Capítulo 4
A chave milagrosa
Prefácio
No esplendor do sol, no brilho das estrelas, há a mensagem de Deus a nos falar de amor. No zimbório infinito do teto que o Pai nos dá como abrigo paternal nas nossas noites de vigília, há incrustadas gemas preciosas de valor inconcebível; gemas raras a refulgir a luz de Deus, falando aos homens de um mundo desconhecido, porém rico, majestoso, em tudo resplendente, em tudo maravilhoso.
A alma afeita a meditar, a sonhar, a perscrutar, encontra nesse imenso firmamento a razão de toda a vida, o segredo indecifrável do seu sonho sem fim. Acostumado o homem a lutar por sua subsistência física, esquece-se muitas vezes de contemplar a maior obra da Criação ao alcance de seus pobres olhos mortais.
Em nossa alma de poeta errante, dado a mais sentir do que falar, fizemos da vida que Deus nos confiou um rosário imenso de divagações, procurando nos reafirmar quanto aos venerandos propósitos de bem vivermos à luz da Verdade, do amor e da justiça.
Renovando aqui os mesmos propósitos para uma paz real e duradoura entre os homens, venho aqui reiniciar uma série de comentários excertos da vida comum de muitos conhecidos nossos, que nos deram a oportunidade de sua convivência, esperando que a Divina Luz, essa mesma que Deus dá a conhecer a seus filhos, através de toda a Natureza que os cerca, possa clarear o horizonte de suas vidas, ainda a serem complementadas.
Somos pequenos demais para externar toda a glória e poder de Deus, mas cumprindo a mínima parcela que nos cabe nesta obra tão grandiosa, subscrevemo-nos em nome de todos os mensageiros que ora, por graça do amor divino, representamos.
Humberto de Campos
12.11.1977
Prece inicial
Mais uma vez estamos juntos para trazer a todos o nosso abraço. É grande a nossa alegria e queremos reparti-la com vocês. O dia da vitória está raiando; já podemos prenunciar os albores da nova aurora e, com esse novo despertar, Jesus se levanta diante de todos, anunciando que uma Nova Era há de ressurgir para os homens de boa vontade.
Divino Salvador, que outro nome deveríamos te atribuir, dado que até hoje continuas a brilhar no céu de nossa vida, qual farol majestoso a desfazer as trevas e atrair as multidões?
Somos pequenos, muito pequenos mesmo para poder descrever todo teu resplendor. Quais míseros répteis rastejantes a buscar a luz do Sol, nós também, espíritos imortais, damos os nossos primeiros passos para sairmos do lodaçal de nossas imperfeições e caminharmos para a luz que promana de Ti.
Oh! Jesus, como anseio por te servir; por não ser mais aquele réptil horrendo e poder alçar voo, qual inseto livre de seus invólucros pegajosos. Sabemos que estamos indo bem no nosso exercício, pois a confiança que sentimos é prova da tua complacência para conosco e agradecemos a todos os nossos protetores, que dirigem com muita sabedoria as nossas lições.
Bendito seja Nosso Pai, que nos propicia entrever as maravilhas de seu Reino. Em tudo o que fizermos estará a luz de Deus a nos guiar. Estamos imbuídos dessa convicção e nada nos fará regredir. A paciência é prova da nossa capacidade em perseverar no Bem.
A luz do Divino Mestre guiará nossos passos para que eles sejam firmes, seguros e inabaláveis.
Com Jesus no coração vamos trabalhar.
Padre Miguel do Nascimento
13.11.1977
Abertura
Grande parte da humanidade, infelizmente, ainda não se acha preparada para certas verdades e, por isso, todo ensinamento novo deve ser ministrado com o critério do professor bem experiente para não confundir seus alunos.
Nesta sequência que ora começamos, vimos falar do Amor como chave maravilhosa, que abre novos caminhos de bem-aventurança. Tema melhor não poderíamos escolher como início de uma obra que se fundamenta na lei primordial de todo ensinamento, pois que, sem ele, onde estarão a paciência, a tolerância, o perdão e toda a série de virtudes que ele abraça com o suave manto da compreensão?
Jesus, símbolo do amor para nós, cristãos, deixa transparecer em seu Evangelho toda uma vivência que procuraremos imitar. Se, com o espírito preparado para uma mais fácil assimilação, nos concentrarmos, uma a uma, nas passagens bíblicas, mergulharemos num mundo novo aos nossos olhos de observador, agora mais atento.
Nas palavras das parábolas e dissertações nas quais antes não encontrávamos significado, uma nova luz brilhará para nosso espírito depois de tantos e tantos séculos de sofrimento. Só terão olhos de ver, ouvidos de ouvir, aqueles que viveram e que fizeram de suas experiências o potencial de energias para doar, através do amor ao próximo, todo o Bem que sempre desejaram para si.
Por isso, dizíamos que, dentro destas condições essenciais de uma conduta exemplar, não somente aos olhos dos outros, mas para nossa própria consciência, encontraremos a chave que abrirá as portas do Paraíso. O amor puro, desinteressado, o verdadeiro amor fraterno encontramos nas pegadas de Jesus. Vamos com Ele que estaremos seguros e livres de todo o mal.
Imbuídos da necessidade de um perfeito entrosamento com as falanges que nos orientam, vamos elevar o nosso pensamento a Jesus, como Mestre maior neste apostolado de amor.
14.11.1977
1 - Os mandamentos da Lei de Deus
Nos anos que se perdem na distância dos tempos, recebemos, por intermédio de Moisés, o tão conhecido Decálogo, trazendo do infinito das alturas as normas fundamentais para a evolução do homem. Esse espírito luminar desceu à Terra, sofreu uma vida de dificuldades como qualquer outro mortal, atravessou vicissitudes das mais variadas espécies, levou em seus ombros humanos o peso de uma responsabilidade transcendental.
Vivendo em um clima de hostilidade entre um povo ainda imaturo para as verdades eternas, teve, sob a inspiração divina, a arma da palavra e a força da convicção para dirigir esse mesmo povo, que ele teria de guiar para Deus.
Essa história tão maravilhosa, mas tão fantasiosa também, iremos conhecê-la melhor através dos relatos que se sucederão. No intuito de esclarecer os homens quanto às verdades eternas, espíritos benfazejos se consagraram a uma obra tão significativa quanto a que levou Moisés ao Monte Sinai, para receber aí, de Deus, os dez mais importantes mandamentos básicos de sua Lei.
Com a característica da simplicidade de nossos trabalhos, começaremos por dizer, esclarecendo aos nossos leitores, quanto à maneira mais fácil de viver segundo Jesus em Mateus 22:37-40:
"E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." Esta é a filosofia suprema da vida.
Se procurarmos entender, e não simplesmente balbuciar como um verso solto que expressa apenas uma ordem sem abstração, encontraremos no não cumprimento dessa Lei Divina a causa de todas as nossas misérias e aflições. Todo mal decorre daí. Se o homem já atingiu um grau de progresso intelectual que lhe permite discernir entre o que lhe convém e o que lhe é pernicioso, poderá também, à custa do raciocínio de que é capaz, analisar o seu problema e encontrar ele mesmo a solução.
Se reconhecemos ser o amor fonte de todo Bem, admitimos que está na falta do cultivo desse sentimento em nós a causa de nossos desentendimentos e fraquezas. Conscientes da nossa inteligência, assumamos também nossas falhas passíveis de correção.
O homem que é verdadeiramente bem dotado sabe olhar para dentro de si, onde por certo encontrará não apenas um, mas muitos e muitos defeitos a corrigir, pois na mísera condição humana em que vivemos não poderia ser de outra forma.
A finalidade da vida, esta Vida, que deve ser encarada com letras garrafais pelo muito que significa, é mesmo esta: fazer os homens se conhecerem a si próprios primeiramente, reconhecer suas imperfeições, procurar corrigi-las para depois alertar seus irmãos quanto aos conhecimentos que já adquiriram.
Como tudo isso requer esforço, trabalho, abnegação e muita renúncia, diremos de antemão que privilegiados serão nos Reinos dos Céus aqueles que já em vida têm conhecimento de suas condições espirituais e procuram sanar todas as feridas.
A estes, inteligentes deveras, completaremos dizendo que o amor cobriu a multidão de seus pecados, pois que souberam amar em seu próprio espírito a centelha divina para transmiti-la depois a seus irmãos.
15.11.1977
2 - Quem é Jesus?
O conhecimento que temos acerca da vida de nosso Senhor Jesus, o Cristo, é muito restrito, pois, como todo fato histórico, sua passagem pela Terra se mesclou de muitas fantasias, lendas e invencionices populares. Se ajuizarmos sobre os presentes fatos, que aos nossos olhos se desvirtuam, conviremos que sobre a vida de Jesus não poderia ser diferente e com muito mais razão, dadas as condições extraordinárias em que viveu.
Se hoje nos predispomos a aventar esse tema sob Sua luz e com o recurso que nos oferecem os mensageiros que trabalham em seu nome, é porque se faz necessário rememorar com a autenticidade dos fatos o porquê e o desenrolar de acontecimentos tão sublimes.
