28/03/2023

Capítulo 9 - Singrando os Mares da Vida


 

Capítulo 9

Singrando os Mares da Vida 


Mensagens psicografadas no período de 26.04.76 a 09.12.77 



Preâmbulo

    Singrando os mares da Vida, encontramos-nos um dia; eu, nauta incauta e temerosa; tu, altaneiro e destemido.

    Fomos assim, de déu em déu, sob o sol ardente dos verões causticantes, vencendo tempestades, procelas mil, mas olhando sempre para o alto e para o mar sem fim. Encalhamos muitas vezes; outras tantas descobrimos encostas verdejantes, que a cobiça nos fez alcançar. Festejamos, na mais frugal alegria, os momentos felizes.

    Depois, outras praias quisemos procurar. Numas, surpresas boas, noutras, vivências vãs, mas em todas, o prazer da convivência sempre pura e amiga, que o destino nos reservou. Até que um dia tivemos que nos separar e eu aqui estou e tu aí estás. Vejo-te e não me vês. Entendo-te e não me compreendes. Sinto por ti o mesmo amor, talvez até maior, no entanto, permaneces mudo e triste.

    Por que esta solidão? Por que este desconsolo? Podemos vogar ainda. Temos ainda muita força e muito tempo. O céu está claro, as águas mansas. As gaivotas anunciam sinal de terras próximas. Vamos, meu amor, Deus estará conosco e nada nos faltará. Beberemos das águas das fontes e num regato tranquilo nos iremos banhar.

    Vamos, que a vida é bela e o sol da manhã é novo alento para a alma preguiçosa. Vamos, que a Vida nos espera.

  1975


1 - Das trevas nasceu uma luz,..  

     ...que se engrandeceu de tal forma que iluminou tudo ao redor. Esta luz é o coração do homem que se pôs em contato com Deus e voltou para o seu verdadeiro Reino.

    A luz é para brilhar além, bem acima do candeeiro. Com ela vem a paz, pois quem enxerga está seguro e confiante nos passos que há de dar. Se sentimos esta luz brilhar dentro de nós, não devemos ter medo de caminhar.

    Caminhar implica em conhecer novos caminhos, pisar onde antes não podíamos pisar por falta de luz e de segurança. E estes caminhos serão claros, devassáveis, pois a luz há de brilhar conosco. Andemos na luz, com alegria e confiança. Jesus nos dá esta luz. 

    Um passo a mais podemos dar.

    Já nos sentimos firmes em nosso caminhar. Jesus é nosso amigo e sua luz nos guiará.

 26.4.1976


2 - Nas praias da Arábia... 

    ...estivemos um dia, recém-chegados de um naufrágio atroz.

    Eu ia pelo mar adentro à procura de ilusões, quando, avistando-te num barco ao lado, enlouqueci de amor. Compreendi a dificuldade da situação e, com medo de perder-te, em vão procurei alcançar-te. Mas quis o destino que pagássemos nosso tributo e ao mar fomos arrojados.
      
    Ao sabor das ondas, fomos jogados pela tormenta, até que à praia fomos parar, já exaustos e inertes. O sol banhou nossos corpos e bafejou nossas almas e a vida nos alentou. Sentimos o reflorir de nosso amor, já em outras épocas vivido, e por longo tempo fomos dois em um.

    Viajamos muito tempo sem saber para onde ir, até que um dia nos encontramos sob o sol ardente do deserto, que nos separou. E assim se passaram longos anos; longos, tristes anos. Mas tudo acabou; e tudo, por milagre de Deus, volta a recomeçar.

     Alegria se faz sentir e uma grande esperança nos diz que seremos felizes outra vez.
      A vida nos espera...

11.11.1976


3 - Lá do infinito das alturas Deus espera por nós. 

    Vamos viver intensamente, conforme já sabemos que devemos viver, como todo cristão que se preza, aceitando com resignação o que a vida nos impõe. Tudo é para nosso bem e de todos, pois a evolução tem que se fazer desta ou daquela forma, embora ignoremos a forma pela qual as coisas se ajustam para melhor.

    Deus, clemente, misericordioso, mais uma vez, Vossa vontade se faz, pois tudo se encaminha e se engrena na maravilhosa mecânica de Vosso Universo, do qual somos parcela mínima, porém necessária para que a vida continue a existir.

    Louvemos a Deus, nosso Pai, por compreendermos o significado de toda esta maravilhosa harmonia, da qual queremos continuar a fazer parte, entrosando-nos resignadamente aos desígnios do Pai. 

3.5.1977


4 - A cruz que devemos carregar... 

        ...é nossa, de mais ninguém. Peçamos a Deus força para tanto, coragem para prosseguir e compreensão para entender a razão da vida. Como Jesus, queremos ser dignos de carregar uma cruz bem pesada, mas chegar abençoando a todos até o fim da caminhada.

    De nada adiantaria carregá-la, maldizendo os que se aproximam de nós. Vamos, sim, procurar abençoar como Jesus fez, oferecendo àqueles que escarnecem de nossas provas o exemplo de nossa coragem e o calor de nossas palavras bem intencionadas e bem sentidas.

    Perdoemos nossos algozes, oferecendo-lhes o sorriso amigável de nossa companhia e ofertando-lhes o carinho de nossa compreensão em favor de sua ignorância. Oremos sempre por eles, pois Deus está com aqueles que praticam a Lei do Amor, que é a Lei da Caridade.

        Que Deus vos pague e ilumine.

 2.6.1977


5 - A vida é alegria,...  

        ...é euforia, é entusiasmo, é vontade de fazer os outros felizes como nós somos, na compreensão de uma vida verdadeira, que resplandece em tudo que nos cerca; vida que reverbera na mais pequenina flor, no mais rastejante dos animais, vida que se manifesta esfuziante de luz, de majestade em toda obra da Criação.

        Alegria, entusiasmo, coragem de levar avante a compreensão que temos em face desta vida maravilhosa de amor; amor que faz de todas as criaturas uma só alma, uma só alma filha de um Pai único e soberano; amor que nos identifica como criaturas filhas de Deus, e irmãs de Jesus; todas juntas, todas unidas, irmanadas numa missão única e verdadeira de levar a todos o conhecimento, a paz e fazer de todos um só rebanho pertencente a Jesus. 

3.6.77


6 - Com a graça de Jesus, aqui estamos reunidos... 

        ...para vos enviar uma mensagem de otimismo, de coragem, de alegria, pois a todos que se dedicam ao que há de mais belo e puro, quais sejam, os ensinamentos de Deus, é dada a oportunidade de se revigorarem para avançar com mais galhardia, para vencer com destemor as dificuldades que lhes são dadas, justamente como prova de vossa perseverança e amor ao que há de melhor nesta vida que a Deus pertence.

        Vamos, meus filhos, vamos com coragem, mais entusiasmo, para que Jesus possa vos ajudar. Não vos preocupeis com as falsas aparências, mas tirai de tudo o que há de melhor na criatura.

        Deus é para todos e não seria Deus se nos negasse Sua misericórdia quando mais precisamos Dele. Confiança na proteção que Ele vos dispensa, nunca vos esquecendo dos conhecimentos que já podeis pôr em prática, pois a experiência vos comprova estes fatos.

Não procureis nos homens o que não podeis encontrar senão em Deus. 

5.6.1977


7 - “Jesus é o meu pastor,... 

        ...com Ele, subirei montanhas, descerei encostas, atravessarei vergéis, riachos, beberei nas fontes, bendirei a natureza, oferecerei amor e distribuirei compaixão".

        Com Jesus, irei feliz, pois Ele é minha luz; Ele é meu guia, que acalma as tormentas e torna os caminhos menos ásperos. Com Ele, irei em frente e, com Ele, darei sem medo a mão a meus irmãos infortunados, que ainda não enxergam a beleza do caminho.

        Darei com minhas palavras consolo aos aflitos, aliviarei as dores dos doentes, darei a luz do conhecimento que já aprendi com o Mestre. Com Ele, continuarei até o fim de meus dias, pois Ele é meu sublime amor.

        Que Deus me ampare para poder seguir sempre meu Mestre amado.

 11.6.1977


8 - A vida em face do Criador 

        Vida sublime, vida bendita, que a todos é dada como dádiva do céu. Se soubéssemos agradecê-la com o coração, para nosso bem, para nossa redenção. Rosário de lágrimas, já se ouviu falar; mas que ela seja rosário de flores, disso ninguém jamais cogitou.

        Sim, rosário de flores e flores sublimes, flores abençoadas, puras e maravilhosamente belas, que colheremos nos jardins de nossa esfera; que levaremos um dia ao Seu Supremo Criador.

        Flores exuberantes, as mais lindas, colheremos todas, uma a uma e, perfumadas de um olor divino, entregaremos a Ti, Jesus, querido Salvador.

 13.6.1977


9 - Oh! Quanta alegria pelo meu exílio 

        Já posso ouvir a voz de Deus, sem precisar ouvir os ângelos das igrejas, o bater ao longe dos campanários.

     Sinto em meu ser a glória de haver vencido, de haver sofrido e suplantado todas as amarguras de uma vida de poeta; poeta que sente porque ama, e chora porque sofre a dor alheia.

        Mas, bendigo hoje o meu amor perdido, porque, ao perdê-lo, outro ganhei e, redimindo minhas faltas do pretérito, volto a amar com mais intensidade aquela que foi minha musa inspiradora.

        Hoje rio, rio e sorrio de minhas desventuras, que outras coisas não eram senão minha incompreensão.

        Mas, o amor sublime, amor que redime e une as almas, aqui está a nos enternecer o coração para vos dizer que vale a pena viver, que vale a pena sofrer.

14.6.1977


10 - No intercâmbio que fazemos... 

        ...muito bem se desenvolve, não só à nossa volta, mas a distâncias imensuráveis. No plano do amor divino, as forças se multiplicam e uma cadeia vibratória ininterrupta e esplendorosa enlaça as almas a quem amamos e as quais muitas vezes ignoramos.

        As vidas se unem no espaço e no tempo e tudo é uma coisa só, a falar da beleza universal.      As portas do Paraíso se abrem para todos os que perseveram no bem. Amai-vos, meus irmãos.

        Jesus vos abençoa neste momento glorioso.

 18.7.1977


11 - Na glória de Deus, te reencontro... 

         ...alma a quem me uni através dos tempos e a quem me consagrei sem mesmo entender por quê. Pela vida afora, vivemos dias de intensa provação e, na amargura de nossos desenganos, fomos colhendo, sem o saber, as contas de um rosário imenso, que hoje desfiamos ternamente e tranquilamente aos pés do Mestre.

        A vida nos impingiu, é verdade, provas acerbas, dores amargas, mas hoje aqui estamos, retemperando-nos das lides, fortificados na paz e na autossuficiência que nos plasmaram o espírito.

        Somos convictos da fé que nos move no propósito único do bem, que haveremos de disseminar à custa da união de nossos recursos, que se ampliam quando, neste ambiente de harmoniosa vibração, nos propomos a doar de nós o que podemos oferecer de melhor, qual seja, a confiança no poder de Deus, que nos dirige na assistência beneplácida de nossos irmãos incumbidos de tal tarefa, na paz que é sempre precursora da verdade e no Bem, que de uma ou outra forma está à nossa disposição para praticar.

 19.7.1977


12 - Tanto mais avançamos no progresso espiritual, ... 

        ...tanto mais aumentam nossas responsabilidades perante a vida. Somos todos viajantes eternos, em busca da Perfeição, do Amor e da Verdade e, sem lutas pelo caminho, nossa ascensão seria inglória. Os combates serão árduos, a começar com nosso próprio espírito a querer evoluir, mas encontrando barreiras que ele mesmo opõe; depois, outras tantas encontraremos para provar nossa fortaleza.

        De nossa autoafirmação depende o êxito das provas que advirão e, nessa escalada, iremos disseminando amor para com todos os nossos irmãos que, por circunstâncias da própria vida, se aproximam de nós, procurando por nosso intermédio a ligação com Deus que eles procuram, embora sem o saberem.

        Confiemos em Cristo, que tudo está disposto para o bem geral da humanidade e nossos problemas, que parecem ser pessoais, passarão a um domínio mais amplo de uma obra que é infinitamente grande e redentora. Entendamos nossos problemas para depois entendermos os dos demais.

       É assim que se aprende e evolui. Sigamos a Jesus e, nos momentos de vacilação, reunamo-nos com Ele para aumentarmos nossas forças.

        Deus vos abençoe.

 27.7.1977


13 - De júbilo enche-nos o coração... 

    ...quando amparados por Tua mão, nos pomos a meditar. Sonhamos com lugares maravilhosos, onde um dia poderemos estar.

        Alegria, alegria; sempre sem mágoas, tenhamos o coração para, junto de Deus, entoarmos nossa canção. Canção de amor, de paz, que há de nos conduzir para além, muito além; lá, onde a felicidade impera por igual e para todos; lá, onde trabalharemos com o coração e pela devoção de bem servir.

        Alegria, alegria em nossas almas, pois há motivo para tanto.

 29.7.1977


14 - O Dom Divino,... 

         ...o Supremo Dom que Deus nos dá para afugentarmos todo mal e nos refazermos da luta diária; que coisa mais linda, mais bela, mais pura do que o poder de refazer-se, em tão pouco tempo, graças ao dom que vem de Deus e que é justamente este, de nos reencontrarmos, de nos apoiarmos em Seu regaço amigo.

        Onde senão em Deus poderemos achar tanta ventura, tanta transformação de estado de espírito, em tão pouco tempo?

        Oh! Deus, Supremo Pai, que nos anima e nos conforta; que muitos de nossos irmãos possam sentir isso que sentimos e vos agradecemos. Poder esquecer as fadigas do corpo, o desânimo do espírito e nos pormos em colóquio maravilhoso com nosso Criador; ventura maior não poderíamos ambicionar em nosso viver, que, no comum das criaturas, ainda é tão cheio de dores e sofrimentos.

