Capítulo 3
Procurando a perfeição
1 - Transformações radicais
Na linda estrada de Damasco, Saulo iluminou-se pela luz sagrada de Jesus e conheceu, desde então, o início de uma transformação em sua vida: de perseguidor do cristianismo, passou a defendê-lo com a alma e o coração.
A vida é assim mesmo para muitos que se acham perdidos no emaranhado das coisas mundanas, mas que se libertam, não por encanto, mas tão somente pela Lei Imutável, Lei esta que os governa, e passam então a viver a verdadeira vida que eles têm condição de bem viver.
Libertam-se como a crisálida do invólucro que os prendia e alçam voo para planos a que sua missão os destinava. É assim que devemos entender a vida e aceitar a transformação daqueles mesmos que julgamos incapazes de simples realizações.
O exemplo de Saulo de Tarso é um bom exemplo que devemos atentar para não julgarmos com antecedência o que talvez viéssemos a julgar. A vida é divina, a Deus pertence; saibamos vivê-la segundo o que Ele nos reservou e que ainda não podemos compreender.
Aceitemos as transformações, mesmo as mais radicais, aquelas que nos possam parecer incabíveis. Jesus selará com sua bênção e iluminará, como para Paulo, o vosso caminho.
Deus vos abençoe.
12.10.1976
2 - O amor encobre a multidão de nossos pecados
Reconhecendo-nos como filhos de Deus e, como tais, fazendo por merecer as suas bênçãos constantes, esqueçamos nosso passado perturbador e nos preocupemos tão somente em fazermos o bem, do qual Jesus tantos exemplos nos deu; vivamos cada momento presente com a consciência pura do dever bem cumprido, sem nos preocuparmos com o futuro.
Cuidando das possibilidades que temos perante a magnanimidade de Deus, que põe todo o bem a nosso dispor, compenetremo-nos dessa verdade, pondo-nos em face à sublime realidade que devemos viver.
Usufruindo dos bens eternos e imutáveis que a Lei nos proporciona, saibamos pôr em prática o conhecimento que já possuímos perante a mesma Lei que nos governa.
26.10.1976
3 - Na paz e na guerra estejamos atentos
Na paz, possamos abrir o nosso coração, fortificando-nos e ampliando as nossas possibilidades. Na guerra, pondo em prática esses mesmos ensinamentos que nos foram dados, justamente para fazermos o melhor uso deles. Paz e guerra são palavras simbólicas aqui para nós, pois por paz devemos entender os momentos de meditação, de tranquilidade, que nos refrigera a alma, nos confortando e nos entusiasmando para que, nos momentos precisos, ponhamos em prática com compreensão o amor e tudo o que de melhor houvermos bebido na fonte inesgotável da Divina Sabedoria.
Cristãos, discípulos fiéis de Jesus, empenhemo-nos neste exercício de ponderação, medindo nossos atos, as nossas palavras e nossos pensamentos. O exercício é nosso e de cada discípulo em particular em benefício de todos.
A luz de Jesus nos iluminará, guiando nossos passos para a Eternidade.
16.11.1976
4 - Libertando-se pela consciência
O homem não sabe como fazer para ser feliz e, no entanto, é só se submeter aos desígnios de Deus e estará apto a se elevar às alturas que o tornarão verdadeiramente ditoso.
Na ânsia de tudo querer desordenadamente, mal sabe o que realmente quer e antes perde-se na confusão de seus próprios sentimentos, esquecendo-se de suas obrigações. A consciência, esta sim, lhe ditará as normas a seguir, libertando-se do torvelinho de seus desejos. Não se contentando com nada, procura encontrar-se justamente naquilo que antes considerava ilusão, fanatismo, fraqueza, ignorância e assim por diante.
Procurando esquecer seu passado cheio de erros, passa lentamente a reerguer-se, iluminando-se pela graça de Jesus e encontrando-se na senda maravilhosa desta vida que Deus nos traçou para grandeza de nosso espírito e da própria natureza, que evolui à revelia do homem. Encaminhemo-nos, assim, enérgica e destemidamente para um trabalho que dignifica a todos quantos a ele se entregam com amor, humildade e, ao mesmo tempo, com compreensão e sabedoria.
Jesus nos abençoe para desempenho correto do que nos cumpre executar (ora com consciência, ora sem saber), mas com o coração sempre ligado a Jesus.
30.11.1976
5 - Prece de Natal
Que a luz diáfana de Maria, Nossa Mãe Santíssima, se difunda neste ambiente em que rememoramos a figura grandiosa de seu amado Filho – Jesus.
Mais um ano comemoramos a passagem luminosa de nosso amado Mestre e é com júbilo no coração que nos reportamos àquela época em que, para nós, pode parecer tão distante e que, no entanto, é a mais recente de todas as que houve neste nosso velho planeta. Jesus é o Avatar Divino enviado por nosso Pai para, mais uma vez, testemunhar perante os homens a grandeza e excelsitude de Deus.
Magnânima estrela que brilhou mais uma vez através das diversas civilizações, marcando o início de nossa era – a Nova Era que marcará época nos anais da História da humanidade.
Descendo do infinito das alturas para a glória de Deus, essa centelha divina brilhou mais uma vez nos rincões da Terra, naquela longínqua noite de Natal. Noite de Natal! Pudéssemos expressar em palavras todo o esplendor, todo o significado dessa data que perdura através das gerações, apesar da ignorância e da incúria dos homens, marcando sempre no calendário humano uma data de amor, de paz e de alegria.
Tudo se torna belo, puro e verdadeiro nesse dia em que nos consagramos com sinceridade, com o coração, a este nosso Amigo Maior, a este nosso Mestre tão querido que nos guia através de todas as nossas várias caminhadas terrenas. Que o seu exemplo maravilhoso de amor, renúncia, paciência, tolerância, perdão, compreensão, sabedoria, enfim, de todas as excelsas virtudes de que era portador, seja o testemunho maior da Verdade e da Justiça Suprema.
Jesus, bom e amado Mestre, sustenta-nos para que possamos continuar o teu trabalho de tantos e tantos séculos para recuperação e regeneração de toda esta humanidade. Que o teu dia de Natal seja mais um incentivo para todos os teus discípulos que sentem vibrar no espírito a necessidade premente de um trabalho constante, árduo e proveitoso.
“Glória a Deus, nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”.
14.12.1976
6 - Ainda é tempo
O coração está cheio de fel, mas os lábios cheios de mel.
Pobre humanidade que se corrói no próprio veneno que expurga de suas mazelas. Quanta hipocrisia em toda parte; quanta inveja, quanta cobiça, quanto orgulho e quanta vaidade! Os tempos são outros, mas os defeitos são os mesmos.
Séculos e mais séculos, milênios até, e o espírito continua no lodaçal de seus próprios excrementos, como répteis tenebrosos de abismos insondáveis. É verdade que o panorama é esse mesmo para os que podem enxergar um pouco mais do que aqueles que se encontram na própria escuridão. É verdade que tudo isso é uma lástima e um desconsolo para os que trabalham.
Mas se tudo isso é verdade, é verdade também que sobre este mundo de devassidões e torpezas brilha uma luz maravilhosa que, infelizmente, não é a todos dado vislumbrar; uma luz tão radiosa e bela que desce do infinito das alturas e guia o caminho daqueles que querem acertar.
Como tudo o que é divino e puro, belo e sacrossanto, esse facho maravilhoso do amor de Deus desce sobre todos nós e nos incita a perseverar em nossas resoluções, seguindo o impulso que nossa consciência nos dita, assinalando-nos e incentivando-nos nas práticas que sabemos e reconhecemos como verdadeiras.
Ó homens que vos achais guiados por este majestoso farol, fazei jus a esta conquista de vossas almas, deixando que a mesma luz possa brilhar cada vez mais intensamente para todos os que vos rodeiam, através de vossas atitudes benéficas, complacentes, misericordiosas, que o amor de Jesus tão bem exemplificou.
Conservai no coração este relicário sagrado, fruto de vossos próprios esforços; guardai-o com zelo, com devoção para que não vos extravieis jamais; para que, pelo contrário, essa chama possa aumentar, crescer, multiplicar e se espalhar prodigiosamente, enchendo de alegria a todos quantos se vos acercarem.
Deus vos abençoe e ilumine cada vez mais.
15.12.1976
7 - Temos capacidade para nos reerguer
No infinito das alturas, Deus está a nos dirigir os passos. Caímos, sim, muitas vezes, mas temos capacidade para nos reerguer e caminhar sozinhos, com as nossas forças, com o nosso discernimento, com a nossa própria luz a nos clarear o caminho.
Estamos em plena posse do Conhecimento Superior e disso não devemos ter dúvidas. Resta-nos pôr em prática este conhecimento, através da meditação bem dirigida e bem-intencionada. Estamos congregados numa imensa falange, e a Deus devemos nos consagrar. Imbuídos dessa verdade, louvemos o Senhor; ponhamos em prática as nossas faculdades, que à custa de constância e esforço se desenvolverão.
O método já é conhecido por nós, através da abstração dos sentidos: despojemo-nos de tudo o que nos prende à Terra, alçando voo espiritual para planos que nos extasiam a mente, elevando o espírito para que o corpo possa cumprir os desígnios a que está destinado.
21.1.1977
8 - Adquirir conhecimento é de suma importância
Das civilizações do antigo Egito, muita coisa boa ficou para nós. Do pouco que o homem conhece, ainda assim, muito elucida. Dissemos um pouco, porque há muito a ser explorado. As verdades vão surgindo através de estudos, de descobertas que ao homem cabe fazer, pois é esse trabalho de pesquisa que o fará subir em compreensão e amor.
O estudo em todos os setores é de suma importância, pois ele abre portas para novos conhecimentos. Não parar nunca e em tudo dedicar muita atenção. Este é um preparo que, muito embora feito sem pretensões e muitas vezes inconscientemente, pode trazer grandes benefícios à coletividade. A união faz a força. Cada um colabora com o que pode. Os resultados a Deus pertencem.
24.3.1977
9 - Conciliação das obrigações espirituais e materiais
A vida moderna exige dos iniciados atitudes diferentes das tradicionais. Nem por isso, vamos fugir dos verdadeiros princípios de boa conduta de que nos deram exemplos os mestres que vieram ao mundo. Mas para sairmos do tradicionalismo, cujas práticas não condizem com a vida moderna, vamos procurar conciliar uma coisa com a outra e tirar o melhor proveito para o progresso espiritual.
Vamos organizar uma vida de trabalho de forma que reservemos uma boa parcela do tempo para aquilo que compete ao espírito e que, justamente, já conhecemos: retiro espiritual, meditação e práticas esotéricas; a outra parte do tempo vivamos intensamente com o melhor proveito, desincumbindo-nos de nossas obrigações cotidianas, mas nunca nos esquecendo de que, em primeiro lugar, está o Evangelho de Jesus, a ser aplicado em todos os momentos.
Dentro das atividades ostensivas, vamos cultivar as atividades espirituais ao mesmo tempo, procurando coadunar as duas, o que é ideal, pois a vida deve ser ativa e não passiva. Saibamos intercalar, de acordo com nossas necessidades, aquilo que é de nosso conhecimento.
Para o discípulo moderno, não é mais necessário, como nos outros tempos, o abandono da vida mundana, pois, para o grau de evolução que este alcançou, é capaz de se libertar mesmo no meio da maior confusão, à custa daquela compreensão de saber isolar-se no meio da multidão. Com inteligência, com discernimento, vamos viver intensamente a vida que nos compete, dando oportunidade para que nossos irmãos necessitados possam usufruir de nossa presença, a qual muitas vezes nem supomos ser-lhes tão reconfortante.
Doemos a esses irmãos o calor humano de que eles precisam e, com o nosso espírito, viveremos o amor de que eles ainda mais necessitam.
26.1.1977
10 - Caminhamos sempre para o melhor
O coração do homem ainda é pedra dura, que à custa de muito tempo e trabalho há de evoluir. Mas nem por isso vamos desanimar, pois o trabalho que hoje oferece frutos começou há muitos e muitos anos.
Através das gerações o mundo evoluiu.
A vida é assim – um evoluir incessante; de quando e para onde, não importa saber; basta sentir que fazemos parte deste evoluir e caminhamos sempre para o melhor – disso não temos dúvida.
Do nosso mínimo esforço depende o êxito de amanhã e assim vamos trabalhando sempre, por pouco que nos possa parecer. Da perseverança, da constância, do amor, da dedicação, virão os frutos que no amanhã colheremos com a compreensão que também conseguiremos. É assim mesmo, de degrau em degrau, com quedas e soerguimentos, mas sempre com amor.
Jesus nos espera. Ele é paciente, tolerante; mas o que temos de fazer, pois o trabalho é nosso, faremos um dia. Com a ajuda de todos os nossos irmãos, que irão se juntar a nós na longa caminhada, ganharemos forças e aumentaremos o nosso exército; e, confiantes na vitória, marcharemos resolutos. A fé no bom combate é prenúncio da vitória.
1.2.1977
11 - O cultivo do Bem é uma obrigação
A cúpula de ouro que entroniza as almas puras e angelicais é bem o retrato de tudo o que é dignamente enriquecido por Deus. A luz de Deus, tão decantada por todos quantos se devotam às coisas sublimes, nada mais é do que toda força vital existente no universo e, por isso mesmo, natural, que circunda todos os que se predispõem a recebê-la.
Livres dos entraves que a própria mente humana cria em torno de si, pelo cultivo indébito de paixões desregradas, a alma põe-se em contato naturalmente com tudo o que é bom por ser natural e, bem assim, divino.
Os maus pensamentos, as más atitudes, as más palavras, tudo isso é criação do próprio homem contra si. Muitos sabem disso e, pior, continuam errando conscientes. Muitos ignoram e, por isso, sofrem sem saber a origem de todo mal; mas o sofrimento nos amadurece e a vida vai ensinando a todos, grandes e pequenos.
O cultivo do bem é uma obrigação; não adianta saber, é preciso praticar consigo próprio e depois para com os outros. O bem gera o bem, e o mal, já o sabem, desencadeia-se num torvelinho de desesperos e aflições.
Vamos por aquele caminho suave, doce, tranquilo, mas edificante porquanto ativo e cheio de trabalhos que não devem significar somente o emprego da força física, mas principalmente das forças mentais, espirituais, pois significam muito mais em energia construtora na sublime tarefa que Deus nos confiou.
16.3.1977
12 - Praticar o Bem
Oh! Meu Deus!
Como é importante para todos nós a prática dos teus ensinamentos, que, através do Evangelho de nosso Mestre, foram tão bem vividos aqui nesta Terra, onde o amor é tão pouco, onde há tantas deficiências por parte dos homens, mesmo daqueles que se dizem cristãos.
A benevolência para com todos é mandamento primordial em nossas atitudes, mesmo as mais comuns do nosso dia a dia e a via para que possamos encaminhar nossos irmãos deve ser bem lembrada por todos os portadores da Verdade – compreensão e, bem assim, amor no coração para poder sentir, para poder vibrar e proporcionar o bem a eles.
Procuremos pôr o coração em sintonia com as necessidades do nosso próximo para atendermos com eficiência na medida de suas necessidades. Sigamos o bom samaritano, que dispensou cuidados ao doente, cuidados não só aparentes, mas também de ordem espiritual, pois que ele se preocupou com as consequências daquele momento e soube lhe prevenir futuros prováveis males.
Usemos de nossa benevolência não só no momento preciso, mas com os olhos no mais além, medindo as consequências do fato em questão. A responsabilidade é de todos; assim nos sentimos perante o Mestre.
Estudemos, analisemos, confrontemos, busquemos indícios de tudo o que possa ser bom. Tiremos das mínimas coisas o melhor que elas podem oferecer, propondo-nos a sermos humildes seguidores de Jesus.
22.3.1977
13 - A comunhão com o Mestre
A ceia do Mestre. A divina ceia do Mestre, em que Ele ofereceu, a quem pudesse aceitar e compreender, o seu corpo e o seu sangue transubstanciados no pão e no vinho que ofereceu aos seus discípulos. Pão que alimenta o espírito; sangue que vivifica a alma.
Ó Jesus, pudéssemos entender o significado tão elevado dessa comunhão que poderemos fazer sempre contigo, através de um propósito puro e sincero, oferecendo em troca de teus bens divinos tudo o que de melhor possuímos, como espíritos ainda devedores que somos.
Façamos a nossa comunhão espiritual, como podemos fazer e sentir, vibrando intensamente em todos os momentos e interpretando a ressurreição do Mestre como vida em nós mesmos para podermos continuar sua obra de recuperação de tantas e tantas almas irmãs, irmãos que somos todos perante a gigantesca tarefa de amor que se desenrola através de tão longa data, por meio de todos aqueles que, compreendendo o maior significado da vida, se predispõem a bem cumprirem os desígnios que o Pai nos outorga através de nossa consciência.
Jesus espera por nós, pois somos ainda seus discípulos nesta obra que com Ele queremos viver. Seja nossa comunhão pascal a comunhão de todos os momentos, consagrando-nos inteiramente a Jesus.
A paz esteja com todos.
5.4.1977
14 - De degrau em degrau
É assim que se constrói o futuro: pedrinha por pedrinha, vamos colocá-las nos devidos lugares, juntando tudo da melhor maneira, equilibrando uma sobre as outras e arquitetando para que o conjunto atinja a forma ideal, aproximando-se do belo quanto possível.
A perfeição é de Deus e, se estamos empenhados numa missão santificante, qual seja a de sermos intérpretes fiéis dos mensageiros de Jesus, vamos procurar a perfeição na maneira que nos é possível concebê-la, desempenhando as nossas obrigações por pequenas que possam nos parecer.
Enlevados por um pensamento otimista de alcançar sempre o melhor, vamos realizando nossas experiências, naquilo que podemos compreender como trabalho útil à coletividade em que habitamos para depois estendê-lo também a distâncias que possamos alcançar através mesmo de nossos pensamentos bem dirigidos e intencionados.
A obra é universal, pois ela é de Deus.
E assim devemos vibrar de maneira que nossos pensamentos possam atingir a todos os nossos irmãos, independentemente de credo, raça ou qualquer outra condição.
Que Jesus vos ilumine.
12.4.1977
15 - A vida é ação e reação
Os genes da hereditariedade são a prova de uma vida incessante, que, através de tempos infinitos, se movimentam de geração em geração, deixando em todas o estigma de uma raça, de uma espécie. Se Deus dá ao homem a compreensão desta verdade, por que não entregar a Deus toda a razão de ser de uma vida que deve sempre ser vivida ao reflexo desta luz, que é a Sabedoria Suprema?
Os momentos desta nossa vida, por pequenos que sejam, entreguemo-los a Deus, oferecendo-nos inteiramente ao Criador. Mergulhados no infinito de Deus, nossa alma se encontra, se ilumina e reconhecemos quão pequenos somos diante de toda a natureza. Procuramos então nos engrenar convenientemente dentro desta mecânica sideral, sabendo, outrossim, que somos parcelas mínimas de integração dentro deste concerto de harmonias e perfeição.
Sentimos quem somos, o que somos e por que somos e nos sentimos felizes. Deus nos quer assim: íntegros, ativos e resolutos. A vida é ação e reação e, dentro dessas forças, estamos todos nós – homens, animais, coisas e toda a natureza que nos envolve.
19.4.1977
16 - Nada está parado
A evolução étnica é um dos princípios que regem a evolução de todo o planeta. Assim como há castas dentro de uma sociedade fazendo diferenciações quanto à maneira de se comportar, agir e entender as coisas e mesmo suportando um padrão de vida enquadrado segundo a evolução de cada criatura, assim também as raças se diferenciam, obedecendo a este mesmo princípio de diferenciação necessária para os diferentes padrões de conhecimento, de progresso, de compreensão intelectual e moral de seus componentes.
A evolução se dá em todos os sentidos de maneira múltipla e infinita e, assim, o que possa parecer estacionário para nós, não o é, no entanto, para visões mais altas.