Esquecidos que andam os homens das coisas de Deus, urge que os espíritos do Senhor tomem as rédeas do Poder, equilibrando e dirigindo com mais ostentação os destinos do mundo. Uma história tão sagrada e digna de todo o respeito não pode, assim, se vulgarizar de maneira tão lastimável.
É preciso que dos céus faça-se ouvir mais uma vez o clamor dos anjos empenhados nesta santificante missão de colocar as questões em apreço ao alcance de todos os que tiverem a humildade de, pelo pouco que sabem, se predispor ao menos a pensar no assunto sem preconceitos e fanatismos religiosos.
Começaremos por nos reportarmos aos acontecimentos precursores à vinda de Jesus à Terra.
16.11.1977
3 - Na vida de Jesus encontramos o tema de nossas meditações
Desde os antecedentes de Sua vinda à Terra, veremos, à luz do Evangelho, que uma série de acontecimentos extraordinários se sucederam. As profecias nos dizem isto; se buscarmos no Antigo Testamento todo o enredo dessa história, que chegou até nossos dias à luz da Verdade e sem quaisquer outros preconceitos religiosos, veremos como Deus enviou à Terra tantos missionários.
Espíritos de escol, de grande experiência, que vieram cumprir suas obrigações num meio geralmente muito hostil, mas que lhes permitia, pelo menos para uma minoria, lançar as sementes que começariam a germinar. Isso desde os tempos bem remotos; e hoje, à luz do espiritismo, podemos com convicção afirmá-lo, transcendendo o Gênesis, que para os livros bíblicos data o começo do mundo e da vida sobre o nosso planeta.
Para muitos, sabemos, seria absurdo transcender ao Gênesis, mas, se aqui escrevemos, não será para os olhos nem os ouvidos dos irmãos ainda bem obliterados em face da grande verdade.
17.11.1977
4 - A pesca do Mestre
Não fôssemos nós tão descrentes quanto aos prodígios que Deus nos oferece, veríamos também encherem-se nossas redes de forma ainda mais prodigiosa do que foi a pesca de Jesus.
Conhecedor das profundezas invisíveis, por que não haveria Ele de conhecer também o que ia mar adentro, através da água, um dos elementos mais simples da natureza?
Conhecendo como exímio psicólogo as profundezas também da alma humana, não iria Ele deixar passar aquela feliz oportunidade que o Pai lhe oferecia para um ensinamento tão objetivo. Fazendo-os compreender o valor da fé nos elementos naturais com que Deus nos prodigaliza, fez parecer claro à mente dos discípulos que a fé é a mais importante condição para o sucesso.
Reportando-nos aos dias atuais, constatamos que, de fato, só com a convicção em nossas possibilidades, haurimos forças para vencer em qualquer situação. Como nos dias de outrora, nossa pesca também será promissora se nos valermos dos recursos de uma fé inabalável na bondade e prodigalidade de Deus.
Com a nossa fé num poder maior, com a certeza da preponderância do Bem sobre tudo o que é Mal, ganharemos terreno em nossas conquistas espirituais, aproximando-nos Daquele que nos serviu de modelo.
Atiremos as redes ao mar tumultuoso dos desvarios humanos e seremos nós os pescadores de muitas almas atribuladas, perdidas e enlouquecidas nas tramas que elas mesmas teceram para si.
Que Jesus mais uma vez nos venha servir de exemplo.
18.11.1977
5 - A conversão de um pecador
Pelos lindos bosques de Viena, andávamos a cantarolar, como pássaros a garrular suas canções de primavera. Diante do esplendor da natureza, que nos tocava as fibras da alma sonhadora, hauríamos a força de que necessitávamos para o retempero de nossas indomáveis paixões. Sim, porque éramos eternos apaixonados dos prazeres fúteis da vida cômoda.
Na alegria daquela manhã de primavera, um sussurro convidativo nos fazia imaginar sons melodiosos, que nos ressoavam aos ouvidos de forma orquestral. Como era doce, inebriante o convívio com a mãe natureza. Fôramos, sem dúvida, feitos para o amor. Amávamos a vida alegre, farta e luxuriosa. Aproveitávamos os momentos de lazer para buscar naquele paraíso a inspiração, que não sabíamos ser celestial.
Agradava-nos, é fato, aquele viver, aquele sentir e muitas vezes fomos agraciados com a doçura de uma composição inesperada. Aquela foi, sem muitos deslizes, a nossa inesquecível vivência terrena; inesquecível sim, porque foi o marco de uma nova fase de nossa evolução. Naturalmente afeitos ao prazer, não pudemos nos concentrar no real significado da Vida. Se de um lado gozei todas as delícias que a um mortal são dadas viver, de outro esbanjei uma existência sem maiores finalidades que outras que as de meu egoísta prazer.
Sem bens acumulados era de esperar uma velhice em penuriosa situação financeira. Com os parcos recursos de uma modesta pensão, vivi meus últimos dias em pungente amargor. Relegado por todos os que me conheceram em melhores condições de vida, sofri a humilhação e a dor do abandono.
Vaguei mesmo muitas vezes, já então, não nos lindos bosques de Viena, mas na aturdida e enganosa capital do mundo – Paris. A tão sonhada Paris de meus sonhos de adolescente foi a minha desilusão na velhice. Pobre alma humana, que procura nos gozos fáceis a realização de seu ser. Quanta desdita colhi nesta minha nova peregrinação. Aprendi a sofrer, a amar e a querer de outra forma viver.
Meditei longas e infindáveis horas e, no aconchego do meu quarto vazio, encontrei a luz que me guiou. Deus deu ao pecador nova esperança; é que a luz que ilumina os aflitos e perdidos passou a brilhar para mim. Atravessei essa fase de transição entre a alma que quer e que não sente, porém, capacidade de fazer. Quis recuperar o tempo perdido, mas não havia mais tempo. O espectro da morte me rondava e encontrou-me um dia em que buscava a salvação em Deus.
Desencarnei com a graça de Deus, com a compreensão da nova vida e sem dificuldades retomei meu novo ritmo. Somos felizes e nossa felicidade se irradia de forma angelical por bondade de nosso Criador.
Continuamos a amar a alegria, a inspirar as mais suaves canções e na alma de cada aflito colocamos as notas harmoniosas do consolo e da esperança. Envolvidos pela beatitude dos paraísos sem fim, continuamos a percorrer os lindos bosques das esferas siderais. Entoamos todos juntos os mais belos coros de louvor a Deus.
Somos fortes, poderosos, pois pertencemos à maravilhosa corrente do amor universal. Somos todos um e um por todos e no nada nos perdemos para pertencer ao Todo Infinito.
19.11.1977
6 - O despertar de uma consciência
Emmanuel
Não é de hoje que acompanhamos teus passos e não é também sem razão que aqui estamos a te relembrar estes acontecimentos. É que chega a hora da Verdade vir à tona para que os fatos tenham maior compreensão. Na vida de cada homem está traçado um destino que geralmente se desconhece, mas que muitas vezes Deus o faz conhecer através da nossa própria consciência.
Iluminando essa consciência de forma a que o homem tome suas decisões, Deus nos faz cônscios de nossas mínimas obrigações, como meio de nos encaminhar com mais facilidade para o despertamento final do espírito, que tem tarefas mais santificantes a cumprir, considerando serem elas de relevado interesse quanto à harmonia e bem geral.
Não queremos aqui tecer comentários elogiosos por nosso bel-prazer e sabemos contra a tua vontade, mas por ordem mesmo de nossa direção, isso se faz necessário para a mais perfeita elucidação de acontecimentos futuros. Queremos te por em condições psicológicas, desde que as espirituais já as possuis, de receber com muita naturalidade, como se fosses tu a escrever pelas próprias convicções de seu espírito. Assim, haverá um rendimento maior do nosso trabalho, que está ainda muito no começo.
Se continuares a conservar a paz e a tranquilidade em todas as tuas horas, favorecerás este intercâmbio das vozes que descem dos céus para falar a todos os homens das maravilhas que os esperam no Reino Encantado do Senhor. Um Reino que não é fantasioso, mas real, verdadeiro e infinitamente bom; um Reino onde o amor suplanta todas as paixões, onde há trabalho para todos porque a felicidade de ser útil é constante no coração das criaturas.
Iremos, assim, à medida que escrevermos, transpor as barreiras que nos prendem ao círculo apertado de nossas convenções arraigadas pelo vício de uma vida sempre vivida às escuras, sem nenhuma compreensão mais elevada acerca do que ela mesma significa perante a Eternidade.
À luz de Jesus, na estrada que Ele percorrerá conosco, colheremos as mais belas flores do Paraíso que nos espera.
Emmanuel
20.11.1977
7 - Divino Espírito Santo
Reunida a abençoada família cristã dos apóstolos de Jesus, orando ao Pai para ganharem força para o exercício do rude magistério, eis que a humilde sala se ilumina por uma luz radiosa, incomum aos olhos daqueles videntes, acostumados à apreciação de fenômenos desse teor.