        Sim, podemos dizer: somos felizes. Sim, somos muito felizes, pois podemos contar com a ajuda divina a nos guiar neste e em qualquer momento de nossa vida.

        Graças a Deus.

 30.7.1977


15 - Já não dissemos, ... 

        ...minha filha, que o que tem que ser será, com a graça de Deus? Estamos trabalhando, é verdade, bastante para isso, mas acima de tudo está o poder de Deus a nos dirigir, pois tudo o que está programado tem que ser cumprido à risca.

        Jesus é nosso Mestre, nosso Guia, nosso Pastor e nada nos faltará. Fé em Jesus, que estamos muito bem amparados; não descuides de tuas obrigações maiores. Sempre que possível, faça tuas preces e predisponha-te a treinar nas horas a isso consagradas.

        Continuaremos à postos, conforme prometemos, pois nossa missão faz parte da tua.                 Somos todos um a trabalhar para Deus.

        Fica na paz de Jesus.

 31.7.1977


16 - A aurora de branco vestida... 

        ...num resplendor de sol e de cores, atrai-nos para o que é sublime, o que é belo e a nós parece sonhar.

        Sonho de amor, canto de paz, que a tudo faz brilhar; chuva de sol e de arrebol numa manhã sem fim.

        Dias claros, claros de sol; andorinhas a voar; flores abertas a responder que sim; sim, também nós amamos, também nós sonhamos, também nós queremos viver.

 1.8.1977


17 - Nas lides da vida... 

Nas lides da vida

            Eu quero ficar 

                        Ouvindo Jesus, 

                                    A me abençoar:


Trabalha, minha filha, 

            Trabalha com amor, 

                        Que a Deus, do céu, 

                                     Queremos servir.


Vamos, que é hora, 

            Hora santa e abençoada 

                        De a todos oferecer 

                                     Todo, todo coração.


São muitos irmãos 

            A nos implorar: 

                        "Socorro, socorro; 

                                     Queiram me ajudar." 

17.8.1977


18 - Deus sabe o que faz  

        São estas as palavras certas para o caso; este caso em que estamos empenhados e que temos fé em Deus que está se encaminhando para o melhor e para muito breve.

 17.8.1977


19 - Oh! Meu Deus, ajudai-nos.  

        Somos vossos filhos e queremos vencer. A vida é assim mesmo, mas, confiantes no amor divino, vamos lutar por nossos irmãos. São muitos os que encaminharemos desta forma.

        A paz esteja com todos, o trabalho enobrece as almas e o amor enlaça as criaturas.

 17.8.1977


20 - Não é de uma hora para outra,.. 

        ...que as coisas acontecem. Quando chegam a acontecer, é porque antes já houve intenso preparo, mesmo invisível. É justamente na persistência, na perseverança dos exercícios, que o trabalho chegará a bom termo. Não penses estar desamparada, porque estamos a postos, conforme o prometido, e se tiveres a constância e a fé necessárias, tudo sairá bem.

        As palavras vão aos poucos sendo formadas e teu espírito saberá como as ler; a intuição lhe será dada para isso. É assim mesmo, estamos satisfeitos e continue.

        Pelos resultados de tuas reuniões, podes medir a qualidade de tua assistência. O que dá como fruto coisa boa, só pode ter um princípio sadio. Não te desanimes.

17.8.1977


21 - O Divino Mestre, vos cubra de bênçãos!   

        Que nossa Mãe Maria Santíssima nos abençoe nestes instantes de amor, amor fraternal e espiritual, que vos liga através de muitas existências.

        Suas almas são duas almas amigas, que estarão juntas no caminho abençoado do Mestre. Neste momento em que vos reunis para orar, é grande a nossa satisfação, pois vos acompanhamos há muito tempo.

      Os trabalhos hão de se desenvolver, independentemente de qualquer dificuldade, pois grande é nossa proteção. Recomendamos, mais uma vez, aqueles exercícios diários para desenvolvimento de sua mediunidade.

 19.8.1977


22 - O amor de Jesus, vos cubra de muitas bênçãos! 

        Estamos todos muito felizes, pois sentimos que encontraremos mais facilidade daqui por diante. É só teres confiança, que aos poucos receberás conforme planejamos.

        O desembaraço vem com o tempo. A justa compreensão de teu dever, junto aos que te encaminham, te dará o roteiro certo para perseverares nesta abençoada missão que Deus te confiou.

        Trabalhadores honestos do Pai não faltarão para te ajudarem. Daqui por diante, não é preciso teres mais dúvidas; assim facilitará muito nosso trabalho.

        Conforme já orientamos em outras mensagens, é preciso que te concentres sempre na figura de Jesus e deixes que os pensamentos venham sem tua interferência. 

21.8.1977


 23 - Quanta ventura, ...  

        ...quanto amor sentimos nestes momentos, em que, reunidos em nome de Jesus, sentimos mais de perto Sua presença. É um enlevo tão grande, que agradecemos muito a Deus, que nos permite fazer parte de tão grata reunião.

        Meu desejo seria enaltecer todos estes corações, que me foram tão queridos, mas nos restringimos a tão somente agradecer a Deus a glória de vos ter tido como familiares. Já em vida senti que algo de diferente me unia a todos vós e hoje, analisando com maior clareza as diversas situações que tive que viver, admiro mais ainda o amor e elevação de vossos espíritos, já na Terra, tão compreensivos quanto à Vida Maior que Deus nos dá.

        Pudesse eu transmitir em palavras compreensivas a todos os que amo, mas confio na bondade destes meus filhos, que, por certo, como a mim, poderão também encaminhar tantas almas necessitadas de luz espiritual. Não vos faltarão palavras e ocasiões, bem sei, para levarem avante o que é o ideal de todo cristão – o amor e a paz entre todas as criaturas, independentemente do laço carnal que as liga.

        Agradeço muito a Deus esta oportunidade de me comunicar, em ambiente tão seleto, em que a luz é tanta que até facilita minha comunicação; de temerosa que antes estava, sinto-me agora mais convicta e, com o coração ainda mais enternecido de amor que aqui reina, rogo ao Pai por todas as criaturas menos felizes do que nós, que não tiveram ainda a mesma ventura.

Clara Martinelli

 29.9.1977


24 - Os acordes sonoros que ouvimos...

Johann Sebastian Bach 

        ...nos fazem lembrar de coisas passadas; uma vida que, apesar de toda dedicada à música, ainda considerada agora, deixa muito a desejar quanto aos verdadeiros anseios da alma. Tivemos uma vida consagrada aos instrumentos musicais, os quais procurávamos nós mesmos aperfeiçoar para extrair deles os sons mais delicados e mais sonoros.

        Sem falsa modéstia, labutamos e muito, pois a vida material não nos favorecia. Mas quando temos um ideal, lutamos por ele e assim, apesar das dificuldades, pudemos ir aperfeiçoando nossos instrumentos, que, pela escolha da melhor madeira, aquela que pudesse repercutir melhor as vibrações das cordas, fomos conseguindo o que, pelo menos para nós naquela época, era uma grande conquista.

        Mas se a conquista foi grande de um lado, de outro ficou muito a merecer, pois no anseio de tudo alcançar, só alcançamos o que podíamos conseguir com os sentidos materiais. Não aperfeiçoando o que devíamos ter aperfeiçoado, que seriam justamente nossas percepções mais sutis e que ao espírito pertencem, renegamos a parte mais importante de nossa vida; aquela que através da música poderíamos tão bem ter cultivado melhor.

        Por isso aqui estamos hoje, empenhados nesta missão de recuperarmos o tempo perdido, fazendo ver ao homem que, mesmo neste plano em que viveis, existe muita possibilidade de trabalho espiritual a par de nossas atividades cotidianas.

        Se já possuis o sexto sentido para as percepções mais delicadas, aprimorai ainda mais estas qualidades, no exercício salutar da concentração e da prece. Por meio da prece, nos ligamos aos planos superiores e aguçaremos nossa sensibilidade para podermos ouvir também as vozes dos anjos, que nada mais são que essa Sinfonia Maravilhosa do Universo, a vibrar harmoniosamente por todo o infinito.

Johann Sebastian Bach

 6.10.1977


25 - Naquela noite santa... 


Ludwig van Beethoven 

        ...em que te encontrei, prometi não mais me separar de ti; o amor foi minha devoção e meu coração se enterneceu por te ver chorar. Chorei também pelo amor que nos unia e cuja separação, sem o saberes, te fazia sofrer. Mas a vida é um continuar ininterrupto de surpresas e, quando as sabemos considerar boas para nosso bem, sentimos a felicidade em cada novo encontro.

        A música nos uniu e continuará nos unindo, pois nossas almas entendem bem suas insinuações. Nosso destino é cantar com o Criador as mais belas estrofes que podemos, em conjunto, absorver nas horas de meditação.

      Vamos juntos caminhar outra vez, ao som melodioso de um concerto que só nós poderemos entender: o concerto das almas gêmeas, que se enlevam em poderem, em uníssono, cantar toda a glória de Deus.

        Minha irmã, aqui estamos para te iluminar quanto aos sagrados anseios da música que tens em teu coração.

Ludwig van Beethoven

7.10.1977


26 - Como se nos reportássemos... 

 Ricardo Strauss

        ...aos luxuosos salões de festa da Idade Média, no mais requintado ambiente da nobreza privilegiada, aqui nos encontramos, rememorando os dias felizes de nossa última encarnação, quando a maior felicidade para nós era conseguir arrebanhar, para finalidade tão nobre, as mais ilustres personagens da fidalguia francesa.

       Era festa para todos nós e principalmente para nossos espíritos, ávidos de alegrias transcendentais. Buscamos na música a concretização de nossos anseios mais íntimos, procurando nos ligar fraternalmente àqueles que tão distantes estavam de nós pela estirpe inigualável de sua consanguinidade.

        No entanto, por vontade de Deus, lá estávamos também, unidos de alguma forma àqueles figurões e isso nos causava, confessamos, algum deleite excepcional; poder chegar à mais alta aristocracia, embora levados pelo caminho humilde da música, era já um significativo prêmio à nossa pequena personalidade.

        Mas assim Deus traçou e assim foi. Subimos muito alto até; tão alto que nos confundimos no êxtase de nossa felicidade. Misturamos o que era dos homens com o que era inconfundivelmente de Deus, e que tristeza! Confessamos, caímos; caímos e muito e afundamos nosso espírito no lodo da devassidão e dos preconceitos sociais.

        Pervertemos toda uma existência, que poderia ter contribuído não só para nos elevar mais, porém, no afã de glórias humanas, esquecemo-nos de que poderíamos transmitir nossas possibilidades também aos pequeninos e deserdados da sorte. Quanta ilusão, meu Deus! Quanto tempo perdido para nosso espírito!

        Por tudo isso, aqui hoje nos encontramos, ainda muito necessitados de redimir o que, por displicência, não cumprimos e, ao procurarmos levar aos nossos irmãos um conhecimento evangélico, queremos tão somente alertá-los quanto ao grande mistério que cumpre realizarem com toda dedicação e carinho para que não caiam também nas redes traiçoeiras do amor egoísta, que, pensando só em si, esquece-se do verdadeiro amor, aquele que une todas as criaturas, indistintamente de classes, credos e raças.

        Hoje somos convictos em afirmar que mais vale uma vida de compreensão na pobreza, na obscuridade, que muito conhecimento, mas empanado pelas trevas do egoísmo e das ilusórias luzes dos salões de festas.

Ricardo Strauss

13.10.1977


27 - Estas mensagens são escritas e assinadas... 

        ...sem nenhuma pretensão; apenas são lições para os que se dedicam à obra redentora da humanidade e que, como tal, devem tomar todo cuidado para não se deixarem levar pelas falsas aparências; o mundo em que viveis é muito enganoso, ilusório e contraditório; por isso Jesus sempre recomendou que orássemos e vigiássemos.

        Toda obra do bem tem a seu desfavor as trevas do mal, a assediá-la e querer fazer valer seus interesses mesquinhos. Estas mensagens têm o cunho de nos alertar quanto aos perigos que cercam os que se consagram a mistérios especiais.

        Jesus seja sempre vosso farol; sob Sua luz, não poderá haver enganos. A humildade é a prerrogativa dos grandes. Não vos impressioneis com os nomes dos irmãos que aqui comparecerão; procurai tirar de todas as lições o melhor proveito.

        Deus nos ilumine quanto a essas recomendações essenciais.

 13.10.1977


28 - Na imensidão do céu azul...  

        ...vibram as harpas eternas da Melodia Imortal, a eterna sinfonia do Bem e da Verdade. Os acordes desta música celestial chegam até nós em forma de sons também harmoniosos, mas que, por intuição, sabemos serem apenas o reflexo das vibrações originais.

        Já em vida constatamos a veracidade do que agora afirmamos, pois, por mais que nos concentrássemos, não conseguíamos transmitir o que sentia nosso espírito, mergulhado no oceano bendito da música transcendental.

        Entristecíamo-nos muitas vezes por sermos tão infiéis intérpretes da Obra Divina, mas pedíamos a Deus que compensasse nossas deficiências na alma dos homens que se pusessem a escutar nossas débeis orquestrações. E, por acréscimo da misericórdia de Deus, éramos atendidos, pois os que se punham a ouvi-las de fato vibravam em conjunto com as melodias que executávamos.

        Nunca me esqueci de meu Pai infinitamente misericordioso e, por isso, sempre fui muito bem-sucedido, mesmo entre os homens. Não tenho queixas, graças a Deus, e agradeço à eterna bondade que permitiu fosse eu instrumento de tão maravilhosa mensagem.

        A música, meus irmãos, por ser divina, tem o poder mágico de iluminar e encaminhar as almas, pois não há alma, por mais rebelde que seja, que não traga em si o gérmen desta centelha divina, que vibra em seus cânticos os mais variados e até primitivos sons.