Do plano em que estamos encarnados, não podemos ter uma completa visão dos fenômenos que nos cercam, mas saibamos que no imenso universo de Deus nada está parado; tudo evolui, tudo tende a se modificar. É a Lei; a Lei que, embora não possamos ainda compreender, podemos, outrossim, constatá-la por fenômenos que nos cercam. Cada povo, cada raça, cada grupo evolui dentro de si mesmo e para fora de si mesmo, obedecendo a esta mesma Lei.
O que possa parecer para nós estacionário, não o é, porém, para a Vida.
23.4.1977
17 - A sublime verdade que nos liberta
A verdade da Vida Eterna nos faz compreender quão fugaz é nossa existência e quão passageiros são nossos sofrimentos na carne.
O homem que tem essa compreensão não pode se deixar levar pelo desânimo nos insucessos das coisas terrenas. Tudo isso são provas das quais tirareis os melhores proveitos, se, à luz da Sabedoria, souberdes vos comportar com paciência e com amor a todos os acontecimentos que vêm não por acaso, mas porque assim tem que ser.
Trabalho sim, mas antes de tudo – compreensão para saber que o trabalho do homem é recompensado pelos salários humanos, ao passo que o trabalho divino só Deus poderá pagar. Não nos iludamos com coisas vãs, mas exercitemos nossa paciência no sentido do bom salário que devemos esperar de Deus, e não do homem.
Cumpramos nossas obrigações diárias, esforçando-nos em tudo o que aparecer para fazermos com muito amor, pois as oportunidades irão aparecendo, é só sabermos fazer bom uso delas.
Que Jesus, o vosso constante exemplo, seja a luz que vos ilumine nesse caminho que vos cumpre trilhar. O salário maior que poderemos ganhar é a felicidade de nosso próximo.
O sol brilha para todos. Aproveitemos essa luz divina que nos clareia o entendimento.
24.4.1977
18 - Aceitemos as determinações de nosso Pai
Aceitemos humildemente todas as determinações de nosso Pai, que nos vêm por intermédio daqueles em quem podemos acreditar. A falange de espíritos batalhadores é infatigável no exercício do bem e da verdade e é bom que abramos nosso entendimento para aceitarmos de bom grado aquilo que, no íntimo, reconhecemos como verdade.
Então, vamos nos dedicando com muito amor, muita coragem e com o pensamento sempre em Jesus, para não perdermos o fruto de tanto trabalho que não é de hoje que se realiza na espiritualidade; este trabalho que não é nosso, não é de ninguém, porque é de Deus. Jesus assim nos recomenda porque também Ele, quando aqui veio em missão, não disse que o trabalho era dele, mas do Pai, que é perfeito e sábio e todo-poderoso.
Vamos, pois, a exemplo de Jesus, render nosso culto a Deus, nosso Pai, e oferecer inteiramente nosso coração à causa do Bem. Não importa quando nem como, mas a todo instante em trabalho, em pensamento, em atitudes respeitosas para todos e com tudo o que nos cerca, pois até a natureza que nos envolve pede que a respeitemos.
É assim que se ama, é assim que se vive com sublimidade e, ao mesmo tempo, com humildade.
25.4.1977
19 - Lutemos em prol de um bem comum
O amor de Jesus nos envolve qual bandeira branca de paz e de compreensão, unindo os homens nesses momentos cruciantes de anseios, de novos padrões de vida a serem buscados por aqueles que, mesmo sabendo o que querem, ainda assim, muitas vezes se perdem no redemoinho de paixões desenfreadas.
Busquemos, nestes momentos de prece, a todos os líderes da juventude que anseiam sinceramente por dias melhores, mas que muitas vezes, por não encontrarem o apoio necessário, escorregam por caminhos menos desejados, de rebeldia e revolta contra aqueles que, pelo menos por hora, se acham com direitos assegurados.
Vibremos em benefício destes nossos companheiros de ideal por um mundo melhor, mas com a certeza daquilo que realmente desejamos: o bem-estar de toda uma comunidade e não apenas a satisfação de interesses particulares.
Vibremos amor, paz, harmonia, verdade e justiça em benefício desses irmãos em luta por um bem comum e entreguemos a Jesus a direção desses movimentos, encabeçados por enquanto por seus representantes humanos.
Que o divino Mestre nos ajude neste mister.
28.4.1977
20 - O voluntariado prazeroso
A seara do Mestre se estende aos nossos olhos espirituais qual trigal imenso, em que trabalhadores sinceros trabalham alegremente pelo simples prazer de trabalhar.
A alegria se estampa nos olhares de todos, pois são todos humildes devotos e fiéis cumpridores de suas obrigações. O salário, eles não esperam, pois não cogitam de bens que cabe ao Pai distribuir ao seu bel-prazer. Trabalham e trabalham trocando amabilidades e sorrisos de confraternização.
São estes os trabalhadores preferidos do Pai; não escolhem serviço, pois sabem que toda atividade bem-intencionada é alegria para seu próprio espírito. Buscam na prática do bem o quinhão que lhes dá o prazer de simplesmente conviver como irmãos. E a colheita é sempre farta, abundante. Os céus sempre completam a obra, abençoando com a riqueza do Sol e a dádiva da chuva. Chuva e Sol que a misericórdia de Deus manda sempre em boa hora aos trabalhadores de boa vontade.
Deus vos ilumine cada vez mais.
29.4.1977
21 - Prática esotérica é o caminho
A meditação exige um preparo físico e espiritual: físico com o intuito de um relaxamento muscular que vai proporcionar à mente maior capacidade de energia, visto que o físico relaxado dispensa essa energia; assim sendo, uma boa quota de fluidos vai revitalizar, revigorar a mente, que poderá então se pôr com mais desembaraço a trabalhar no sentido mais espiritual, ligando-se mais facilmente ao plano superior.
As práticas esotéricas vêm a ser justamente essa ligação mais íntima, através da vidência, clariaudiência e todas as faculdades psíquicas, com o plano espiritual superior, havendo um perfeito intercâmbio de forças e energias que irão agir desta ou daquela forma, conforme o caso, dirigindo-se para este ou aquele fim.
Essas práticas esotéricas são a predisposição da criatura ainda encarnada para cumprir os fins mais elevados, que ela pode cumprir mesmo estando ligada à matéria. Por meio dessas práticas, em que o espírito alça voo a planos de vibração mais intensa e mais pura, o iniciante pode trabalhar com os espíritos incumbidos de missões santificantes, junto à imensa falange que trabalha amorosamente com Jesus.
É, pois, necessário o cultivo dessas práticas para vos desvencilhardes do fardo pesado da matéria que ainda vos prende às coisas do mundo.
Que o divino Mestre vos ajude na compreensão destes ensinamentos ministrados com finalidades sagradas de orientar-vos quanto aos vossos trabalhos.
Que a paz de Jesus vos envolva.
30.04.1977
22 - Olhos e ouvidos para entender a Verdade
A luz que vos ilumina há de vos dar o entendimento necessário para as verdades eternas. Na meditação, muitas dessas verdades podereis encontrar, cada um de acordo com o que pode assimilar.
Muitas passagens obscuras do Evangelho, que são justamente obscuras para os que não têm olhos e ouvidos para absorver a verdade, serão esclarecidas à medida que nossos conhecimentos se ampliarem.
Como dissemos, é na prática do esoterismo, isto é, na busca do mundo interior, que é o verdadeiro mundo, que encontrareis a solução de muitos de vossos problemas e vossas dúvidas.
Jesus estará sempre à disposição daqueles que, por meio Dele, buscam a Verdade e a Justiça.
8.5.1977
23 - Do mal surgirá o bem
O mal que vos avassala neste mundo, que atravessa sua fase final de evolução, é mesmo consequência de todo um processo evolutivo que esperávamos e conhecíamos através das Escrituras e que nada de extraordinário vos é. Assim tem de ser; mas do mal surgirá o bem, como sempre, aliás, e a todos a quem forem dados a perseverança e o amor ao trabalho, será dada a justa recompensa que Deus oferece àqueles que cumprem seus deveres e obrigações maiores.
A vida se desenrola cada vez mais intensa; o aperto das circunstâncias é evidente, fato que se torna cada vez mais visível, e só aqueles que têm a firme convicção, a fé inabalável, sairão ilesos desses cataclismos e desajustes de toda ordem.
O momento é de muita prece, de muita meditação, de muita vibração por toda a humanidade, pois aqueles que se reconhecem com obrigações a cumprir, devem bem cumpri-las para êxito de toda essa maravilhosa e gigantesca obra perante a Eternidade.
9.5.1977
24 - Mãe das mães
Um concerto de vozes se faz ouvir: são os anjos que cantam anunciando a ave-maria. Santa Mãe de Jesus, exemplo de amor, sacrifício, renúncia, paciência e tolerância. Mãe sublime, cujas lágrimas são orvalho vivo de amor, que refrigera as almas atormentadas pelos sofrimentos, mesmo os mais atrozes.
Mãe de Jesus, só por isso, tudo diz em torno do teu nome. Maria Mãe Redentora, mãe das mães que sofrem e de todos os seus filhos, neste vale de lágrimas. Abençoa, ó Mãe Misericordiosa, a todos estes teus filhos que se desviaram do verdadeiro caminho. Ilumina com tua luz, com tua candura a todos os que se acham na escuridão.
Em teu nome, Maria, queremos dedicar as nossas reuniões de vibração em benefício dos nossos irmãos necessitados. Sê para nós a luz que nos há de guiar.
10.5.1977
25 - Transformações inexoráveis
As ondas batem sem cessar – os rochedos são fortes, gigantescos, mas à custa do bater e bater vão corroendo aos poucos, vão modificando a contextura da matéria e vão transformando os contornos devagar.
A vida, sabemos, é eterna e o tempo não tem pressa, mas a evolução vai se fazendo porque esta é a Lei. As transformações advirão – o mundo se transformará e, acompanhando as transformações da matéria, vão se transformando também as ideias. "Transformação" não seria bem o termo, mas "progressão de juízos" para uma conclusão mais acertada.
Isso vai acontecendo sem que os homens queiram; sem mesmo que eles o percebam, pois Deus, soberano de todas as coisas, assim o quer e, se Deus quer, assim acontece. As ideias são produtos da evolução do homem. Isso é uma constante na Lei que rege o Universo e os conhecimentos vão chegando, através mesmo deste evoluir.
Podemos comprová-lo através de nossas próprias atitudes, que, em consequência de nosso progredir, vão se modificando dia a dia. Se isso podemos observar, mesmo nessa fugaz existência, que não será através dos anos, dos séculos, dos milênios?
É assim que se faz a evolução.
De acordo com as possibilidades de assimilação, serão ministrados novos conhecimentos segundo a vontade de Deus.
17.5.1977
26 - A luz a tudo vivifica
Nas profundezas dos abismos siderais, brilha uma luz que a tudo vivifica e a tudo refaz. A luz é algo sublime que aos homens é dado imaginar de maneira ainda muito restrita, muito apagada. A luz de que vos falamos é luz no sentido mais amplo, mais incomensurável: é a luz de Deus, significando o que há de mais puro, poderoso, perfeito e belo na ordem da Criação.
Ante esta luz, a vida se torna bela, pura, verdadeira, perfeita e infinita. Esta luz é a força que revoluciona todo o Universo. Procuremos imaginá-la da maneira mais grandiosa que nos possa parecer e estaremos nos revigorando em toda nossa plenitude. A luz de Deus – é nisso que devemos pensar, que nos envolve quando oramos, quando enchemos o nosso espírito de força, que nos impulsiona a viver com mais entusiasmo, com mais amor, com mais alegria.
Luz de Deus, sublime verdade da qual Jesus foi o modelo, enchendo com sua radiosa presença a todos os corações que O buscam. Arquétipo de pureza, de grandiosidade, de força, de poder, de perfeição; onde iremos buscar tudo isso de maneira mais fácil senão no exemplo vivo que Jesus nos deu? Busquemos no Mestre, nosso melhor amigo, que nos encaminha para o Pai, fonte de toda a Sabedoria, de todo o Poder.
A glória de servir a Deus é um bem que nos eleva a alma. Servindo, recebemos do Alto todo o bem que a felicidade dos eleitos nos proporciona. Sentimos o coração transbordante de alegria.
É o Reino de Deus enchendo-nos a vida. Alegria, entusiasmo, otimismo, vontade cada vez maior de vencer, de dar, de fazer também os outros felizes. Mas essa felicidade não se compra; consegue-se com trabalho do dia à noite, com lágrimas e sacrifícios e que, por isso mesmo, é um tesouro inestimável e imorredouro.
Conquistemos esse tesouro valioso à custa de nosso próprio esforço, pois só assim ele de fato nos pertencerá.
18.5.1977
27 - Obras sublimes
Saulo, por que me persegues?
A quantos Saulos Jesus teria de continuar dizendo essas palavras até os nossos dias?
Na ânsia de cumprir com as obrigações, quanta gente se engana em relação à verdadeira finalidade da vida. Saulo foi também um fiel cumpridor de suas obrigações, no entanto ele era capaz de cumprir outras mais sublimes, e para isso Jesus o chamou.
Por que nós, que conhecemos a Verdade, que entrevemos a verdadeira luz, não nos dedicamos mais e mais ao cumprimento de nossas obrigações?
Vamos, meus irmãos, vamos trabalhar com mais amor, com mais dedicação, com mais entusiasmo, pois sabemos que nunca nos faltarão o apoio e as bênçãos do Mestre, nosso Divino Mestre, que continua a nos guiar, nos entender e a nos esperar. Vamos que o tempo urge e os trabalhos se avolumam. Não há mais tempo a perder.
A vida exige de nós que nos ponhamos de mangas arregaçadas para todos os trabalhos que nos aparecerem. São muitos os batalhadores na seara do bem, mas eles precisam de nossa contribuição, por pequena que seja. Abramos o nosso coração antes de todo trabalho, mesmo que este seja de nível material para que os mensageiros do Pai possam nos direcionar a melhores caminhos.
O amor há de superar todas as situações e Ele nos fará tomar atitudes condignas de nosso proceder perante este Pai, que nos dirige acima de tudo e de todos. Vamos examinar conscientemente nossas atitudes, medi-las e pensá-las, pois os discípulos do Mestre não podem levar dúvidas no coração.
29.5.1977
28 - Tudo a seu tempo
Jesus, tu és a luz que brilha nas trevas da nossa ignorância. Concentramo-nos em tua luz para podermos enxergar as maravilhas que nos rodeiam.
Jesus, quanto falta ainda para termos aquela fé, aquela convicção que desejaríamos possuir? Porém confiantes no teu amor, aqui estamos desejosos de fazer algo pelos que se aproximam de nós, carentes de um apoio, de um novo estímulo.
Fortalecemo-nos em ti e, assim, queremos ajudar os nossos irmãos. Oraremos em conjunto a fim de nos sentirmos mais encorajados.
30.5.1977
29 - Aproveitemos todas as oportunidades
Lá do infinito das alturas, Deus espera por nós. Vamos viver intensamente, conforme sabemos que devemos viver, como todo cristão que se preza, aceitando com resignação o que a vida nos impõe. Tudo é para o nosso bem e o de todos, pois a evolução tem de se fazer desta ou daquela forma, embora ignoremos a forma pela qual as coisas se ajustam para melhor.
Deus clemente, misericordioso, mais uma vez vossa vontade se faz, pois tudo se encaminha e se engrena na maravilhosa mecânica do vosso universo, do qual somos parcela mínima, porém necessária para que a vida continue a existir.
Louvemos a Deus, nosso Pai, por compreendermos o significado dessa maravilhosa harmonia da qual queremos continuar a fazer parte, entrosando-nos resignadamente aos desígnios do Pai.
Louvado seja Deus.
10.6.1977
30 - O sorriso amigável
A cruz que devemos carregar é nossa. Peçamos a Deus força para tanto, coragem para prosseguir e compreensão para entender a razão da Vida. Como Jesus, queremos ser dignos de carregar uma cruz bem pesada, mas chegar abençoando a todos até o fim da caminhada.
De nada adiantaria carregá-la maldizendo os que se aproximam de nós. Vamos sim procurar abençoar como Jesus fez, oferecendo àqueles que escarnecem de nossas provas o exemplo de nossa coragem e o calor de nossas palavras bem-intencionadas e bem sentidas.
Perdoemos aos nossos algozes, oferecendo-lhes o sorriso amigável de nossa companhia e ofertando-lhes o carinho de nossa compreensão em favor de sua ignorância.
Oremos sempre por eles, pois Deus está com aqueles que praticam a Lei do Amor, que é a Lei da Caridade.
15.6.1977
31 - A vida em poucas palavras
A vida é alegria, é euforia, é entusiasmo, é vontade de fazer os outros felizes como nós somos, na compreensão de uma vida verdadeira, que resplandece em tudo o que nos cerca; vida que reverbera na mais pequenina flor, no mais rastejante dos animais, vida que se manifesta esfuziante de luz, de majestade em toda obra da Criação.
Alegria, entusiasmo, coragem de levar avante a compreensão que temos em face desta vida maravilhosa de amor; amor que faz de todas as criaturas uma só alma, filha de um Pai único e soberano; amor que nos identifica como criaturas filhas de Deus e irmãs de Jesus; todas juntas, todas unidas numa missão única e verdadeira de levar a todos o conhecimento, a paz e fazer de todos um só rebanho pertencente a Jesus.
20.6.1977
32 - Gloria in excelsis Deo
A vida é eterna!
Quanta filosofia encerram estas simples palavras. Quanta grandiosidade num simples pensamento. Pudesse o homem vislumbrar, através do véu que o prende à Terra, toda a maravilha que o espera e bendiria o momento em que, desprendendo-se dos laços que o ligam à matéria, se libertasse em espírito para usufruir da glória que o Pai lhe outorga. Dever cumprido, vida bem vivida, consciência limpa para prosseguir.
Para que, pois, lamentar uma passagem que sabemos ser apenas uma passagem e que, por isso mesmo, é apenas uma fase de transição? Por que chorar se apenas temos motivo de regozijo perante a vontade do Pai, que uma vez mais se cumpre?
Louvemos ao Senhor e, em suas mãos, entreguemos a alma cansada deste nosso companheiro de jornada que, apesar do cansaço, sente-se plenamente confiante no que a vida lhe reserva daqui por diante. Que nós, seus irmãos de fé, aumentemos-lhe esta confiança num poder maior, que faz e desfaz para refazer depois, de maneira sábia, certa e segura na grande e sublime obra da Criação.
Abençoemos com Jesus esse nosso irmão que parte, mas que continuará vivendo no coração de cada um de nós.
29.6.1977
33 - Na luta com nós mesmos
Pétalas brancas de paz serão derramadas sobre vós. A luz dos céus, nelas incidindo, difunde-se esplendorosamente por todo o ambiente. Jesus e Nossa Mãe Maria Santíssima nos mandam essas rosas precursoras da paz, que nos envolverá como prova de que Deus está com quem quer trabalhar em seu nome.
A vida é assim mesmo; cheia de altos e baixos, mas é desse modo que conseguiremos nos engrandecer perante o Pai. Na luta com nós mesmos, vamos aferindo o grau de capacidade que possuímos diante das provas e nos sentimos realizados, posto que o amor vence todos os obstáculos.
A união vos dará forças; é por isso que sempre recomendamos união, pois a prova é árdua para aqueles que são sinceros discípulos de Jesus. Não faltarão tentações, tribulações e mesmo competições por parte de espíritos inferiores, mas, como vos recomendamos, deveis dirigir, antes de tudo, uma prece fervorosa por eles para que sejam encaminhados e que vos deixem o campo livre para o trabalho bem dirigido.
Mais confiança no que Deus vos reserva e muitas bênçãos dos céus para todos vós.
Maria Mathilde Borges Macedo
4.7.1977
34 - O pensamento elevado nos dá força
"Vinde a mim todos os que estais fatigados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei", disse o Mestre. Fatigados de corpo e de espírito, cansados pelas lutas que a vida impõe; no recolhimento, na prece, encontrar-me-eis porque "Eu e o Pai somos um" – continua a dizer o Mestre, pois Ele nos assiste e vela por nós.
