Capítulo 6
Batuíra – Mensageiro da Paz
Mensagens psicografadas no período de 14.2.1978 a 26.5.1978
Prefácio
O trabalho que ora iniciamos é uma fase preparatória na qual devemos pôr toda a nossa atenção e consideração, de forma a colocarmos as coisas nos seus devidos lugares.
Se já possuímos um grau razoável de clarividência e clariaudiência, é porque conseguimos vencer as barreiras materiais que ofuscam a beleza à maioria dos homens.
Verificamos que, apesar dos sacrifícios, abnegações e provações, somos capazes de vibrar harmoniosamente em benefício de irmãos desesperados, portanto devemos convir que nossas responsabilidades aumentaram; assim, aos pés de Jesus, rendemos graças pelo que podemos vislumbrar e pela oportunidade que temos de trabalhar em sua seara.
Comungando humildemente com as forças superiores que nos alentam e entusiasmam, unidos fraternalmente, aqui estaremos para trabalhar.
Padre Miguel do Nascimento.
14.2.1978
Biografia de Batuíra
Antônio Gonçalves da Silva nasceu aos 19 de março de 1839 em Portugal, filho de humildes camponeses. Tendo apenas completado a instrução primária, veio com cerca de 11 anos de idade para o Brasil, aportando na Guanabara a 3 de janeiro de 1850.
Durante três anos trabalhou no comércio da Corte. Daí passou para a cidade de Campinas (província de São Paulo), onde ficou por algum tempo, até que se transferiu definitivamente para a capital paulista, que na ocasião deveria possuir menos de trinta mil habitantes. Aí, nos primeiros anos, foi distribuidor do Correio Paulistano. Naquele tempo não havia bancas de jornal em lugares públicos; a entrega se fazia à tarde, de casa em casa, e tão somente aos assinantes.
Diligente, honesto e espírito dócil, Batuíra, como entregador de jornais, ia formando amigos e admiradores em toda parte. Muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidara de Batuíra, nome que o povo dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de voo rápido, que frequentava os charcos na várzea formada no atual Parque D. Pedro II, pelos transbordamentos do rio Tamanduateí.
Dentro de pouco tempo com as economias que reuniu, e naturalmente com o auxílio de pessoas amigas, montou um teatrinho nos fundos de uma taverna da Rua da Cruz Preta (sucessivamente Rua do Príncipe e Rua Quintino Bocaiúva).
O teatrinho de Batuíra funcionou no período de 1860 a 1870 e dispunha de pequeno palco, plateia e uma única ordem de tribunas com lotação máxima de duzentas pessoas.
Perseverando em sua faina, dedicava-se depois à fabricação de charutos. Assim, com bastante trabalho e economia, Batuíra fazia crescer suas modestas finanças, o que lhe permitiu esposar a srta. Brandina Maria de Jesus, de quem teve um filho, Joaquim Gonçalves Batuíra, que veio a falecer depois de homem feito e casado.
Audaz como todos os grandes empreendedores, aplicou seu dinheiro na compra de uma área de terreno no bairro Lavapés, zona então desvalorizada da cidade, e ali construiu sua residência. Sempre muito ativo ia aos poucos aumentando sua propriedade. Adquiriu, a seguir, da família Cardim, o morro do Lavapés, demolindo-o em grande parte.
Data desta época a prosperidade mais folgada de Batuíra. Com a demolição do morro, vendia o saibro para construções em diferentes pontos da cidade, que iniciava a sua marcha de expansão. Dentro em pouco tempo o antigo local Pasto de Tenente era arruado. Batuíra construía pequenas casas para alugar, ao mesmo tempo que vendia lotes de terreno, agora a bom preço, em virtude da rápida valorização das terras.
Tornou-se assim o pobre portuguesinho de Santas Águas, um abastado proprietário, cujos haveres traduziam o fruto de muitos anos de trabalho árduo e honrado, unido a uma perseverança inquebrantável.
A felicidade que morava no seu lar não demora, no entanto, a ser empanada. O destino parece que reservava para Batuíra uma nova estrada cheia de sacrifícios, não há dúvida, mas regada de sublimes e incomparáveis alegrias da alma.