        Na ascensão das almas para Deus, há o que podemos chamar de lampejo, que estimula as criaturas para sua natural subida para Seu Reino Imortal. Assim é que na História da Música vamos encontrar os mais diversos graus de interpretações, de acordo com a receptividade do espírito.

        À medida que ele vai galgando os degraus na escala ascensional, vão mudando seus pendores artísticos e seus arranjos orquestrais. É tudo fruto da receptividade desenvolvida para captar com menos ou mais fidelidade as vibrações das harpas eternas. Deus vos abençoe, meus irmãos, por cultivarem em vossos espíritos a suave bênção que os anjos vos trazem dos céus, através da música imorredoura.

        Congratulamo-nos convosco para que este cultivo se possa estender também entre as pessoas de vossas relações. É uma maneira de espalhar o amor entre os homens, tão necessitados do que é realmente conveniente.

Joaquim Tomé

        Os mais humildes na Terra podem ser os mais iluminados no espaço. Este nosso irmão é o protótipo da simplicidade e da virtude principal que os músicos deveriam possuir; por isso, hoje ele é tão feliz; soube usar os talentos que o Pai lhe confiou.

        Deus te abençoe, meu irmão e meu professor de música.

Joaquim Macedo Mattos

        Do mesmo modo como escreveste, outras mensagens escreverás, as que estão para vir e que te transportarão para lugares bem diferentes dos que conheces; viajarás sob nossa direção. 

14.10.1977


29 - Na Itália dos meus sonhos... 


 Ruggero Leoncavallo

        ...vivi parte da minha vida terrena. Outras encarnações, lá também vivi e me perdi de amores pela paisagem alegre e natural das pequenas aldeias: aglomerações de pessoas muito fraternas, muito dispostas a servir o próximo, sempre com o calor humano do italiano trabalhador; pessoas humildes, na sua maioria, revelavam, no entanto, altos dotes de espírito, pelo altruísmo a eles peculiar; em suas festas, regurgitantes de convivas alegres, não faltava a música e a boa comida e, naqueles tempos, era motivo de muita satisfação para nosso exigente paladar.

        Vivemos assim, vidas até bem vividas, pois nas pequenas cidades vive-se muito melhor que nas grandes capitais. Tomamos gosto pelas cançonetas, educamos nossa voz, que, por dom de Deus, já não era tão má assim. Com sacrifício de nossos familiares, até pudemos frequentar as aulas de um bom professor, que morava em uma cidade vizinha.

       Naquele tempo, íamos ainda a cavalo; mas era tudo muito agradável; sentíamo-nos felizes, pois realizávamos um ideal que alimentávamos desde pequeno: ser cantor. Não nos interessava se fôssemos ótimos cantores, mas queríamos simplesmente cantar.

        E assim foi. Não nos tornamos célebres, mas até hoje guardamos a reminiscência deste pendor. Sempre que podemos, entoamos aos teus ouvidos trechos destas canções.

        É um meio de nos fazermos presentes.

        No amor que sentimos, entoamos nossa canção: Matinata.

Ruggero Leoncavallo

20.10.1977


30 - No vasto anfiteatro da natureza... 

        ...somos um pontinho obscuro, a cumprir a vontade de nosso Pai. Um concerto de vozes, que nos enternecem, fala da grandeza de Deus. Perdemos nossa individualidade, esquecendo-nos de nós para somente sentirmos a harmonia do conjunto.

        Aprofundamos nossos sentidos nas ondas sonoras que até nós chegam e nos perdemos na imensidão de uma melodia imortal, melodia que ninguém escreveu, que ninguém executou porque a ela nenhuma se compara e nenhum virtuose poderia fazê-lo com tal maestria.

        No êxtase de nossa meditação, tão somente sabemos que vibramos no mesmo compasso, ao mesmo ritmo imortal, pois sentimos a eternidade dentro de nós. Deus nos fala ao coração e agradecemos este momento grandioso, em que, tão pequeninos, ainda assim, conseguimos captar tanto esplendor.

        Meus irmãos, quiséramos também vos falar de todo o bem que nos vai na alma, mas as emoções nos embargam a comunicação. Diremos que agradecemos a Deus vossa parcela de contribuição, que trazeis para execução de um grande destino. Não falamos isto para vos enaltecer, mas para conferir-vos a responsabilidade que tendes em perpetuar estas bênçãos.

        Minha ajuda é mínima, mas é sincera.

Humberto de Campos

22.10.1977


31 - A festa já começou; ... 

 Nilo Peçanha

        ...um ruído de vozes se faz ouvir. A reunião abriga os mais destacados estadistas, pois a finalidade desta assembleia é comemorar a união de 21 nações declaradas internacionalmente irmãs, em terras e ideais. O momento é de festa, mas também de muita seriedade, perante os destinos do mundo; os destinos do mundo, sim, porque destas nações unidas dependerá o desenvolvimento e felicidade de muitos povos oprimidos.

        Fala-se muito em liberdade nesta reunião; comentam-se os últimos informes sobre A LIGA DAS NAÇÕES. O momento é também de expectativa. Sente-se o clima festivo e, ao mesmo tempo, tenso, sobre as esperanças que se deve ter. Enfim, faz-se silêncio: um silêncio significativo em face da situação presente.

        Quem, no meio de plateia tão selecionada, terá a vez da palavra? A expectativa torna-se maior quando uma figura nada imponente, alvo até, com o perdão da palavra, rude e sem nenhum atrativo físico, pronuncia as primeiras sílabas: "homo faber, homo sapiens, homo loquens, homo filius Dei"; palavras entendidas, é claro, pela maioria erudita.

        Chamando a atenção de todos por estas poucas palavras, deu início ao seu célebre discurso de Haia. Sim, falamos de Rui Barbosa, nosso amigo e companheiro, que tão bem representou o Brasil no concerto das Nações.

        Rui foi a figura brilhante que abriu ao Brasil o caminho da representação política perante o mundo civilizado; pois o Brasil, até então, era um perdido país selvagem, até no continente americano.

        Rui elevou perante o mundo o conceito deste país, tão rico pela própria natureza, tão fértil pelas suas vegetações, tão belo e tão bom pelo povo que nele habita: um povo abençoado por Deus para o cumprimento de um grande dever: o maior de todos os deveres cívicos, qual seja, o de abrigar e orientar todos os irmãos menos possibilitados e esclarecidos.

        Por isso, meus irmãos, tenhamos em mente que o futuro desta nação muito depende de cada um de nós, que deverá dar sua parcela de amor, de compreensão, de conhecimento, de orientação, aos que o buscam, sejam lá como forem suas intenções.

        Abramos os braços para todos, pois Deus é pródigo, também para nós.

        Saibamos dar aquilo que não é só nosso, porque é de Deus.

Nilo Peçanha

24.10.1977


32 - Pelos caminhos da vida...  

        ...encontramos, muitas vezes, almas amigas a quem, sem o saber, dedicamos toda afeição e carinho. São os reencontros felizes de almas que já viveram em harmonia em outras ocasiões.

        A felicidade está também nisso: em sentirmos em cada irmão que se nos apresenta um elo que nos liga amorosamente ao passado. Hoje tivemos esta ventura, quando em teu lar pudemos reencontrar um velho amigo: Sr. João Barufaldi, nosso companheiro de outras épocas e muito relacionado ao nosso círculo de amizades.

         Fomos colegas num hospital de caridade e regozijo-me em tê-lo encontrado em teu círculo de amizades também. Não vamos tecer comentários elogiosos, que seriam contraproducentes, mas vamos somente dizer da felicidade que nos enche a alma ao vermos quão pequeno é de fato este nosso mundo.

        Jesus abençoe nosso propósito de nos fazermos conhecidos por todos vós, pois de fato nada acontece por acaso e hoje constatamos que a vida continua cada vez mais bela e promissora.

        Queiram enviar a ele meu abraço cordial. Se ele já não se esqueceu de mim, deixo meu nome:

Frederico Steinzel 

25.10.1977


33 - Estamos em treinamento minha filha, ... 

     ...para recebermos as mensagens de nossos irmãos; somos intérpretes ainda muito deficientes, mas já conseguimos uma boa parte de realização. Nossos trabalhos são ainda de principiantes, mas já temos nos desenvolvido um pouco.

        As ideias que nos chegam são deveras magnificentes, mas nós conseguimos apreender pelo menos a essência.

Joaquim Macedo Mattos 

25.10.1977


34 - Por toda a felicidade... 

 Petro Alexeievich Romanov

        ...que sentimos aqui, continuaremos a nos exercitar. Nosso passeio hoje será a um salão de festa dos últimos anos da Dinastia dos Czares, na Rússia fria, dos gelados invernos, onde mora a dor e a saudade de um coração incompreendido.

      Amar alguém que não nos quer, nem por mera simpatia, é sofrer o fogo do amor apaixonado que nunca se concretizará; é sofrer o golpe da mais cruel humilhação; é ser pisoteado e espezinhado em suas mais evanescentes ilusões.

        Assim fui eu; um herói militarmente, mas um fracassado no amor; amor tão verdadeiro que dediquei à musa de meus sonhos adolescentes. De que valeriam as honras humanas, se a apenas uma eu aspirava? Para que tantas medalhas, se nenhuma delas amenizava a dor de meu coração?

        A vida foi assim, dura pelas duas espécies de luta que tive que travar: a luta pela liberdade de um povo oprimido e a luta de meu coração sofredor; numa saí vitorioso, porque uma nova forma de governo meu povo obteve, livrando-se da opressão de uma minoria; a outra, só depois que morri para o mundo, consegui vencer, não à custa de poucos sofrimentos e provações.

        Mas tudo passou e se hoje relato este episódio em minha vida, é porque queria lembrar aos homens que a vitória mais importante para nós é sempre a vitória do amor e esta eu só consegui vencendo meus próprios egoísmos e pisoteando meu orgulho e ambição. Só depois de ter compreendido esta verdade, fui correspondido por meu grande amor.

        Meu sofrimento fazia parte de minha evolução espiritual; hoje sou feliz, pois amo todas as criaturas indiferentemente, pois Jesus mora em meu coração.

Petro Alexeievich Romanov (Czar russo)

26.10.1977


35 - Do sagrado coração de Jesus,.. 

        ...descem sobre nós os raios de Seu amor, que, chegando até nós, nos fortificam e nos revigoram. Unindo-nos por este amor, nos consagramos ao Bem Supremo, que ao homem, Filho de Deus, deveria ser dado viver.

        A ternura que nos envolve nestes momentos é o prenúncio da felicidade eterna, onde o amor enlaça a todos de igual para igual.

        Aos pés de Jesus, gozamos esta Suprema Ventura.

Joaquim Felisberto de Macedo

26.10.1977


36 - Nos exercícios que seguirão...  

        ...encontraremos a explicação para nossas dúvidas. Deus nos abençoe, proporcionando-nos a luz que nos ilumina o caminho.

        Dentro das limitações que ainda vos são necessárias, iremos discorrendo o véu que vos impede de entender.

       Com a devida humildade, ireis desobstruindo o caminho, tirando as pedras com as próprias mãos. Nada se obtém sem sacrifício e sem amor; se algum conhecimento vos tem chegado, é porque já fizestes jus em recebê-lo.

Tertuliano dos Santos

26.10.1977


37 - Reportando-me ao passado,... 

        ...revejo todos os meus momentos de ventura, junto aos queridos entes familiares. Na exortação desta música delicada, encontro o elo que me faz voltar ao feliz tempo de aprendiz, ou melhor, de principiante na arte musical.

        Levado por meu temperamento romântico e por demais amoroso, encontrava na música o enlevo para minha alma sonhadora. Vibrava ao compasso das músicas orquestradas por nosso professor, Joaquim Tomé, homem já em vida dotado de relevantes virtudes, o que nos fazia a ele inclinados com muita admiração.

    Com sacrifício de pai de família, com seus deveres e responsabilidades, conseguimos estudar e nos aperfeiçoar no instrumento que mais nos cativava – a flauta. Conseguimos, à custa da bondade e dedicação de nosso professor, um adiantamento considerável, dadas as precárias condições que oferecíamos de estudo.

        Mas vencemos e hoje me emocionei bastante ao me concentrar na música que tocavam e, como tema de exercício, nos pusemos a escrever aquilo que nos sai do coração. Continuamos a ser amantes inveterados da boa música e muito nos alegramos em compartilharmos destes momentos deliciosos, de grande erudição, não só pela música que cultivam, como pela sagrada missão que nos une a todos.

    Reverenciamos neste momento todos os grandes músicos que se dedicaram incansavelmente para poderem nos legar um patrimônio tão valioso.

        Deus ilumine a todos.

Joaquim Macedo Mattos

27.10.1977


38 - Pudesse o homem descerrar o véu... 

        ...que lhe oculta as maravilhas eternas. Quanta ventura, meu Deus, quando em silêncio, em prece vos reverenciamos.

        Nossa alma sobe aos píncaros iluminados da beatitude, da paz e, concentrados em vosso amor e poder, louvamos vossa glória, como a podemos entender e sentir: essa maravilhosa natureza, que nos extasia com suas belezas incomensuráveis.

        Para decantá-la, precisaríamos ser poetas, mas não o somos; expressamos tão somente o que nos vem no coração, através do amor que sentimos por tudo que é de Deus.

        Admiramos sem cansar: o céu, a Terra e o mar.

       Em tudo se expressa a perfeição, a Ordem, o Bem, a Verdade, a Justiça e o Equilíbrio Universal.

Humberto de Campos

28.10.1977


39 - Muito se tem falado... 

     ...acerca das verdades que iremos aos poucos conhecendo. Não querendo ser impertinentes, recomendamos muita ponderação nos julgamentos, pois se a fé existe em nossos trabalhos, é só sabermos esperar. Está, como já dissemos, tudo muito bem preparado e, à medida que fordes vos desenvolvendo, achareis por vós mesmos, como no exemplo de hoje à tarde, a chave do enigma.