Confiemos em suas palavras e façamos de nossas orações o meio pelo qual trazemos Jesus até nós. Com essa visita tão majestosa em nosso meio, havemos de nos sentir certamente rejubilados. Com essa luz e essa paz a nos extasiar a alma de alegria, onde encontrar maior ventura, senão no aconchego de nossa solidão?
Encontrando-nos com Jesus, deixamos de estar sós e, com a sua proteção, poderemos proteger também aqueles que se sentem mais fatigados e desanimados do que nós.
Busquemos a Jesus, pois Ele está sempre a nos esperar.
20.7.1977
35 - Liberdade, mas antes de tudo fraternidade
Da fonte pura e cristalina beberemos todos juntos, quando unidos em nome de Nosso Pai. Beber significa dessedentar-se, mas espiritualmente, para que se cumpra a vontade de Deus quanto àquilo que é mais importante para todos.
Estas mensagens têm de continuar para a glória de Deus e felicidade dos muitos que as lerem e estudarem. A luz há de iluminá-las para que a Verdade prevaleça sobre todas as coisas, e a compreensão encaminhe as criaturas para uma vida equilibrada, mais harmoniosa perante a sociedade humana. O mundo está precisando de paz, de amor e é o que levaremos adiante com nossos escritos e com nosso exemplo.
A Nova Era é de renovação no sentido espiritual para que o mundo possa marchar de cabeça erguida, consciente de que vive e cumpre um programa. Liberdade – mas, antes de tudo, fraternidade para que os costumes não se corrompam antes de se concretizarem. A luz da Sabedoria Divina há de nos mostrar o melhor caminho a prosseguir.
21.7.1977
36 - Praticando a caridade
Meu Deus, tende piedade de nossos irmãos, estes que se incrustam de forma tão penosa e que têm tanta dificuldade para renascer para uma vida de trabalho e de amor ao próximo. Que nossas vibrações busquem sempre estes irmãos, que muito precisam da ajuda destas reuniões, em que eles sentem mais de perto os fluidos que vão revigorá-los para uma vida mais proveitosa.
Tenhamos paciência com eles, recebendo-os com bastante compreensão para que sintam em nós alguém que os possa ajudar. Sentindo confiança, irão aos poucos se integrando numa vida que precisam viver. O exemplo de hoje é um deles. Muitos há assim na erraticidade, necessitando da nossa ajuda mais de perto. Ao influxo de nosso amor, de nossas boas palavras, acreditamos que, em nome de Jesus, muito faremos por eles.
Jesus vos pague pelo muito que puderdes fazer.
Deus vos ilumine cada vez mais.
23.7.1977
37 - A flor e o espírito
A vida é um bem pelo qual devemos agradecer a Deus, trabalhando pela nossa evolução. Saibamos cultivar com carinho a flor que Deus nos oferece para que ela fique cada vez mais bela, resplandecendo sua beleza também para os olhos dos outros.
Seu perfume há de se tornar cada vez mais sublime a fim de que outros possam da mesma forma aspirá-lo e se reconfortar. É assim que estaremos trabalhando, não só por nós, mas também para os outros, agradando desta forma a Deus.
O cultivo da flor, símbolo do espírito, é bem uma comparação acertada, pois o espírito é bem digno de ser a ela comparado, como obra perfeita da Criação. Lembremo-nos sempre dessa flor, cuja representação devemos levar aos olhos dos que nos cercam e que esperam de nós o que há de mais belo, mais sublime.
Sejamos mais uma rosa no maravilhoso jardim de nosso Pai.
24.7.1977
38 - Vibrações amorosas
Jesus, te agradecemos tudo por de bom que temos conseguido, e queira Deus possamos levar avante nossa tarefa de amor em favor de todos. A luz do Divino Mestre há de nos iluminar para que enxerguemos melhor o caminho e possamos sentir as vibrações de nossos irmãos espirituais.
A vida nos enche de alegria quando constatamos quanto pudemos fazer, apesar de nossas poucas possibilidades. Não obstante serem poucas, quando unidos em nome de Jesus, sentimos nosso poder crescer e, irmanados nesta falange bendita, sentimos que podemos continuar.
São muitos, muitos mesmo os que se beneficiam destas vibrações amorosas. Continuemos, pois tudo está a nos sorrir outra vez. A Virgem Imaculada é nossa Mãe espiritual e dela podemos receber muita ajuda, estímulo e conforto para nossos trabalhos. Muitos são os irmãos que nos procuram e eles não podem partir sem uma palavra de estímulo, com o coração vazio e desesperançoso.
A bem deles vamos unir nossas forças em Cristo, trabalhando para o bem de todos.
25.7.1977
39 - Alcançando distâncias infinitas
No intercâmbio [trabalhos mediúnicos] que fazemos, muitos benefícios se desenvolvem, não só à nossa volta, mas a distâncias incomensuráveis.
No plano do Amor Divino, as forças se multiplicam e uma cadeia vibratória ininterrupta e esplendorosa enlaça as almas a quem amamos e as quais muitas vezes ignoramos. As vidas se unem no espaço e no tempo e tudo é uma coisa só para falar da beleza universal.
As portas do Paraíso se abrem para todos os que perseveram no bem.
Amai-vos, meus filhos. Jesus vos abençoe neste momento glorioso.
26.7.1977
40 - Usufruindo de um Bem
Qual Éden escondido entre as folhagens, encontramo-nos num ambiente de muita paz, de muito amor. A brisa fresca e perfumada inebria-nos a alma e, neste refrigério de doçura indescritível, nos elevamos ao nosso Criador, bendizendo todo o bem, toda a ternura que podemos usufruir.
A música celestial que nos envolve nos transporta para alturas que ao nosso espírito comumente não é dado chegar e, mergulhados num concerto de vozes e harmonias, nos ligamos de maneira angelical aos que nos rodeiam. Somos todos um e uma só alma a bendizer a Deus.
Exercitemos o espírito nessas reuniões para nos entregarmos ao que há de melhor, mais puro e belo, pois tudo se encaminha para este fim.
27.7.1977
41 - Entendendo o sofrimento
Na humilde manjedoura nasceu o Menino-Deus para nossa salvação. Que é a nossa salvação senão a recuperação de todo o tempo que perdemos na obstinação com o mal ou com a displicência no cumprimento do nosso dever?
Jesus nasceu, cresceu e viveu por nós para exemplificar com seu amor e com seu trabalho toda a trajetória da nossa vida, vida que devemos viver com a intensidade que viveu nosso Mestre, vida cheia de percalços, de dores e ingratidões, mas vida também vivida com o coração a transbordar amor por todos, independentemente da casta ou de qualquer outra situação transitória que ao homem é dada viver.
Jesus foi e será o nosso exemplo de como deveremos viver, cumprindo conscientemente o que o Pai espera de nós. Sempre com o coração aberto às sublimes verdades, vamos vivendo, realizando na íntegra os nossos trabalhos, que não deverão se limitar a operações comezinhas, mas que devem se completar de forma muito brilhante com as nossas aspirações mais elevadas.
A vida é amor, trabalho, dor, mas tudo isso ao lado de muita compreensão, num sentido altamente elevado quanto ao que é espiritual em todas as nossas ações.
À luz do Evangelho irrefutável de Nosso Senhor Jesus Cristo, vamos viver compreendendo a razão da vida.
28.7.1977
42 - A evolução em face da vida humana
Os povos que passaram pela Terra, através de suas diferentes fases de evolução física, sofreram também simultaneamente uma evolução espiritual, dado que ao espírito se atribuem certas qualidades que, em determinado plano físico, podem se desenvolver com mais rapidez.
Se a certos povos foi incumbida uma missão coletiva para seu desenvolvimento em determinado plano terrestre é porque ali lhes convinha melhor viver. Se os progressos tecnológicos eram aí ainda precários, a natureza, ao contrário, lhes oferecia um manancial de riquezas. Os povos que podiam usufruir desses bens naturais, poderiam se dedicar mais ao cultivo de seus dotes espirituais.
Assim é que a vida em si era bem mais simples, havendo tempo bastante para as consagrações às divindades que cultuavam. Dentro dessa norma de vida rudimentar elevavam-se sobremaneira em espírito, unindo-se fraternalmente às entidades que os dirigiam.
Seus corações puros, livres de quaisquer preconceitos, se davam todo ao amor e, na simplicidade de seu viver, eram ricos na plenitude de seus anseios mais sublimes. Assim foi que muito se fez neste planeta através dos tempos, sem que os homens de hoje deem a isso algum valor.
Para eles são mais válidos os restos materiais dessas civilizações, restos que, no entanto, não condizem com a evolução verdadeira do espírito. Progresso material nem sempre significa progresso espiritual; e disso temos provas quando vemos que certos povos se destruíram a si próprios, levados por ambições desregradas de conforto material.
A vida, a verdadeira vida, é muito complexa e, se quisermos analisar com sabedoria, à luz da Verdade, não nos deixemos levar pelas falsas aparências.
As meditações a que costumamos nos entregar falarão mais alto sobre estas Verdades que, aos poucos, iremos conquistando com a graça de Deus.
29.7.1977
43 - Retiro salutar para nossa alma
Se a todos fosse dado um momento de refrigério espiritual, quão diferente seria o mundo! Quantos males são debelados nos momentos em que nos consagramos a um retiro tão salutar para a nossa alma!
Quanto bem para nós e para os outros, mesmo para os que não conhecemos, mas que sabemos existir em grandes proporções neste mundo de tantos pecados! A vida se aclara para nós; torna-se grandemente valiosa quando nos consagramos em nome de Deus para ajudar aos que precisam.
É assim que se evolui: no aconchego ao qual muitas vezes podeis não dar muito valor, vosso espírito galga alturas e, entrando em contato com forças poderosas do bem, se beneficia em muito, mas muito mesmo. Por isso, tornamos a vos lembrar que “o amor encobre a multidão de nossos pecados”.
30.7.1977
44 - A quem muito foi dado, muito será pedido
Tanto mais avançamos no progresso espiritual, tanto mais aumentam nossas responsabilidades perante a vida. Somos todos viajores eternos em busca da Perfeição, do Amor e da Verdade e, sem lutas pelo caminho, nossa ascensão seria inglória.
Os combates serão árduos, a começar com nosso próprio espírito a querer evoluir, mas encontrando barreiras que ele mesmo coloca; depois, outras tantas encontraremos para provar nossa fortaleza.
De nossa autoafirmação depende o êxito das provas que advirão, e nessa escalada iremos disseminando amor para todos os nossos irmãos que, por circunstâncias da própria vida, se aproximam de nós, buscando por nosso intermédio a ligação com Deus a quem procuram, embora sem o saberem.
Confiemos em Cristo, porque tudo está disposto para o bem geral da humanidade e os nossos problemas, que parecem ser pessoais, passarão a um domínio mais amplo de uma obra que é infinitamente grande e redentora. Entendamos os nossos problemas para depois entendermos os dos demais. É assim que se aprende e se evolui.
Sigamos a Jesus e, nos momentos de vacilações, reunamo-nos com Ele para aumentarmos nossas forças.
Deus vos abençoe.
30.7.1977
45 - Refazendo-se de um embate
O dom divino, o supremo dom que Deus nos dá para afugentarmos todo o mal e nos refazermos da luta diária – que coisa mais linda, mais bela, mais pura é o poder de refazer-nos em tão pouco tempo, o poder de nos reencontrarmos e de nos apoiarmos em seu regaço amigo.
Onde, senão em Deus, poderemos achar tanta ventura, tanta transformação de estado de espírito em tão pouco tempo?
Ó Deus, Supremo Pai, que nos anima e nos conforta; que muitos de nossos irmãos possam sentir isso que sentimos e pelo que vos agradecemos. Poder esquecer as fadigas do corpo, o desânimo do espírito e nos pormos em colóquio maravilhoso com nosso Criador; ventura maior não poderíamos ambicionar em nosso viver, que, no comum das criaturas, ainda é tão cheio de dores e sofrimentos.
Sim! Podemos dizer: estamos felizes. Sim! Somos muito felizes, pois podemos contar com a ajuda divina, a nos guiar neste e em qualquer momento da nossa vida.
Graças a Deus.
31.7.1977
46 - Arrebanhando almas perdidas
O Divino Modelo vos anima nesta caminhada sublime, em que deveis arrebanhar tantas almas perdidas nos erros, nos desenganos, nos vícios e nas paixões desenfreadas. Com Jesus no coração, encontrareis força para perseverar no bem e exemplificar com todo o amor a vida do nosso querido Mestre.
Os necessitados de compreensão que nos cercam são as almas desgarradas do rebanho do Pastor. Se já temos convicção dessas verdades, animemo-nos para, com justas palavras e com muita paciência, alertarmos essas almas desencarnadas.
Não deixemos que a dúvida da vitória, o desânimo e o cansaço se apoderem de nós. Revigorados dos momentos mais difíceis na fonte divina do amor de Jesus, que nos alenta e nos faz continuar a jornada, caminhemos com mais facilidade. Unidos em pensamento sempre à luz do Evangelho, seremos fortes. Sentimos que podemos muito fazer quando nos unimos nesta corrente maravilhosa de luz que se irradia de maneira tão linda e que, infelizmente, a muitos não é dado enxergar, mas nós pelo menos já podemos sentir.
Essa corrente de luz, de força transcendental, abarca aqueles a quem endereçamos nossos desejos de melhoria bem como aqueles ligados por afinidade aos primeiros; assim, de maneira prodigiosa, servimos de meio para as forças do Alto se dirigirem a todos.
O Bem, vencendo todas as barreiras, nos predispõe a vibrarmos poderosamente em benefício destes nossos irmãos, e eles paulatinamente vão também se unindo a nós e subindo aos poucos na escala evolutiva. Daí a importância de nossas reuniões com esse propósito.
Estamos muito felizes pelo tanto que pudemos realizar.
Que a luz de Deus nos envolva sempre como tem sido para a glória de Jesus.
1.8.1977
47 - A evolução através das reencarnações
A vida é a suprema graça que Deus nos confia para remissão de nossos pecados e ascensão na escala do Bem. Eternos viajores na caminhada infinita do Amor, vamos pela vida afora com o coração vibrante de tanta beleza que podemos descortinar no mais além; lá, onde Deus reina sobre todas as coisas, purificando as almas com a força majestosa de sua luz; lá, onde nem todos podem chegar ainda, mas que anseiam alcançar de uma ou outra forma.
O paraíso, descanso eterno daqueles que não lutam em vão, mas que, compreendendo o valor do trabalho, fazem por realizá-lo conscientemente; esse paraíso não é mais do que o recôndito invisível das almas que se fizeram, que se realizaram e conseguiram a paz que a elas é dado gozar.
A vida é tudo isso: paixão, morte, alegria, tudo enfim que nos edifica e nos refaz, aperfeiçoando-nos no íntimo do nosso ser. Aprender a gozar dessas delícias, compreender o sentimento alheio, é viver num padrão altamente elevado, que nos conduzirá a Deus. Só assim seremos felizes, completando-nos com a Divina Graça que ela encerra.
8.8.1977
48 - O verdadeiro caminho com sacrifícios e renúncias
Na linda estrada de Damasco, Saulo viu Jesus pela primeira vez em todo seu esplendor. Sua luz era tanta que o cegou, iluminando-lhe, porém, o espírito, que passou a enxergar as maravilhas e as verdades da vida.
Abençoada hora em que Deus, nos privando de bens materiais, nos conforta, porém, com outros aos quais não podemos atribuir preços. Como Saulo, saibamos sentir dentro de nós a luz de Jesus, a nos iluminar o caminho, nem que seja à custa dos nossos mais intensos sacrifícios e das nossas mais duras provações.
É assim que Deus nos quer: humildes, submissos e sempre ativos no trabalho redentor, porque só por isso tem razão a vida, esta vida maravilhosa que Deus nos confiou. Eternos viajores que estamos nesta imensa caminhada, aproveitemos todos os instantes de nossa vida terrena para aprimorarmos as nossas qualidades, tão necessárias aos nossos irmãos. A renúncia aos bens materiais, aos prazeres fúteis, às aparências etc., enfim, a tudo o que pode corromper o espírito, deve ser a nota principal da atenção de todos aqueles que escolheram esta vereda.
A quem muito tem, muito será pedido; cuidemos, portanto, com muito zelo da flor que Deus nos deu para cuidar. Essa flor, que é a mediunidade, deverá desabrochar com todo o seu esplendor, abrindo-se ao sol da vida, que acabará por conferir-lhe toda sua beleza e luminescência aos olhos de todos que a puderem contemplar. Essa flor há de se abrir de forma magnífica para que todos possam sentir seu perfume e contemplar-lhe a beleza.
Um roseiral de amor está à vossa espera.
Maria Mathilde Borges Macedo
9.8.1977
49 - Busquemos exemplos na natureza
Na linda natureza de Deus, encontraremos tudo o que de bom esperamos neste mundo tão necessitado de amor. No contato com a natureza, sentimos nascer em nós o desejo de progresso, de amor a todas as criaturas.
Admiramos todas as obras da Criação, fazendo vibrar o diapasão, por meio do qual entoaremos as mais sublimes melodias para nossos irmãos. Vamos com o coração transbordante de fé, de esperança e de muita caridade; caridade no sentido mais amplo e mais divino, que é o de fazermos aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós.
Assim, espalhamos amor, paz e compreensão a todos os lugares por onde passamos. Que o exemplo de Jesus fique bem gravado em nosso espírito e que nesta vida possamos tirar de tudo o melhor proveito.
22.8.1977
50 - Burilando os sentimentos
À luz do Espiritismo, muita coisa aprendemos e continuaremos a aprender, pois esta é a Lei que nos conduz à perfeição infinita de Deus. As lições nos são dadas e delas tiramos o proveito que pudermos de acordo com o nosso desenvolvimento, pois à medida que vivemos, aprendemos a sentir.
Sentir é amar, é sofrer pelos outros, procurando dar a eles o quinhão de nossas possibilidades, tanto em relação à nossa simples presença corporal, como nossa vibração espiritual. À medida que nos purificamos, irradiamos amor, luz e alegria e todos os que nos cercam usufruem desse bem-estar, que se traduz na bondade de Deus em nós.
A vida é isso. Viver, amar e sofrer não por nós, mas por aqueles a quem ajudaremos de uma ou outra forma. Depurando nossas ações, vamos vibrar intensamente por todos os que precisam. É belo, é sublime, é justo e digno esse viver. Quanto mais sentimos essa necessidade de perfeição em nós, tanto mais nos sentimos felizes e realizados.
Que importam as dificuldades, que importam os desenganos e ingratidões?
É tanto consolo, são tantas bênçãos daqueles que nos dirigem, que tudo mais se perde na inutilidade dos nossos desejos tão mesquinhos, quando comparados com os anseios maiores. É muito bom viver à luz das verdades eternas. A vida é bênção de Deus a nos conferir oportunidades que são sempre renovadas.
Senhor, glórias, glórias a Vossa Suprema Majestade.
Agradecemos-vos todo bem que nos destes.
25.8.1977
51 - As humanidades também se renovam
O tempo se incumbirá de dizer a Verdade.
Reconhecemos nossas deficiências para julgar muita coisa, mas à custa de nossos estudos, de nossas atenções, vamos nos compenetrando aos poucos do tanto que ainda precisamos fazer por merecer a Luz que nos faz enxergar sem dificuldades os fatos. Requeremos ainda muito esforço, muita dedicação para tirarmos as conclusões, mesmo que elas sejam à luz de Deus.
Atentemos às circunstâncias que nos fazem pensar melhor e, sem ideias preconcebidas, vamos nos predispor a entender que Jesus veio ao mundo para salvar toda uma humanidade. Que humanidade é esta, tão perversa que até hoje rebela-se e refuta ideias e exemplos tão concretos de amor, de renúncia e abnegação?