As vibrações cambiantes de resplandecência sem par, variando na forma e na cintilação, ofuscavam as visões não capacitadas ainda a tal fulgor. Extasiados, inebriados pela maravilha da contemplação, aqueles humildes homens se puseram em êxtase total. Desprendidos do corpo carnal, mergulharam no mundo espiritual e puderam apreciar o fenômeno em toda a sua extensão e potencialidade.
A presença do Divino Espírito Santo se fez de forma inimaginável pela criatura humana, presa ainda aos liames da carne. Por mais retórica que usássemos, não convenceríamos os mortais de tanta magnificência. Procuramos, no entanto, com a graça deste mesmo Divino Espírito Santo, infundir nas criaturas a significação de fenômeno tão transcendental.
É que Deus não falta nunca onde há amor e união entre os homens. De forma sempre esplendorosa, tão magistral quanto se é possível conceber à medida que caminhamos para o infinito, esta luz se faz brilhar entre os homens de boa vontade.
No trabalho de qualquer espécie, no esforço mútuo dos irmãos que se unem em crença no constante exercício do amor, o mais sublime amor brilhará sempre com o mais intenso fulgor a luz divina do Senhor.
E os homens serão felizes.
21.11.1977
8 - Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra de Deus
O Pai dá aos filhos todos os bens que a natureza encerra. Felizes os que se alimentam conscientemente do pão que Deus nos dá para sustento do corpo físico, aproveitando e haurindo as energias de que necessitam para viver.
Mas perguntamos: Será suficiente viver? Para que viver, mesmo que seja uma vida saudável e bem aproveitada? Se for para tão somente aproveitar dessa forma as múltiplas variedades de alimentação que a natureza nos oferece, nada de novo haveria nesse fato e até se poderia considerar insólito, pois que também os seres inferiores o fazem.
Mas ao homem, este ser por si só tão reverenciado em suas qualidades e faculdades psíquicas, deve-se naturalmente atribuir uma finalidade de vida muito mais importante. Assim sendo, para que a vida seja realmente bela e aproveitada, o ser humano deverá procurar exercer com mais desenvoltura essas qualidades e faculdades muito mais importantes, dado que a elas é atribuído todo o equilíbrio que deverá ter psiquicamente para bem desempenhar sua vida social.
Pois, como é sabido, de uma vida emocional harmoniosa depende o bom funcionamento de suas funções orgânicas. Buscando o homem a sua complementação por meio do cultivo de suas atividades superiores, estará se alimentando realmente do que mais necessita para bem viver.
As palavras de Deus nos chegam suavemente através do recolhimento e da prece sincera. Quando o homem humildemente se curva perante a grandiosidade do Criador, toma novo alento, novas energias, dando a todo o seu ser o equilíbrio, a paz, a harmonia, enfim, a saúde geral do corpo e do espírito tão necessária para um intercâmbio também salutar com todos os seus irmãos.
A máxima sobre a qual discorremos é a base da mais perfeita alimentação, que deverá ser encarada tanto no plano físico como espiritual.
22.11.1977
9 - O filósofo e a natureza
Catulo da Paixão Cearense
De todas as filosofias, o homem sempre tira algum proveito. Pelo simples significado da palavra “filosofia”, que em grego significa “amigo da sabedoria”, concluímos, por uma lógica muito racional, haver sempre uma aproximação bem evidente do homem que filosofa com as Verdades Eternas. Sabemos que, na solidão de nossos pensamentos, ligamo-nos, sem que muitas vezes o saibamos, à Divina Sabedoria.
É nos momentos de recolhimento, livres das distrações banais, que o espírito alça voo ao infinito. Vai ele beber, na imensidão do espaço sem fim, das forças vitais que a todos nos cercam, mas que a muitos não são dadas usufruir; à alma solitária, sonhadora e bem-intencionada, muita coisa boa pode acontecer.
Já por sua natureza pesquisadora, amante da beleza e da verdade, o homem que se consagra a entender a razão e a causa de todas as coisas, certamente será agraciado pelas correntes poderosas do Amor Universal. Se humilde em seus propósitos, mais fácil então será o acesso ao reino maravilhoso, onde a luz põe às claras todos os mistérios.
Assim foram os grandes filósofos que por nossa civilização passaram: Sócrates, Platão, Pitágoras, Xenofontes, Plutarco, Ariosto, Epaminondas e toda aquela imensa série de estudiosos que se revelaram principalmente na Grécia Antiga.
Se naqueles tempos eles se evidenciaram dentro de uma civilização, calculemos quem não serão hoje esses espíritos imortais! Mas como a obra de Deus é eterna e sua perfeição infinita, estamos hoje haurindo das mesmas infinitas fontes da Sabedoria Imorredoura. Se falarmos algo que nos lembra os mesmos pensamentos de nossos amigos imortais, é porque estaremos bebendo da mesma fonte da qual eles beberam para saciar sua sede de saber.
Quanta alegria sentimos em aqui abordarmos assunto tão agradável para nós. Em nossa vida fomos também desses sonhadores que namoram o esplendor dos astros em sua magia incompreensível aos sentidos humanos. Amamos a beleza do céu, o esplendor inigualável de um entardecer, a vida em todas as suas mais diferentes formas. Sem o saber, filosofamos também muitas vezes, na simplicidade de nosso viver.
Cantamos em versos que nos chegavam do além a maravilha de tudo o que sentíamos através da natureza que nos cercava. Amamos o belo, o perfeito, o coração das criaturas. Se não deixamos compêndios à posteridade, deixamos, outrossim, a lavra de nossos mais ternos pensamentos em face do Criador.
Cantamos a beleza do luar lá no meu sertão, onde os pirilampos faziam coro para homenagear a noite que descia misteriosa e bela sobre as pradarias sem fim. Oh! Que espetáculo deslumbrante! Como era lindo o luar na minha terra, prateando sobre as serras, folhas secas pelo chão...
Enternecem-nos estas recordações; somos ainda o que éramos antes, e nosso espírito, sensível demais à majestade da Vida, se inclina ante seu excelso Criador.
Catulo da Paixão Cearense
23.11.1977
10 - O Evangelho segundo São Mateus
Para os aficionados dos assuntos religiosos, seria demais discorrer sobre todas as passagens bíblicas de relevado interesse para todos e para qualquer ocasião. Mas, como a nossa finalidade não é ensinar aos que já sabem, mas apenas alertar os mais incautos quanto às práticas evangélicas, de maneira muito simples e inteligível a todos os graus de cultura, repisaremos apenas algumas passagens que consideramos mais reportáveis à época em que vivemos.
Não seria demais, por exemplo, rememorarmos os ensinamentos do Mestre quanto a atribuir às coisas o seu devido lugar nas poucas palavras por Ele proferidas: “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Hoje principalmente, em que a vida se tornou tão atribulada, costuma o homem com muita frequência confundir os seus objetivos. Para quem tem já um certo conhecimento religioso no sentido exato da palavra e não simplesmente em práticas externas e nada significativas, diremos tão somente que a vida em si, quando bem vivida, é um constante cantar e louvar a Deus.
Assim, ao mesmo tempo em que se trabalha honestamente e sem desregradas ambições, se está servindo a César e a Deus ao mesmo tempo. Considerando que conhecemos como César o poder hierárquico de uma sociedade em que vive o homem, estaria ele, assim, sendo fiel a seus compromissos em completa harmonia de afazeres. Aos que ainda não vislumbraram a verdade que reside em todas as obrigações bem cumpridas, diremos que Deus ocupa o lugar de preferência em nossas intenções e que é preferível ser rico espiritualmente a levar uma vida fácil, mas cheia de pecados. Foi principalmente a estes que Jesus se expressou; estes que ainda não podiam se desvencilhar das preocupações mundanas.
Hoje, época em que os Césares se multiplicaram, procuremos, dentro da verdade cristã, pagar os tributos tão onerosos da incompreensão humana, não deixando de cultuar, porém, o que a Deus pertence. Inteligente que é, o homem deve organizar de tal forma sua vida, que não se deixe escravizar pelo tirano mais atroz – o poder monetário.
24.11.1977
11 - Uma visão do Além
Dante Alighiere
O cenário do que vamos relatar não é comum aos contextos humanos. Vamos nos transportar um pouco mais além das paisagens terrestres que, por mais idílicas que sejam, não conseguem nunca ultrapassar os domínios do que lhe é peculiar. Galgaremos hoje, em nossa dissertação, em nada pretensiosa, pois que sob a luz do Altíssimo o fazemos, os cumes incomensuráveis que ultrapassam as fronteiras do ambiente pelo homem conhecido.
Elevando o nosso pensamento a Jesus, nosso Mestre, nosso Guia, avancemos uns passos a mais para devassarmos horizontes mais amplos; descerremos as cortinas fluídicas, como se num majestoso palco de cintilações reverberantes, aguardássemos o mais deslumbrante concerto, em que soubéssemos de antemão fossem os executores os mais portentosos talentos.
O brilho indescritível das luzes e suas resplandecências cambiantes ofuscam-nos a visão, ainda tão tímida diante dos esplendores celestes. Um sussurrar de sons harmoniosos toca os nossos sentidos e num crescendo magistral se difunde em vibrações que tomam colorido encantador.