    Certos fatos, por enquanto, não seria conveniente falar às claras, para não tumultuar as ideias, mas, "a priori", vamos vos afirmar que "a quem muito tem, mais será dado e ao que não tem, até o pouco lhe será tirado", conforme as palavras de Jesus.

    Os comentários sobre estas mensagens, conforme orientações, devem ainda ser muito resguardados. O amadurecimento tem que vir aos poucos. Com a pesquisa do próprio aluno, a aprendizagem se faz com maior solidez; a pesquisa não se faz somente no sentido material, mas principalmente no campo intelectual, obrigando a mente a trabalhar e entrando em comunicação mais fácil com o plano que o inspira.

    Os resultados que temos colhido neste sentido têm sido satisfatórios.

    Estamos contentes com nossos tutelados.

Padre Miguel do Nascimento 

29.10.1977


40 - Sem a colaboração de todos os nossos irmãos,... 

        ...que aqui tem vindo, seria muito difícil levar em frente esse trabalho, mas contamos com muitos irmãos já capacitados, que trabalham no intercâmbio entre encarnados e desencarnados.

        Sob a luz de Jesus, e com o conhecimento que eles têm, podemos ficar confiantes quanto ao êxito do que aqui se faz. O preparo no plano espiritual é muito grande e, embora não pareça, é a parte mais difícil para se chegar a este momento de exercício.

        Queremos vos lembrar isso para terdes bastante confiança, pois Jesus é nosso Mestre.

Joaquim Felisberto de Macedo 

3.11.1977


41 - Temos hoje, que nos concentrar... 

        ...com firmeza em Jesus. Do começo ao fim é para nos concentrarmos em Jesus. Nada é impossível àquele que realmente se predispõe a receber. Tendo Jesus com seus braços estendidos para nós, tenhamos a certeza de que teremos nossas faculdades ampliadas.

        Como no milagre do pão, Jesus multiplica nossas possibilidades e nos tornamos senhores da situação; não mais vacilaremos com o Mestre a nos dirigir.

Joaquim Macedo Mattos

 3.11.1977


42 - Nossa tarefa é escrever...  

       ...sobre diferentes temas, que relatam passagens históricas através dos tempos, envolvendo nomes, lugares e episódios particulares da vida de nossos comunicantes. 

3.11.1977


43 - Há mais de dois séculos,... 

        ...aconteceu o episódio que vamos relatar:

        Era noite, noite fria do mais cruciante inverno europeu: as ruas desertas; altas horas da noite; parecia que a vida se extinguira da face da Terra. As casas já haviam apagado seus lampiões e o gelo no meu coração era mais tenebroso que o gelo de minhas pernas enrijecidas pelo cansaço e languidez.

        Não havia onde bater para se pedir auxílio. A noite me apanhara de surpresa, preocupado que estava à busca de algum trabalho que pudesse saciar a fome de meus quatro filhos. Nenhuma possibilidade de ajuda. Parecia que eu estava só, perdido num mundo desolado. Já não adiantava chorar; chorar para quem ouvir?

        Certamente era meu fim; como de fato foi para a vida do homem; mas começo foi para uma nova caminhada. O panorama, como que num sonho, se modificou: não havia mais inverno, não era noite também, e não sei por que milagre, as flores haviam nascido de repente. Mas, como? Não entendia; não podia mesmo entender tal transformação. O que acontecera? Estaria eu louco de febre, ardendo em meu delírio de criar, pelo menos na imaginação, uma situação a mim favorável, pela primeira vez?

        Criaturas desconhecidas, mas de feições nobres, serenas, acercavam-se de mim. Mas, por que toda esta atenção, toda esta consideração, que eu nem merecia?

        Envergonhado, escondi meu rosto entre as mãos para me certificar de que era mesmo eu. – Sim, eu existia ainda, mas alguém me falou mais de perto: - Acabou teu sofrimento; deixaste, é verdade, quatro filhos órfãos e uma mulher viúva, mas assim como cuidaremos de ti, outros tantos cuidarão deles, pois o Pai não deixa ninguém órfão. Interessante; confiei naquelas palavras tão brandas, tão ternas e me senti feliz. Algo me dizia que eu nascera outra vez e era de fato o que sentia.

        Minha vida mudou muito e para melhor, mas hoje, quando contemplo daqui o panorama terrestre e vejo as misérias dos homens, sem que eu queira, grossas lágrimas me fazem chorar outra vez.

        Oh! Jesus, pudesse eu também consolar os aflitos, acalmar as dores, aplacar a fome dos famintos. Unindo meu ao Teu coração, Jesus, amigo, quero me oferecer inteiro ao cumprimento de Tuas obras santificantes. Que possamos encaminhar, como fomos também encaminhados, muitos de nossos irmãos deserdados da sorte, marginalizados pela sociedade humana.

        Com Teu coração, abrindo-se sobre nós, com seus raios maravilhosos do amor divino, confiamos que muito poderemos fazer em benefício da infância desamparada.

    Pelo fruto se conhece a árvore; assim poderemos fazer ideia da elevação deste nosso irmão. Na sua humildade, ele não quis deixar o nome, mesmo porque seu nome é de fato conhecido; anônimo ele viveu e anônimo continua a querer ser.

        Deus vos abençoe.

Padre Miguel do Nascimento

3.11.1977


44 - Sem o amor que nos une,... 

        ...de nada valeria este trabalho. Tudo é em vão quando feito sem amor, pois ele é a mola que nos impulsiona para o alto; à custa do amor, amamos a família para aprendermos depois transferir este amor a todas as criaturas.

        Amar é ser feliz.

Joaquim Felisberto de Macedo

4.11.1977


45 - Tudo é mais lindo,... 

      ...mais comovente quando a chama do amor se acende em nós. Depuramos nosso sentimento, estendendo às criaturas um amor mais que fraternal. A mãe ama o filho e este a seus pais.

        Os irmãos também se amam, mas isto não basta; é preciso que aprendamos a transferir esta felicidade também àqueles que não estão ligados a nós pelos laços consanguíneos. Isto será o verdadeiro amor ao próximo.

Tertuliano dos Santos

4.11.1977


46 - Mais uma vez... 

        "Preparamo-nos para um desprendimento, exercício que faz parte do nosso programa. Fé em Jesus."

 4.11.1977


47 - Na “via crucis”... 

        Em meio aos meus sofrimentos, galguei os degraus que me trouxeram até aqui. Filho de família pobre e de saúde frágil, vivíamos uma vida de desolação. Os poucos recursos que conseguíamos, à custa de muitos sacrifícios, eram sempre destinados a médicos e remédios. Mas Deus, que sempre existiu para nós, foi o nosso maior amparo. Muitas vezes, tivemos que peregrinar pelas casas de parentes, quando a crise se agravava. Nessas ocasiões, os sofrimentos aumentavam, pois, ao lado do favor prestado, havia o orgulho e a hipocrisia a ferir nossos corações.

        Resignados pelo conforto que a fé nos dava, na esperança de uma vida mais confortável e promissora que se escondia por trás do temível espectro da morte, íamos vivendo. Ora aqui, ora ali, muitas vezes dependentes dos outros, mas cumprindo nosso destino. Até que tudo acabou: doença, miséria, humilhação e a própria família, que, por graça de Deus, foi levada de uma só vez para o Seu Reino. A peste nos assolou e, com os poucos recursos, não sobrevivemos. Mas foi o fim, como dissemos, da nossa "via crucis", da nossa peregrinação pela Terra.

        Hoje somos felizes, reencontramo-nos no Reino de Deus, trabalhamos unidos pelo amor que cresceu com o sofrimento e, unindo nossos bens imperecíveis, procuramos levá-los aos nossos irmãos, com os juros dos cofres eternos; com gratidão ao Pai, pela oportunidade que temos de aqui chegar para contar nosso caso pessoal, que sempre há de servir de exemplo para alguém. O bem que fizermos pelos outros, retorna a nós de alguma forma.

        Meu amor foi a minha salvação.

        Com o coração feliz, aqui nos despedimos.

Padre Miguel do Nascimento

4.11.1977


48 - Senhor, que a Vossa vontade se faça... 

        Diante de Vós, prostrados, rogamos bênçãos, pois nada somos sem a Vossa Sabedoria a nos guiar. Aqui estamos para vos servir, conforme a nossa possibilidade. Reuniremos nossas forças para que o bem se manifeste na Terra.Quanta dor, quanta desventura, quanta incompreensão!

        Que a Vossa luz brilhe sobre todos os nossos irmãos.

Joaquim Felisberto de Macedo

5.11.1977


49 - Meus amigos,... 

        ...vamos em frente, pois o trabalho nos espera.

Tertuliano dos Santos

 5.11.1977


50 - No ambiente harmonioso... 

        "As rosas que preparastes com vosso amor, colhereis sempre que vos propuserdes a fazer o bem. Jesus vos abençoa por todo o amor que dispensardes a vossos irmãos.

        A vida é muito bela quando a admiramos sob este prisma: o da harmonia com todos os seres, o do convívio fraternal de todas as criaturas."

Joaquim Macedo Mattos

5.11.1977


51 - Poema 

Fagundes Varela


 Foram tantos os meus amores; 

             Da vida, só tive dores. 

                         Na paixão alucinante do meu pobre coração, 

                                     Sofri, errei, chorei.


Qual pétala caída, ao dissabor do vento, 

            Voei daqui e dali, sem encontrar um ninho. 

                        Do roseiral da vida, 

                                    Que tudo me oferecia para ser feliz,


Colhi os espinhos da desventura e da desilusão. 

            Amei, amei sim, 

                        Mas o amor dos sonhadores e do poeta, 

                                    Que sempre fui.


Nas rimas do meu cantar, 

            Deixei transparecer a dor pungente do amor infeliz. 

                        No desespero da incompreensão, 

                                    Pus fim à cruel desilusão,


 E afoguei na taça a visão do meu sofrer. 

             Bebi, sofri, errei de degrau em degrau; 

                          Do calvário que busquei, 

                                      Fiz a minha provação.


Ora triste, ora alegre, 

            Para alma tão sozinha, 

                        Era indiferente o viver 

                                    Na estrada dos martírios.


Cheguei ao fim por querer, 

            E se hoje ainda sofro, 

                        É por não ter sabido sofrer.

Fagundes Varela

  5.11.1977


52 - Podes confiar...  

        Certamente, todos aqui estamos preparados para esta reunião. Jesus, abre seus braços misericordiosos para que tudo tenha o mais completo êxito.

Joaquim Felisberto de Macedo

        Rogamos a Deus a força necessária para vencermos. Que a paz reine no coração de todos, pois em paz e harmonia seremos mais convictos. Abramos nosso coração ao amor de Jesus, que nos compreende e quer nosso sucesso.

Tertuliano dos Santos

        Não somos ninguém para vos aconselhar, pois sabemos da vossa vontade de perseverar no bem. Estamos apenas transmitindo o que recebemos. É preciso que vos concentreis por um determinado tempo, por menor que seja, na figura de Jesus; sem pensar em nada mais; assim, as mensagens fluirão com mais facilidade. Estamos todos empenhados em vos ajudar.

        Deus vos abençoe.

Joaquim Macedo Mattos

6.11.1977


53 - O céu está azul;... 

        Nenhuma nuvem empanava a beleza profunda de um oceano infinito e misterioso. Somente o perpassar ligeiro de uma ave em busca do ninho tépido, onde se abrigavam os filhotes ansiosos.

        A brisa quente do verão nordestino fazia mexer de leve as ramas recortadas das palmeiras; o rumor crescia aos nossos ouvidos, treinados em ouvir os mais suaves sons, e entre a ramagem quase seca do araçá (fruto silvestre, semelhante à goiaba), um farfalhar de passos nos prenunciava a presa certa.

       Preparamos a arma, aprumamos a pose do caçador inveterado. Miramos o alvo e, na alegria de um tiro certeiro, disparamos o cartucho. Triste engano, porém; a presa que já dávamos como segura, não passava de uma ilusão.

        O vulto se aproximava e, com o nervosismo do inesperado, não conseguimos distinguir sua feição. Era bicho, era gente? Não dava para saber. Com olhos de serpente, corpo baixo e disforme, cabelos em desalinho, barba comprida e cerrada, figura em tudo esquisita, nunca antes vista, nem imaginada. O homem, pois que era mesmo um homem, foi se aproximando de nós; murmurou poucas palavras ininteligíveis, mas que, pelos gestos, significavam fome. Dei-lhe de comer e de beber também. Continuei minha caçada, mas nenhuma caça peguei.

        Deixei o homem a dormir e me pus a andar pelas redondezas. Uma coisa continuava a me intrigar: naquelas paragens não morava ninguém; era completa a solidão. Quem seria aquele que, de forma tão estranha, nos vinha pedir socorro? Continuei andando a esmo; minha distração acabara, pois, preocupado com aquele homem, fiquei indeciso se continuava ou voltava para casa.

        Voltei ao lugar onde o deixara momentos antes, e qual não foi minha surpresa ao ver o que com ele sucedera: o homem se transformara; não era mais aquela esquisita figura, mas tornara-se agora uma mulher, que, rindo para mim, me perguntava: onde, oh! valente caçador, depuseste tuas armas?

        Por que me fazes sofrer? Não vês que atrás de uma árvore pode aparecer a qualquer momento uma surpresa desagradável? Vim aqui para te atrapalhar, pois coisa melhor há para fazer; deixa a arma, meu irmão, e admira um pouco a solidão. Intrigado, obedeci. Sem querer, pus-me a meditar. Que coisa estranha me acontecia, como e por que daquela história? Nem mesmo você, meu leitor. Só posso lhe dizer que hoje faz 53 anos que isso aconteceu. Nem continuei a caçada, nem para casa voltei. Encontraram-me caído por entre as relvas do chão. Sem espingarda e sem bagagem, embarquei para o além.