Será sempre a mesma humanidade que se debate nas teias negras da ignorância ou os espíritos passam por este planeta vindos de outras esferas que não a Terra? Nossa observação e raciocínio dizem que, naturalmente, os homens não são sempre os mesmos a se empenharem em problemas tão renitentes.
Embora à custa de muito sacrifício, de muito amor, de muitos trabalhos e muitas reencarnações, mesmo assim, somos obrigados a crer que muitas almas que hoje vivem continuam migrando de outros mundos mais necessitados ainda que o nosso. A vida se renova sempre e sempre, mesmo aqui na Terra, e as humanidades também se renovam.
Empenhemo-nos, pois a atual humanidade, que para a maioria dos homens aparentemente está num padrão mais elevado de compreensão, deve aceitar certos conhecimentos para prosseguir através da evolução inerente aos filhos legítimos do Pai. Portanto a humanidade deverá continuar sua caminhada livre de quaisquer tropeços mesmo que, egoisticamente, alguns seres humanos prendam consigo outros seres humanos através dos pensamentos, que são força poderosa de atração.
Então unamo-nos a Jesus, a Deus, nosso Pai, e deixemos livres os irmãos que muito fizeram por nós e que têm uma vida a viver e, aliás, seja dito, com muito merecimento. Quando fizermos nossas preces, façamo-las dirigindo-nos a Deus, Todo-Poderoso, que saberá com Suprema Justiça encaminhá-los da maneira como lhe aprouver.
Que a luz do Divino Mestre vos dê a compreensão desta Verdade, pois nossos trabalhos continuarão com a graça de Deus e sob a luz de Jesus, nosso Mestre.
28.8.1977
52 - Agora é a nossa vez
O Espírito Santo insuflou as almas dos apóstolos para que eles pudessem levar ao mundo a mensagem de Deus. Sob as mais variadas formas, os apóstolos trabalharam em nome do Cristo. E por que não continuaremos nós a trabalhar nesta seara bendita, quando se faz mais necessária a nossa intervenção em todas as atividades humanas?
O amor que Jesus nos dispensa não é causa para ociosidade, mas para um incessante labor. Pelas chagas de Jesus, por todo seu sofrimento, devemos justificar nossa passagem pela Terra, cumprindo com as nossas mais sagradas obrigações.
Conforme ficou dito, a mediunidade é a forma mais sagrada de servir a Deus, e os apóstolos e os mártires foram os seguidores de Jesus nesta obra gigantesca de redenção espiritual.
Se somos cristãos, por que não imitar o Mestre, contribuindo com a nossa parcela mínima de boa vontade e de amor às coisas que sabemos sagradas?
30.8.1977
53 - Sejamos constantes neste mister
O homem propõe e Deus dispõe; e como Deus dispõe sempre para melhor, vamos em frente para executarmos aquilo que Ele quer. Vamos com muita coragem, com muito entusiasmo, pois tudo está a nos sorrir. É grande a nossa alegria quando podemos nos comunicar e externar o que nos vai na alma.
Deus quer trabalhadores corretos, honestos e constantes para suas grandes tarefas. E assim continuará sendo, pois temos a bandeira branca da paz e do amor a nos envolver. Com Cristo estaremos firmes, nossos passos estarão seguros, nada temeremos, mesmo que os homens não nos entendam.
A paz deve ser sempre o nosso lema. O que não puder ser discutido amigavelmente, que seja assimilado por quem for capaz. Mas nunca, nunca mesmo estas mensagens deverão ser tema de altercações e mal-entendidos entre os homens.
A finalidade é sempre um alerta e os que tiverem olhos de ver e ouvidos de ouvir, que façam.
Que Deus esteja com todos.
Padre Miguel do Nascimento
5.9.1977
54 - Descobrindo novos caminhos
Com o coração transbordante de entusiasmo, aqui estamos diante do Pai, Senhor de todas as coisas, coordenador de toda a vida exuberante que se nos oferece diante dos olhos, ainda deficientes para abrangê-la em toda a sua magnitude.
Mas, com a luz do Mestre a nos iluminar o caminho, vamos descobrindo novas maravilhas, mesmo naquelas coisas que costumamos olhar sem muito interesse. Com este novo facho luminoso, abriremos novos caminhos e percorreremos estradas que o Supremo Conhecimento nos facultará.
Com o coração aberto às Verdades Supremas, vamos sentir a beleza da vida, mesmo através dos homens que, com seus erros, nos cercam e vamos procurar dar a cada um um pouco da luz que já podemos enxergar.
8.9.1977
55 - Escolhendo o melhor caminho
O tirocínio do homem há de lhe mostrar o melhor caminho a percorrer: se o das felicidades mundanas ou o dos sofrimentos com Deus. À luz da Sabedoria que nos governa, vamos dar nossos primeiros passos decisivos, mesmo que o coração sangre de dor, pois levamos bem alto aquele estandarte de paz e de amor, aquele mesmo que Joana D'Arc empunhou em nome de Deus; vencendo a maldade e a incompreensão dos homens, vamos trabalhar com ardor e com muito amor, pois a vitória é sempre do Cristo.
Estejamos convictos da vitória e, como a donzela de Orleans, empunhemos bem alto aquele estandarte que, em nome do Cristo, há de desfraldar nas terras do nosso querido Brasil.
Bezerra de Menezes
8.9.1977
56 - Caminhando com proteção
Divino Mestre Jesus, ampara-nos para executarmos com fidelidade tudo o que vem de vós. Estamos convictos de vossa proteção e continuaremos felizes, sem interrupção, sem temor e com muita fé. Vamos sentindo que não somos nós que trabalhamos, mas tão somente erguemos o braço para que a vontade de Deus se cumpra.
Somos meros instrumentos da Verdade que Deus nos envia através de seus ensinamentos e orientações e somos fortes por isso. O imenso relógio da vida assinala a hora de começar. E este relógio não para e é alimentado pelas vibrações mais sutis que vêm de seu Criador.
É assim que devemos entender a vida: uma força, um influxo poderoso e suave ao mesmo tempo, porque onipresente e onisciente. O coração do homem que já pôs o pé no caminho deve bater ao ritmo deste macroaparelho que comanda tudo e todos, grandes e pequenos.
9.9.1977
57 - Identificando o trabalho
De todas as virtudes, a caridade é a mais sublime, pois ela encerra o amor e neste está contido o perdão, que anula qualquer resquício de desentendimento. Pudéssemos perdoar como Jesus quer que façamos e estaremos amando e sendo caridosos. Compreendamos as ofensas recebidas como resultado da cegueira espiritual que oblitera os homens e estaremos na posse da sublime virtude dos eleitos do Senhor.
Jesus, o Divino Modelo, nos inspire a amar realmente como Ele nos amou. Leguemos aos nossos irmãos mais afastados da verdade o voto do nosso amparo e da nossa compreensão.
Vibremos por eles, pois são muito mais necessitados do que nós.
12.9.1977
58 - O sopro vivifica as cinzas
Em cada coração existe sempre a chama viva do amor de Deus; chama esta que se acenderá com a força que pudermos lhe dar com o sopro do nosso amor.
Insuflando esta centelha, o fogo será mais ardente e cada alma sentirá o calor de Deus a lhe acalentar nas horas de amargura. Doemos o sopro divino que passa por nós e se incendeia no coração dos sofredores.
Toda criatura, por pior que nos possa parecer, é também uma alma, filha da emanação maior, que é o próprio Criador. Saibamos oferecer a todos a compreensão do nosso afeto, o calor do nosso ninho. Todos são filhos do mesmo Pai e irmãos somos de Jesus. Portanto, vamos semeando por onde passarmos, deixando sempre a lembrança inefável de quem vive à luz do Mestre.
14.9.1977
59 - Abrindo as portas do conhecimento
Em nossa própria vida encontramos a chave com a qual abriremos as portas que nos levarão ao conhecimento. Analisando todos os acontecimentos que marcaram época em nossa mente, veremos como a Lei é suprema; como está tudo concatenado e nada acontece por acaso.
Quanta coisa já podemos analisar à luz de nossa experiência, que vai aumentando na razão em que aceitamos os fatos como eles são e não como queríamos que fossem.
Quando podemos abarcar com o olhar todo o imenso cenário da vida que já vivemos, constatamos que foi tudo uma maravilhosa experiência que Deus nos proporcionou. Se temos este conhecimento, vamos então viver com compreensão, daqui por diante, aceitando com resignação os desígnios de Deus. A Ele cabe dirigir e a nós aceitarmos com muito amor o que nos cabe realizar.
Vamos em frente, que está tudo muito certo e aqui continuaremos com a proteção de Jesus e todos os excelsos mensageiros que trabalham em seu nome.
Padre Miguel do Nascimento
15.9.1977
60 - Conhecimentos reestruturados com a evolução
Quanta maravilha obtemos e constatamos quando pensamos em Deus. É tanta alegria que nos vai na alma sequiosa de mais saber. Mergulhados no universo incomensurável, nos sentimos tão pequeninos para poder julgar. O homem estuda, faz e desfaz, mas a verdade é íntegra e continua existindo independentemente do julgamento do homem.
Assim é que muitos conhecimentos vão sendo reestruturados de acordo com a evolução que o homem vai tendo à custa de seu trabalho, de sua meditação; e, principalmente, pela meditação sobre as coisas de Deus, o homem chegará, pela intuição, a conceber as grandes verdades que a vida encerra.
De muitos fatos que nós mesmos vivemos aqui tão de perto, já podemos tirar conclusões acertadas quando, à luz de Jesus, nos pomos a meditar e concluímos que Deus é sábio e indiscutivelmente sua Lei prevalece distribuindo bens que, em nossa vida, às vezes são tidos como males.
A razão, no entanto, amadurece e, esclarecendo a mente humana, ensina quão proveitosa é nossa vida quando a empregamos com verdadeira Sabedoria.
15.9.1977
61 - A cada jornada, um aprendizado
Tirando desta máxima a súmula do ensinamento de Jesus quanto aos preconceitos que prendem os homens em seus lugares de destaque para realização de suas obrigações, vemos que, de fato, o homem é sempre chamado por Deus nas mais diferentes atividades e das mais diversas formas. No entanto, são poucos os que entendem a finalidade de seu trabalho e o cumprem como devem.
As formas de servir a Deus não estão circunscritas a lugares e padrões de fé, mas ao meio pelo qual o ser humano emprega seu espírito no cumprimento de suas obrigações maiores. Essas obrigações, em qualquer lugar, estão sempre ligadas ao cumprimento da Lei de Deus, que é Lei de amor e de trabalho em benefício do próprio homem. Os tempos em que vivemos são outros.
O progresso que o homem alcançou limita-o à execução de certas obrigações, mas por isso o isola ou o separa de sua fonte original, razão de toda sua vida, de toda sua criatividade e progresso. É por isso que tornamos a dizer que, mesmo executando nos mais diferentes setores da vida pública, o homem continuará a servir a Deus se tiver dentro de si o conhecimento superior que o torna, de fato, homem racional, filho de Deus e escolhido por Ele para cumprimento de uma Lei que o rege de forma transcendental.
Dentro destes princípios de humanidade e fraternidade, ampliemos nossas capacidades para o campo das coisas que até pouco tempo eram consideradas sagradas e privilégio, portanto, de uma minoria. Com a luz de Deus a nos iluminar, vamos reconhecer que somos todos irmãos perante o Pai infinito e, portanto, com as mesmas possibilidades de ascensão.
Façamos por merecer o título de eleitos do Senhor, aperfeiçoando o que ainda nos falta aperfeiçoar.
16.9.1977
62 - O homem em face dos preconceitos regionalistas
Itália, Bélgica, Alemanha, França, Portugal, Espanha, Brasil... que significam esses nomes perante Deus? Somente palavras para designarem um pedaço deste planeta em que habita o homem, filho de Deus, e aí colocado para aprender a viver e conviver com seus irmãos, irmãos que podem se diferir por seus costumes, sua inteligência e seus modos de vida, mas que em nada se diferem quanto à constituição física, que os faz serem simplesmente homens.
Por que, então, tanta rivalidade, tanta disputa em querer um ser mais do que o outro, se, enfim, todos têm seus defeitos e qualidades? As qualidades não estão só em razão do progresso material, da aparência e das ideias mais ou menos avançadas, mas em relação, sim, à evolução que os espíritos possuem e muitas vezes não são percebidas pela maioria, apegada ainda muito ao que lhes toca os sentidos.
Quando estes sentimentos rudimentares do homem se acharem mais desenvolvidos e isso acontecerá com o decorrer do tempo, suas percepções serão mais aguçadas para sentirem o que realmente deverão sentir: justamente as qualidades morais que em qualquer povo poderão ser encontradas.
Abrindo nossos olhos espirituais diante da vida maravilhosa que Deus nos confiou, vamos procurar enxergar com maior clareza nossos irmãos de escola, procurando conferir-lhes o grau que verdadeiramente merecem e não aquele que, por preconceito, queremos lhes atribuir.
O regionalismo, patriotismo, civismo, etc., são ainda facetas a serem buriladas no homem. Tudo isso desaparecerá um dia, quando os homens souberem dar as mãos uns para os outros sem interesses mesquinhos e partidaristas.
A solução para os problemas deste mundo tão conturbado pela ignorância e ambição só poderá ser encontrada quando houver mais compreensão entre todos, e os homens se respeitarem como verdadeiros irmãos que são e ainda muito necessitados de aprendizagem. Na escola que Deus nos deu como meio de evoluirmos, devem todos os alunos serem fiéis colaboradores da obra comum, qual seja, a evolução de todos para o bem de todos.
17.9.1977
63 - As nossas bodas de Caná
Do vinho esfuziante que Jesus deu de beber aos convidados daquela época, reportemo-nos para uma festa bem a gosto dos nossos dias. O prazer é hilariante, o ambiente o mais nocivo. As conversas se diversificam em tons maliciosos e malévolos.
Que vinho Jesus poderia saciar a sede e o prazer de sociedade tão necessitada, tão ansiosa de algo que lhes inebrie os sentidos, já por si tão deformados? Que vinho, oh! Jesus, senão aquele milagroso vinho com que soubeste atenuar a sede dos aflitos e curar as feridas dos moribundos?
Sim, é deste vinho sagrado do teu cálice maravilhoso que a humanidade está precisando; do vinho que, em forma de sangue, ofereceste aos teus algozes; do vinho tão puro e divino que só de tuas mãos divinas poderia mesmo sair.
As bodas de Caná se repetem hoje em dia quando tudo falta a esta humanidade que tem tudo, mas que desperdiça inutilmente os bens que Deus lhe dá. A água, este manancial de forças vivas, este reservatório insondável de energias cósmicas e revigorantes, já está sendo relegada pelos homens que a trocam por líquidos degenerados e pervertidos.
Por que, como Jesus, não transubstanciamos essa água maravilhosa e fazemos dela o vinho que há de nos revigorar e alegrar? Alegrar a nossa alma cansada de sofrer e de iludir; alegrar o nosso espírito cansado de esperar por algo melhor.
Que outras alegrias poderiam ser mais reconfortantes que essa que nos eleva a planos sublimes, paradisíacos, onde o homem inutilmente procura chegar por caminhos torpes?
Doemos à nossa vida o vinho da alegria com Jesus e sejamos muito felizes para toda a eternidade.
18.9.1977
64 - Vamos passear com Jesus
Somos crianças ainda, aquelas mesmas crianças que Jesus costuma afagar, atraindo-as para junto de seu regaço. Somos tão pequenos ainda, tão carentes de carinho, tão necessitados do afago compassivo daquelas mãos que alentam e, ao mesmo tempo, acariciam.
Sentados aos pés do Mestre, vemo-lo como realmente é: grande, bem grande aos nossos olhos de criança; bonito, mesmo lindo; afável, de uma amabilidade que nos toca a alma; sorridente, com um sorriso puro e animador; sorriso igual jamais pudemos ver; enfim, uma figura radiosa, excelsamente bela e indescritivelmente amena; ao mesmo tempo pura, majestosa e simples. Damos-lhe as mãos, saímos a caminhar pelas veredas alcatifadas de flores e vegetações as mais variadas.
O sol penetra por entre a ramagem das gigantescas árvores e vem se unir ao sorriso do Amigo Querido. Tudo é festa e alegria. Há um alarido no ar; vozes que não distinguimos bem, mas que nos fazem lembrar o coro das igrejas; sim, são vozes de anjos, talvez; pois melodias tão belas só poderiam vir dos céus.
Os anjos cantam ao perceberem a nossa alegria tão infantil. E nós também, humildes pecadores, juntamos às dos anjos as nossas débeis vozes, cantando com eles o coro que glorifica Jesus e o Pai Eterno.
Glória a Deus, nas alturas, e paz na Terra aos homens de boa vontade.
19.9.1977
65 - Nossa missão
Do amor de Jesus recebemos a sagrada missão de trazer, através destas mensagens, a palavra esclarecedora para os problemas que afligem a tantos de nossos irmãos. A palavra amiga que vos trazemos vem do alto, muito alto e, assim sendo, confiemos que a bondade de Deus chegue até nós também desta forma.
O amor é a chave que nos abre todas as portas, por mais difíceis que sejam. Assim, vamos abrindo uma a uma as portas que hão de nos levar ao Paraíso, Paraíso simbólico onde poderemos gozar das delícias da vida; aquela vida que compreende o perfeito entrosamento de todos os bens que formos adquirindo através desta trajetória milenar em que pudemos adquirir firmeza em nossas experiências.
À luz da Sabedoria que iremos adquirindo, vamos compreendendo as diversas situações das quais vamos nos desembaraçando cada vez com mais facilidade. Vencendo a nós mesmos e encontrando as soluções dos nossos problemas, vamos nos esforçando por estender o amor que sentimos a todas as criaturas que nos procuram.
Através de preces, de pensamentos sempre positivos, vamos vibrando intensamente, espalhando em volta de nós a luz que de Jesus recebemos e que, por este acréscimo de confiança em nós mesmos, podemos irradiar tão intensamente como a recebemos.
Da pureza dos nossos propósitos, esta luz será tão pura e bela como a da fonte de onde a fomos buscar.
Humberto de Campos
20.9.1977
66 - A luz de Jesus
A luz que, em fechando os olhos e nos tranquilizando, nos permite enxergar e discernir, esta é a verdadeira luz que nos ilumina. Em qualquer situação, procuremos dentro de nós mesmos a centelha que se tornará maior quanto mais nos esforçarmos por encontrá-la; à luz de Jesus, tiraremos a melhor conclusão dos problemas a resolver.
Não deixemos que as trevas do desequilíbrio, da ignorância, obscureçam as nossas melhores visões. Deus nos oferece sempre a oportunidade de escolher o melhor caminho. O discernimento é a chave com que abrimos as portas que a nossa ignorância fechava. A verdade é a pedra sobre a qual os maiores edifícios se erguerão.
Não procure nos outros o que só em você mesmo poderá encontrar. Na encruzilhada da vida, um rumo certo devemos tomar: aquele que nos confere a felicidade interior.
22.9.1977
67 - Ninguém é esquecido
Na luz de cada amanhecer há uma nova alegria para nós, para os animais, para toda a natureza. Os passarinhos cantam saudando o amanhecer; prestemos atenção ao seu gorjeio e enterneçamo-nos com sua alegria; tudo é mensagem de esperança para um novo dia a raiar.
Os homens, imagem de Deus, devem também se lembrar da ventura que os traz à vida e agradecer em cada nova aurora a dádiva, a suprema dádiva da criação, que é a nossa própria vida. Esfuziante e bela, vamos tornando-a cada vez mais bela com a compreensão do nosso espírito, vendo em tudo o que nos cerca, que nos rodeia, a beleza, a perfeição, o supremo bem.
Glória, meu Pai, por me ter permitido viver.
23.9.1977
68 - Ideal de Liberdade
Muitos homens que outrora lutaram por um ideal de liberdade voltam dos túmulos para dar também sua opinião. Já uma vez dissemos qualquer coisa sobre essas passeatas estudantis, que deverão receber o nosso apoio consciente, inteligente e, ao mesmo tempo, fraterno, desde que agora temos um olhar mais amplo e podemos entender os problemas que muitas vezes passam despercebidos aos homens, ainda incapazes de julgar sem interesses próprios cada setor de que fazem parte.