Já não são somente luzes e sons, mas alguma coisa a mais deve acontecer. Da harmonia de um conjunto que não percebemos, delineia-se algo que não compreendemos. Estaremos sonhando com o reino encantado ou nossa imaginação se desenvolveu além de suas possibilidades? É fantasioso demais para admitirmos como realidade, mas esta parece ser incontestável.
Não; não é sonho nem desvario de nossa imaginação. É real e muito real o que presenciamos: as radiações luminosas num revoluteio em que desenham as mais variadas formas, harmonizando-se com as vibrações sonoras, vão formando imagens, semblantes de uma beleza e suavidade jamais imaginadas por qualquer mortal.
Essas figuras airosas vibrando e cantando coros angelicais, despendem em seu magnificente cantar, chispas luminescentes, que chegam até nós em vibrações de amor. Contagiamo-nos com a maravilha e excelsitude do espetáculo e nos unimos sem o saber àquelas entidades divinas e esplendorosamente belas. O idílio do nosso amor transcendental nos extasia a alma e sentimos que nos aproximamos da Perfeição.
Mergulhamos num mundo diferente e indescritível, onde as dimensões são outras e onde o amor vibra em cada ser. Tomamos conhecimento do divino, do celestial e já não nos sentimos mais como criatura ainda em ascensão.
Entretanto o espetáculo para nós chega ao fim e com o desencanto do espectador insaciável, voltamos às nossas moradias costumeiras, onde o trabalho nos espera. Voltamos a ser o que somos, mas com a esperança de um dia também fazermos parte definitivamente daquela falange angelical.
Dante Alighiere
25.11.1977
12 - O Sermão da Montanha
A figura radiosa do Mestre se faz presente: dominante, altaneira, mas ao mesmo tempo humilde e misericordiosa. Lá embaixo a multidão se atropela, no anseio de conseguir cada qual o melhor lugar. O sussurro das últimas vozes se faz ouvir para dar lugar imediato a um silêncio de intensa expectativa em todas as almas, que esperam algo de maravilhoso, como sempre acontece onde o Mestre está.
Eis que Jesus começa a falar; sua voz divina ressoa como as vibrações de sua própria figura: maravilhosa, enternecedora e ao mesmo tempo majestosa e extraordinariamente poderosa:
— Bem-aventurados todos os que fazem a vontade do Pai, cumprindo com amor e misericórdia os mandamentos de sua Lei;
— Bem-aventurados os que têm puro o coração para poderem conservar a mansidão e a confiança no Poder Supremo;
— Bem-aventurados os que sentem necessidade e obrigação de serem justos como o Pai o é, dando a todos a oportunidade de redimirem os seus pecados;
— Bem-aventurados todos os que sofrem de qualquer forma, pois pelo sofrimento encontrarão a Deus;
— Vós, meus discípulos, que fizerdes a vontade do Pai, levando o amor e o perdão entre as criaturas, sereis consolados em todas as vossas dificuldades, pois vós sois o sal da Terra; sal este com que temperareis as amarguras, com vosso conhecimento e com o bálsamo da vossa compreensão, amenizando as aflições e doando na medida exata o exato remédio para cada dor.
— Percorrereis montanhas e vales, saciareis a sede e aplacareis a fome dos famintos com a água e o pão espirituais, vindos de Deus por vosso intermédio; e a Terra será um manancial de bênçãos e um paraíso de paz.
E Jesus, descendo do monte, exemplificou as mais belas lições de amor. Muitas curas, tanto de ordem física como espiritual, foram efetuadas na presença de todos. Dessas lições, bebemos até os nossos dias a mais Suprema Sabedoria, quando em silêncio, no nosso mais puro e sagrado recolhimento, oramos ao Pai relembrando as sublimes passagens evangélicas.
Sentimos que somos, neste momento de paz, mais um dos tantos agraciados por Jesus, encontrando no íntimo do nosso espírito a centelha divina que nos dá a força necessária para caminhar pelos vales e montanhas dos anseios desta humanidade, que continua ainda a pertencer a Jesus.
26.11.1977
13 - A verdadeira ajuda ao próximo
Pelas ruas de Jerusalém, eu ia um dia trôpego e cansado, sem arrimo, sem destino. A dor da solidão me agoniava o coração cansado de sofrer. Ia assim, ao Deus dará, sem nenhum objetivo maior a me impulsionar. Atravessava indiferente a massa humana que se aglomerava turbulenta, sem eu saber por quê. Mas o barulho era mesmo desusado e até eu pus-me a olhar com certa curiosidade para ver no que ia dar aquela confusão. Estaquei pasmado ao ver diante dos meus olhos cansados um quadro nada comum e, ainda mais, cruel.
Um pobre infeliz, não mais podendo se suster em pé, carregava cruz imensa, pesada demais para seus delicados ombros, sob o delírio apaixonado de uma multidão até então desconhecida para mim. Por mais cansado e desanimado estivesse, eu nada sofria em face daquele desvario. Meditei tristemente sobre a ignomínia dos homens, tão rudes, tão perversos em suas intenções. Indaguei a razão do acontecimento, mas ninguém conseguia me explicar nada.
Levado por uma comoção até aí desconhecida para mim, dirigi-me àquele homem que mais parecia um farrapo humano, tão espezinhado, tão sofrido. Sem que Ele pudesse mesmo me impedir, com os restos das forças que me sobravam, ajudei-o em seu rude mister. Erguendo a cabeça com a dificuldade de um moribundo, olhou-me bem nos olhos e me penetrou até o fundo do ser. Compreendi num segundo, sem palavras, o que queria me dizer. Segui com Ele adiante até onde me permitiram e saí agradecendo a ocasião daquele encontro que eu acabava de compreender.
Jesus, sim, era Ele, o meigo e humilde nazareno de quem tanto falavam. Só podia ser Ele, com aquele olhar tão puro e tão bondoso. Rejubilei-me em meu íntimo por tê-lo ajudado sem o saber. Agradeci a Deus a dádiva que acabava de receber, pois, embora não podendo mudar as profecias, sabia que tudo estava entregue nas mãos do Pai.
Lamentei, é claro, a maldade e ignorância dos homens e também orei por eles. Tudo aconteceu; tinha de acontecer. Sofri amargamente a perda daquele amigo de última hora. Passaram-se os tempos. A vida continuou. Ainda voltei ao cenário humano várias vezes, mas já aí com a compreensão daquele olhar, que jamais se separou de mim.
Hoje, por acréscimo de Sua misericórdia, volto a falar com meus irmãos, enviando as bênçãos amorosas do meu coração a todos os que souberem compreender o calor do meu afeto. Com Jesus a nos olhar e a nos sorrir, deixo aqui a lembrança de um humilde filho de Deus, que soube acima de tudo amar.
Simão, o Cireneu
27.11.1977
14 - “No mundo nada se perde, tudo se transforma”
Maravilhosa máxima que encerra tão profunda verdade. A vida em seus diferentes aspectos revela um constante evolucionar. Quer no reino mineral, vegetal ou animal, constatamos, mesmo com os parcos recursos do espírito encarnado, uma transmutação frequente e equilibrada nas formas, dimensões, coloridos e tudo mais que nossa capacidade possa perceber e sentir.
Este é um tema infinito, em que poderíamos nos concentrar por muito tempo, extasiando-nos com as descobertas de nossa meditação. Ao espírito pesquisador, inquiridor, é sempre dada a oportunidade de, pelo esforço constante, debruçado sobre os enigmas que a natureza encerra, achar a resposta que mais lhe convenha no momento. Assim, nem sempre podemos abraçar toda a Verdade, mas pelo menos podemos chegar bem próximo dela.
Lavoisier, por exemplo, quando disse a famosa máxima, jamais podia avaliar que estivesse tão próximo da Suprema Verdade, pois que as experiências que fazia eram mais no restrito campo da Química. Chegou ele a uma conclusão muito acertada, mas não pôde na época abarcar a grandiosidade da descoberta a que havia chegado. Muitos estudiosos precisaram dar outros passos para que hoje chegássemos à convicção desta Lei.
No campo das experiências pessoais, outras tantas pesquisas faremos e descobertas também, sempre à custa de muito labor e muito sofrer. Alcançaremos a Verdade paulatinamente na medida em que nossas forças e convicções forem se ampliando. O exercício em todas as atividades, quer físicas, quer mentais e espirituais, é sempre a mola propulsora de nossa evolução e, bem assim, transformação. Pudéssemos “queimar” todos os nossos defeitos, todos os nossos vícios de séculos, arraigados em nosso perispírito, com a chama ardente do amor no coração.
Que de maravilhas! Que de eflúvios benéficos e mesmo santificantes envolveriam nossa alma cansada de sofrer! Que transformação maravilhosa, meu Deus, podermos nós mesmos constatar que onde havia ódio e revolta apenas há as cinzas de uma recordação fugaz. Tudo evoluiu, tudo se desfez e uma nova criatura apareceu no cenário de Deus: uma alma liberta do jugo da matéria, uma alma pura e livre para o voo ascensional.