        Esta é a passagem do meu desencarne; não tem nada de extraordinário, mas é apenas uma lembrança para os incautos como eu, que por ignorância, muitos anos vaguei por essa mesma paragem, sem saber, sem compreender a situação, perdendo tempo precioso que poderia ter empregado em outras coisas mais sadias.

       Hoje nos encontramos recuperados, graças à bondade de nossos irmãos, que praticam uma outra espécie de caça; uma caça bem mais sublime, que é a de arrebanhar as criaturas menos esclarecidas como eu, dando-lhes o alimento espiritual da prece.

        Agradecendo a Jesus, e a todos que me ajudaram, deixo meu abraço cordial.

Benedito da Costa

6.11.1977


54 - Na antiga Galiléia... 


Apóstolo Bartolomeu 

        ...dos meus sonhos, vivi boa parte da minha vida terrena. Humilde lavrador e, ao mesmo tempo, mercador, tudo que possuía era consagrado à família, como bênção recebida dos céus, como recompensa ao meu devotado trabalho.

        Sem ambições, sem preconceitos, para nós bastava o amor que enchia nossos corações. Que bênção maior, que tesouro mais raro, o poder de levar a todos o nosso afeto, a nossa compreensão, quando não mesmo a ajuda material.

        Deus nos premiava sempre com Suas luzes celestiais, as quais, por acréscimo da bondade do Pai, podíamos contemplar ainda mais esplendorosas, quando alguma missão mais santificante nos era incumbida.

        Atendíamos sem nenhuma pretensão, mas com todo o amor que nos descia dos céus aos deserdados do mundo, oferecendo-lhes o calor da companhia e as palavras que nos fossem inspiradas na ocasião. Éramos felizes; sim, muito felizes. Mas tivemos um dia que dar testemunho da nossa fé. Fomos levados, como tantos outros cristãos, aprisionados pelos soldados romanos, que cumpriam seu dever de homens.

        Encarcerados, espezinhados, humilhados, cuspido e pisoteados fomos; mas não importa este infausto acontecimento, que fazia parte da vida que tínhamos que viver; para alguma coisa ela valeria e não seria à toa que Deus nos experimentava.

        Saímos vitoriosos, pois vencemos nossas próprias fraquezas e, consolados pelo amor do Mestre, pudemos dar continuidade à nossa missão cristã. Pelas terras da Palestina andamos a pregar o amor e, se mais longe não fomos, foi por bondade do Pai que a Seu Reino nos chamou.

        Glória, meu Pai, por tudo que vivi e sofri por Vosso amor.

     Abençoada obra cristã, que até hoje, ultrapassando os limites da antiga Palestina, incendeia-se na mais brilhante chama do amor universal, levando a todos os rincões do mundo o exemplo inesquecível de Jesus.

Bartolomeu (O Apóstolo)

7.11.1977


55 - No dia de pentecostes...  

        Todos foram agraciados pela luz do Espírito Santo.

       Confiantes no poder de Deus, os apóstolos saíram pelo mundo a pregar o amor e o perdão. Tiveram suas provações como meio de expiação, mas cumpriram dignamente a missão que lhes foi incumbida, pois se Deus dá obrigação a cumprir, é porque sabe do que o discípulo é capaz.

       A exemplo dos discípulos de Jesus, sejamos outros tantos, nas nossas menores obrigações. O nosso esforço, seja ele qual for, será levado em consideração. Façamos a vontade do Pai, amando o nosso próximo, e estaremos realizando uma grande obra cristã.

Padre Miguel do Nascimento

 7.11.1977


56 - Manancial de energias    

        Conforme acabamos de ler, a vida é incessante em suas diferentes formas. Basta o homem sondar a natureza e encontrará os segredos que, até hoje, o encerram no túmulo de sua ignorância.

        Tudo está claro para quem pode enxergar; tudo é luz, compreensão, sabedoria e vida esfuziante e bela no concerto universal. Só em nos referirmos a estas maravilhas, sentimo-nos empolgados diante de tantas magnificências.

        Tema constante de nossos comentários, a vida em seus diferentes setores é um manancial de energias que nos chegam quando sobre ela meditamos.

        Quanto mais nos aprofundamos nos fenômenos naturais, mais nos entusiasmamos e mais amamos, pois tudo isso é a vida a nos falar de amor nas diferentes formas de manifestação.

        Enfim, Deus e o Universo se completam, se aproximam, pois uma e outra coisa são os mesmos bens eternos.

Joaquim Felisberto de Macedo

        O eterno amor está a nos guiar. Na razão da vida, somos ainda nautas temerosos que, conhecendo a fortaleza do mar, respeitam-no, veneram-no, mas procuram explorá-lo mesmo à custa do sacrifício.

Tertuliano dos Santos

8.11.1977


57 - Em teus dias de ventura... 

        Incluirei também este trabalho, que ora realizamos, sob o olhar complacente de Jesus. Meditando sobre todos os bens que já recebemos, estivemos agradecendo a Deus a felicidade que tivemos em possuir uma família tão abençoada, tão compenetrada de seus deveres.

        A felicidade que sinto é tão grande, quando vos vejo reunidos para esta finalidade tão nobre, que me comovo. Começo a relembrar fatos acontecidos e a saudade muitas vezes me domina.

        Como a vida é bela! Mesmo com todos os seus percalços. Que significado, perante Deus, tão importante tem a vida de um pai; liderando tantas almas, muito embora, quando crianças, tragam a necessidade de um amparo maior, mas que depois se constata serem elas, muitas vezes, nossos mais dotados dirigentes.

        Assim me sinto diante de meus filhos, tão responsáveis e compenetrados de suas maiores obrigações.

        Agradeço a Deus, sempre que posso, por ter-vos como familiares e agora, mais ainda, como irmãos em fé.

Joaquim Macedo Mattos

8.11.1977

 

58 - O Divino Mestre vos cubra de bênçãos 

        Que nossa Mãe Maria Santíssima vos abençoe nestes instantes de amor, amor fraternal e espiritual, que vos liga através de muitas existências. Vossas almas são duas almas amigas, que estarão juntas no caminho abençoado do Mestre.

        Neste momento em que vos reunis para orar, é grande a nossa satisfação, pois vos acompanhamos há muito tempo. Os trabalhos hão de se desenvolver independentemente de qualquer dificuldade, pois grande é a nossa proteção.

      Recomendamos, mais uma vez, aqueles exercícios diários para o desenvolvimento de vossa mediunidade. 

19.08.1977


59 - Estamos todos muito felizes... 

        "Pois sentimos que encontraremos mais facilidade daqui por diante. Basta teres confiança e, aos poucos, receberás conforme planejamos. O desembaraço vem com o tempo. A justa compreensão do teu dever, junto aos que te encaminham, te dará o roteiro certo para perseverares nesta abençoada missão que Deus te confiou.

        Trabalhadores honestos do Pai não faltarão para te ajudarem. Daqui por diante, não é preciso teres mais dúvidas; assim, facilitará muito o nosso trabalho.

        Conforme já orientamos em outras mensagens, é preciso que te concentres sempre na figura de Jesus e deixes que os pensamentos venham sem tua interferência.

  21.08.1977


60 - Na linda estrada de Damasco,... 


Saulo de Tarso

        Saulo viu Jesus, pela primeira vez, em todo o Seu esplendor. Sua luz era tanta que o cegou, iluminando-lhe, porém, o espírito, que passou a enxergar as maravilhas e as verdades da vida.

        Abençoada hora em que Deus, privando-nos de bens materiais, nos conforta, porém, com outros aos quais não podemos atribuir preço. Como Saulo, saibamos sentir dentro de nós a luz de Jesus, a iluminar-nos o caminho, nem que seja à custa dos nossos mais intensos sacrifícios e das nossas mais duras provações.

        É assim que Deus nos quer, humildes, submissos e sempre ativos no trabalho redentor, porque, meus filhos, só por isso tem razão a vida, esta vida maravilhosa que Deus nos confiou.

        Eternos viajantes que somos nesta imensa caminhada, aproveitemos todos os instantes de nossa vida terrena para aprimorarmos as nossas qualidades, tão necessárias aos nossos irmãos.

        O exemplo de nossas irmãs há de servir para muitos que ainda têm muito por aperfeiçoar e que também se dedicam a esta doutrina; doutrina que há de guiá-los para caminhos maravilhosos, destinos que unirão a todos, tendo Jesus por farol.

        A renúncia aos bens materiais, aos prazeres fúteis, às aparências, etc., enfim, tudo que pode corromper o espírito, deve ser a nota principal da atenção de todos aqueles que escolheram este caminho.

        A quem muito tem, muito será pedido, e cuidemos, portanto, com muito zelo desta flor que Deus nos deu para cuidarmos. Esta flor, que é a mediunidade, deverá desabrochar com todo o seu esplendor, abrindo-se ao sol da vida, que acabará por conferir-lhe toda a sua beleza e luminescência, aos olhos de todos que a puderem contemplar.

        Esta flor há de se abrir de forma esplendorosa e bela para que todos possam sentir o perfume e contemplar-lhe a excelsa beleza.

        Um roseiral de amor está à vossa espera, meus filhos.

Maria Mathilde Borges Macedo

21.08.1977

 

61 - O homem propõe e Deus dispõe  

        Estas são as palavras certas para o caso; este caso em que estamos empenhados e temos fé em Deus está se encaminhando para o melhor e para muito breve.

        Oh! Meu Deus, ajudai-nos. Somos Vossos filhos e queremos vencer. A vida é assim mesmo, mas, confiantes no amor divino, vamos lutar pelos nossos irmãos.

        São muitos os que encaminharemos desta forma. Não é de uma hora para outra que as coisas acontecem. Quando acontecem, é porque antes já houve intenso preparo, mesmo invisível.

        É justamente na persistência, na perseverança dos exercícios, que o trabalho chegará a bom termo. Não penses estar desamparada, pois estamos a postos, conforme prometido, e se tiveres a constância e a fé necessárias, tudo sairá bem.

      As palavras vão, aos poucos, sendo formadas, e o teu espírito saberá como lê-las; a intuição lhe será dada para isso. É assim mesmo, estamos satisfeitos e continue. Pelos resultados de tuas reuniões, podes medir a qualidade de sua assistência.

        O que dá como fruto coisa boa, só pode ter um princípio sadio. Não te desanimes...

        Deus te abençoe.

17.08.1977


62 - Dai-nos Senhor, a Vossa benção...  

        Para o êxito de nossos trabalhos. Unindo-nos a Jesus, nos fortificamos, e ligando-nos aos irmãos incumbidos do desenvolvimento dos mesmos, estaremos na posse de nossa realização.

Joaquim Felisberto de Macedo

      Nossos irmãos maiores nos alentam quanto à esperança que devemos ter. Comprometamo-nos com esta verdade.

Tertuliano dos Santos

    O mister que desenvolves, minha filha, é um mister santificante. Já o sabes e, por isso, agradecemos a Jesus por ter-te atribuído tão grande responsabilidade. Temos consciência de tua capacidade, já demonstrada em outros setores, mas, mesmo assim, te prevenimos quanto ao perigo dos desacertos a que toda criatura humana está sujeita.

        "Orai e vigiai"; que estas palavras estejam sempre gravadas em teu coração. Em toda obra santificante, existe sempre o assédio das forças do mal, a quererem penetrar por qualquer brecha. Estamos confiantes em tua capacidade, mas sabemos que a vida é difícil e, por meio de outros, também eles se infiltram.

         Daí o caráter exclusivista quanto à frequência destas reuniões; não será egoísmo de nossa parte, mas apenas cautela para preservar a homogeneidade de nossas intenções.

        Não queremos ferir sensibilidades, mas aconselhamos que estas reuniões não sejam, pelo menos por enquanto, frequentadas por outras pessoas que não sejam as do grupo já formado; isto é, como dissemos, uma medida de precaução.

        No mais, está tudo bem; podes ficar confiante de que tudo caminha com muito êxito.

Joaquim Macedo Mattos

  17.08.1977


63 - Em tudo que reverbera o sol...  

       Na manhã da primavera, encontramos o amor a nos falar ao coração: as plantas, os pássaros a voar, os insetos em seu constante afã pela subsistência da vida, as fontes a murmurar sua enternecedora canção, o riacho a correr pelas pedras esparsas, que a correnteza vai levando devagar para cá e para lá, os animais no pasto, tão plácidos em seu fiel viver; tudo, enfim, nos sugere temas para profundas meditações – a vida – essa maravilhosa e encantadora vida, em que nos perdemos ou nos salvamos.

    Quantas dores, quantas lágrimas, quanta ansiedade, quanto desperdício de energias na incompreensão do bem maior, único pelo qual tem razão de ser toda a existência.

    Em nossa vida de sonhador, muito meditamos sobre todos estes fatos, que ao homem é comum passarem despercebidos. Sempre tivemos inclinação para a meditação e, sem qualquer laivo religioso, punhamo-nos simplesmente a analisar e a sentir para poder compreender a razão das coisas.

    Devido à nossa maneira simples de viver, não nos concentrávamos em outras atividades menos sãs. Nosso ideal era o bem-viver, por simples intuição do que é justo, do que é bom, do que é conveniente.

    Tivemos muitos bons companheiros de jornada, que nos entusiasmaram em nossos propósitos e, assim, pudemos ter algum destaque quanto às nossas despretensiosas crônicas, pautadas sempre na mais ardente fé, na sinceridade de nossas intenções. Se a vida foi difícil na infância e na mocidade, Deus nos foi pródigo, porém, na maturidade. Concretizamos muitos de nossos anseios e viemos felizes para o lado de "cá".

      Aliás, esta expressão não faz parte do meu vocabulário, pois sempre achei que a vida é uma só e, assim, o provo, quando ainda hoje posso continuar a escrever com o mesmo prazer com que o fazia antes. As ideias são imorredouras e o que somos na vida, continuamos a ser em espírito.