Assim, é que estamos aqui hoje para vos dizer quanto nos sentimos honrados quando vemos que tantos estudantes se sacrificam por uma causa tão justa, qual seja a liberdade humana. É pena que certas personalidades do governo se achem obliteradas na cegueira de só enxergarem o que está muito perto de seus olhos carnais, esquecendo-se de que, além das fronteiras materiais, está um ideal muito mais sublime e justo, qual seja, o que compete ao espírito viver enquanto faz parte desta encarnação.
Pudessem esses senhores do Poder dar o mais alto valor de suas atitudes ao espírito imortal, respeitando-o através dos veículos carnais que por ora se fecham nas vestes corpóreas de estudantes indefesos.
Pudesse, meu Deus, uma luz brilhar a estes homens tão necessitados ainda de compreensão no mais amplo e significativo sentido que devemos dar a esta palavra e não haveria tantos tropeços para se chegar a uma verdade que, cedo ou tarde, chegará. Porque estamos convictos de que o Brasil ultrapassará todas essas dificuldades criadas por seus próprios governantes, porque perante o destino que o espera, sabemos de antemão que dias de glória lhe estão reservados.
Atravessemos esta fase tumultuada com a compreensão espiritualista que temos, entendendo que tudo isso é um mal passageiro do qual o próprio povo tirará proveito. Não vamos criar dificuldades com discussões inúteis e palavras vãs, mas vamos, sim, vibrar de maneira anônima pelos nossos dirigentes, sempre que pudermos, para que a luz da Verdade e da Justiça os oriente e os livre das trevas que presentemente os envolvem.
Com Jesus, deixamos o nosso apelo de, em vez de recriminar, fazer uma prece fervorosa em benefício destas almas que se acham imbuídas de tanta responsabilidade em face de um povo inteiro que tem um destino maravilhoso a cumprir.
Que Deus vos ampare.
24.9.1977
69 - O Reino de Deus está dentro de nós
Quando nos concentramos na figura de Jesus, sentimos crescer em nós o desejo de só fazer o bem, obedecendo os preceitos evangélicos que nos mandam fazer ao próximo o que gostaríamos que fizessem a nós. Isso nos enche de alegria e sentimos uma fortaleza no espírito.
A companhia de Jesus nos faz tão bem; busquemo-lo através de nossas preces. É por este meio que nos reencontramos. Se sentimos esta felicidade interior tão gratuitamente, por que pelejarmos de outra forma?
Muitos foram chamados para as bodas do Senhor. Vistamos a nossa túnica mais alva e mais bela para que sejamos dignos de lá permanecermos.
Da pureza e elevação de nosso espírito depende a acolhida que o Senhor nos dispensa. Só à custa de muita renúncia e autoaprimoramento, nossas vestes resplandecerão a luz de Deus.
25.9.1977
70 - O apocalipse de nossas fraquezas
O provedor de todas as horas é nosso Divino Mestre, que nos abençoa encorajando-nos para podermos acompanhá-lo nesta maravilhosa empresa, a melhor que poderíamos estabelecer. Seu reino não terá fim e ele disse que não é deste mundo.
Entendamos o significado profundo de tanta Sabedoria, vivendo com o Cristo o apocalipse de nossas fraquezas. Ele nos convidou a morrer para nascermos, morrendo para a vida falsa e nascendo para a verdadeira vida do espírito. Em sua trajetória terrena, ele foi um fraco para os homens cegos, mas um Rei soberanamente justo e grandioso para aqueles que o souberam entender.
Diante de Pilatos, abjurou todo um reinado terreno para reinar num reino que a humanidade não conhecia. Sofreu, sim, sofreu; não a dor física da matéria, mas a dor pungente de uma moral ofendida e humilhada pela ignorância de seus irmãos. Chorou, sim, chorou, mas suas lágrimas tiveram a força de lavar os pecados de muitos que souberam seguir de igual forma o seu calvário.
Cristo sofreu, chorou e morreu por nós, mas continua vivendo em nosso coração até o fim dos tempos..
Padre Miguel do Nascimento
25.9.1977
71 - Libertas quae sera tamen
O ideal de Joaquim José da Silva Xavier é nosso ideal também. Esta mensagem que vos trazemos é um lenitivo para vossas desesperanças. Como diz o ditado: Deus tarda, mas não falta. São muitos os batalhadores na obra imensa de regeneração de toda esta humanidade e, embora não seja de conhecimento de muitos, há irmãos nossos extremamente dedicados e muito capacitados para exercerem liderança espiritual em torno destes que ainda se encontram menos avisados quanto aos sagrados deveres que os prendem às suas obrigações.
Muito acontecerá ainda, porque assim há de ser para a evolução do próprio povo, mas um régio poder dirige esta nação. O mundo inteiro não está abandonado e, apesar das catástrofes e dos desentendimentos, uma suave mão invisível a tudo dirige e consola. Que somos nós diante de tanta grandeza? Simples criaturinhas debatendo-se ainda nas teias dos próprios enganos, procurando se desvencilhar do emaranhado de suas confusões mentais.
Apenas um caminho esta mão nos mostra – um caminho cheio de luz e livre de qualquer embaraço, o caminho do amor, mas do amor verdadeiro, puro e sentido por todas as criaturas e não um simples e banal amor decantado pelos poetas.
O nosso amor há de ser como o de Jesus, desinteressado, altruísta e, acima de tudo, em torno de um bem geral que beneficia a todos indistintamente. Falamos em nação porque sabemos dos preparativos que envolvem este povo quanto a uma sublime liderança perante os povos do mundo; dizemos sublime liderança, aquela que se iguala à de Jesus, nosso modelo inconfundível; liderança que não se impõe ostensivamente, mas que, com inteligência, discernimento e, principalmente, muito amor, acompanha de perto os mínimos acontecimentos.
À luz do espiritismo, que é a doutrina cristã que nos compete seguir, vamos nos esclarecendo e também aos que nos acompanham quanto às verdades das quais devemos nos inteirar para, com mais clareza de espírito, podermos também anonimamente dar a nossa contribuição.
O bem só pode gerar o bem e, assim, vamos disseminando-o com boas palavras, boas atitudes e desempenho eficaz de todos os nossos deveres, exemplificando em tudo Aquele a quem seguimos como Mestre e Dirigente Verdadeiro.
26.9.1977
72 - Renovando nossos propósitos
De tudo o que possuímos, o maior bem é a ventura de aqui estarmos para honrar o nome de Deus. Somos todos irmãos e ninguém é melhor do que ninguém. Perante o Pai, somos todos filhos e em nada nos diferenciamos. Os cargos que ocupamos, qualquer um poderia fazê-lo; o que devemos considerar e que tem realmente valor é o meio pelo qual os desincumbimos e, infelizmente, olhando para trás, vemos que poderíamos ter sido bem mais eficientes.
Deus nos confere excelentes oportunidades de pôr em prática a sua Lei; no entanto, sempre optamos pelas leis humanas, que são tão falhas. Se voltássemos a viver novamente na mesma situação, quantas reformas íntimas iríamos fazer para suplantar essa nossa deficiência! Hoje estamos aqui reunidos, agora em nome de Jesus, para sermos mais sinceros, mais leais a uma causa que já outrora servimos, mas de maneira muito rudimentar.
Unidos a esta falange em que todos se locupletam no amor misericordioso de Jesus, aqui estamos para trabalhar de maneira, embora obscura, mas pelo menos com o coração feliz por sermos leais. A vida continua e o trabalho também e, ao trabalhador de boa vontade, não faltará ocasião de renovar seus afazeres.
26.9.1977
73 - O Bem vence sempre
Faça o mal, pense; faça o bem, esqueça, pois o bem se desenvolve por Deus, que lê o pensamento de todos. Alegremo-nos, irmãos. Jesus está a nos dirigir. Muitos serão encaminhados desta forma. Não há quem resista ao amor. A rebeldia cessa, o mal se anula e o Bem vence sempre.
Nas horas de perigo, de conturbação, liguemo-nos ao Mestre dos Mestres, que a ajuda vem no mesmo instante. Com Jesus, venceremos. Dentro do santuário deste lar estão sendo ministrados conhecimentos os quais, futuramente, serão postos em prática.
Por isso, firmem-se nestes ensinamentos que vêm de Deus, para fortificá-los ainda mais. De todo mal nascerá um bem maior, quando compreendermos o valor da vida que Deus nos confiou. Sejamos honestos no cumprimento do nosso dever e o Pai suprirá as nossas deficiências.
Estamos muito satisfeitos com as nossas reuniões.
Padre Miguel do Nascimento
27.7.1977
74 - Dessedentando a alma
No amor de Jesus, vamos bebendo em suaves goles da fonte viva que nos dessedenta, aliviando até o íntimo de nosso espírito. Aqui estamos não só para orientar os necessitados, mas também para aprender, discernindo todas as situações que se nos apresentam como motivo mesmo de avivar a nossa compreensão para problemas que normalmente nos acontecem, mas para os quais não damos a devida atenção.
Há muito nos reunimos em nome do Mestre e este Mestre não poderia deixar de nos trazer as mais sábias lições. O Espiritismo não deve se limitar ao intercâmbio entre espíritos necessitados e os encarnados, pois que a finalidade da doutrina é principalmente trazer aos homens o esclarecimento da melhor forma, como resposta aos seus naturais anseios. Assim é que os horizontes vão se alargando para nós, à medida que subimos os degraus da evolução.
Podemos agora aceitar, sem tanta reação descabida, certas verdades que outrora não compreenderíamos. A falange que trabalha em nome do Cristo é infinita e até nós chegam os seus mais humildes mensageiros como portadores de uma verdade que reconhecemos Suprema. Pelo muito que aprendemos através destas mesmas reuniões e da própria vida, que nos levou por caminhos os mais diversos, podemos constatar a veracidade do nosso aproveitamento.
Os tempos são outros, mas a verdade é sempre a mesma – o Cristo de Deus, trazendo luz à cegueira dos homens. E, como Ele nos prometeu, continua entre nós até o fim dos tempos, tempos que já chegaram e nos quais temos de viver. Somos parte desta humanidade que sofre, que chora e que anseia algo de melhor e de mais digno do que até aqui pudemos encontrar. Portanto, meus irmãos, mãos à obra, deixando de lado tudo o que for inútil e prejudicial à Grande Causa.
Esta Causa maravilhosa pela qual haveremos de lutar como lutou o Cristo, com amor, paz e resignação; é um paradoxo para muitos dos atuais batalhadores.
Porque só com amor, paz e renúncia poderemos ultrapassar esta fase difícil de regeneração espiritual.
27.9.1977
75 - Harmonia que rege o Universo
Das profundezas da alma de todo ser, reconhece-se sempre a centelha divina que o anima. Do mais simples pedregulho até as mais avançadas formas de vida, que culminam no homem, encontramos, se soubermos buscar o facho luminoso que lhe outorga a essência divina emanada de toda a Criação.
Feito à imagem de Deus, o ser, por menor que seja em importância para nós, não deixa, entretanto, de ser importante quanto à harmonia que rege todo o Universo. O grãozinho de areia, que em si só nada significa, é, no entanto, parcela de um conjunto que nos extasia a alma, quando sabemos contemplar com os olhos espirituais, que veem em toda a natureza o retrato vivo de seu Criador.
De igual forma, os animálculos, que por menos belos nos possam parecer, fazem parte também de toda a obra universal. Vamos respeitar, pela nossa compreensão do significado da vida, a todos os nossos irmãos, grandes e pequenos, pois do entrosamento de todos nasce a harmonia dentro de nós mesmos. A paz entre os homens, embora não nos pareça, é fruto de toda essa harmonia.
Quando há qualquer impedimento para que haja paz entre as criaturas, esse impedimento se desencadeia para uma série de desajustamentos que se tornam cada vez mais difíceis de equilibrar. Assim sendo, até os cataclismos, que justamente acontecem quando as civilizações já perderam o senso da ordem, do equilíbrio e do amor, são originados desta forma.
Através das várias civilizações, vemos que, de fato, foi isso que aconteceu. O homem, ser racional que tem a grande responsabilidade de manutenção dessa ordem das coisas, se resvala pelo despenhadeiro de suas desregradas paixões e tudo o mais, então, acompanha este torvelinho de coisas erradas e desajustadas, culminando na sua autodestruição.
Para quem entende o valor da vida, esyas lições são apenas lembretes dos quais devemos fazer bom uso. Para os que ainda não chegaram a tal compreensão, apenas um prognóstico do futuro.
Assim vamos nos unir na sagrada missão de pôr ordem em tudo o que nos cerca para que não soframos a consequência da nossa displicência.
28.9.1977
76 - Divina Melodia
A música é harmonia; através dela também nos harmonizamos; é um ótimo recurso para nosso autoaprimoramento. De suas vibrações harmoniosas muito bem se recebe e se transmite. Concentrados em uma bela melodia, nosso espírito trabalha também no concerto da Ordem Universal.
28.9.1977
77 - Distribuindo vibrações de amor
Muitos escolheram a melhor parte, como Maria, irmã de Marta, acompanhando e ouvindo a Jesus em suas pregações; assim também nós continuaremos a ouvi-lo e a exemplificá-lo.
Como nos velhos tempos, já não é preciso andar de aldeia em aldeia, a pé ou em cima de um burrico, mas com o coração e o pensamento, somos levados mais depressa aonde quisermos ir.
Envoltos na Luz do Mestre, caminharemos com nosso pensamento, voando sobre as mais necessitadas localidades e ganhando tempo em nossos trabalhos.
Na era em que vivemos, já conhecendo, através da ciência, a poderosa expansão de nossas ondas cerebrais, iremos pondo em vigor todos os conhecimentos que temos e, com poderosas vibrações de amor, distribuiremos com Jesus as dádivas do nosso consolo, de nossas emanações amorosas e compreensivas e mesmo a energia física mais sutil, que também se canaliza desta forma, como sabemos.
Podemos ser muito caridosos mesmo no recinto do nosso lar. E a prova desta verdade veremos no reflexo de toda a bondade que volta para nós em forma de bênção, paz e harmonia no seio de nossa família. Por isso, dissemos uma vez que o homem, mesmo no mais completo isolamento, ainda pode continuar sendo um ser beneficamente social – irradiando para seus irmãos todo o bem de que é capaz.
29.9.1977
78 - Uma virtude importante
De todos os bens que possuímos, a ternura é um dos que devem ser salientados, pois nos sentimos muito enternecidos com esse comportamento que vos une. Faz-nos tão bem sentir o reflexo de tanto amor.
Assim deveriam se dar todas as criaturas; a ternura é o caminho certo que nos leva ao amor; amor a que tanto nos referimos e que, quando puro, leva-nos até o sacrifício.
Da pureza de nossos propósitos, da cordialidade com que nos respeitamos depende toda a harmonia na qual está contida a paz tão almejada. Estamos felizes em poder servir a Deus desta forma; com ternura, com carinho, com compreensão de nosso dever a cumprir.
Estamos no começo de nosso desenvolvimento, mas podemos sentir que, assim unidos, muito poderemos fazer.
29.9.1977
79 - Os campos do Senhor
Muito campo a limpar, muito trabalho nos espera. As ferramentas estão em nossas mãos. O sol brilha e o tempo é bom. Deus mandará a chuva na época certa para que as sementes germinem sem encharcar e sem perder a vitalidade.
O semeador cuidará delas e lhes dará abrigo e proteção. Com a terra bem preparada tudo será favorável; o tempo passará e a colheita virá um dia. E como na parábola do Senhor, a abundância encherá nossos celeiros. Teremos para nos saciar e para atender aos nossos irmãos necessitados que não souberam plantar e que a nós recorrerão.
Nesse dia daremos nós também como deu o Senhor a seus filhos desvalidos, e estes aprenderão conosco o valor do trabalho bem dirigido e executado com o coração. Assim é a vida e continuará sendo, pois flores vicejam nos campos que o Senhor vos deu para cultivar.
30.9.1977
80 - Simplicidade nas palavras
Olhando as águas do lago tranquilo, perdido em suas meditações que não concebemos onde poderiam chegar, o Mestre orava. Orava ao Pai para que pudesse vencer em sua empresa tão árdua e tão espinhosa. Sua figura mansa e contemplativa, transparecendo toda a suavidade e elevação de seu espírito tão divino, falava mesmo aos mais esquecidos de Deus, do amor infinito e da sublimidade de seu poder.
Para os homens era um Deus na Terra; para Deus, um seu representante para alertar os homens quanto ao caminho a seguir – caminho da pureza e placidez de coração em que muito mais se consegue do que com ostentação e verbalismo. Em poucas palavras, dizia tudo; seus gestos falavam por ele.
A Suprema Sabedoria resolvia os mais intrincados problemas. Dos poucos que o entenderam, ficou a continuação de sua Doutrina, que até hoje constatamos ser a que mais nos convém. Do Evangelho de Jesus, tiramos ainda hoje tantos exemplos que poderemos seguir, reportando-os para os nossos dias, em que o apego aos bens materiais escraviza o homem de maneira tão brutal.
Com as nossas mensagens evangélicas em suas diferentes passagens, queremos não somente recordá-las, mas principalmente senti-las, através das situações mais concretas que o mundo vive.
30.9.1977
81 - Anunciação de Nossa Senhora
Dos céus chega até nós um concerto de vozes melodiosas, vozes tão suaves, tão inebriantes, que nos fazem viver num Paraíso. O ângelus anuncia a “Ave Maria” – hora bendita e acolhedora em que todos se enternecem e se confraternizam.
Meditamos profundamente e rememoramos aquele dia tão distante, mas que continua ainda a soar em nossos ouvidos: o Dia da Anunciação de Nossa Senhora – Ave, Maria, bendita sois vós entre as mulheres, bendito o fruto do vosso ventre, Jesus!
Dia esplendoroso, dia sagrado em que dos céus descem os anjos anunciando a chegada do Filho de Deus; dia de festa e de alegria; uma alegria contagiante e transcendental. Não há palavras para descrever o maravilhoso evento. Quanta ternura, quanta singeleza na alma desta virgem por Deus escolhida entre todas as mulheres.
A nós é dado tão somente louvar e bendizer essa santa escolha, porque Nossa Senhora é também Nossa Mãe. Somos todos seus filhos, ainda tanto necessitados de seu amor e de sua compreensão. Continuamos, ó Virgem Santa, rememorando o dia santificante da tua Anunciação.
Bendita foste entre as mulheres e bendita entre os eleitos do Senhor.
Gloria in excelsis Deo.
1.10.1977
82 - A visita de Maria à Isabel
“Bendita és entre as mulheres, minha prima, pois será feita a vontade do Pai. Cumprir-se-ão as profecias e meu filho preparará o caminho para o Mestre que há de vir”. A radiosa entrevista marcou época na história da cristandade e hoje ainda sentimos uma ternura imensa ao rememorar esse fato.
Quanta ventura no coração daquelas mulheres eleitas pelo Pai para cumprir uma missão tão santificante, da qual gozamos os frutos de tanta maravilha. E quantas mulheres são escolhidas pelo Pai, pois a sua obra é eterna. Só que agora o fato se multiplica a centenas, a milhares até, pois são muitos os enviados por Deus para que se cumpram de igual forma as profecias.
Toda mulher digna de uma sublime maternidade terá em suas entranhas um novo avatar, pois atualmente um só mestre não bastaria para pregar e exemplificar neste mundo tão decadente e tão miserável. A obra de regeneração das almas é vultosa, aqui e ali, nos mais distantes rincões, vem à luz um novo missionário, um novo encaminhador de multidões.
Jesus, é evidente, continuará na vanguarda, mas dos altos dos céus conclama seus irmãos espirituais a fazerem bom uso de suas possibilidades mediúnicas perante a gigantesca obra para nossos tempos programada. Em cada criança que nasce poderá brilhar a estrela que há tanto brilhou para o Menino-Deus e muitas sagradas famílias aparecerão nesta Terra.
“Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”.
1.10.1977
83 - O presépio de Jesus
Na humilde manjedoura, afastada de todo o bulício mundano, apenas iluminado pela luz divina, nasceu o Menino-Deus. Tanta festa num lugar tão paupérrimo, tanta luz num lugar tão afastado das cidades. Iluminados assim de forma tão prodigiosa e tão bela, a sagrada família se reúne pela primeira vez, tendo somente por testemunha a companhia humilde e calada dos animais.
Na festa em que essas humildes criaturas de Deus se reuniam para cumprir o mais sublime desiderato, havia música também; nada faltava aos corações daqueles que, nada tendo, possuíam o maior tesouro do mundo – Jesus.
A noite linda de Natal! O tão festejado Natal dos homens, que do verdadeiro não chegam talvez a vislumbrar qualquer centelha divina. Esquecidos do verdadeiro significado de tão importante data, eles se deixam levar pelas falsas alegrias e prazeres inúteis. Pudessem os homens sentir no coração o clarão e, ao mesmo tempo, a paz dessa festa da cristandade.
O Natal se aproxima e comecemos desde agora a preparar o nosso espírito para receber Jesus em nossos lares e em nossos corações. Saibamos elevar o significado desta data tão grandiosa perante os nossos irmãos menos esclarecidos. Isso também é caridade.
Alertemos a todos, quanto pudermos, sobre o valor da fraternidade entre os homens, que foi a principal razão da vinda à Terra do nosso Messias.
Que a sua descida a planos tão inferiores não tenha sido em vão.
3.10.1977
84 - A Natureza não se retrata; sente-se e ama-se
De todas as venturas que pudemos gozar, esta é a mais excelsa e divina: podermos usufruir das emanações mais sutis de almas que se dedicam a uma causa tão bela. Nossa alegria é transcendental; as palavras são poucas e infiéis para transmiti-la.
Nos momentos em que nos consagramos verdadeiramente a Jesus, nosso espírito chega aos píncaros aonde a alma é dada chegar, presa ainda ao vínculo da matéria, e um enlevo indescritível se apodera de nós. Sentimos não sermos nós mesmos a vibrar, mas um só concerto de vibrações radiosas, suaves e de tal beleza em forma e colorido, que diríamos ao céu termos chegado. A suavidade nos envolve todo o ser e, como se tivéssemos asas diáfanas, sobrepairamos paisagens que aos olhos humanos jamais foi dado enxergar.
É luz, é nuance maravilhosa de cores sutis, que se entrecruzam, que se harmonizam para formar as mais encantadoras imagens. E assim, através destas preces bem sentidas, em favor daqueles que nos buscam, vamos também nós galgando alturas que nos dão visões mais nítidas do que é a vida no mais além. As fantasias dos homens sequiosos sempre de algo que lhes supra as deficiências, por mais esplendorosas que possam parecer, são meros borrões a querer interpretar o que é impossível ser interpretado por alma humana.
Assim, os poetas, os pintores, os músicos e os artistas, sonhadores em geral, sonham, sim, com um mundo mais belo, mas transmitem muito pouco do que realmente é este incomensurável Universo, mergulhado na harmonia e na perfeição de nosso Criador.
Os quadros que tentei transmitir pela mão humana do pintor hoje me dão o conhecimento do pouco que sabia das coisas de Deus.
A Natureza não se retrata: sente-se e ama-se.
Só Deus é perfeito.
4.10.1977
85 - O Paraíso está na paz da nossa consciência
Somente semeando o bem haveremos de estar com Jesus. É ainda a Lei de Afinidade que aqui vigora. Das vibrações benéficas partem ondas sutis que vão em direção a todo o Universo e estas ondas se fundem naqueles que existem na Natureza de Deus.
Como Jesus é o protótipo do bem para nós que somos cristãos, dizemos que só assim encontraremos Jesus. Esta feliz comunhão é a concretização de todos os nossos desejos, pois a alma sempre ansiou estar em harmonia com Deus, ou seja, com tudo e com todos. Na quietude de nossas emoções, na paz de nossa consciência e de nosso espírito reside o paraíso tão procurado pelos mortais.
Nos momentos em que nos entregamos às práticas esotéricas de concentração e meditação, relaxemos o nosso corpo espiritual à altura daqueles que nos obsequiam com a sua proteção. Assim nos entrosaremos melhor e as nossas reuniões chegarão ao término com o êxito almejado.
As reuniões diurnas terão mais o cunho filantrópico de proporcionarmos oportunidade a tantas almas ansiosas de trabalho. Assim elas terão ocasião de aprender e, ao mesmo tempo, transmitir eflúvios de saúde, bem-estar, paz, alegria e uma série de influências benfazejas que, graças a seu aprimoramento, poderão irradiar.
Recebendo aqui mesmo estas instruções, elas praticarão onde se fizer necessário, sempre sob a direção de algum de nossos irmãos já capacitados para dirigir tais trabalhos.
Com este recolhimento e com o pensamento sempre em Jesus, muito bem poderemos fazer conforme Ele mesmo nos falou.
Que a paz do Divino Mestre esteja com todos.
4.10.1977
86 - Homenagem a São Francisco de Assis
Serei feliz na glória de Deus por tantos quantos amei na Terra; fazendo a vontade de Deus, que é o amor em troca de nada, estaremos no caminho da luz, pois é dando que se recebe, perdoando que se é perdoado. E é amando que se é amado por Deus.
Na oração deste grande representante de Deus na Terra, encontraremos tudo o que precisamos para a felicidade eterna. Neste dia a ele consagrado, elevemos a nossa prece de humildade como lição sublime que ele nos legou; e peçamos a Deus que sejamos seus continuadores fiéis, pois só assim estaremos orando por ele – sendo o que ele foi: humilde, trabalhador e mártir pela causa do Cristo.
Glória a São Francisco de Assis.
4.10.1977
87 - De posse das artes universais
Na ordem e no equilíbrio se assentam as belezas do Universo. De todo este maravilhoso conjunto, vislumbramos pequenas facetas que se nos apresentam como grandes artes: arte do desenho, da pintura, enfim, todas aquelas que nos apresentam algo mais do que o comum. Já até se fala em arte de amar para se exprimir o verdadeiro e sublime amor.
Com efeito, são facetas dignas de estudos e de admiração por parte de todos os que se dedicam a finalidades mais elevadas. Mas, a par de todos esses indícios de beleza universal, insuflamos no homem a consciência da arte do bem-viver e, na faixa vibratória em que ainda se encontra, seria a melhor a ser cultivada.
Na arte de bem-viver estará incluída a nova e última arte a que nos referimos, que é justamente a arte de amar. Esta abrange todas as demais e com a supremacia de ligá-las entre si; quando o homem souber amar realmente, entrará na posse de todas as artes universais e sentirá as vibrações mais sutis que fazem do Infinito a razão de toda a nossa vida. Só por vislumbrar parte da perfeição, já nos extasiamos.
Cultivemos todos estes bens que são prenúncio de Deus em nós; façamos por nos entrosar ao compasso magistral do concerto regido por Deus.
5.10.1977
88 - O Menino-Deus
Era Páscoa, a festa máxima dos judeus, em que todos se reuniam em Jerusalém. O templo se enchia de sábios, de doutores para discutirem os mais intrincados problemas de ordem social e religiosa. Falavam e falavam, mas muitas vezes a nada chegavam. Eis, porém, que chega entre eles o Menino-Deus, enviado pela Eterna Sabedoria para dirigir as coisas do mundo. Já era hora de se revelar como Messias. E foi assim que, perante todos os sábios, começa a discutir leis que não eram dadas a conhecer a pessoas que não estivessem ligadas ao templo.
Para admiração de todos, o menino falava e falava certo. Ninguém cogitava de ser ele o Messias, pois este ainda estava sendo esperado. Por Deus, assim aconteceu. Jesus surgiu entre os homens apenas como um facho luminoso, fugaz e passageiro, pois logo recolhido por seus pais, perdeu-se novamente no meio da multidão, a mesma multidão que o acompanharia um dia e o crucificaria depois. Mas assim aconteceu; o fato é que o vestígio ficou, pois até hoje nos relatos religiosos menciona-se esse acontecimento.
A luz divina a guiar o corpo delicado de uma criança fortifica o espírito enobrecido de um batalhador. No imenso universo de Deus, quantos desses Messias deverá haver? Se o universo é incomensurável, quem poderia assegurar que um só Jesus haveria para toda a humanidade? Assim é que, pela lógica dos fatos, devemos admitir que, mesmo entre nós, nos dias de hoje, muitos espíritos deve haver tão grandes e iluminados como o Divino Mestre, que guiou e continuará guiando a sua humanidade.
Mas, como já tivemos a oportunidade de dizer que as humanidades não são sempre as mesmas, decorre desse raciocínio que muitos outros mestres deveremos admitir. A verdade é sempre a mesma, mas os condutores do homem para esta verdade são muitos, muitos mesmo, pois infinita é a obra de Deus. Respeitemos desta forma os muitos doutores da Lei que, por certo, andarão entre os homens sem que percebam.
Apurai vossos sentidos e reconhecei neles a luz de Deus.
Padre Miguel do Nascimento
6.10.1977
89 - Recuperando o tempo perdido
Johann Sebastian Bach
Os acordes sonoros que ouvimos nos fazem lembrar de coisas passadas; uma vida que, apesar de toda dedicada à música, deixa muito a desejar quanto aos verdadeiros anseios da alma. Tivemos uma vida consagrada aos instrumentos musicais, os quais procurávamos nós mesmos aperfeiçoar para extrair deles os sons mais delicados e os mais vibrantes.
Sem falsa modéstia, labutamos e muito, pois a vida material não nos favorecia. Mas, quando temos um ideal, lutamos por ele e assim, apesar das dificuldades, pudemos ir aperfeiçoando nossos instrumentos pela escolha da melhor madeira que pudesse repercutir as vibrações das cordas com mais clareza; fomos conseguindo o que, pelo menos para nós naquela época, era grande êxito.
Mas, se a conquista foi grande de um lado, de outro ficou muito a merecer, pois no anseio de tudo alcançar, só alcançamos o que podíamos obter com os sentidos materiais. Não aperfeiçoando o que devíamos ter aperfeiçoado, que seriam justamente as nossas percepções mais sutis e que ao espírito pertencem, relegamos a parte mais importante da nossa vida, aquela que, através da música, poderíamos tão bem ter cultivado melhor.
Por isso aqui estamos hoje, empenhados na missão de recuperar o tempo perdido, fazendo ver ao homem que, mesmo no plano físico, existe muita possibilidade de trabalho espiritual a par das atividades cotidianas.
Se já possuís o sexto sentido para as percepções mais delicadas, aprimorai ainda mais essas qualidades no exercício salutar da concentração e da prece. Por meio da prece, nos ligaremos aos planos superiores e aguçaremos nossa sensibilidade para poder ouvir também as vozes dos anjos, que nada mais são que a Maravilhosa Sinfonia do Universo, a vibrar harmoniosamente por todo o infinito.
Johann Sebastian Bach
6.10.1977
90 - Difusão da luz nos ambientes de prece
Se todos os que têm a compreensão da vida eterna e da sublimidade da doutrina de Jesus se consagrassem um pouco por dia à oração, que repercussões maravilhosas haveria no mundo! Duas ou mais pessoas reunidas em nome de Deus para prodigalizar o bem – como esse bem se multiplica e se expande a tão grandes distâncias, que é uma maravilha podermos constatar a veracidade dessa afirmação.
As luzes que partem de todos os ambientes de prece se difundem de forma extraordinária, ganhando vulto e majestade aos olhos espirituais daqueles que podem ver tamanhas maravilhas. Assim como de um templo majestoso as radiações são as mais reverberantes, as mais esfuziantes e belas na multiplicidade de suas cores. É uma policromia harmoniosa e bela. Palavras não encontramos para descrever. Só sabemos dizer que, seus efeitos, os próprios encarnados poderão constatar pela paz, harmonia e saúde daí advindas.
À medida que vossos sentidos forem se desenvolvendo, podereis também admirar todas as belezas que são comuns no Reino de Deus.
Purificai vossos espíritos com as práticas evangélicas e esotéricas e caminhareis para a luz, a luz sobre a qual escrevemos uma vez – a Luz Divina.
8.10.1977
91 - Dominando as forças da natureza
Jesus cresceu; tornou-se homem; bela aparência em seu porte varonil. Sua figura majestosa, esbelta, por si só magnetizava a todos quantos dele se aproximassem. Bondoso, carinhoso, atencioso para com todos, alegre e acolhedor. Seus olhos falavam de amor, na linguagem que cativa, que atrai a grandes e pequenos. Penetravam até o íntimo de cada ser, vasculhando com soberania divina os mais secretos desejos e sentimentos.
Conduzindo a todos com seu verbo compreensivo e terno, dispunha os problemas de tal forma que os próprios interessados achavam a solução. Nas radiações de seu espírito altamente elevado sentia-se toda a mansuetude de que era portador.
Criava em torno de si o paraíso terreno, onde acudiam as pessoas interessadas em obter algo que lhes fizesse felizes. Assim, arrebanhou homens de todas as raças, de todos os credos e conseguiu reunir grande multidão.
Muitos conservaram os bens dele emanados e os fizeram proliferar. Os menos capacitados, apesar de acharem naquele homem algo de sobre-humano, não souberam conservar o tesouro que possuíam e o perderam com facilidade em troca de bens falsos e passageiros, o que, aliás, constitui a atração da grande maioria.
Assim é que encontramos o Mestre prodigalizando os mais ostensivos milagres, aos quais acudia sempre numerosa multidão. Os milagres de Jesus, citaremos alguns futuramente. Por ora, basta-nos dizer que foram todos atos públicos, comprovados pela ciência moderna e que, segundo o parecer de muitos adeptos do cristianismo, são tidos ainda como aberrações das leis naturais.
É sobre este fato que iremos repisar: que os milagres que Jesus realizou foram o resultado de forças absolutamente naturais, desconhecidas ainda por muitos, mas que, trabalhadas conjuntamente por inteligências superiores, se traduziram de uma forma tão material e alarmante para a ignorância dos muitos que os assistiram.
Jesus, quanto te reverenciamos; quanto te glorificamos por todo o bem que nos legaste. Bendito seja, para todo o sempre, meu Divino Salvador.
Padre Miguel do Nascimento
08.10.1977
92 - Notáveis acontecimentos na antiga Galileia
Na paisagem tranquila da antiga Galileia, Jesus pastoreava o seu rebanho. Na paisagem naturalmente bela, as vegetações reverberavam, subindo encostas e descendo por colinas verdejantes. Tudo falava de Deus. A natureza ricamente ornamentada com suas vestes primaveris exultava diante do esplendor dos acontecimentos que presenciava. Sim, notáveis acontecimentos ali teriam lugar, pois o pastor a quem nos referimos pastoreava também o mais sublime rebanho de almas devotadas ao eterno bem.
No calor amoroso daquelas almas, que se uniam para o seu glorioso destino, adivinha-se o clima de excelência e esplendor na união daqueles homens de aparência humilde, de trajes toscos. Em todos os rostos havia o sorriso antegozando a vitória do Pastor e Mestre, que conheciam tão bem e que nunca falhara. Assim, todos muito convictos, unindo suas forças ao Invisível, oravam ao Pai para que se cumprisse a Suprema Vontade. Os cegos viam, os paralíticos andavam, os aflitos se acalmavam, os leprosos se limpavam.
Oh! Jesus, que glória imensa, que Poder Supremo!
De tantos milagres visíveis aos olhos humanos que os puderam presenciar, ainda houve quem deturpasse a Sua origem divina! Quisera falar bem alto de tudo o que nos vai na alma para engrandecer a Sua figura, por si tão gloriosa. Mas somos muito pequenos ainda para alcançar o plano ao qual, só lá chegando, poderíamos verdadeiramente Te honrar.
Continuaremos, com a Tua permissão, a falar do Teu amor para que os homens não se esqueçam de Ti e de todo o Bem que representas.
Glória a Ti, Mestre Amado, e que possamos dar início ao trabalho por Ti abençoado.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Padre Miguel do Nascimento
09.10.1977
93 - A Mão Poderosa paira sobre nós
No Absoluto e Supremo Poder, perde-se a nossa concepção do Universo. No pouco que podemos apreender, sentimos que algo de muito grande, de muito poderoso existe, que nos dirige, pois, comparando, estudando as relações dos fatos que nos cercam, podemos comprovar a existência de alguma coisa que, mesmo que não acreditássemos em Deus, ainda assim, teríamos de admitir. Há uma mão poderosa e invisível pairando sobre a nossa vida.
Quanta coisa nos acontece sem que quiséssemos ou planejássemos. Se fosse apenas pelo nosso pensamento que isso acontecesse, diríamos que seria sugestão ou coisa que o valha, mas ocorre que, mesmo considerando o pensamento força poderosa a agir em muitos casos, não seria definitivamente o único responsável, pois há uma infinidade de fatos correlacionados de maneira independente da nossa vontade.
Só não vê quem não quer enxergar, porque na natureza são múltiplos os exemplos de maravilhas concatenadas de tal forma a extasiar qualquer mortal. A ideia de Deus é patente, porém transcendental para nós, com possibilidades remotas de fazermos qualquer julgamento ou avaliação.
Tenhamos, por ora, Deus dentro de nós, através de uma vida reta, vivida na sã consciência, prodigalizando, a exemplo de Jesus, todo o amor de que formos capazes.
Assim teremos Deus em nosso coração.
10.10.1977
94 - A origem do mundo e das civilizações
Camile Flammarion, astrônomo francês.
Olhando simplesmente a olho nu para o firmamento numa noite estrelada, extasiamo-nos com a grandiosidade do espetáculo: um painel salpicado com as cintilações mais esfuziantes de miríades de pontinhos luminosos, que chamamos estrelas. De fato, são as estrelas, como nos ensina a astronomia, o centro principal de um conjunto de outros tantos astros, muitos dos quais ela ainda não conhece.
Sabe-se, é verdade, cientificamente, que muitas estrelas carregam um cortejo de corpos em seu derredor, brilhando no imenso espaço, que se perde ao alcance de nossa deficiente visão; vemos as estrelas somente, mas ainda que somente a elas vejamos, são tantas aos nossos olhos desprovidos de qualquer maior alcance.
Mas por que tantas estrelas no céu? Para que essa infinidade de corpúsculos brilhantes a nos servir de abóbada? Será uma simples concessão aos olhos dos mortais para iluminar a escuridão das noites, ou um simples capricho da natureza? Não; o nosso raciocínio diz que não; não seria um simples capricho da natureza, desta natureza tão pródiga em bens, em razões sensatas e equilibradas na ordem e na evolução.
Se nos aprofundarmos um pouco em nossas meditações, o raciocínio aclarar-se-á e nos dirá que, atrás de toda esta Obra Colossal, deve existir outra ainda maior, que a governa. Sim, algo de muito transcendental e grandioso deve existir além das fronteiras que os nossos olhos podem enxergar: um mundo cheio, repleto de vida, de encantamentos, tantos ou maiores que o deste em que habitamos; um universo incomensuravelmente grande e infinito, em que reinam a paz, o amor e a justiça, na eternidade de seu Criador; um mundo de diversos graus de cultura e de evolução espiritual, onde as moradas do Senhor se multiplicam e se diversificam na ordem e na necessidade de seus habitantes.
Numa noite de estrelas, contemplemos os céus, admiremos a sua majestade infinita e invoquemos o Senhor dos mundos, que nos dá a felicidade de o sentirmos e amarmos.
Camille Flammarion
10.10.1977
95 - O valor da prece
Muitas vezes teremos de recorrer ao influxo salutar da prece em conjunto. Nos momentos de vacilações e heterogeneidade de pensamentos, é a prece proferida em voz alta o comando positivo dos nossos pensamentos desordenados. Ligando-nos pelo efeito vibratório de cada palavra, de cada sentença, sentimos imediatamente o poder de Deus a nos envolver com o positivismo de uma fé antes desconhecida.