Não podemos ainda voar tão alto, nem somos donos de toda a Sabedoria, mas de uma coisa estamos convictos: Deus, supremo Bem de toda a Criação, nos propicia os meios de atingirmos os píncaros mais elevados na escala do Saber, mas somos nós os absolutos responsáveis por nosso destino. Só com muito zelo, muita dedicação e muita coragem, lograremos chegar com a consciência tranquila à libertação de nós mesmos. Somos conhecedores desta assertiva – “que tudo se transforma”. Procuremos então nos aprimorar cada vez mais em todas as nossas atitudes.
Jean-Jacques Rousseau
28.11.1977
15 - Os milagres de Jesus
Pelas cidades, pelas aldeias, pelas estradas poeirentas, por todo lugar onde andasse, Jesus deixava sempre o rastro luminoso de sua passagem. Semeando o amor e o perdão, abençoava a todos – pobres, ricos, sábios e ignorantes – oferecendo-lhes consolo e esperança para uma vida melhor, a qual, frisava Ele, não era deste mundo.
Muitas e muitas curas, tidas ainda por muitos como milagres, foram feitas à luz do dia e diante de todos os espectadores de diferentes níveis, não só quanto à posição social que ocupavam, mas também de diferentes graus de evolução e, portanto, com diferentes possibilidades de compreensão e captação dos fenômenos.
No milagre dos pães e dos peixes, houve quem interpretasse com engano e até com deturpação do fato. Não querendo desiludir a quem os lê, diremos, e com a autoridade do Mestre que nos ilumina, que as almas de tal modo se enterneciam ao ouvir a palavra de Jesus, alimentando-se e satisfazendo-se de tal forma espiritualmente, que as poucas reservas do alimento material puderam saciar suficientemente as necessidades fisiológicas de tantos e tantos que O ouviam.
Dirão muitos: mas onde está o milagre? Responderemos, à luz da Verdade, que os milagres estão principalmente nas crendices populares, que não sabem explicar de outra forma fatos que lhes fogem à compreensão. Mesmo os acontecimentos mais surpreendentes na missão de Jesus sobre a Terra hoje podem ser facilmente explicados à luz da Ciência Espírita.
Se para muitos doutores da Lei ainda continuam a ser inexplicáveis tais fenômenos, recomendamos-lhes, com a humildade e dignidade que nos confere a obra realmente cristã, que atentem um pouco mais, procurando no silêncio da prece a ligação com as legiões celestiais, que por certo os orientarão de maneira muito satisfatória, dirigindo seu raciocínio para uma lógica incontestável.
Tanto é verdade o que afirmamos que o próprio Mestre não se reservou somente a Si a capacidade para tais realizações, admitindo essa possibilidade a todos os discípulos que se imbuíssem da fé nos poderes de Deus. Todo aquele que em franca comunhão com Jesus e as suas divinas hostes se propuser a trabalhar com amor, o mais sublime e santo amor, receberão do Pai a luz do conhecimento para dirigir com suprema autoridade as correntes de fluidos vitais para a recuperação do equilíbrio, tanto físico como espiritual.
Deus e o Universo se unem numa só força de amor, quando as criaturas também se amam. Muitos “milagres” continuarão a ser feitos à luz da doutrina espírita, que está incumbida de abrir os olhos espirituais dos que, por comodismo, descansam sobre uma tradição que a nada explica, porque não se dão ao trabalho de um intercâmbio íntimo, sincero e amoroso com o Pai de todos nós.
Livres dos preconceitos religiosos, unidos na Fé, na Esperança e na Caridade por um mundo melhor, vamos erguer o nosso pensamento a Jesus, que nos guiará a gloriosos destinos, pois somos todos seus irmãos, se praticamos seus sublimes ensinamentos.
29.11.1977
16 - Mensagem patriótica
Senhor, aqui estamos para vos render graças por tudo o que temos recebido através da bondade e paciência dos irmãos que nos assistem. Aproveitando o dia que se resplendeu de glórias à Vossa Majestade Suprema, também nós vimos aqui para, por intermédio desta mensagem, agradecer todo o Bem que continuamos a receber, quanto à imensa proteção deste povo, que não chega mais a ser brasileiro, mas a síntese e a representação de todas as raças.
Pudessem todos sentir, pelo menos, já que enxergar seria pedir demais, toda a apoteose de fluidos balsamizados que sobre muitos de nossos irmãos desceram hoje dos céus como resposta à fervorosa prece que os puseram em comunicação mais íntima com o Poder Supremo.
As luzes celestiais que se acenderam nos céus deste Brasil imenso nos enchem de uma emoção tão profunda, que nos enleva aos píncaros da bem-aventurança. Não mais levados pelos ideais políticos de um amor patriótico que nos fazia ferver o sangue, nossa alma agora exulta com um amor tão universal que nos extasia e nos faz poder transmitir esta humilde mensagem, que é um pálido reflexo do que sentimos.
Se o amor pela Pátria já é um misto de ternura e paixão, calculem o que será o amor divino, que, em dilatando as fronteiras da Pátria, nos faz sentir todos como irmãos. Irmãos nas lutas, irmãos nas glórias, irmãos no ideal único – o do amor de Deus a nos unir na Terra.
Célula mater da sociedade, a família bendita que, só pelos desígnios que desempenha, é por si só abençoada; quanto não será quando cada membro que a compõe cumprir os deveres sagrados que a cada um compete viver perante a grande e sagrada Lei.
Enaltecemos de forma esplendorosa o amor familiar, pois sabemos ser este o fulcro luminoso sobre o qual se assentarão os alicerces inabaláveis de uma sociedade e de um povo inteiro, cuja missão reconhecemos, será a sublime missão de dar guarida a tantos e tantos expatriados.
Amor, bendito amor, que une a todo este povo, a cujos dirigentes cabe a grande responsabilidade de o tornar cada vez mais forte e poderoso; um poder diferente dos demais, porque alicerçado na compreensão e união dos ideais cristãos.
Povo de minha terra, bravos filhos de heróis; heróis que marcharam destemidos no campo da luta sanguinolenta; ouvi a conclamação de nossos ideais, agora mais depurados e por isso mesmo mais dignificantes; ouvi a voz que do alto dos céus infinitos desce até vós para vos dizer da grandeza do poder de uma gigantesca mão invisível que dirige os caminhos desta Nação.
Não é mais o ardor da luta e da vitória pela conquista de terras e direitos políticos, mas a Fé convicta em bens muito mais elevados em face da perfeita Harmonia, que deve reger as nações para que elas possam bem desempenhar o maravilho Concerto da Sinfonia dos Mundos Infinitos.
30.11.1977
17 - A chegada de Jesus a Jerusalém
Judas IscariotesO Mestre chega para sua glória. As ruas estão apinhadas de curiosos. Muito já se tem ouvido a respeito do humilde Galileu, e o povo, como sempre, é ávido de novas sensações. Dentre a multidão heterogênea, há muitos devotos do Divino Mestre e é com a mais sincera alegria que recebem aquela alma nobre descida dos céus para iluminação dos homens.
Lá vem a magnânima figura envolta em radiosa luz, ofuscando a singeleza do quadro que se apresenta diante de todos. Sem nenhum maior aparato que a humildade de um burrico lhe pudesse oferecer, vem Ele sob o aplauso da multidão delirante. A alegria se contagia entre as pessoas e tem-se a impressão de que uma legião de anjos acompanha o divino séquito.
Comemorando o apogeu da repercussão espiritual Daquele fazedor de milagres, queriam seus adeptos lhe render as homenagens devidas ao entrar na régia Jerusalém. Ali, por certo, culminariam seus milagres; os próprios magnatas e sacerdotes do Templo seguramente se inclinariam diante da evidência dos fatos.
Os prognósticos todos se confirmavam naquele momento de sua entrada triunfal na lendária capital. Diante de tanto entusiasmo, só Ele, no entanto, conhecia bem o que ia no fundo de cada alma e, já de antemão gozando as delícias de sua verdadeira entrada triunfal no Reino do Pai, confiava em Sua bondade infinita, prontificando-se para os desígnios que O esperavam.
Foi, sem dúvida, um domingo memorável aquele em que o povo saudava com ramos de oliveira o Mestre dos Mestres. Quanto engano para nós, porém, que acreditávamos ainda na supremacia do homem. Sofremos e muito as tantas desilusões que se desencadearam nos dias subsequentes. Nosso espírito, ainda escravizado ao jugo da carne, mal podia acreditar nas ocorrências que nossos próprios olhos viam.
Oh! Jesus! Quanto sofremos ao te ver sofrer, sem nada termos podido Te oferecer. Naquela época não compreendíamos ainda a bondade de Deus em ver um Filho Seu ser tão ultrajado. Em nossa ignorância chegamos até a nos rebelar contra a Suprema Justiça, que entregava assim um Filho, tão justo e tão Misericordioso à insânia dos homens.