      Com a alegria dos eternos sonhadores, continuaremos nas lides literárias, agora sob outra forma, mas com a mesma convicção na bondade de Deus, que nos outorga sempre o dom a que fazemos jus, de acordo com nossos sacrifícios.

      Que a natureza maravilhosa do Senhor vos inspire melhores dias.

Humberto de Campos

  6.11.1977


64 - O que foi escrito,... 

        O que foi escrito foi, é claro, com nosso consentimento e como motivação para vossos trabalhos. Deus está conosco, meus filhos; tem sido muito grande a nossa assistência e humildemente agradecemos ao Pai tanta bondade.

        Esforcemo-nos por merecer tantas bênçãos. Que a paz esteja convosco, e Jesus possa vos cobrir com Seus raios de amor, dulcificando nosso viver.

        Levemos o amor que nos chega por intermédio de todos estes mensageiros aos corações menos felizes.

        Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Amém!

Padre Miguel do Nascimento

  6.11.1977


65 - Lá onde mora a paz,... 

        Lá onde moram a paz, a harmonia, o equilíbrio, a alegria, a felicidade eterna, os homens dizem ser o céu, o paraíso. Quanto engano! Tanta maravilha está dentro de nós mesmos, quando nos abandonamos ao reencontro de nosso Criador.

        Abandonar-se não quer dizer relegar-se; abandono sim de tantas trivialidades, de coisas e pensamentos mesquinhos, de desejos insanos e loucura no mal; abandono de tudo que é perecível, mas não abandono do que é integridade moral, física e espiritual. Sabemos que da harmonia de todas essas qualidades que compõem o caráter de um indivíduo resulta o bem geral e o seu próprio.

        O homem equilibrado vence todas as barreiras com soberania, com paciência, com amor. É para alcançarmos este equilíbrio em nós que nos exercitamos para um futuro melhor, em face da criatura humana. Somos principiantes, mas já sentimos a estabilidade dos bons momentos.

Joaquim Felisberto de Macedo

       Sobre todas as coisas, está a mão de Deus a nos guiar. Sentimos a segurança desta proteção e alegramo-nos de vos poder transmiti-la. A vida tem nos sorrido outra vez e a luz de Jesus nos ilumina.

Tertuliano dos Santos

           Pois se estamos aqui para nos exercitarmos, vamos elevando nosso pensamento a Jesus, unindo-nos aos nossos protetores. Deus vos abençoe.

Joaquim Macedo Mattos

        Neste momento, estamos aqui para recebermos algumas palavras de nossos irmãos: Hoje me encontro feliz, pois encontrei o que tanto procurava – a paz de espírito; já posso pensar e discernir, graças a Deus.

        Reencontrei uns velhos amigos em quem sempre confiei e, por isso, estou contente. Eles me falam de Deus e de Jesus, sendo assim, só posso estar em boa companhia.

Demétrio Teixeira

        Não posso dizer que não tirei proveito da vida; no sentido vulgar, aproveitei o mais que pude. Tive um temperamento alegre e procurei sorrir em vez de chorar; procurava transmitir alegria a quem estivesse comigo.

        Confesso, em Deus não pensava; procurava fazer tudo para que eu e os outros fôssemos felizes; então, nunca pedi nada a Deus. Para dizer a verdade, nem mesmo lembrava que Ele existia. Quando fiquei doente, é que coisas estranhas começaram a me acontecer; daí comecei a pensar um pouco; muitas pessoas que eu nem conhecia me diziam coisas de que eu não podia duvidar.

      Aceitei os ensinamentos e acho que, por isso, me encontro hoje aqui sem muita dificuldade. Se eu não acreditar nos amigos, em quem vou acreditar? Assim, até em Deus já começo a acreditar, pois eles me ensinam coisas que são mesmo verdade. Tenho constatado isso. A vida sempre para mim foi boa; não posso me queixar.

        Agradeço aos amigos que até aqui me conduziram; sinto-me feliz e vou procurar continuar fazendo os outros felizes, só que agora de outra forma.

            Meu abraço a todos, pois sinto a cordialidade deste ambiente.

Juca Pato

        Todos são filhos de Deus, não estranhes. Por isso dizemos que a vida é muito bela e vale a pena amar. Os reencontros são a forma pela qual se faz valer a vontade de nosso Pai, que em tudo põe sua divina mão com Suprema Sabedoria.

        Deus vos abençoe mais uma vez.

Joaquim Macedo Mattos

        Jesus abençoe a todos, meus filhos. Estamos felizes por tudo que temos recebido. Levar a felicidade aos nossos irmãos é a mais abençoada forma de caridade.

        Deus vos pague.

Padre Miguel do Nascimento

 7.11.1977


66 - Espíritos benfazejos        

         Na delicadeza dos corações enobrecidos pelas tantas virtudes que os adornam, os espíritos benfazejos reúnem-se como num conto de fadas, em que mil duendes dançam e voam alegremente ao som de suave melodia.

            A alegria é a nota principal deste ambiente de amor, em que a natureza também se mostra em festa. As flores, docemente, parecem sorrir; dir-se-ia que, neste concerto de paz e de amor, tomaram elas formas humanizadas, mas na sublimação do humano, sorrindo para nós com seus semblantes delicados e graciosos.

          Voando daqui e dali, as criaturinhas fantásticas convidam-nos ao Amor. Sentimos o contágio deste bem e nosso espírito como que saltita também, levemente, suavemente, desejando a todos o reflorescer dos corações, como flores ao sol da primavera.

            Entoamos cantilenas e, no auge da alegria, encontramos Alguém a nos sorrir; Alguém que nos conhece e nos quer dizer do Seu Amor. Jesus contempla as Suas crianças, entusiasmando-as com Seu olhar puro e encantador. Com a ajuda de nossos mensageiros, irás galgando os degraus que te faltam para um entrosamento melhor.

            Sem trabalho, nada se tem, e estamos empenhados neste mister que a ti também está confiado. Estamos satisfeitos com teu progresso. Continua assim, que está tudo bem. Tudo está a nos sorrir no plano espiritual. O que ouvires dos homens, não leves em consideração, pois deles ainda não se pode esperar muito.

            Deus te ajuda, e a prova está em teu equilíbrio e bem-estar.

            Que o Divino Mestre vos cubra de muitas bênçãos.

Padre Victor

            9.11.1977

 

67 - Nosso circulo de amizade se amplia... 

      Dia a dia, pois desta corrente, muitos são os que se aprestam a fazer parte. Com o coração alegre, damos início aos trabalhos de hoje.

Joaquim Felisberto de Macedo

        Sem outra finalidade que não seja a do bem geral, aqui estamos, meus irmãos.

Tertuliano dos Santos

        Sem perda de tempo, queremos nos afinar à corrente poderosa de energias fluídicas, que se concentram neste ambiente para depois serem canalizadas aos diferentes setores de trabalho espiritual.

        Como se numa usina geradora de energia elétrica, aqui mesmo fizéssemos o depósito de concentração para depois distribuí-la para os diferentes locais em que se faz necessária.

        Deus, como fonte suprema de toda esta energia, comanda a sua distribuição. Jesus, como Mestre e supervisor maior, nos contempla com Seu olhar de Mestre Sábio e cônscio de Seus deveres.

        E a oficina de nossos trabalhos de agora é o centro de muitas atividades enobrecedoras.

        Trabalhamos felizes.

Joaquim Macedo Mattos

9.11.1977


68 - Pelas regiões inóspitas do nordeste... 

    Neste sertão desolador, encontramos cenas das mais palpitantes para nossos relatos elucidativos. Devido à pobreza e à dificuldade pela aspereza do próprio sertão, os resgates aí são cruciantes; a vida é sempre um desfiar de passagens lúgubres e até aterrorizadoras.

    Conhecemos, em nossas andanças pelo sertão, muitas famílias miseráveis, onde a saúde precária se aliava à mais impressionante miséria humana. Quase sempre com uma prole numerosa, mães inexperientes pela falta de conforto e conhecimento, próprios destas regiões, viviam uma vida tão triste em suas provações incontestáveis que nosso espírito, sempre sensível à infelicidade alheia, sofria junto àquela desolação.

    Na fé que sempre tivemos num Bem Maior, inculcada em nós pelas experiências que também vivenciamos, fazíamos daquelas dores as nossas dores e, no que pudemos orientar aqueles infelizes que tivemos a oportunidade de conhecer, o fizemos.

    Não queremos com isso recolher louvores, nem sequer, modestamente, relevar nossa personalidade. É uma lembrança até triste que nos vem à mente, mas que sentimos a necessidade de vos relatar.

    "Estava eu um dia, empenhado no uso de umas ferramentas próprias à extração da borracha, num lugar perdido entre as matas da Amazônia; hospedado que estava na casa do seringueiro Manoel, fazia com ele muitas vezes de aprendiz da profissão, só como pretexto de me aproximar mais de seu trabalho, procurando com isso, me entrosar melhor com seu espírito rebelde e mesmo hostil.

    Dona Marieta sofria, além das penúrias próprias do lugar, a desventura de um marido mau. Não precisava ela dizer, víamos com nossos olhos o pavor, o respeito medroso que ela lhe devotava. Assim, me aproximando daquele homem com a desculpa de um trabalho mútuo, procurava sondar as profundezas de seu espírito, a causa de tanta crueldade.

    Em nosso vai e vem, conversa para cá, conversa para lá, vim a saber por ele próprio que odiava de fato a mulher. Casara-se por força do destino, como ele mesmo me disse, mas a desgraça do ódio não conseguia mesmo abandoná-lo.

    Pobre criatura! Não fosse aquela desdita, tamanha amargura, causa de sofrimento também para mim, teria talvez, por indiferença, abandonado nosso serviço. Mas, levado pelo amor que suplanta todo mal, fazendo-nos esquecer nossas próprias dificuldades, arranjei o que fazer e estávamos lá a mexer com aquelas ferramentas, utensílios que a mim já eram familiares.

    Passávamos o látex de uma vasilha para outra, no afã de que o trabalho fosse mais rendoso para o pobre homem; pelo menos ganharia um pouco mais; já era um peso a menos em seus ombros, poder sustentar a família. Estávamos assim, entretidos, quando ouvimos um grito lancinante partido do interior de seu casebre.

    Corremos os dois pressurosos pelo espanto que aquilo nos causou. Qual não foi nossa maior surpresa ao vermos estendida no chão, com uma faca cravada no peito, a infeliz criatura, que no auge do desespero e do amor-próprio ofendido, pôs fim à sua provação. Estando em estado de gestação, o crime aos nossos olhos tornava-se horripilante. Que infausto acontecimento! Que triste cena, meu Deus!

    Manoel encabulou-se; como ousava ela fazer isto? Achava mesmo desaforo. Encolerizou-se também e, em vez de chorar a mulher perdida, pôs-se louco a gritar.

    Chamou a todos os filhos e, diante daquele quadro de horror, nem sei mesmo como tive força para impedir aquela completa chacina, pois que Manoel, de machado em punho, em sua insânia de vilão ofendido, queria completar a loucura de sua mulher. No ímpeto de seus gestos aterrorizadores, pressentimos a tragédia e, com as forças que só de Deus podiam nos ter chegado, tomamos-lhe o machado das mãos.

    Domamos aquela fera ultrajada em seus poderes de prepotência sobre uma infeliz. Levamos o homem para fora de casa e conseguimos que ele fosse se banhar num ribeirão; aplacou-se assim a sua valentia e retornou à sua anterior condição. Já mais calmo, mais refeito, pus-me com ele a conversar e, por inspiração divina, conseguimos suavizar as dissonâncias do tétrico ambiente.

    Tomamos as decisões necessárias e abençoamos aquelas crianças, agora órfãs de mãe. Mas, entregamos a Deus os acontecimentos e o tempo se passou. Hoje, já no plano espiritual e de posse de minhas faculdades mais desenvolvidas, analiso o caso, aquele caso que tanto me impressionara e, conhecedor também dos infortúnios daquele homem, bendigo a mão de Deus, que em tudo traça um destino certo.

    Aquela família tão desditosa em sua jornada terrena, teve também seus dias de glória; a mulher ainda teve que expurgar muitos dos débitos, mas as crianças foram espíritos que viemos a saber saudaram com aquela vivência os últimos resgates que tinham ainda a sofrer.

    Manoel, com todo seu ódio no coração, ainda paga seus débitos e, por justiça de Deus, tem sofrido em outro corpo, ainda no mesmo local, as agruras da solidão".

    Chegamos ao fim de mais um relato, que servirá não só como treinamento para seu desenvolvimento, mas também como exemplo de uma vida em face da espiritualidade.

    Somos gratos a Deus, que nos permite agora, numa situação melhor, podermos estudar e analisar essas facetas do problema humano, querendo com isso dar aos homens uma ideia do que significa a vida bem vivida, mesmo com os mais atrozes sofrimentos e provações.

Padre Miguel do Nascimento

9.11.1977


69 - Em tuas orações lembra-te... 

    Também daqueles que não vêm à tua porta te pedir uma esmola, mas que, de igual forma, precisam de nossa compreensão e de nosso apoio. No fim da reunião, iremos fazer hoje uma vibração em benefício dos velhinhos desamparados.

    O amor de Jesus supre nossas deficiências quanto ao socorro que podemos lhes oferecer.

Joaquim Felisberto de Macedo

    Quanto mais subires os degraus da compreensão da vida, verás que, de fato, nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra de Deus.

    Na impossibilidade de darmos aos nossos irmãos um apoio mais concreto, levemos-lhes os bálsamos salutares dos efeitos da prece. Em suas capacidades psíquicas de percepção, eles colherão o ensinamento e o consolo que lhes dispensarmos através de nosso amor.

