vidas já vividas!...
Quantas dores já sofridas!...
Quantas oportunidades falidas!...
Quanto tempo já perdido!...
Mas a vida, bem divino,
Não perde por esperar;
O tempo passou deveras,
Mas ficou de tudo isso,
Novo caminho a trilhar.
Na luz da compreensão
É fácil agora enxergar;
Passos firmes, vigorosos
Vamos juntos caminhar.
O Bem maior nos espera;
O momento já chegou.
Trabalho, muito trabalho
A nós Jesus outorgou.
11.02.2003
33 - Mais um ano se passou
Mais um ano se passou
Para um filho muito amado.
Na vida que o Senhor, lhe concedeu;
Poesia é a própria vida.
Quando se vive com amor,
Exemplificando nos atos,
O que do espírito é teor;
Ser honesto é obrigação,
Ser fiel é devoção,
Mas mesmo o maior valor
É ser exemplo de amor.
Virtudes, quantas virtudes
Queremos todas abraçar,
Mas de todas, a mais sublime
É mesmo a arte de amar.
Sem amor a vida é vazia,
Muito grande a solidão;
Com luz porém no caminho
Encontramos o irmão.
Vencidas todas procelas,
Como é bom a gente amar;
Tendo Jesus, por destino
Lá no alto a esperar.
Pelos filhos que fizeram do lar, eterno prazer;
Das dores e das alegrias tirando o grande saber;
Sabedoria divina que aos doutos é dada entrever,
Através da própria vida um rosário a conhecer.
Com a luz da compreensão ´
É fácil chegar-se ao fim,
Guardando sempre respeito
Por tudo, que nos é afim.
31.12.2010