Só hoje, decorridos tantos séculos, vimos através desta mensagem, revalidar a Sábia Lei de Deus, que em muito se difere da do homem. Pudéssemos transmitir com toda fidelidade o que nos vai na alma e que nos faz exortar-vos quanto às maravilhas que nos esperam, quando bem cumprimos os desideratos do Pai.
Os sofrimentos na carne nada são em face do gozo espiritual que inebria as almas devotas. E isso já o sentiu o Mestre, ainda quando preso aos liames do corpo físico. Sua glória na Terra, tão efêmera, teve, porém, sua eternidade nos céus.
Judas Iscariotes, o apóstolo
1.12.1977
18 - Cuidemos do que já conquistamos
Padre Francisco de Paula Victor
O Senhor vos abençoe, meus filhos. É grande a nossa alegria de compartilhar convosco destas reuniões, que só por si já falam bem alto do padrão vibratório que as envolve. Não fosse por vossos acanhados sentidos humanos, que tolhem em grande parte a expansão de nossas ideias, poderíeis constatar a efusão das radiosidades que aqui se fazem, quando em nome de Jesus, nos consagramos para finalidades tão nobres, quais sejam a de difundir o Bem e a Verdade, sob a forma auspiciosa que estas mensagens nos têm proporcionado.
Sabemos ser a vida na carne bastante difícil, mesmo para espíritos já dotados de certa compreensão. Também tivemos a nossa vivência terrestre e sabemos quão diferentes se tornam nossas atitudes, uma vez vestindo o invólucro carnal. É como se pesada armadura metálica impedisse nossos movimentos para uma vida mais livre e mais ampla.
Quantas vezes voltamos à verdadeira vida tão desiludidos quanto às nossas pretensas realizações! É que o convívio com a humanidade terrena é mesmo desconsolador e por mais dignificantes que sejam os nossos propósitos antes de reencarnarmos, nem sempre logramos o êxito sonhado.
Precisamos mesmo de muita vigília, de muita oração e de muita força de vontade para fazer valer nossos propósitos de sair vitoriosos com Jesus. É aí, meus filhos, que devemos concentrar toda a nossa atenção, todo o nosso interesse, todo o nosso entusiasmo para a luta, que deve ser sempre de paz, de amor fraterno acima de toda e qualquer situação.
Só o Bem, a Harmonia, a Sinceridade de propósitos levarão avante o estandarte que há de ser desfraldado em nome de Jesus sobre as imensas plagas deste torrão abençoado pelo Pai, para a concretização dos mais puros e santos ideais: união, compreensão, amor, trabalho para o êxito final de uma obra que não tem privilegiados, pois a todos pertence, dada a significação de Suprema Fraternidade, em nome do mais Iluminado e Sublime Pastor que a pastoreia.
Padre Victor
2.12.1977
19 - Diante das tribulações da vida
Na hora atribulada de nossas aflições, ergamos o nosso pensamento a Jesus e, no silêncio de nossas preces mais íntimas, Ele nos dará a resposta a nossos anseios. Jesus é a luz que nos guia, o regaço amoroso em que poderemos descansar a alma vacilante e cansada de sofrer. Jesus é o irmão maior que nos aconselha, mostrando com sua Sabedoria Divina o melhor caminho a percorrer.
Por certo, Ele não nos mostrará as estradas adornadas pelos aparatos humanos, nem as vias de fácil acesso aos prazeres fúteis. Seu exemplo mesmo em vida entre os homens foi sempre de completa abnegação e renúncia aos bens que satisfazem e inebriam a maioria dos homens. Sua estrada foi sempre cheia dos mais dilacerantes espinhos, aqueles que, por serem invisíveis, ferem mais traiçoeiramente e com mais crueldade. Sua alma tão sensível, tão delicada, tão etérea sofreu, por certo, na mais angustiosa dor, a incompreensão e a covardia até de seus próprios amigos.
Relegado ao mais atroz sofrimento pela indiferença dos homens que tanto amava, teve também momentos dolorosos de sofrimento moral. Já na cruz, símbolo de toda a concretização de seu martírio, rogou ao Pai forças para suportar tamanha dor. Forças não lhe faltaram para poder ainda abençoar seus algozes. No auge de sua dor, erguendo os olhos ao Pai, suplicou perdão pelos que não O tinham compreendido. E gloriosamente entregou seu espírito ao Pai.
Meditemos longamente sobre a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurando analisar com o coração o maravilhoso significado do decorrer da Via Crucis para poder compreender também o significado de nossa vida, que, a exemplo da do Mestre, não deverá ser isenta de dores e ingratidões, mas que, por outro lado, será suprida, se sofrida e vivida com amor, com os mais altos e dignificantes valores espirituais que Deus, em sua infinita bondade, oferece a todos os filhos que são realmente devotos da Grande Causa.
O amor ao próximo tão pregado por Jesus deve ser o apanágio das almas que se entregam conscientemente ao trabalho redentor da humanidade; humanidade esta tão necessitada, tão afastada dos caminhos estreitos que nos levam ao Pai.
3.12.1977
20 - A finalidade destas mensagens
O fim destas mensagens é levar aos que as leem um pouco de paz, que não é difícil conseguir pela concentração e meditação sobre as mesmas. A alma humana, presa sempre aos afazeres cotidianos, raramente se dedica a assuntos de maior importância para o espírito.
Com palavras simples e numa linguagem bastante compreensiva, vamos levando amor aos corações e um pouco de esclarecimento quanto às verdades eternas, de maneira gradativa, de modo a não perturbar as mentes ainda pouco equilibradas.
A dosagem de tudo o que se tem escrito é feita pelos mais capacitados espíritos, conhecedores a fundo das almas ainda encarnadas. Tudo o que se disse até hoje acerca dos mais variados assuntos é de legítimo endosso da parte dos espíritos incumbidos desse trabalho e não há motivo de qualquer dúvida.
O que deve sempre ser levado em conta e com muito respeito é o fundo filosófico de todas as mensagens. Estamos ainda muito no começo e o importante é a captação da ideia. Conforme preveníramos, muitas mensagens têm sido assinadas, não tanto para fazer valer a personalidade do autor, que na verdade não tem esse interesse, mas tão só para um treinamento mais apurado quanto às futuras verdades a serem transmitidas.
Como todos hão de convir, o trabalho é moroso e requer muita precaução. Estamos confiantes no êxito cada vez maior deste intercâmbio, pois tudo o que aqui se faz é com a permissão de Jesus, que por nós sempre tem velado. Por mais dificuldades encontreis em vosso caminho, estai certos de que o nosso amparo será constante. Temos responsabilidade do grande encargo que assumimos e jamais deixaremos a obra pela metade.
Jesus nos espera e continuaremos confiantes em Sua bondade, que outorga a todos o Bem que merecem.
4.12.1977
21 - Jesus volta a ter com os apóstolos
Passada a tormenta dos corações, a paz volta a reinar, trazendo à mente de cada um as maravilhosas recordações dos dias felizes. No gozo íntimo de cada coração, o espírito sempre alça voo ao infinito e assim é que Jesus retornou à convivência daqueles pobres homens.
Sanando as feridas mais dolorosas que sua tão triste passagem para o outro plano da vida havia deixado na alma de tantos quantos O amavam sinceramente, voltou Jesus a passear com seus discípulos e de uma forma tão significativa à sensibilidade dos mais simples e por isso mesmo para muitos o Mestre nem parecia ter morrido.
Dias venturosos voltaram a viver todos os que em sua devoção mais sagrada tinham a Jesus como seu Guia e Pastor. Muitas lições foram completadas à luz da Suprema Verdade para que os apóstolos pudessem receber do Mestre o laudo espiritual para o exercício de suas futuras atividades no convívio com os irmãos necessitados.
Muita exortação receberam eles naqueles derradeiros dias de ensinamentos, ainda sob o olhar complacente e encorajador Daquele que tanto os amava. O testemunho que deveriam dar um dia por amor a Deus não tardaria chegar; sentiam no íntimo a responsabilidade que os aguardava e usufruíam com muita veneração do aconchego benéfico do Sagrado Coração.
O Mestre teria de subir ao Pai para dar conta de seu apostolado, mas deixava na Terra homens cônscios dos deveres a cumprir, testemunhando até o fim, à custa mesmo de pesados sacrifícios, a presença de Deus sobre os homens de boa vontade.
Sabiam não estarem abandonados, mas fortemente amparados pela mão divina. Os sofrimentos, a vivência penosa que levava às mais duras provações na carne e no espírito, fortaleceram mais ainda a fé daquelas criaturas cujo caminho estava marcado pelo Pai.
Trazendo já em si o germe divino do amor, foram almas devotadas a espalhar a felicidade, o consolo, a esperança por onde passavam. Seus rastros luminosos de espíritos benfazejos disseminaram, pelos longínquos lugares por onde pregaram os preceitos cristãos, os raios vivificantes do conhecimento superior entre as criaturas mais humildes da Terra.
O Verbo de Deus fluía fácil de sua boca, sempre pronta a abençoar e a ensinar, como lhes instruíra o Mestre. Foram dias venturosos para aqueles espíritos ligados sempre aos céus pelos vínculos do amor puro e sincero. Partiram eles também um dia deixando, como Jesus, outros tantos esclarecidos para a tarefa redentora da humanidade, que para o Pai continua a marchar.