    Não há fronteiras para o amor que devemos espalhar. Nossa alma vibra em uníssono à de muitos espíritos angelicais, quando queremos fazer o bem.

Tertuliano dos Santos

    Venho te falar hoje do valor da bênção que podes oferecer a muitos de teus irmãos necessitados. Faremos hoje, no final do trabalho, um exercício com essa finalidade.

    Deus vos pague.

Joaquim Macedo Mattos

10.11.1977


70 - No meigo coração de Maria... 

    Encontramos o reconforto que precisamos para orar. Com o coração ligado ao Dela, encontramos o elo que nos liga ao que é puro, sagrado e redentor, para oferecermos àqueles a quem sabemos necessitados.

    Maria, doce mãe de Nosso Salvador, encoraja nossos irmãos a vencerem com muito amor o fim de sua caminhada tão longa e tão penosa; dá a estas criaturas sofridas, encarquilhadas, cansadas de viver, o gesto amigo de Tua mão generosa, que a todos recebe com amor maternal, amparando-os em Teu regaço.

    Tão velhinhos, tantos desenganos, tantas mágoas, tanta experiência; para muitos, é um consolo ter vivido tanto, pois que, apesar de tudo, alcançaram a luz que brilha na figura de Maria ou de seu filho Jesus. Para outros, entretanto, não serviu a longa jornada pelas vias escuras de seus próprios erros; sofreram, é verdade, aprenderam alguma lição; para esta vida, que termina na desilusão, nada colheram com convicção.

    No entanto, ninguém fica desamparado e continuarão do lado da vida que os espera para uma nova fase de aprendizagem. Novas oportunidades terão e, assim, continuarão para Deus.

    Aos velhinhos tristes e moribundos, oferecemos nossa eterna canção de amor, que alenta, que vivifica a alma, na companhia do Senhor.

Humberto de Campos

    Como término de nossa reunião, queremos vos lembrar que as vibrações aqui feitas enquanto escrevíeis surtiram o efeito desejado. Com a graça de Jesus, nos sentimos muito felizes por podermos assim trabalhar.

Padre Miguel do Nascimento

10.11.1977


71 - Na vida de nossos conhecidos... 

    Encontramos muitas vezes esclarecimentos quanto à finalidade de nossas encarnações. Observando os fatos que mais de perto nos cercam, muita coisa podemos aprender.

    Se às vezes são dadas algumas lições menos felizes, é justamente para te pôr em contato direto com os diferentes meios que vais ter que conhecer. O treinamento é feito também com este sentido, visando à tua mais fácil comunicabilidade com os espíritos e acesso aos lugares por eles levados em suas dissertações.

    De qualquer forma, estamos aqui para te prevenir quanto a estes acontecimentos, que sucederão com frequência, pois assim exige o trabalho.

    Embora muitas vezes possa te parecer estranho e até pensares que estás sozinha, está certa de que continuamos velando pela completa harmonia.

    Jesus é o nosso Mestre; nada nos faltará.

Joaquim Felisberto de Macedo

10.11.1977


72 - No vale encantado das pirâmides egípcias...  

    Vamos penetrar com o respeito devido nas grandes edificações humanas. Contemplando, com a pequenez de nossos corpos, tão diminutos a elas comparados, extasiamo-nos diante do incognoscível, do misterioso, do grandioso, do enigmático problema que foge ao alcance de qualquer mortal.

    Gigantescos blocos de pedra falam-nos de remotos tempos, perdidos na escuridão dos séculos; tudo arquitetonicamente distribuído como resultado fabuloso de cálculos racionais e perfeitos. A estrutura, a forma, o tamanho, a significação, falam-nos numa linguagem muda que nos chega à alma.

    Qualquer criatura menos letrada, menos conhecedora da inteligência humana, sentirá no âmago do ser a ânsia do insondável, a magia do enigmático. Assim, ficam os homens diante da magnificência terrena: humildes, diminuídos, subjugados ao poder incontestável da obra tão espetacular.

    O homem, suprema maravilha da Criação, vai e para aí: mudo, estático, inquiridor; mas a alma segue além. Penetrando os umbrais dos corredores misteriosos e aterrorizadores, ela, inquieta pesquisadora, caminha um pouco além.

    Varando, com a sagacidade e facilidade de que é capaz, os interstícios de matéria bruta, carregada de odores nauseabundos, de um mundo em decomposição, vasculha, vê, sente e analisa em seus mínimos detalhes a emanação fluídica daqueles corpos e objetos, que trazem ainda consigo a aura própria a cada um deles, variando na cor e na constituição, de acordo com sua natureza.

    Um mundo novo se abre diante dos olhos do pesquisador inteligente, munido ainda mais dos dotes espirituais. Se à luz de Deus ele trabalha, mais fácil então é o reconhecimento do insólito terreno. Nas coroas brilhantes, ofuscantes mesmo, no plano espiritual, dos tantos e tantos reis sepultados, histórias e mais histórias podem se ler.

    Com o poder da psicometria, desvendam-se os mistérios: aqui, uma joia rara nos fala da faustuosidade, do luxo e esplendor de uma dinastia que lá viveu; reinados fabulosos de lutas, de conquistas, de dores e perdição; lá, uma arma antiga, em tudo diferente, com divinas incrustações, fala-nos ao espírito das glórias, dos louros, das vitórias de seu possuidor; andando um pouco mais, deparamos com esqueletos mumificados de cavaleiros fiéis ao rei, que com ele eram também sepultados, ao lado dos sarcófagos reais; muitos destes restos mortais demonstram até aonde chegava a fidelidade dos súditos egípcios."

    "Passando de uma sala para outra, a alma do pesquisador fica aterrada com as visões lúgubres que se sucedem no plano: vivendo em completa promiscuidade, uma infinidade de espíritos ali se compraz em danças macabras e rituais pagãos. Um mundo novo, ignoto, inverossímil, mas um mundo real, pois que existe.

    Dir-se-ia que, das cavernas e catacumbas dos contos fantasmagóricos das óperas de Wagner, ali realizassem seu lúgubre festim. O cheiro bolorento e as emanações malsãs fazem a alma do mais sagaz inquiridor arredar-se. Não, não vamos continuar; precisamos voltar e nos reabastecer em nossas puras energias para vasculhar lugar tão aterrorizador.

    Aqui, como nota final de nosso comentário, cabem as expressões que geralmente se usam: “Quem vê cara não vê coração”, ou, por outra, “Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento”. Não queremos com isso decepcionar nosso leitor.

    As pirâmides egípcias constituem, de fato, obra digna de todo apreço quanto ao seu valor artístico e histórico, mas, na ordem das coisas, vamos dar-lhes o devido valor material que realmente têm, quanto a serem elas o produto de ousadas concepções humanas de épocas milenares.

    Se alguma coisa digna de ser explorada, não deverá ser nas pirâmides buscada e sim nos antigos santuários, cujos vestígios ainda existem ao longo das montanhas, tão misteriosas e mais gigantescas ainda que as tão famosas pirâmides.

    O relato de hoje é um preâmbulo ao que há de ser escrito quando mais favorável oportunidade houver.

    Deus nos ilumina aos poucos as veredas para que Sua luz não nos ofusque a acanhada visão.

Padre Miguel do Nascimento

12.11.1977


73 - Filosofando sobre a bondade do Pai... 

    Enquanto presenteava os homens com tanta exuberância, os discípulos faziam suas perguntas ao Mestre. Aproveitavam estes momentos de repouso para saciar sua sede de saber. João, o mais moço de todos, geralmente era o que dava início a uma conversação neste sentido.

    — Mestre, por que somos tão necessitados da luz divina? Não poderia ela brilhar sempre para enxergarmos melhor o caminho por onde andamos? Mesmo Tuas palavras são sempre veladas e dificilmente chegamos a uma compreensão.

    — Não te preocupes com o que não tens, mas valoriza antes o que já possuis. Em outras palavras, Deus exalta os humildes e diminui os soberbos.

    Com poucas palavras, o Mestre falava muito ao coração dos homens. Incitando o raciocínio sobre as verdades, obrigava-os a meditar sobre suas experiências já vividas e, deste modo, todos iam aprendendo na magnífica Escola da Vida.

    Como aos discípulos daquela época, Jesus continua respondendo aos nossos anseios de maneira branda, delicada, mas intransigente.

    Meditemos também sobre estas lições. Todas elas nos servem como tema de aprendizagem.

Padre Miguel do Nascimento

 13.11.1977


74 - O sol brilha sobre a pradaria sem fim


Eça de Queiroz

        Os animais festejam a natureza: pássaros cantam, os bois pastam placidamente, exteriorizando em sua mansidão a paz que desce dos céus sobre todas as criaturas. As flores silvestres ostentam-se em sua variedade de formas e cores; há uma alegria no ar.

         Se cerrarmos nossos olhos, podemos sentir as vibrações diferentes; se nos concentrarmos ainda mais, aprofundando nossos sentidos espirituais, ouviremos como se fosse um ressoar de vozes ao longe, mas vozes que se casam e se harmonizam formando melodias.

          Sim, deve ser uma música que ouvimos. Mas quem regerá esta orquestra invisível?

     Mergulhamos um pouco mais em nossas meditações: estaremos enganados ou é a felicidade que nos fala ao coração? Chegamos, enfim, a uma conclusão: a música existe de fato; não estamos enganados; mas esta música só a escuta quem se esquece de si para se lembrar de Deus.

            Deus é o concerto imortal que ouvimos quando temos puro o coração.

Eça de Queiroz

 15.11.1977


75 - Conforme programamos... 

    Estamos todos aqui para darmos nossas comunicações. Dispenso mais comentários, pois venho só para facilitar tua concentração.

Joaquim Felisberto de Macedo

    Minha filha, estamos nos desenvolvendo com mais rapidez do que esperávamos, graças a este ambiente tão puro, que nos propicia esta calma e esta confiança. Nosso intercâmbio mental continuará, sempre que for possível, pois temos muito que trabalhar juntos.

    Seu pai está ajudando por enquanto, mas a maior obrigação cabe a nós.

    Deus te abençoe.

Tertuliano dos Santos

    Neste ambiente de muita paz, reunimo-nos aos pés de Jesus. Como é terno, como é suave, o enlevo de sabermos protegidos pelo olhar compassivo de Jesus. Confiantes em Seu amor, sentimos que podemos ajudar também àqueles a quem amamos. É uma felicidade muito grande, minha filha, reunirmos-nos sob teu lar, sempre tão enfeitado das luzes de Deus.

    Comovemo-nos até às lágrimas, pois esta ventura é muito grande para mim. Jamais sonhei com tanta maravilha. Eu, tão pequeno diante da grandeza daqueles protetores, cujas fotografias guardava com tanto respeito, ver-me agora fazendo parte desta reunião tão sublime, em que Jesus é o maior Mestre, a nos vigiar.

   Como disse, sob este olhar tão misericordioso, estamos hoje muito felizes, muito agradecidos por tantos e tantos bens que recebemos. Quantas almas já foram encaminhadas com nossas preces! O poder de Deus não tem limites, quando a tarefa é de Amor. Continuaremos neste mister sagrado de arrebanhar estas almas esquecidas da bondade de Jesus.

    Muitas felicidades para todos.

Joaquim Macedo Mattos

    Senhor, fazei-me instrumento de Vossa paz. Que eu possa levar o amor, a alegria, o consolo a todas as criaturas. Sinto-me feliz, meu Deus.

    Rendo-Vos graças, muitas graças.

Neuza

    Sem mais delongas, quero vos dizer do meu agradecimento e da minha alegria.

Clara Martinelli

    O trabalho que aqui realizamos é muito digno, meus irmãos; não tenho palavras para vos agradecer e vos desejar muito progresso.

Vicente Lamarca

  O tempo urge e sei que não podemos desperdiçá-lo; mas queremos também vos cumprimentar. Votos de muita evolução em vossos misteres. A saudade é muita, mas com suas compensações.

Julia Martinelli

        Na paz de nossos corações, na tranquilidade deste ambiente, sentimos o haurir de forças que nos chegam para executarmos o que nos compete. Como exercício de psicografia, procuramos transmitir com a maior fidelidade que nos permite a vibração deste ambiente, alguns pensamentos de nossos irmãos. 

25.11.1977


76 - No lamaçal dos nossos vícios... 


Jules Verne         

    De nossas imperfeições, encontramos, pelo sofrimento, o caminho da luz. À custa de tanto nos debatermos nas misérias causadas pelos desvarios, tiramos conclusões de problemas que nos afligem.

    Amadurece nosso espírito e a luz começa a brilhar também para nós. É o começo do Reino de Deus em nós; este Reino do qual falou Jesus, único de que Ele poderia ser Rei. Assim, é que podemos hoje chegar a esta mesa de trabalhos tão dignos e deixar sem constrangimento nossa identidade.

Júlio Verne

    Prometemos aqui deixarmos nossa pequena contribuição, sempre como motivo de alerta para o fiel desempenho de vossos misteres. Perante Deus, somos todos filhos, sujeitos à mesma Lei de Evolução.

    Sem sofrimentos, sem resgates, não se sobe a Escada de Jacó.

Padre Miguel do Nascimento     

 26.11.1977


77 - Mesmo sem grandes possibilidades... 

    Vimos vos dizer do bem-estar que nos vai na alma, quando aqui estamos. Somos quais crianças travessas que procuram o olhar do Mestre, ainda com muita timidez de serem reprovadas.

    Nossos irmãos afirmam-nos que não precisamos temer, pois o Mestre compreende nossa hesitação. Então, vamos indo, com ajuda de Deus, iremos nos fortificando para podermos levantar nossas cabeças e olhar com confiança para o bom Jesus.