Na ocasião em que tudo parecia correr bem, falece, quase repentinamente, o filho único de sua segunda esposa, D. Maria das Dores Coutinho e Silva. Era uma criança de 12 anos, por quem o casal se extremava em dedicação e carinho. Esse golpe feriu profundamente aquele lar, que só pôde encontrar lenitivo à dor na consoladora Doutrina dos Espíritos.
Tão grande foi a paz que o espiritismo lhes infundiu, que Batuíra imediatamente pôs mãos à obra no desejo ardente de que outros companheiros de labutas terrenas tivessem conhecimento daquela abençoada fonte de esperanças novas.
Inúmeras vezes escondera escravos fugidos dos maus-tratos dos senhores e, sempre que eram descobertos, envidava todos os esforços para comprar-lhes a liberdade. Conta-se que nas epidemias variólicas, que grassaram na capital paulista em 1873 e 1875, Batuíra acolheu numerosos enfermos em sua casa, entre aqueles mais desprovidos de recursos e, além de tratá-los e curá-los, dava-lhes ainda alimento e agasalho. Aquela casa não só se tornara um verdadeiro hospital, mas principalmente um lar para os variolosos.
Por ocasião dos terremotos de 1887 na Itália, foi organizado um verdadeiro cortejo de espíritas pelas ruas da cidade a fim de angariarem donativos em favor das vítimas. Batuíra foi um dos que fizeram parte daquele grupo e a sua veneranda presença talvez tenha concorrido para a boa coleta obtida.
No ano de 1889, Batuíra passou a ser na cidade de São Paulo o agente exclusivo do Reformador (jornal espírita), função de que se encarregou até 1899. Batuíra construiu confortável chalé, com vasto salão, adequadamente mobiliado e ali estabeleceu o Grupo Espírita Verdade e Luz.
Precisamente no domingo de 6 de abril de 1890, diante de grande assistência, Batuíra dava início nesse grupo a uma série de explicações do livro O Evangelho segundo o Espiritismo. Sentindo a premente necessidade de um órgão para a propaganda, difusão e defesa da doutrina em São Paulo, adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou Tipografia Espírita.
Verdade e Luz era o nome da publicação quinzenal que apareceu naquele fim de século, como órgão do espiritualismo científico, encerrando no frontispício estas duas epígrafes: "Sem Caridade, não há salvação" e "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre. Tal é a lei".
Enfronhara-se nos livros de homeopatia a fim de gratuitamente medicar os doentes paupérrimos que lhe batiam à porta. Cheios de fé, em número sempre crescente, acorriam à casa do caridoso prático, que chegou a clinicar com boas vitórias, fato perfeitamente compreensível, pois que Batuíra era também médium curador, sendo centenas as curas de caráter físico e espiritual que obtinha ministrando água fluidificada ou aplicando passes magnéticos.
Em 1906 vivia na residência de Batuíra, em tratamento, meia dúzia de obsidiados, entre os quais se contava uma mulher que, por falta de vaga no hospício, lhe fora confiada pela autoridade policial do bairro do Brás. Isso se dava comumente, o que bem demonstra a boa fama, de que gozava o grande espírita.
A ação benemérita de Batuíra não se circunscrevia, entretanto, a essas manifestações da caridade cristã. Foi muito além. Criou ele, grupos e centros espíritas em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, os quais animava e assistia; realizou conferências sobre diversos temas doutrinários em inúmeras cidades de vários estados, ocasião em que também visitava e curava irmãos sofredores; espalhou gratuitamente prospectos e folhetos de propaganda do espiritismo por ele próprio impressos e distribuiu milhares de livros pelo interior do País.
Em dezembro de 1904, lança as bases da Instituição Cristã Beneficente Verdade e Luz, em cujo patrimônio passaram a figurar a tipografia com todos os seus acessórios, bem como dois sítios localizados no Município de Santo Amaro, nos quais ficariam estabelecidas agremiações para o socorro a órfãos e viúvas pobres, realizando-se ali também o tratamento de enfermos e obsidiados. Às crianças seria ministrada educação e instrução. Tudo isso foi concretizado, apesar da deficiência dos recursos monetários de Batuíra, que nesta ocasião chegou mesmo a apelar para quantos pudessem trazer a sua contribuição à obra, pois frisava ele, "não estamos dispostos a abandoná-la".