E assim, a obra cristã, tão bem exemplificada por Jesus Cristo, continua, mesmo através das tantas aparentes dificuldades e sofrimentos, a lograr o êxito por Ele esperado desde quando se prontificou perante o Pai a encaminhar todo o rebanho sem a falta de nenhuma ovelha.
“Glória a Deus nas alturas, paz na Terra aos homens de boa vontade”.
5.12.1977
22 - Não vacilemos
Mais uma vez voltamos à tua companhia para te dizer do amor que nos enche a alma quando nos devotamos às coisas sagradas. Quanto Bem já temos recebido e não é justo duvidarmos da proteção do Divino Mestre.
As dificuldades dos outros serão também sentidas por ti, que ainda está sujeita a vacilações, mas considerando todo o bem que ficou para trás, vamos afirmar nossos propósitos de cumprirmos com muita dignidade o que compete em primeiro lugar a nós e não aos outros.
A vida impõe uma série de acontecimentos que são naturais, dada a imperfeição do homem, mas de acordo com nossa consciência, que nos diz onde está a verdade, vamos de cabeça erguida, prosseguir neste caminho ditoso, em que, apesar das pedras, encontramos a luz de Jesus a nos iluminar.
Não te preocupes mais do que o necessário para salvaguardares a ordem e o equilíbrio de tuas emoções.
Jesus a tudo dirige e a todos dará sua mão no momento oportuno.
A paz do Mestre esteja com todos.
Joaquim Macedo Mattos
6.12.1977
23 - Desfazendo as dúvidas
Será hoje o começo de uma nova série de mensagens em que abordaremos alguns assuntos espíritas cuja interpretação se acha, às vezes, conturbada pelo pouco conhecimento que os homens têm tido desde a revelação codificada por Allan Kardec.
Levados mais pelas práticas, muitas vezes até perigosas, caem os homens em armadilhas das quais só com muito esforço conseguem se desvencilhar. Não pela má-fé, mas quase sempre por simples curiosidade ou também pela orientação insipiente dos que pensam já dominar com segurança os fenômenos; muitos passam da fé cega para uma completa descrença.
O fanatismo de pessoas mal capacitadas para um mister tão delicado expõe-nas com frequência ao ridículo e, o que é pior, serve somente para desencadear uma série de acontecimentos nefastos, não por falta de orientação da Doutrina, mas pela incúria e negligência de alguns. Infelizmente isso continua a acontecer.
Mais como lembretes e recomendações do que propriamente ensinamentos novos, discorreremos de maneira simplificada sobre certos trechos que consideramos de muita importância para o desempenho da sublime missão que nos cabe como seguidores de Jesus.
7.12.1977
24 - A água como elemento curador
Não é preciso falar sobre os efeitos que a água pura, simples e isenta de qualquer contaminação tem sobre o organismo, não só humano como animal e vegetal. A simples intuição nos ensina a cura de muitos males pela água, como veículo principal e natural de tantos outros elementos indispensáveis ao funcionamento equilibrado das funções vitais.
Quando ingerimos um simples chá, estamos nos medicando através do conhecimento milenar de que as substâncias contidas nos vegetais poderão favorecer e equilibrar nosso organismo. Através dos tempos esse conhecimento evoluiu e continuamos hoje a recuperar nossa saúde por meio dos mais variados elementos, que têm sempre a água como principal veículo, uma vez que ela própria faz parte obrigatória de nossa constituição física.
Se o homem simplesmente dotado já entende essas verdades, descortinando um pouco o véu que o separa do mundo que ele ainda não vê e não percebe, queremos, pelo menos para os que já sentem algo superior que os rodeia, dirigir nossas palavras alusivas à espetacular terapêutica da água, quando é ela imantada magneticamente por forças extraordinárias existentes naturalmente num mundo invisível para eles e veiculadas por sua vez pelos fluidos cósmicos.
Quando dotado da compreensão superior que o ilumina, o homem pode também, por efeito vibratório e seus pensamentos, canalizar esses fluidos saturados de energias radiantes, imantando as moléculas do líquido por si tão precioso. Assim é que, sob o influxo de nossas próprias vibrações positivas para o nosso ou alheio bem, conseguimos com a graça de Deus, pois Deus nos dá tudo de graça, os mais eficazes medicamentos para as mais variadas finalidades.
8.12.1977
25 - A cura de males
Não é prerrogativa da doutrina espírita o tratamento baseado em energias. Se através da história das civilizações fizermos um estudo mais aprofundado sobre os costumes e religiões dos diferentes povos, veremos que em todos eles havia um ritual, embora diferindo na aparência, mas trazendo em si a essência de um conhecimento intuitivo sobre o uso de poderes psíquicos com aproveitamento de forças naturais que sempre nos cercaram.
Mesmo entre povos de escasso desenvolvimento material e com aparência de pouca evolução, constatamos a presença marcante de uma crença superior nos poderes extrafísicos. E a experiência, que é a melhor conselheira, sempre demonstrou a eficácia dos métodos ainda alheios à ciência convencional.
Sabemos não podermos impor de uma hora para outra princípios que reconhecemos verdadeiros a um mundo em que a maioria ainda se debate com exclusivismo na subsistência material, relegando o que deveria merecer melhor apreço. Vimos, tão somente à luz da doutrina espírita que aos poucos se espalha como verdade patente, revalidar esses conhecimentos inatos no homem, reforçados através de suas vivências e experiências. Aceitas pelos que já trazem em si a centelha do conhecimento superior, essas práticas vão dia a dia se impondo por si mesmas.
Da mesma forma que a água se impregna de fluidos salutares e energéticos, assim também o homem bem-dotado é capaz de canalizar por seu intermédio as forças naturais de que o paciente necessita. Como se fora ele um acumulador de energias, pode no momento preciso fazer vibrar esse potencial, haurindo da própria natureza. Para quem conhece a constituição humana, em que a matéria das mais variadas espécies se agrupa e se harmoniza na estrutura íntima dos tecidos celulares, não será inadmissível aceitar essa explicação, que, por rudimentar que seja, poderá ser desenvolvida se aliada aos conhecimentos científicos já dominados por alguns.
Ao impor as mãos sobre a cabeça do paciente, está o passista descarregando de si o acúmulo de forças cósmicas que armazenou, natural ou conscientemente, e que ao influxo de sua vontade se canalizam em direção às faculdades superiores, que justamente se encontram na parte mais alta do ser e daí são distribuídas por um sistema de constante difusão para os demais centros responsáveis pelo equilíbrio e saúde de todo o organismo.
Se considerarmos os passes magnéticos desse modo lógico, ainda que invisível aos olhos humanos, teremos redobrada a eficiência dos mesmos na cura dos mais diferentes males físicos, que outra coisa não são do que a carência, desequilíbrio ou mesmo acúmulo indevidos de forças que devem ser entendidas para serem controladas.
Quando o homem conhecer melhor a si mesmo, será ele próprio o seu mestre e condutor. Muitos problemas, muitas doenças deixarão de existir, quando o homem conhecer a sua divina essência.
9.12.1977
26 - O batismo perante o espiritismo
Apesar de não ter Allan Kardec nada falado diretamente sobre o batismo em sua tão louvável codificação dos ensinamentos dados pelos espíritos na época em que foi feita, vimos hoje, sob a mesma luz que o guiou, tecer breve comentário digno de atenção por muitos que ainda se acham em dúvida quanto à necessidade ou não do batismo para as almas entregues à tutela de pais seguidores desta doutrina.
Já em mensagem anterior (ver mensagem 37 do capítulo 2), tivemos a oportunidade de discorrer sobre o significado do batismo para os que enxergam um pouco a mais do que o comum. Confirmando tudo o que já foi dito a respeito, e incluindo aquela mensagem a esta sequência, queremos tão somente lembrar aos que se consagram a uma vida plenamente proveitosa quanto a sua verdadeira finalidade que, por ser o batismo uma higiene espiritual de alto significado, nunca será demais a sua adoção quando conscientemente e com elevada compreensão o praticarmos.
O importante, porém, é perseverarmos em constante vigília para que detritos astrais altamente perniciosos, frequentes ainda no mundo heterogêneo em que vivemos, não venham perturbar e arrefecer o desenvolvimento, tanto físico como espiritual de criaturas incumbidas atualmente de grande responsabilidade para o exercício de um apostolado, muitas vezes abeirando-se do sagrado magistério de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Aos pais, àqueles que já têm compreensão e que por isso mesmo são ainda mais responsáveis, é que principalmente nos dirigimos, alertando-os para um fiel cumprimento de suas maiores obrigações. O zelo constante nesse sentido favorecerá em grande parte a tarefa dos obreiros do Senhor.
10.12.1977
27 - O leito de morte – extrema-unção
Se já temos conhecimento suficiente quanto à eternidade da vida, conhecimento racional e não uma simples fé, vamos fazer valer nossos propósitos em favor desta mesma vida que, em momento tão sagrado como a morte, mudará apenas quanto a determinados requisitos exigidos pela encarnação.