    Sempre quisemos pertencer ao Seu rebanho, mas nos achávamos muito indignos para competir com nossos irmãos de crença; fui católico; trabalhava num convento de irmãos beneditinos; ajudava nas compras, nos afazeres domésticos, mas no íntimo não aceitava muito aquela vida; tinha uma revolta íntima contra aqueles companheiros, que para mim eram tidos como santos na minha ignorância; porque eu, diferente deles até no físico – tinha um feio e desprezível aleijão – devia ser o submisso; o que respondesse por tudo que estivesse errado?

    Não me conformava com aquela situação e minha revolta foi crescendo contra aqueles a quem devia amar; pois, fosse como fosse, eles foram meus primeiros e únicos pais neste mundo. Recolhido pela benevolência daqueles frades, cresci como um bicho mau que precisava sempre ser punido para conter meus ímpetos indesejáveis.

    Mas nem sei por que estou eu a relembrar estas coisas; já as devia ter esquecido, pois faz muito tempo que desencarnei. Hoje compreendo minha situação e, como conheço meu passado, ainda não encontro forças para encarar o Mestre. Daí toda esta dissertação. Mas foi bom, porque me desinibiu e me desabafei.

    Não adianta mesmo querer parecer aquilo que ainda não somos e confesso, ainda tenho muito por me corrigir. Mas aqui me sinto muito bem, bem mesmo e com estes pensamentos favoráveis de nossos companheiros me sinto mais encorajado.

    Sinto ter-vos aborrecido com tanta conversa, mas estão me falando que isso devia mesmo acontecer para meu bem e de muitos outros.

    Assim, me despeço por hoje desejando-vos felicidade e agradecendo estes momentos felizes. O que foi escrito é um tema para reflexão por parte de muitos que não aceitam as condições que a vida impõe. Deus é Senhor e Pai e Ele só nos dá o que é para nosso bem.

    Este nosso irmão teve uma vida anônima nesta última encarnação a que ele se refere, mas em outros tempos foi um destacado senhor da nobreza inglesa e se sobressaiu como almirante na Marinha da Inglaterra; esquecendo-se de seus deveres maiores, a muitos prejudicou e, por isso, veio depois redimir e expiar suas faltas da forma como ele próprio o descreveu, espontaneamente.

    Não mencionamos o nome do dito almirante por questão de respeito a uma personalidade, mesmo porque o nome não é o principal.

    Jesus perdoou este nosso irmão e ele é mais um dos muitos reintegrados em Seu rebanho.

Padre Miguel do Nascimento

27.11.1977


78 - Nas colinas de Domrémy, ... 


Joana d'Arc

    ... a voz da salvação ressoou.

    Em uma pacata aldeia de Domrémy, na região de Lorena, França, no início do século XV, vivia a família d'Arc. Jacques d'Arc, um camponês e oficial da aldeia, e Isabelle Romée, uma mulher piedosa, criavam seus cinco filhos: Jacquemin, Jean, Pierre, Catherine e a caçula, Joana. A família, embora modesta, era unida e profundamente religiosa, cultivando a fé católica em seu lar.

    Apesar do contexto da Guerra dos Cem Anos, que assolava a França, a vida em Domrémy seguia seu curso. Joana, uma jovem camponesa analfabeta, mas de coração puro, dedicava-se aos trabalhos do campo e à oração. No entanto, a tranquilidade da aldeia foi interrompida pelos ecos dos conflitos que se espalhavam pelo país. Mensageiros traziam notícias alarmantes sobre o cerco de Orléans e a ameaça à coroa francesa.

    Foi nesse cenário de turbulência que Joana, aos 13 anos, começou a ouvir vozes divinas. As vozes de São Miguel Arcanjo, Santa Catarina e Santa Margarida a instruíam a libertar a França e coroar o Delfim Carlos VII como rei legítimo. Inicialmente, Joana relutou em acreditar nas visões, mas a insistência das vozes a convenceu de sua missão.

    Impulsionada pela fé e pelas vozes celestiais, Joana deixou sua família e partiu em busca do Delfim. Após uma jornada desafiadora, ela conseguiu audiência com Carlos VII, em Chinon. Impressionado com a convicção e a sinceridade da jovem, o Delfim concedeu-lhe um exército para libertar Orléans.

    Joana, vestida com armadura e portando um estandarte branco, liderou as tropas francesas à vitória em Orléans, em 1429. A vitória inspirou o exército francês e abriu caminho para a coroação de Carlos VII em Reims. Joana d'Arc, a camponesa que se tornou heroína, cumpriu sua missão divina.

    No entanto, a jornada de Joana chegou a um trágico fim. Capturada pelos borgonheses, aliados dos ingleses, ela foi entregue à Inquisição e julgada por heresia e bruxaria. Condenada à fogueira, Joana d'Arc foi executada em Rouen, em 1431, aos 19 anos.

    Sua morte, no entanto, não apagou seu legado. Joana d'Arc tornou-se um símbolo de coragem, fé e patriotismo. Sua história inspirou gerações e sua imagem foi eternizada como a heroína que libertou a França. Em 1920, ela foi canonizada como Santa Joana d'Arc, a padroeira da França.

    Sua vida, marcada por visões divinas, batalhas épicas e um trágico fim, continua a fascinar e inspirar. Joana d'Arc, a camponesa que ouviu a voz de Deus, permanece como um exemplo de fé, coragem e devoção.

    (Narrativa baseada em dados históricos obtidos na Biblioteca Nacional da França)

 29.11.1977


79 - Jesus, glória a Ti por tudo que nos ofereceis. 

    Quão emocionante é sabermos eternamente abençoados por Teus braços dadivosos. Rogamos a Deus, tão somente, que muitos de nossos irmãos, ainda afastados de nosso convívio, voltem também para esta família abençoada de espíritos batalhadores.

    A cada passo, novas perspectivas se abrem para nós, pois temos visto tanta coisa bela sob Tua proteção. Confiantes em Teu amor, aguardamos a redenção também para estas almas a quem amamos.

Joaquim Felisberto de Macedo

    Dentro de nosso programa de hoje, entrosamos a mensagem de nosso irmão, que ficou muito feliz; nós também confessamos nos sentirmos bem contentes.

    É tão bom amar!

Tertuliano dos Santos

    Como tema de nosso treinamento hoje, já transcrevemos a mensagem de nosso irmão.

Joaquim Macedo Mattos 

30.11.1977


80 - De estrelas mil se forra o manto azul do firmamento. 

    Miríades de astros luminosos refulgem a glória de Deus. Tudo é paz; tudo é alegria; um mundo de festa vibra para nós: é o amor que nos fala ao coração, contando-nos coisas belas, contos de fada talvez para nós, ainda tão carentes de visão.

    Uma luz diferente ilumina o manto da noite. Faz-se luz também em meu coração: o resplendor dos astros atinge minha alma sonhadora e sinto a alegria de viver. Senhor dos mundos infinitos, dai-nos a bênção de podermos Te adorar; dai-nos a glória de podermos Te entender.

    Como diz o poeta: só quem ama tem o poder de ouvir e entender estrelas... e nós, meu Deus, queremos amar.

Daniel Lamarca

    Em tua missão, surgirão muitos nomes que te serão desconhecidos; mas dia virá em que a verdade esclarecerá os fatos.

    Deus te abençoe.

Humberto de Campos

    Na linda estrada de Damasco, muitos serão os convertidos. Jesus está a esperar por todos; Ele disse que nenhuma ovelha perderia de Seu rebanho.

    Confiemos na paciência e bondade do Mestre.

Padre Miguel do Nascimento 

30.11.1977


81 - O cenário em que se desenrola... 

    O que vamos relatar faz parte dos tantos e tantos casos que se espalham por este mundo afora: uma casa pequenina, a união de três pessoas que se ligam por laços familiares, mas que nem por isso se amam como irmãos; um pedaço de terra a cultivar como bênção e tesouro certo que Deus confia a muitos mortais.

    A vida agreste do local é a nota, porém, o que faz diferir este quinhão de terra de muitos outros lugares afastados também do convívio humano, mas com melhores condições climáticas que possibilitam uma vivência mais atenuada.

    Não fossem nossas personagens, espíritos já bem experimentados nas lides campestres, em que sempre lutaram contra a agressividade de lugares inóspitos, e por certo já teriam desistido da penosa luta contra um meio em que até a água é medida e controlada para suprir as mais prementes necessidades.

    Mas, como a finalidade da vida que os espera é muito mais importante que os caprichos que a vida material exige, vão vivendo eles as mais duras provações, como espíritos devedores de encarnações pregressas, redimindo nesta união familiar os erros de outrora. Pai, mãe e filho assim se unem, tirando dos mais cruéis obstáculos o sustento para uma vida que não deve se extinguir antes de cumprido o desígnio do Pai.

    A seca se aproxima e, tenebrosa como um fantasma destruidor, afugenta os mais rudes animais que instintivamente procuram sobreviver. Os pássaros também emigram em busca de ninhos mais acolhedores. Mas aqueles homens ali continuam por imposição de uma força misteriosa que os prende àquele fatídico lugar.

    A desolação é inevitável; a penúria lastimável. A terra árida nega aos próprios vegetais o alimento primordial e eles tombam ressequidos. Os víveres se escasseiam e não há esperança de reabastecimento. Sem dúvida, a morte será inevitável. Aonde recorrer por auxílio se a civilização parece ter sumido da face da Terra?

    Mas, no meio de tanta desesperança, resta ainda alguma coisa que faz milagrosamente vibrar a alma daquela pobre mãe: um crucifixo; um velho crucifixo abandonado e esquecido entre os míseros pertences familiares.

    No auge da aflição, quando nada mais lhes resta neste mundo de tanto sofrimento, mão poderosa a faz se transportar para o esquecido lugar onde se acha. Copiosas lágrimas caem pelo cadavérico semblante e o amor, sublime amor que pela dor floresce, redime todos os seus erros passados numa prece fervorosa pelos seus entes queridos. Esquecendo-se de si própria, implora piedosamente com paixão pelos seus.

    A fé, mais uma vez transportando as montanhas do desespero, faz-se valer e eis que, num milagre indescritível, criaturas benfazejas vindas não se sabe de onde, aparecem como por encanto, varrendo as trevas da aflição e iluminando uma nova senda de trabalho.

    Acolhendo amorosamente aquelas lânguidas criaturas em que o sopro de vida se extinguira, tem a mãe, envolta nas benéficas emanações de seu amor, a visão maravilhosa das almas em trabalho redentor. Com a suavidade por ela pedida, são todos transportados para melhores paragens. Uma nova vida recomeça e, agradecida ao Pai, aquela pobre alma, já refeita das agruras da vida, se predispõe a encaminhar seus companheiros pela mesma estrada luminosa que encontrou.

    Com Jesus no coração, são mais três filhos pródigos que voltam ao lar Paterno, o abençoado lar onde jamais haverá misérias e desolações.

    O registro ascensional das almas aponta a vivência destes nossos irmãos, como tantos outros, que resgatam assim seu passado culposo.

1.12.1977


82 - Na lua crescente... 

    É comum ouvirem-se, entre os caboclos, expressões felizes de bom agouro. Convivemos bastante com esta espécie de pessoas que, em sua simplicidade, revelam muita fé num poder superior. Dotados de muita coragem para a árdua vida que levam, têm sempre em seus olhos tímidos a esperança de dias melhores. Não fosse esta esperança, que seria de um viver tão triste?

    A luta pela subsistência em certos lugares do sertão é mesmo dura provação. Só por Deus, mesmo, habitaria o homem lugares tão inóspitos; desprovidos de tudo quanto possa enriquecer a vida humana, esses lugarejos perdidos sertão adentro, parecem fazer parte de um mundo distante, onde a civilização jamais haja passado.

    Almas sofredoras, abnegadas e conformadas em sua maioria, há, porém, os que se rebelam contra a vontade de Deus em fazê-los assim viver. A oiticica, um dos poucos vegetais que resistem às intempéries desfavoráveis, é o tesouro maior do sertanejo.

    Raras vezes esse vegetal sucumbe à seca devastadora. Olhando o mato que some dia a dia, o homem do sertão tem na oiticica a esperança da derradeira alimentação. Cortar a oiticica sempre na lua crescente faz parte do costume dessa gente; é para nunca faltar o que comer. Mas as previsões nem sempre são acertadas e muitas desolações já sofreu o povo nordestino. As agruras da fome e da sede já devastaram muitas e muitas povoações; o flagelo da seca é conhecido por todos nós.

        Aos olhos do homem que pouco enxerga, é fenômeno insólito, é teima vã apegar-se a um torrão natal que nada oferece de hospitaleiro. Nós também éramos desta opinião e não nos conformávamos em ser a criatura tão ignorante a ponto de preferir morrer exangue a se aventurar para um lugar estranho.

    É preciso, porém, que o corpo desça à tumba e o espírito se erga aos céus para se entender e se conformar com a sorte de tantos e tantos irmãos em provações as mais duras, as mais penosas, para que eles tenham também seu dia de glória.

    Muitos amigos tivemos em contatos esporádicos, na vida rude dos sertões brasileiros. Muito sofremos também em vê-los assim sofrer. Chamados pela Providência, pudemos ainda e com maior carinho nos dedicar ao amparo fraterno daquelas almas flageladas.

    Muitos casos de enredos escabrosos até teremos para contar. Não mais com a imaginação fértil do contista e cronista, mas com a vivência árdua e dura de um espírito batalhador que, unido à falange do Bem e da Verdade, procura dar tudo de si em prol de uma causa justa e nobre, qual seja, a de fazerem evoluir almas irmãs que, no mesmo solo brasileiro, ainda muito terão por lutar.

    Desta verdade estejamos todos certos: se um punhado de bravos já lutou por este nosso Brasil, uma infinita legião de outros tantos heróis anônimos, muitas vezes continua a batalhar num plano superior para garantir o futuro reservado a esta Pátria abençoada que tem o formato de um coração.

Humberto de Campos

    No amor está a chave da felicidade.

Benjamim Constant Botelho de Magalhães

9.12.1977

 

Fim do Capítulo 9


    
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