É assim que iremos, neste horário consagrado aos nossos irmãos ainda vacilantes, propiciando condições favoráveis para que eles possam também desenvolver aptidões para uma irradiação fraternal.
Em nome de Jesus, aqui reunidos, podemos contar com todo o apoio superior.
Graças a Deus.
12.10.1977
96 - Todos são dignos de apreço
Da convivência, muitas vezes nasce o amor; por isso, devemos procurar conviver com as pessoas que, por algum motivo, Deus põe em nossa vida. Com um pequeno esforço e dedicação, podemos insuflar a centelha que há de se tornar fogo ardente.
Como estamos imbuídos da necessidade da convivência entre os homens, não devemos nos insular, afastando-nos deste ou daquele. Convenhamos que somos todos irmãos e, como tais, devemos procurar viver para não termos decepções futuramente.
Este é um conselho que há algum tempo queria dar aos meus filhos, pois, na doutrina da qual compartilhamos, não podemos escolher os nossos companheiros; todos são dignos de apreço, com ou sem qualidades.
Jesus vos dê a compreensão e o alcance do objetivo a que nos propusemos ao escrever esta mensagem.
12.10.1977
97 - Vamos vestir a toga alva da pureza
No mais completo e sagrado recolhimento, elevemos o espírito até Jesus, caminho pelo qual chegaremos ao Supremo Poder, Suprema Justiça, Suprema Sabedoria. Comungando com Jesus, toda a Verdade encontraremos, pois o Mestre nos ensina todo o bem que faremos quando depusermos as armas egoístas e pensarmos exclusivamente no bem-estar do próximo.
A nossa maior preocupação deve ser sempre a felicidade alheia; assim pensando, entraremos na posse da chave que abre as portas do Amor, da Verdade e da Justiça, princípios sobre os quais levantamos o edifício de nossas convicções.
Vamos despir-nos do homem velho e vestir a toga alva da pureza de nossas intenções para com todos os nossos irmãos. Esta é a maior caridade que podemos praticar.
13.10.1977
98 - Virtude essencial
De todas as virtudes, a humildade é a que mais nos aproxima de Cristo. Jesus, o meigo e humilde nazareno, nasceu em berço pobre, ao relento, a bem dizer, longe de qualquer aparato doméstico, tendo somente os pais, os animais e a natureza a testemunhar o seu nascimento, além do imenso cortejo dos anjos, que só aos humildes é dado assistir.
Não precisaríamos mencionar mais nada além de seu próprio nascimento para não repassar toda a sua vivência de amor e de misericórdia, perdoando e incentivando os pecadores a não mais pecar. Só a humildade poderia tão bem igualar aquela figura majestosa à mísera situação humana; fazer-se homem entre os homens; viver uma vida passada de dificuldades de toda ordem; morrer crucificado entre dois pecadores, assim considerados até pela ignorância dos homens.
Nada mais te poderiam impingir os teus irmãos, ó Jesus, para que exemplificasses a eles essa tão importante virtude, da qual viemos hoje falar. Nunca é demais repetir este assunto, pois a vaidade e o orgulho têm sido o tropeço de muitas almas escoladas nas lides da vida.
Deus vos ilumine, meus filhos.
Padre Miguel do Nascimento
14.10.1977
99 - Irradiando suavidade
O coração do homem há de se desvencilhar de tudo o que é mesquinho e interesseiro para transpor a barreira que ele mesmo antepõe à felicidade eterna.
Quando o mundo entender a sua própria situação, viverá em paz, pois esta se origina no coração de cada criatura. O homem que vive em paz consigo mesmo irradiará suavidade para os demais, enlaçando a todos no círculo harmonioso de suas preferências. O julgamento alheio não lhe interessa, porque sabe que, acima de toda e qualquer crítica, estará o amor de Deus a incentivá-lo.
A incompreensão dos menos capacitados, pelo contrário, é mais um motivo para ele se concentrar no bem para que eles também possam um dia chegar à mesma compreensão. Assim, meus amigos, vamos orar por todos e por nós também para não deixarmos o fardo no caminho pela satisfação do nosso amor-próprio ofendido.
Com Jesus, que também foi um incompreendido, caminharemos na luz, embora ela brilhe somente no nosso interior. Entreguemos a Deus o nosso trabalho e o nosso sacrifício.
Que a paz reine em vossos corações.
Padre Miguel do Nascimento
15.10.1977
100 - "Homens de pouca fé"
Era uma tarde tranquila e os pescadores saíram a pescar. A paisagem serena do mar azulado convidava ao deleite de um trabalho agradável. Puseram-se mar adentro sem maiores preocupações; lançaram as redes e tudo ia muito bem. Eis, porém, que o panorama se transforma: o céu vai aos poucos se cobrindo de pesadas nuvens e um vento forte começa a soprar.
Os humildes pescadores se entreolham assustados diante da tormenta imprevisível. Pedem socorro ao Mestre, que compartilhava desses momentos, mas ele dorme. O desassossego aumenta; a aflição e o pânico tomam conta. Esquecidos estavam de que eram discípulos do maior Mestre de todos os tempos e que com ele o perigo não poderia acontecer.
– Mestre, Mestre, acorda, que morreremos todos.
O Mestre placidamente acorda e lhes dirige as poucas palavras:
– Homens de pouca fé!
Quanta Sabedoria em tão singelas palavras! Quanto ensinamento recordado ali naquele momento com tão pequena advertência!
Jesus acalmou sim a tormenta, disso sabemos, mas o que ainda duvidamos, devido à nossa falta de fé, é que ele continua a acalmar muitas e muitas tormentas da nossa alma, mais revolta sempre que qualquer mar da Galileia.
Não nos esqueçamos do Mestre nas nossas tribulações, mas não nos esqueçamos também da advertência que ele fez aos seus discípulos quanto ao poder da fé.
Com a fé em Deus, seremos fortes e também acalmaremos muitas tormentas nos mares da vida.
Padre Miguel do Nascimento
16.10.1977
101 - A parábola da figueira seca
Meu amor por Jesus não tem limites.
Mergulho em suas meditações que me fazem sentir até o hálito amoroso do Mestre. Reclinado com suavidade sobre o tronco de formosa figueira, descansava o Nosso Amigo da grande caminhada.
A poeira dos caminhos salpicava nossas vestes de uma cor que até nos parecia mais nobre pela lembrança do trabalho que acabáramos de realizar. Vínhamos de um longínquo vilarejo nos arredores de Nazaré e havíamos andado mesmo bastante. O tempo era de seca e o sol queimava nossos pés. Ali paramos para nos dessedentar e, perdidos em nossas recordações mais recentes, meditávamos... que bela a vida, mesmo sob o mais ardente verão.
Que prazer para nossas almas dessedentadas no esplendor da magnitude de Deus, Todo-Poderoso! Como nós, tão pequenos perante os magnatas e doutores da época, podíamos nos sentir tão realizados? Como fazer entender ao homem o valor de uma felicidade que não se compra, mas se conquista pela doação de nossos próprios bens? Como fazê-los compreender que, nos despojando dos bens materiais em benefício de outrem, nos enriquecemos de outros tantos, imperecíveis e eternos?
Não; os homens não nos poderiam compreender jamais se obstinados na falsa vida de esplendores efêmeros. Para chegar a essa compreensão, ainda seria necessário muita vivência, muita escola, pois aquele Mestre, apesar de ser tão grande e compreensivo para com as falhas alheias, não seria ainda por muitos compreendido e aceito como tal. Devaneávamos assim, perdidos em arrazoamentos que, para nós, pareciam sem solução; no entanto, o Mestre descansava impassível, não parecendo em nada se preocupar com o que pudesse acontecer.
Levantamo-nos dali, depois de um bem merecido repouso e continuamos a caminhar. Eis que se nos apresenta à beira da estrada uma figueira de aparência em nada bela e já bastante ressequida pelo sol. Jesus, olhando para nós, com aquela serenidade que falava ao mais íntimo do nosso espírito e, depois, apontando a árvore, quase sem vida, nos alertou:
– Vede! Assim serão todos os que não cumprirem a vontade do Pai; porque toda árvore que não der bom fruto será jogada fora e servirá de monturo; e aquelas que derem bons frutos serão abençoadas e continuarão a se reproduzir. Deus dá aos que têm e, aos que não têm, até o pouco lhes será tirado.
Sem palavras continuamos a caminhar. Jesus, mais uma vez adivinhara a profundidade de nossos pensamentos.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
17.10.1977
102 - O ambiente adequado
No sacrário de vosso lar construístes, sem o saber, o mais belo templo onde nos poderíamos reunir. Sob a abóbada de luz eterizada pelos dirigentes deste trabalho, unem-se num amor sublime e sacrossanto toda uma falange de espíritos abnegados, que, sem medir esforços, sacrificam-se pela causa de Jesus. Sob esta luz rosada, que deixa transparecer os corpos também luzidios de mil entidades irmanadas no bem, estamos nós também com todas as nossas imperfeições.
Mas, apesar de sermos nós os terminais de trabalho tão grandioso, devemos nos conscientizar de que temos muito por nos sacrificar, da mesma forma, para merecermos a honra de tão excelsa companhia. Por isso, aqui estamos imbuídos da humildade e da responsabilidade que temos perante Deus, que nos prodigaliza toda essa luz.
Esforcemo-nos em todos os setores de nossa vida, pois em tudo está Deus a nos provar. Com a consciência tranquila, estaremos predispostos a servir à Grande Causa.
Joaquim Felisberto de Macedo
(avô da médium)
19.10.1977
103 - Dos mais velhos aos mais novos
Marcos, o evangelista
O nosso amor por ti, Jesus, não tem limites, pois sentimos a tua presença viva no coração. Como se vibrássemos no mesmo diapasão, comungamos na tua bondade e estendemos as nossas mãos para os que necessitam de nós.
Não é pretensão pensar assim se fomos teu companheiro inseparável na tua peregrinação pela Terra. Se naquele tempo, tão faltos ainda de experiências, já podíamos sentir o calor de tua presença, por que não agora, que nos sentimos mais realizados e capacitados para te acompanhar na Grande Missão?
Nossa alegria, assim, é celestial e, ao trazermos a nossa mensagem, queremos que nossos irmãos possam também usufruir desta felicidade infinda, que todas as almas devotadas ao Bem poderão sentir. Não há privilegiados nas moradas do Pai e todos os que fizerem a Sua vontade entrarão no Reino dos Céus.
Deus é para todos os seus filhos e, como irmãos que somos, não podemos ter a pretensão de ser melhores do que ninguém, apenas, às vezes, mais experientes, mas isso não significa muito perante a eternidade.
Marcos, o evangelista
19.10.1977
104 - Harmonia de pensamentos
Da prece que elevamos em favor de nosso semelhante, nasce o fulcro luminoso que sobre nós brilha nestas reuniões, e o resultado de tudo isso é a saúde, a harmonia de pensamentos e o equilíbrio geral em todas as atitudes. Isso é desenvolvimento – controle seguro de todas as emoções.
Sigmund Freud
19.10.1977
105 - Valorize antes o que já possui
Filosofando sobre a bondade do Pai, que presenteava os homens assim, com tanta exuberância, iam os discípulos fazendo suas perguntas ao Mestre. Aproveitavam esses momentos para se locupletarem de sua sede de saber.
João, o mais moço de todos, geralmente era o que dava início à conversação:
— Mestre, por que somos tão necessitados da luz divina? Não poderia ela brilhar sempre para enxergarmos melhor o caminho por onde andamos? Mesmo as tuas palavras são sempre veladas e dificilmente chegamos a uma compreensão.
Jesus:
— Não te preocupes com o que não tens, mas valoriza antes o que já possuis.
Em outras palavras, Deus dá ou exalta os humildes e reprova e diminui os soberbos.
Com poucas palavras, o Mestre falava muito ao coração dos homens, incitando o raciocínio sobre as Verdades, obrigando-os a meditar sobre as suas experiências vividas e, desse modo, todos iam aprendendo na magnífica Escola da Vida.
Como aos discípulos daquela época, Jesus continua respondendo aos nossos anseios de maneira branda, delicada, mas intransigente. Meditemos também sobre estas lições. Todas elas nos servem como tema de aprendizagem.
Padre Miguel do Nascimento
106 - O sol brilha sobre a pradaria sem fim
Eça de Queirós
Os animais festejam a natureza: pássaros cantam, os bois pastam placidamente, exteriorizando em sua mansidão a paz que desce dos céus sobre todas as criaturas. As flores silvestres se ostentam no seu variado número de formas e cores; há uma alegria no ar.
Se cerrarmos os olhos, poderemos sentir as vibrações diferentes; se nos concentrarmos ainda mais, aprofundando os nossos sentidos espirituais, ouviremos como se fosse um ressoar de vozes ao longo do caminho, mas vozes que se casam e se harmonizam, formando melodias. Sim, deve ser uma música que ouvimos.
Mas quem regerá essa orquestra invisível? Mergulhemos um pouco mais em nossas meditações. Estaremos enganados ou é a felicidade que nos fala ao coração? Chegamos enfim a uma conclusão: a música existe de fato; não estamos enganados; mas essa música só a escuta quem se esquece de si para se lembrar de Deus.
Deus é o Concerto Imortal que ouvimos quando temos puro o coração.
Eça de Queiroz
21.10.1977
107 - Formando um lar sagrado
Do amor que unia a Sagrada Família, tiramos o tema da nossa mensagem de hoje: uma mãe extremamente bondosa e compreensiva; um pai honesto e trabalhador; um filho amante de todas as virtudes, exemplificando a paz e o amor; uma família feliz na harmonia de suas atribuições, no cumprimento de suas obrigações humanitárias; uma família unida e agraciada por Deus.
Sobre o modesto ateliê de José, a luz divina brilhava intensamente; aos videntes era dada a visão esplendorosa da radiação fluídica daquele lar; símbolo do lar onde o amor impera, símbolo do lar que deveria existir com abundância sobre a face da Terra.
Unidas pelo sagrado laço do amor, as criaturas humanas deveriam se conscientizar do papel que representam perante o grande destino que devem viver, procurando firmar suas uniões sobre o excelso e divino amor, aquele que verdadeiramente poderá dar guarida às almas angelicais.
A educação dos jovens para o casamento deveria ser currículo de toda instituição que se valorize em seus propósitos, propiciando aos futuros pais de família os sublimes conhecimentos da tarefa que lhes cabe desincumbir.
Ainda que não fosse isso, levados pelas convicções religiosas, pela própria exigência da vida, essa preocupação seria digna de apoio. Comecemos desde já a lançar as sementes para que, num futuro bem próximo, possa haver pais fortificados como Maria e José, para o cumprimento de um dever sagrado, qual seja, o de abrigar em seus futuros lares espíritos altamente elevados para o desempenho de missões gratificantes.
Jesus, o excelso Filho de Deus, nos dê a luz para a compreensão dessa Verdade.
Padre Miguel do Nascimento
22.10.1977
108 - Meditação
Na hora consagrada à meditação, abstém-te de fazer vibrações para que tua mente não se envolva nos problemas de nossos irmãos. As vibrações poderão ser feitas no fim do trabalho e nunca no começo.
Na meditação, a mente deve ficar livre de qualquer preocupação. Mentaliza então a figura de Jesus, que é o caminho mais acertado.
Na tranquilidade na qual já podes viver, deves repousar o espírito para que ele encontre o que procura: o conhecimento superior.
Joaquim Felisberto de Macedo
24.10.1977
109 - Lavando a alma de interesses egoístas
Na mais longínqua civilização que o homem conhece, encontraremos os vestígios da Sabedoria por Deus emprestada a todas as criaturas. No Egito, sim, no Egito, vamos encontrar vestígios de tal civilização. Através de inscrições sofisticadas em pedras milenares, o homem estuda conscientemente a história de uma raça, a filosofia de um povo.
Na sede de saber, pesquisa, compara, analisa e tira conclusões. As conclusões levam o homem a uma certeza inalienável de seus apurados raciocínios. Ele pisa, assim, em terreno seguro, insofismável. A objetividade dos fatos leva à criação de uma nova ciência: a paleontologia, a que tantos consagram a vida; vida de sacrifício, de renúncia, de decepções, mas também de alegria.
É a satisfação de um ideal e isso é sempre motivo de regozijo por parte da alma sonhadora. Trabalho louvável, não resta dúvida, pela dedicação de uma vida, pelos sacrifícios, pelas realizações. Contudo, falta em toda essa pesquisa, em toda essa labuta, o cunho marcante de uma filosofia – o amor.
Se o homem, imbuído de tal ideal, juntasse ao seu trabalho uma boa dose de amor fraternal e compreensão pelo que realmente interessa à sua raça atual, revestir-se-ia da toga de luz que o iluminaria, bem como o caminho que deve percorrer para chegar a uma verdade inconfundível.
Quando o homem souber se lavar espiritualmente de seus interesses egoístas, estará em condição de encontrar a chave com que abrirá novos caminhos.
Padre Miguel do Nascimento
24.10.1977
110 - Da ficção à realidade
No lamaçal de nossos vícios e de nossas imperfeições, encontramos, pelo sofrimento, o caminho da Luz. À custa de tanto nos debatermos nas misérias causadas pelos desvarios, tiramos conclusões dos problemas que nos afligem.
Amadurece o nosso espírito e a luz começa a brilhar também para nós. É o começo do Reino de Deus em nós; este reino do qual Jesus falou, único onde poderia ser rei. Assim é que podemos hoje chegar a esta mesa de trabalhos tão dignos e deixar, sem constrangimento, a nossa identidade.
Júlio Verne
25.10.1977
111 - Anunciando novas mensagens
Nesta mesa sagrada de trabalhos espirituais, queremos deixar bem patente, em nome de Jesus, que nossos trabalhos não são nada pretensiosos e, se alguma informação ou orientação vier a ser dada, é com intuito exclusivo de vos ajudar. Esses esclarecimentos não virão de nós diretamente, mas da falange altamente capacitada que nos dirige.
Sob a luz de Deus, que esclarece e desanuvia todas as trevas, iniciamos nosso humilde trabalho de transcrever as mensagens que nos forem chegando. Com a vossa vibração positiva no Bem, entraremos com mais facilidade na posse de uma sequência de mensagens suaves, com cunho evangélico e de bastante necessidade atualmente.
Tertuliano dos Santos
25.10.1977
112 - Missionários num meio hostil
Na vida de Jesus, encontraremos o tema de nossas meditações. Desde os antecedentes de sua vinda à Terra, veremos, à luz do Evangelho, que uma série de acontecimentos extraordinários se sucederam.
As profecias nos dizem isso. Se buscarmos no Antigo Testamento todo o enredo da história que chegou até nossos dias, à luz da verdade e sem quaisquer outros preconceitos religiosos, veremos como Deus enviou à Terra tantos missionários, espíritos de escol, de grande experiência, que vieram cumprir suas obrigações num meio geralmente muito hostil, mas que lhes permitia, pelo menos para uma minoria, lançar as sementes que começaram a germinar; isso, desde os tempos bem remotos. Hoje, à luz do espiritismo, podemos com convicção afirmá-lo, transcendendo o Gênesis, que para os livros bíblicos datam o começo do mundo e da vida sobre o nosso planeta.
Para muitos, sabemos, seria absurdo transcender ao Gênesis, mas, se aqui escrevemos, não será para os olhos nem os ouvidos daqueles irmãos ainda bem obliterados em face da grande verdade.
26.11.1977
113 - Depoimento de um colaborador
Comovemo-nos até as lágrimas, pois a ventura é muito grande para mim. Jamais sonhei com tanta maravilha. Eu, tão pequeno diante da grandeza daqueles protetores cujas fotografias guardava com tanto respeito, ver-me agora fazendo parte de reunião tão sublime, em que Jesus é o maior Mestre, a nos vigiar.