Sentindo afinal chegada a hora de concretizar no estado de São Paulo um belo e muito importante anseio da Federação Espírita Brasileira, Batuíra, unido a outros confrades ilustres, constituiu na capital paulista, a 24 de maio de 1908, a União Espírita do Estado de São Paulo, que federaria todos os centros e grupos existentes no estado.
Em setembro de 1908, em vez de assinar "Ninguém", como sempre o fizera, Batuíra, subscreveu-se "Alguém". Diante de sua consciência, só agora se julgava alguém na seara espiritista: havia consolidado a Instituição Beneficente Verdade e Luz, à qual acabava de doar tudo quanto possuía, com plena aprovação da esposa.
Inteiramente convencido de que só o Amor constrói para a eternidade, o velho Batuíra não esmorecia um só instante no apostolado da Caridade, não medindo sacrifícios em tão belo quão árduo labutar. Súbita enfermidade o pega de surpresa, zombando de todos os recursos médicos de que dispunha e em poucos dias faz a passagem para o Além. Às 16 horas de 22 de janeiro de 1909, seus despojos baixaram à terra no cemitério da Consolação.
Fonte: Adaptado de Zeus Wantuil. Grandes Espíritas do Brasil.
1 - Novos Saulos
Pelos caminhos que percorremos, encontramos muitas almas sofredoras que, com a permissão de Jesus, pudemos orientar. Se aqui estamos a vos reportar este assunto, temos sobejas razões. É que entre essas almas recolhidas à bondade divina, muitas voltam agradecidas para colaborar na obra que hoje reiniciamos depois de pequena interrupção.
Almas refeitas das refregas da guerra, encontram hoje, neste ambiente de amor, todo reconforto de que necessitam para cumprir seus destinos perante a Vida Eterna. Cansadas de sofrer e de fazer aos outros o mal que em si guardavam, livres agora de toda essa pesada carga deletéria, comprometem-se a uma vida sadia e proveitosa.
Por incrível que vos possa parecer, aqui se encontram irmãos que, se outrora tiveram destacado renome nas páginas da História, hoje, contudo, mostram-se humildes no anonimato que querem conservar; propõem-se no entanto, com a mesma tenacidade e entusiasmo, pelo que lutaram ingloriamente, a fazê-lo hoje de forma benéfica e suave, vibrando agora, não com o ardor das lutas fratricidas, mas com as energias que de Deus recebem como novos Saulos, a enxergarem nova luz e novo caminho para uma vitória que não será de ninguém, mas de todos, porque a bandeira que hoje os une, é uma única e verdadeira: a da Paz e do Amor Universal.
Em nome do Cristo, nosso Mestre, nosso Guia, nos comprometemos todos hoje a seguir os rumos que Jesus nos mostrou através de sua tão significativa vivência terrestre.
Um vosso irmão tão somente
Confirmamos as palavras de nosso irmão como prova de amor que há de nos unir para os nossos futuros trabalhos.
Batuíra
14.2.1978
2 - Vibrando por todos
Ensina-nos o Evangelho que devemos amar até os nossos inimigos. Para muitos cristãos ainda é impossível admitir esse mandamento de Jesus. Contudo, é uma verdade que temos de admitir, pois só seremos felizes quando vencermos as dificuldades que nos impossibilitam de considerar nossos irmãos aqueles que nos são adversos. Pensando razoavelmente sobre esse assunto, vamos procurar a raiz dos males que nos separam de alguns irmãos que, se para nós não chegam a ser exatamente inimigos, pelo menos nos são indiferentes.
À altura que chegamos de compreensão, não nos é admissível, porém, ser indiferentes; não nos sentimos felizes assim. Se vibramos por uns, temos de vibrar por todos. Trazemos por certo no nosso subconsciente alguma revolta íntima que nos restringe a uma expansão de alma para alma; vemo-nos separados por alguma coisa que, embora invisível, nos impossibilita de ser naturalmente cordiais e sinceros.