Depois de uma vivência bem aproveitada, quer tenha sido ela breve ou longa, o homem espiritualizado deve esperar esse transe com a alegria de quem, tendo encerrado um renhido e dificultoso curso, se prepara para a festa de colação de grau.
Com a esperança de um futuro que há de ser, por certo, bem melhor, dadas as condições de aprimoramento por que passou, o discípulo que encerra seu curso na vida carnal deve garbosamente erguer os olhos aos céus, com a certeza de um dever bem cumprido e que, por certo, será coroado do êxito e das recompensas naturais.
Muito embora possa parecer, aos que o rodeiam, estar dilacerado por dores atrozes de uma agonia interminável, aos olhos, porém, daqueles que já ultrapassam os véus grosseiros da matéria, descortina-se o mais sublime espetáculo, em que o espírito, já quase liberto, em seus momentos comatosos, reencontra-se com amigos e parentes, num plano em que o amor é mais amor, a alegria mais esfuziante e o entusiasmo mais contagiante, porque sinceros e livres de quaisquer simulacros.
A prece pura, sincera, altruísta, amorosa será sempre nesses momentos dolorosos, deveras para quem ainda não colou grau, o lenitivo e o consolo do que espera por hora tão significativa para os conhecedores de assuntos tão nobres. A prece feita com o sentido de favorecer o desprendimento do espírito e nunca de retê-lo preso aos grilhões da carne e das convenções sociais será o remédio mais eficaz se quisermos realmente ser úteis.
Conhecessem todos os segredos que rodeiam um moribundo e a morte não seria mais o fantasma tenebroso, mas o anjo anunciador das grandes novas.
A extrema-unção oferecida com esta convicção, revestida dos elevados sentimentos que iluminam os espíritos, será o sacramento divino que completará o ciclo evolutivo de mais uma alma, que, em tendo terminado suas obrigações, encaminha-se para a glória do Senhor.
Aleluia, aleluia!
11.12.1977
28 - Olhai os lírios do campo...
... não trabalham nem fiam. E eu vos digo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. (Jesus; Mateus 6:28-29)
Quanto ensinamento nessa parábola tão simples, tão inteligível, mesmo para os mais enredados nas coisas do mundo. Até para estes se torna patente o exemplo da simplicidade e naturalidade. A simples lembrança dessas flores tão angelicais nos dá a convicção de que tudo que é simples e puro é agradável a Deus.
E a natureza, o sabemos, é pródiga em exemplos de beleza e sobriedade. Considerando as coisas pela sua simples aparência, constatamos a veracidade das palavras do Mestre. Se nos aprofundarmos um pouco mais quanto ao significado que devemos buscar nessas palavras, veremos que também em relação àquilo que comumente não se vê, elas também explicam muita coisa.
As almas bem-dotadas são geralmente as que menos se ostentam. Encerram em si próprias a beleza e a candura com que Deus as ornou. Se procuradas, são pródigas em seu amor, mas jamais se vangloriam do que possam oferecer. O que são capazes de doar através de sua própria irradiação é ofertado com o calor de seu coração, cujas chamas radiosas só são percebidas pelos que sabem amar também.
No intercâmbio social a que as criaturas estão sujeitas, é comum para nós presenciarmos esse espetáculo, que tanto mais se torna belo quanto mais ignoram as criaturas a sua grande potencialidade em difundir o amor. Luzes em profusão podem clarear as mais tenebrosas trevas quando a luz de Jesus ilumina essas almas amorosas.
Sentimos alegria imensa ao constatar que muitos de nossos filhos trazem esse amor no coração. Jesus, o Mestre amado, se faz presente sempre que haja amor sincero, puro e natural.
Como aos lírios do campo, tivemos a graça de contemplar os lírios virginais que desabrocham com todo o seu esplendor dos corações que se ligam pelo eterno amor.
12.12.1977
29 - A luz é para se colocar no velador...
... para que possa iluminar a todos os que estão na casa (Jesus; Mateus 5:15).
Num ensinamento quase sempre simbólico, Jesus deu as mais sábias lições a todos quantos O puderam compreender. Num exemplo muito de acordo com a época em que a iluminação era feita de maneira muito rudimentar, se se quisesse mais claridade ao ambiente, dever-se-ia colocar o candeeiro obrigatoriamente o mais alto possível para que a luz se espalhasse com maior proveito.
Assim é que, procurando a filosofia desse conhecimento, meditando com facilidade sobre o seu significado, constatamos que também a Luz da Suprema Sabedoria deve ser colocada acima de quaisquer preconceitos e tradições.
Se já podemos andar na luz, façamos por elevar cada vez mais os preceitos que a ela nos conduziram. Sem a nossa primordial reforma íntima, que nos eleva acima do comum dos homens, não poderíamos almejar posições de supremacia moral que nos facultarão autoridade de levarmos aos outros o que é de nosso conhecimento.
Quando em sã consciência pudermos analisar nossas atitudes mais íntimas em relação ao bem-estar de nosso próximo, estaremos verdadeiramente à altura de difundir um bem que já faz parte de nós mesmos.
Só assim e com muita naturalidade serviremos sem ostentação, sem afetação, com a simplicidade que emanará de nossa pessoa, acostumada em ser útil e amar indistintamente a todos como a luz que penetra nos mais recônditos recantos numa difusão natural. O bem fala por si e Jesus será o nosso constante companheiro se andarmos na luz.
13.12.1977
30 - O que te preocupa, meu filho?
Uma pergunta que bem poucos pais dirigem aos filhos. No entanto, com poucas palavras tantos males se preveniriam. Em qualquer época é sempre oportuno um intercâmbio amoroso entre pais e filhos, intercâmbio que propiciaria a transposição de barreiras invisíveis.
Através dos tempos temos constatado transformações radicais nos costumes que padronizam as diferentes sociedades. O que era norma de conduta em séculos passados, hoje não é mais que assunto de novelas. As mudanças de fato existem e continuarão existindo; fazem parte da evolução, embora muitas vezes sejam mal compreendidas e por isso pervertidas.
O que não deve mudar, porém, é o respeito pelas criaturas numa consideração mútua e proveitosa. O respeito pela liberdade alheia com a compreensão elevada para fins mais nobres é um passo que se dá para chegar ao carinho, à ternura e ao amor.
As conversações livres entre pais e filhos sobre assuntos vários, que esclarecem e enobrecem, devem ser a nota característica de toda família bem constituída. Sem faltar ao respeito das opiniões contrárias, a troca de ideias irá caminhando com naturalidade para o fim almejado.
Onde há amor, há paz, há compreensão e num ambiente harmonioso, as vibrações são puras e verdadeiras. A luz se faz brilhar consequentemente e chega-se à verdade como conclusão lógica e racional. O que falta ainda em muitos lares e mesmo nos bem formados é tempo para tais conversações, um tempo que não seria difícil arranjar se nos conscientizássemos da necessidade premente desse intercâmbio afetuoso.
As famílias que têm capacidade para tal realização deverão incentivar nas demais essa prática tão salutar. Pelos frutos se conhece a árvore e, bem assim, pelo exemplo que pudermos dar a nossos amigos e parentes, estaremos concretizando uma afirmação. Espalhemos o bem na face da Terra; há muitas maneiras de sermos úteis.
14.12.1977
31 - A conversão de Saulo
Na estrada de Damasco, Saulo viu ao Senhor em sua imensa glória, em seu eterno amor. Petrificou-se diante de tão grandiosa figura e humildemente prosternou-se em muda admiração. Lágrimas de arrependimento varreram-lhe a alma e uma nova luz se fez brilhar. Toda uma vida de lutas inglórias perpassou por sua mente e aquilatou com sua reta consciência todo o seu pequeno valor e, diante da excelsa beleza, transfigurou-se sua alma redimida, oferecendo-se a Deus, com toda a pujança de seu nobre caráter.
Desfez-se o homem velho e um novo filho se ergueu das cinzas de seu passado comprometedor. Nova visão se descortinou perante o seu espírito extasiado no poder de Deus. Uma grande transformação se fez sentir e uma nova vida renasceu para a luz. Já não há segredos a envolver a vida, que reaparece bela e promissora.
Lutas, muitas lutas ainda prevê, mas num caminho diferente do que até então trilhara. Dirigindo seus passos, um novo exército se enfileira à sua frente como um cortejo imenso de anjos; e agora, soldado batalhador por uma gloriosa causa, deixa de lado a tirania e porta o alforje dos humildes.
Deixa a lança e a espada, abraça com fervor a cruz do Cristo e marcha destemido para o campo de batalha diferente dos demais, porque onde o fogo das refregas ardia, arde agora o fogo abrasante dos corações amantes; onde se empunhava o cetro do guerreiro indômito, ergue-se agora o espírito enaltecido pela derrota do comandante; onde se esbanjava a luxúria e o prazer, reserva-se agora o pequeno quinhão destinado aos mais fracos.
Tudo se renova, tudo se transforma; do ódio nasce o amor.
15.12.1977


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