Como disse, sob olhar tão misericordioso, estamos hoje muito felizes, muito agradecidos por tantos e tantos bens que recebemos. Quantas almas já foram encaminhadas com nossas preces. O poder de Deus não tem limites quando a tarefa é de amor. Continuaremos neste mister sagrado de arrebanhar as almas que se esqueceram da bondade de Jesus.
Muita felicidade para todos.
Joaquim Macedo Mattos
26.10.1977
114 - O Eu Superior
No mais recôndito altar, encontraremos Deus. No abandono de nós mesmos, mergulhados no oceano bendito da vida, lá onde não há rancores, nem ressentimentos, nem desejos, nem ambições, encontraremos a centelha que brilha dentro do nosso próprio espírito, filhos que somos da imagem de Deus. Quando mergulhados nesse abismo infinito, nos enchemos de amor e ternura, começamos a vibrar com tudo o que faz parte do Grande Reino, onde impera o Soberano de todos os poderes.
Sentimos então que também vivemos, não apenas vegetamos, e tomamos consciência de uma vida maior, de uma responsabilidade maior perante a nossa contribuição na harmonia e na paz de todos os seres. Sentimos que somos Alguém, que vibra com Alguém, de quem nos chega toda a Energia e regozijo espiritual.
Integramo-nos no Todo, porque Dele fazemos parte por toda a eternidade. Deus mora no coração de quem trabalha pelo bem comum.
Deus vos abençoe.
27.10.1977
115 - Do amor filial chegaremos ao amor universal
Chuvas de bênçãos caem sobre nós quando começamos a falar do amor – este bem sublime, esta excelsa virtude dos corações abnegados das almas puras e divinas.
Pelo exemplo de Jesus, procuramos também ser amorosos, fazendo ao próximo o bem que também desejaríamos e é assim que se progride. Estamos aqui a falar do amor porque este é o tema principal de nossas meditações. De que adiantaria todo este trabalho, toda esta dedicação, se fosse para apenas satisfazer um gozo pessoal?
Nossa missão, como já foi dito muitas vezes, deve ser uma missão de fins puramente altruístas, em nada egoístas, pois, caso contrário, ela não teria motivo de existir. Somos filhos de Deus, irmãos de Jesus e, se assim é, todo móvel que nos impulsiona é a completa confraternização de nossos ideais.
A felicidade tão buscada de diferentes formas, e frequentemente de maneira ilusória, nada mais é do que o amor nos unindo e nos fazendo entender e sentir uns as mágoas e alegrias alheias – um intercâmbio feliz de valores que vão se aprimorando à medida que se vive e se aprende. Do amor filial, fraternal e paternal chegaremos ao amor universal, que é a síntese de todos os bens.
Humberto de Campos
27.10.1977
116 - Um padre arrependido
Mesmo sem grandes possibilidades, vimos vos dizer do bem-estar que nos vai na alma quando aqui estamos. Somos quais crianças travessas que procuram o olhar do Mestre, ainda com muita timidez de serem reprovadas. Nossos irmãos afirmam-nos que não precisamos temer, pois o Mestre compreende a nossa hesitação. Então vamos indo; com a ajuda de Deus, iremos nos fortificando para podermos levantar a cabeça e olhar com confiança para o Bom Jesus.
Sempre quisemos pertencer ao seu rebanho, mas nos achávamos muito indignos para competir com nossos irmãos de crença. Fui católico, trabalhava num convento de irmãos beneditinos. Ajudava nas compras, nos afazeres domésticos, mas no íntimo não aceitava muito aquela vida – tinha uma revolta íntima contra aqueles companheiros que, para mim, eram tidos como santos na minha ignorância. Por que eu, diferente deles até no físico – tinha um feio e desprezível aleijão – devia ser o submisso, o que respondesse por tudo o que estivesse errado?
Não me conformava com aquela situação e minha revolta foi crescendo contra aqueles a quem devia amar, pois, fosse como fosse, eles foram os meus primeiros e únicos pais neste mundo. Recolhido pela benevolência daqueles frades, cresci como um bicho mau, que precisava sempre ser punido para conter meus ímpetos indesejáveis. Mas nem sei porque estou eu a relembrar estas coisas; já as deveria ter esquecido, pois faz muito tempo que desencarnei.
Hoje compreendo minha situação e, como conheço meu passado, ainda não encontro forças para encarar o Mestre. Daí toda esta dissertação. Mas foi bom, porque me desinibi e desabafei; não adianta mesmo querer parecer aquilo que ainda não somos e confesso, ainda tenho muito por me corrigir.
Mas aqui me sinto bem, bem mesmo e com estes pensamentos favoráveis de nossos companheiros, me sinto mais encorajado. Sinto ter-vos aborrecido com tanta conversa; mas estão me falando que isso devia mesmo acontecer para o meu bem e de muitos outros.
Assim me despeço por hoje, desejando-vos felicidade e agradecendo por estes momentos felizes.
28.10.1977
117 - Esclarecendo a mensagem anterior
O que foi escrito é um tema para reflexão por parte de muitos que não aceitam as condições que a vida impõe. Deus é Senhor e Pai e Ele só nos dá o que é para o nosso bem.
Esse nosso irmão teve uma vida anônima na última encarnação, à qual se refere, mas em outros tempos foi um destacado senhor da nobreza inglesa e se sobressaiu como almirante na marinha da Inglaterra. Esquecendo-se de seus deveres maiores, a muitos prejudicou e por isso veio redimir e expiar suas faltas da forma como ele próprio descreveu espontaneamente.
Não mencionamos o nome do dito almirante por questão de respeito a uma personalidade, além do que, o nome não é o principal. Jesus perdoou esse nosso irmão e ele é mais um dos muitos reintegrados no seu rebanho.
Padre Miguel do Nascimento
29.10.1977
118 - Cuidando do nosso jardim
Pudéssemos transmitir com toda fidelidade o que nos chega nestes momentos. A sublime perfeição das flores – o seu perfume, as suas cores, as suas formas, a sua contextura, a sua delicadeza e a sua nobreza, enfim, nos falam de Deus.
Admiramos, no nosso humilde jardim, as florezinhas que nascem, mesmo anônimas, sem nenhum trato, sem nenhum cuidado especial. Mas elas nascem, vivem, cumprindo o seu ciclo de vida. E morrem, mas outras nascem e as substituem. E assim tudo se renova sem que ninguém pense nisso. Durante a noite, o espírito divino trabalha incógnito, independente da vontade humana, plasmando de substâncias mil aquelas diminutas florezinhas, tão pequeninas, tão delicadamente belas na sua humildade, sorrindo alegres pelo amanhecer que lhes vem conferir nova beleza, novas transmutações no decorrer do dia.
O espetáculo se renova aos olhos do observador atento a cada instante: ora botões, ora flores exuberantes; ora flores envelhecidas, mas guardando em si o esplendor do que acabaram de ser. E o panorama se renova em cada dia, em cada semana, de acordo com as diferentes espécies e estações do ano.
Em qualquer jardim, por mais modesto que seja, existe sempre o resplendor do maior bem que a natureza nos oferece através de suas flores e frutos, que perpetuarão as espécies. Como o jardim modesto da nossa casa, é também o jardim da nossa vida: num perpétuo transmutar de formas, de cores, paisagens e perfumes, de acordo com as companhias que temos.
O nosso jardim é o prenúncio do jardim do Paraíso.
29.10.1977
119 - Disciplina é a base do trabalho
Humberto de Campos
O rio que corre para o mar leva consigo todas as impurezas que encontra pelo caminho; assim, nós, quando caminhamos para Deus, vamos deixando desintegrado o caudal de impurezas de nossas imperfeições; na Natureza, tudo se refaz e no Reino de Deus, tudo se recompõe, retomando o equilíbrio que faz parte da grande engrenagem.
Quando nos predispomos a encontrar a Deus, nos locupletamos da luz divina que purifica e refaz todo o nosso ser.
Renovamo-nos pelo recolhimento da prece e abrimos novos caminhos para o nosso espírito; caminhos antes não percorridos. Pelo esplendor da paisagem podemos nos inebriar; daí a disciplina que se exige de todo principiante. Somente depois de um preparo bem feito poderá a alma alçar voo para novos caminhos.
Humberto de Campos
30.10.1977
120 - Um pontinho no Universo
No vasto anfiteatro da Natureza, somos um pontinho obscuro a cumprir a vontade de nosso Pai. Um concerto de vozes que nos enternecem nos fala da grandeza de Deus. Perdemos a nossa individualidade, esquecendo-nos de nós para somente sentirmos a harmonia do conjunto.
Aprofundamos os nossos sentidos nas ondas sonoras que até nós chegam e nos perdemos na imensidão de uma melodia imortal, melodia que ninguém escreveu, que ninguém executou, porque a ela nenhuma se compara e nenhum virtuose poderia fazê-lo com tal maestria.
No êxtase de nossa meditação, tão somente sabemos que vibramos no mesmo compasso, ao mesmo ritmo imortal, pois sentimos a eternidade dentro de nós.
Deus fala-nos ao coração e a Ele agradecemos por este momento grandioso em que, tão pequeninos, ainda assim, conseguimos captar tanto esplendor.
30.10.1977
121 - Joana D'Arc
Na humilde cidadezinha nos arredores de Paris, entre vales verdejantes e sob um céu sempre azul, portanto, em um paraíso esquecido entre as altas montanhas dos Pirineus e dos Alpes, vivia uma família feliz: o casal não muito idoso, três rapazes e duas donzelas. Trabalhando todos, como costuma acontecer às famílias pouco abastadas, os humildes camponeses cultuavam, no entanto, a presença de Deus em seu lar.
Apesar das divergências religiosas da época, indiferentes ao que os outros pudessem pensar, eram devotos da Virgem Maria. Honestos, sinceros, a exemplo de Jesus, eram verdadeiros cristãos, praticando o amor ao próximo com a espontaneidade dos corações amadurecidos.
A jovem família era o reflexo da luz de Deus, que se espalhava no azul daquele céu. Mas a tranquilidade daquele recanto francês foi abalada pela ressonância dos motins que havia por toda parte: a desordem dos grandes e populosos centros ameaçava o país; mensageiros, chegando de diferentes pontos, davam conta do perigo que assolava a França.
Mas eis que uma voz se ouve entre as colinas verdejantes e alguém muito sensível percebeu essa voz misteriosa, que não era de ninguém; uma voz que não se podia dizer de onde vinha, mas que ressoava bem no fundo do coração daquela adolescente, mal saída de sua infância; pura e casta em seus amores era ela, sim, Joana, que ouvia essa maravilhosa voz vinda do céu, falando coisas que ela, a princípio, não podia compreender, dada a paz que reinava em seu coração, que não podia admitir haver misérias no mundo fora do seu.
Mas, pelas vozes insistentes que ouvia, tomou as resoluções que lhe recomendavam os anjos e, seguindo seus conselhos, abandonou sua família e tomou as deliberações necessárias. Foi a grande Joana D'Arc; lutou, sofreu, viveu e morreu como todo mártir; mas lutou pelo ideal de todo cristão e venceu, protegendo os humildes e ultrajados.
Sua morte foi glória para seu povo e seu espírito elevou-se ainda mais à custa de um sacrifício por um bem comum.
Seu exemplo ficou na história e sua alma, hoje ainda mais evoluída, brilha nos céus de sua pátria, alentando os homens de bem a trabalhar por tudo o que seja honrado e digno do Senhor.
Humberto de Campos
31.10.1977
122 - A psicologia enseja o amor
O amor de Jesus não tem limites nem reservas; até mesmo os pecadores Ele amou. Compreendendo as falhas humanas como imperfeições a serem corrigidas, Ele perdoava a todos, recomendando com ternura, sem imposição, que não pecassem mais; uma advertência suave, mas salutar, pois feita com brandura e mansidão, cujas vibrações se voltavam também com mansidão.
Este exemplo é de suma importância quando queremos corrigir alguém; quanto mais carinho dispensarmos, mais fundo penetraremos a alma de nosso irmão, tocando-o na sua parte mais sensível.
A psicologia aproxima-se aos poucos desta verdade; através de seus diferentes ramos, procura ela dar condições ao educando de expandir-se com naturalidade dentro de normas pré--estabelecidas, tendo como base o conhecimento das dificuldades do paciente.
É um trabalho nobre, de muito respeito perante a espiritualidade, que envia esforços para ajudá-la de maneira mais completa, visando os fins da felicidade humana. Partem daí os princípios de perfeito entrosamento entre educador e educandos, entre psicólogo e paciente, o que vem significar em palavras mais evangélicas – autodoação ou amor ao próximo.
Na época atual em que muitos exemplos tornam-se conhecidos, vimos dar à psicologia moderna toda a consideração e o apoio de que é merecedora. Dentro dessa ciência, encontrarão os homens infinito campo para a prática do amor. Quantos problemas, quantos desajustes emocionais ou cármicos poderão ser em grande parte solucionados pelos verdadeiros conhecedores da alma humana.
Se já no meu tempo, em que estávamos tateando ainda, muita coisa se fez, calculemos agora, principalmente se aliarmos ciência e religião. São conhecedores desse matiz que os homens necessitam para dar cumprimento aos seus ideais de confraternização. Agradecemos-vos tudo o que pudermos fazer para a difusão destas verdades que ora escrevemos, pois é uma maneira de nos realizarmos de forma mais completa. O que pudermos fazer, faremos na parte que nos compete. Unamos nossos esforços, pois há muitas criaturas necessitadas de compreensão.
Sigmund Freud
31.10.1977
123 - Faculdades mediúnicas menos ostensivas
Os tempos em que vivemos são uma repetição da fase que abriu caminho ao espiritismo no século passado. Estamos vivendo uma fase de preparo espiritual quanto a novas verdades que despertarão o homem para uma vida bem aproveitada, ainda que seja encarnado.
Este preparo possibilitará uma vivência também no campo espiritual, completando a vida humana com o sabor divino dos alimentos espirituais. Vivemos uma época em que o progresso material afastou rudemente o homem dos princípios naturais que ele, centelha divina, deve viver.
Referimo-nos à maioria, pois que uma parcela destes mesmos homens, preservada pelo amor a Deus, que a tudo equilibra, ainda se dedica e se consagra à verdadeira vida. Iluminados pela luz que orienta os nossos destinos, essa minoria, outrossim, será multiplicada pelo acréscimo da bondade de Deus, que a locupleta nas suas deficiências, aumentando-lhes as faculdades mediúnicas, ligando-a com a maioria dos espíritos angelicais que presidem à evolução do planeta.
As faculdades mediúnicas, que nem sempre precisam ser ostensivas, pois que, à medida que o homem evolui, mais fácil e naturalmente se liga ao plano espiritual, devem ser postas em exercício consciente e frequente sempre que se fizer necessário, pois, como dissemos, se os homens de boa vontade constituem a minoria, a falange que trabalha pelo bem da humanidade é muitas vezes maior.
Nenhum filho de Deus que se predispõe a trabalhar será relegado. Todos serão agraciados cada vez mais com os bens que Deus nos prodigaliza.
Humberto de Campos
8.11.1977
124 - Inteligências superiores
Na mísera condição humana, muitos conhecimentos ficam empanados por falsas ideias preconcebidas. Ideias preconcebidas resultam sempre de preconceitos arraigados às maneiras de agir e até de entender. Costumamos dizer que a mente humana é obliterada por sua própria condição de espírito encarnado.
Quando pomos em prática os exercícios de concentração e meditação sobre assuntos mais elevados, a nuvem fluídica que impede a visão mais nítida das coisas vai se dissipando, e a compreensão se torna mais fácil, desvendando muitos mistérios que antes se faziam insondáveis.
Daí advêm os grandes pesquisadores, cientistas e mesmo criaturas geniais perante o comum dos homens; são as criaturas que se aprofundam na pesquisa de um mundo ainda desconhecido para a maioria, mas que passa a existir para todos, desde o momento em que as descobertas vão sendo feitas.
Este é o caminho para quem quer realmente progredir: dedicar-se com amor às coisas sublimes, procurar respostas para aquilo que ainda é incompreensível e criar condições para que a luz brilhe mais intensamente para muitos.
A vida nos reserva muitas surpresas, mas, para bem da verdade, essas surpresas só aparecem quando, à custa de trabalho, de esforço principalmente mental, oferecemos as condições favoráveis ao aparecimento do que sempre existiu, mas que o homem ainda não havia explorado.
O raciocínio bem dirigido, tendo em conta a influência benéfica que sobre nós têm as inteligências superiores, é o caminho que devemos percorrer para chegarmos à concretização de nossos ideais.
8.11.1977
125 - Compromisso divino
No princípio do século XX, estivemos empenhados numa nobre missão de intercâmbio com um irmão nosso de renomado conceito entre todos vós. Trata-se, como sabeis, de Francisco Cândido Xavier, discípulo em tudo muito digno de cumprir os desideratos a que estava destinado.
Trabalhamos com ele vários anos de incansável labor, no afã de trazer à Terra um pouco de luz espiritual, num meio em que, por sinal, era algo dificultoso quanto às prementes possibilidades de uma eficaz manifestação espírita. Como é sabido por muitos, o espiritismo no Brasil ainda dava seus primeiros passos e fazer-se compreender entre os homens a possibilidade de um intercâmbio entre encarnados e desencarnados era por demais temeroso.
Mas, como a vontade de Deus fala sempre mais alto que a vontade dos homens, fomos vencendo um a um os obstáculos que nos impossibilitavam um mais fácil acesso à mente daquele jovem, que crescia em seu sofrimento invisível rumo a Deus. Nós bem conhecíamos o seu sofrer, as suas dores mais íntimas, pois caminhávamos lado a lado na sua penosa estrada.
Na pequena cidade de Pedro Leopoldo, onde mais ainda a ignorância parecia vicejar, atravessamos dias de cruel amargura, que ele jamais revelou a ninguém por modéstia de seu elevado caráter. Mas Deus, que recompensa todos os sacrifícios em nobre causa, amparou-lhe sobremaneira os passos a ponto de chegar aonde chegou.
No livro que abria fronteiras aos olhos de muita gente bitolada no pragmatismo religioso de muitos séculos, com a graça de Deus e sem vanglória, fomos o mensageiro de tantas e tantas poesias, diversas nos seus estilos, nas suas expressões, para evidenciarem mesmo, e com esse principal objetivo, a possibilidade de uma volta ao panorama terreno de tantas almas livres do invólucro carnal.
Assim, através dos tempos, a verdade incontestável foi se impondo por si própria. Muitas obras foram publicadas e sobre isso não há mais comentário. Acontece que a vida continua e as coisas têm de caminhar; a obra de Deus é infinita e aqui estamos para humildemente darmos continuidade aos desígnios do Pai.
Embora ainda com muita relutância por parte da médium, encontramo-nos, outrossim, muito fortificados para o desempenho desta seguinte fase de evolução dos preceitos doutrinários do espiritismo.
Sabemos que muitas dificuldades ainda vamos encontrar, mas estamos imbuídos de muita coragem, mais ainda agora, fortificados no amor de Jesus e contando com a imensa e infinita colaboração de todos os que até hoje se consagraram ao advento do cristianismo de forma íntegra e magistral. Nada devemos temer.
Os tempos são chegados para grandes revelações. Jesus continua junto de nós, na sua obra sem qualificativos, na recuperação das últimas ovelhas tresmalhadas, pois os seus tempos estão contados para pôr todo o rebanho em linha para marchar com Ele pelas estradas luminosas dos mundos incontáveis deste universo sem fim.
Jesus, podes contar com mais este teu humilde discípulo na concretização dos teus mais sagrados ideais.
Humberto de Campos
11.11.1977
Agradecemos o seu interesse. Se puder, faça um breve comentário sobre o tema lido, indicando capítulo e número da mensagem logo abaixo. O objetivo é criar uma atmosfera psíquica que nos permita estar sempre sintonizados com cada um dos leitores no plano espiritual, criando, assim, uma corrente de auxílio mútua. Compartilhe criteriosamente e siga este blog. Obrigado. O Editor.






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