Busquemos no nosso íntimo a causa dessa insatisfação e, se nos propusermos a encontrá-la, por certo sairemos vitoriosos. De algum modo Deus nos esclarecerá a questão e, nem que seja durante o sono, serão facultadas a nós circunstâncias tais que exporão a chave do mistério.
Sabemos e constatamos por experiência própria que só seremos felizes completamente quando não mais tivermos mágoas ou resquícios de males no coração. Assim sendo, vamos como cristãos verdadeiros sondar o âmago de nosso espírito e procurar sanar as causas desses dissabores.
Já temos consciência do que mais nos convém; trabalhemos então para nós próprios, pois, assim fazendo, contribuiremos em grande escala para afugentar os ressentimentos e sermos plenamente satisfeitos com a nossa própria consciência.
Antes do nosso repouso diário, meditemos sobre esse assunto; será para o bem de muitos; esta advertência tem razão de ser. Cada um encontrará dentro de si a razão do que falamos.
Padre Miguel do Nascimento
15.2.1978
3 - Trabalhando no anonimato
Sempre que vos reunirdes, não vos esqueçais da figura de Jesus a irradiar amor, luz e sabedoria para todos nós. Tenhamos a fé necessária na presença de nossos protetores, mas não olvidemos jamais o Mestre, que é o Mestre de todos. Assim reunidos em nome de Jesus, continuaremos nossas reuniões, em que a paz, a união e a compreensão devem ser as prerrogativas.
Tudo feito conforme as orientações, tenhamos certeza de que tudo vai bem, conforme foi há muito programado. Estamos cumprindo religiosamente orientações de nossos superiores que, muito mais do que nós, são capacitados a nos dirigir. O tratamento que está sendo proporcionado aos presentes, não só encarnados, segue orientações rigorosas e cientificamente dosadas por quem de maior direito pode fazê-lo.
No campo da psicologia transcendental, aonde o homem ainda não pôde chegar, há possibilidades com as quais ele ainda não sonhou, e a psicoterapia é feita no mais recôndito reduto espiritual. Supervisionando os problemas de origens reencarnatórias, nossos tutelares têm visão ampla do assunto a ser abordado e das facetas a serem buriladas. Embora quiséssemos explicar melhor esses detalhes, ainda são parcos os recursos de que dispomos para isso.
Comparando vossas atividades à de uma oficina, em que os operários são cônscios de seus deveres, mas ainda não capazes de chegar à compreensão dos problemas abarcados por seus superiores, assim também vos vemos e contentamo-nos imensamente por saber-vos úteis à Causa e conscientes de que fazeis o melhor.
Não importa em que redundará o trabalho que ora executais. Sabe-se lá se a pecinha que hoje contribui para aperfeiçoar, não será ela que fará girar as rodas gigantescas de um aparelhamento que foge às limitadas visões? É em geral isso que acontece; do trabalho humilde de um anônimo depende o êxito, o equilíbrio de uma Grande Usina. Confiemos em Deus, despenseiro fiel das energias que nos chegam, para que trabalhemos honestamente e sem pretensões.
A cada dia o êxito de sua obra. Com a consciência tranquila do dever cumprido, vamos vivendo a vida que Deus nos dá.
Joaquim Felisberto de Macedo
17.2.1978
4 - A porta estreita
Abençoados os que cumprem a Lei de coração aberto e em regozijo da alma. Atribuídos a nós os bens que nos facultam visão mais ampla da Vontade Suprema, saibamos valorizar esse divino dote reconhecendo até onde podemos ser úteis servindo à Grande Causa.
Na ordem em que os problemas são a nós oferecidos como meio de desenvolvimento de nossas qualidades, vamos fazer valer os direitos que Deus nos confere de aplainarmos a aspereza dos caminhos alheios sem, no entanto, descurarmos das nossas mais sagradas obrigações.
Nada acontece por acaso e quanto mais avançamos, maiores serão os obstáculos que deveremos transpor à custa sempre de muita luta, sacrifício e renúncia. Temos maturidade suficiente para discernir e tomar acertadas decisões. Conhecedores das Leis de Causa e Efeito, busquemos, nas situações que se nos apresentam temerosas, o degrau pelo qual avançaremos mais um passo na senda do progresso espiritual.
A verdade nos ensina que não é pela porta larga dos prazeres egoístas que nos convém penetrar, mas pela estreita porta, onde depositaremos para entrar com mais desembaraço todos os mesquinhos desejos humanos. O valor da prova está em saber sobrepujar as dificuldades a nós impostas, compensando, com a nobreza de nosso caráter, a ilusão dos sentidos, que sempre nos enganam.
Unindo nossos esforços para sairmos ilesos do campo de batalha, vamos vibrar convenientemente, como já o sabemos fazer, em benefício daqueles que sabemos necessitados da nossa compreensão. O amor que une as criaturas, quando puro e sincero, será motivo de acesso a paragens divinas e nunca ao inferno causticante de desejos malsãos.
Com a energia que iremos buscar na fonte inesgotável do Supremo Criador, reabasteceremos nosso espírito para poder doar muito amor àqueles que nos procuram. Temos missão muito sagrada a cumprir para nos atermos a passageiras ilusões.
Que o amor, sublime amor, possa sempre nos unir mais e mais e nunca ser entrave de tropeços. Elevemos nosso pensamento aos padrões infinitos de pureza para não nos deixarmos levar pela força da correnteza lodosa e deletéria da concupiscência e do pecado.
As trevas circundam a luz, mas esta por sua excelsa natureza refulge com mais intensidade quando o amor vence todas as procelas. Deus nos abençoe numa santa união de almas, que saberão cantar louvores pela graça que acabam de receber.
Padre Miguel do Nascimento
20.2.1978
5 - Reassumindo as obrigações
Quantos são os caminhos que nos conduzem a Deus?
Soubesse o homem avaliar de forma concisa todas as voltas que se apresentam como sinuosidades necessárias para se chegar a um fim. O caminho geralmente é longo pelas circunvoluções necessárias para uma experiência mais demorada, pois que o tempo também é fator de amadurecimento de nossas faculdades.
Por um caminho reto, sem tropeços, a luz chegaria de fato mais depressa até nós, mas necessitamos aproveitar das nuances débeis que ela nos apresenta de diferentes formas, velada ainda pela sinuosidade do próprio caminho, para que não nos ofusque a visão e nos cegue de vez.
Assim se nos apresenta a vida, oferecendo em cada curva circunstâncias novas, surpresas inéditas que, se alegres, muitas vezes nos obrigam a parar e raciocinar.
Que significarão para nós os lampejos de felicidade eterna?
Que venturas mil estarão por trás das próximas curvas?
Que mundo novo poderemos entrever nos destinos que nos esperam?
Saberemos nós, seres humanos, imaginar as alegrias que só ao espírito são dadas gozar?
É neste ponto do eterno problema humano que vós, espiritualistas, deveis atentar. Se já tendes a chave com que abrir as portas dos páramos celestiais, não vacileis; ide em frente com a certeza, com a fé que as experiências vos proporcionaram, pondo acima de toda situação carnal a razão de vossos dias.
A vida há de ser intensamente vivida para suprir as deficiências que em vós são naturais. E por vida bem vivida, deveis entender não somente o trabalho rotineiro da sociedade de que fazeis parte, mas o de uma vida também sentida e oferecida nos planos de que já sois capazes de entrever.
Doar de si, bem o sabeis, é dever de quem tem possibilidade para tanto. Não percais vosso tempo, pois é hora de reassumirdes vossas obrigações. O amor sem obras não chega a ser amor.
Concretizemo-lo no bem que podemos fazer ao nosso próximo.
Padre Miguel do Nascimento
22.2.1978
6 - Nosso céu interior
Pelos desígnios divinos, que nos possibilitam o mais fácil acesso ao nosso céu interior, constataremos com exatidão a capacidade que já possuímos para tanto. Não nos é dada uma prova se não tivermos probabilidade de vencê-la.
Analisando nosso evoluir, pelo menos na presente encarnação, vemos, que as dificuldades foram sendo superadas numa ascendência cada vez maior e sempre que acabamos por superar uma, renovados em espírito, nos preparamos para a seguinte. Tudo o que ficou no passado, torna-se agora para nossa maturidade algo de muito pueril e até irrisório.
Não vamos, portanto, nos debater em aflições inúteis, uma vez que já somos capazes de nos reequilibrar quando quisermos. Para isso vivemos e sofremos até agora. Propondo-nos a um autocontrole emocional, nos capacitamos a vencer as barreiras que se defrontam ao nosso espírito devedor.
Na escola da vida, cursaremos os vários cursos com integridade para sermos agraciados com o louvor que receberão os alunos cônscios de suas obrigações. Nunca é demais chamarmos vossa atenção para os problemas que se nos deparam assustadores. O mal arrefece-se quando a grandeza de nossas intenções se avulta.
Confiantes num poder maior que nos dirige, amemo-nos cada vez mais.
Padre Miguel do Nascimento
23.2.1978
7 - Pesadas pedras da tua solidão
Por onde andaste alma que me preza e me faz sofrer?
Quais foram teus tresloucados caminhos que te negaram a ventura maior de amar e ser feliz?
Retorna a percorrê-los em teus devaneios e te comprazes no mal que procuraste?
Já olvidaste o cantar dos anjos, o divinal cenário dos edênicos jardins, em que o amor vibrava exuberante no arfar de teu coração pleno de gozo espiritual, rico de ternura e de afetos fraternais?
Volta ao teu ninho antigo, alma desventurada e aflita e encontrarás o calor de que necessitas para fazer vibrar de novo as cordas etéreas de teu coração cansado de sofrer. Não percas mais tempo com vitórias indébitas que o delírio de tua paixão busca sem tréguas. Lava tua alma na fonte cristalina do amor de Deus e livra-te de toda essa carga pegajosa que te amesquinha e paralisa.
Propõe-te a amar de novo, como já amaste em outras épocas, e sublima a tua paixão para que possas receber das divinas hostes o galardão da verdadeira vitória. Liberta-te enquanto podes das garras cruéis que te dilaceram e envia o teu ósculo de amor sincero e puro àquela que é razão de tua vida.
Tens missão a cumprir e com ela marcharás novamente, mas por uma estrada diferente, cheia de flores de belezas mil, mas também repleta de trabalho redentor. Vossas almas se buscam num anseio imorredouro; vossos destinos se ligam pelo vínculo sublime da fé; essa fé que vos há de guiar como almas gêmeas que sois e que nunca deverão se apartar.
Lavra o campo ainda estéril do teu viver e procura o tesouro escondido sob as pesadas pedras da tua solidão. A vida vos espera; vivei e fazei por merecê-la.
A paz de Jesus reine em vossos corações.
Padre Miguel do Nascimento
24.2.1978
8 - Nossa programada evolução
Desde que aqui nos reunimos em nome de Deus, estamos fortemente amparados pela falange divina incumbida dos mistérios dos quais temos tido provas incontáveis de alta elevação filantrópica, pois como já vos é conhecido, todos os que aqui aportam em busca de socorro são fraternalmente amparados e reequilibrados.
No que vos toca os sentidos, podeis evidenciar estes fatos; sabemos nós com visão espiritual das benéficas repercussões desses encontros de amor. Das ondas amorosas, sutis, eterizadas, formam-se novos caminhos de luz, que se delineiam esplendorosos aos olhos dos que se voltam para a excelsitude de Deus.
São pobres as vossas palavras para traduzirem a realidade dos fenômenos. Sentimo-nos altamente recompensados por todos os esforços que, unidos, fazemos em torno de uma Causa tão grandiosa. Cada alma encaminhada leva consigo um cortejo de outras tantas que lhe são afins. O bem se multiplica e a alegria é a nota principal deste Concerto de Amor.
As glórias celestes, que aos eleitos são dadas viver, vivê-las-emos todos nós um dia, quando houvermos transposto os degraus da nossa programada evolução.
Dizemos programada sim, porque para isso compartilhamos dos sofrimentos, das angústias, das dores de todos os nossos irmãos. Sabemos que à custa de intenso viver nos predisporemos à comunhão mais perfeita com os planos que dirigem nossos destinos.
Não é pretensão descabida pensarmos dessa maneira, pois a fé raciocinada assim nos ensina. Pelo amor puro oferecido aos nossos companheiros de jornada, expurgaremos os detritos astrais que nos pesam no corpo perispiritual e nos livraremos mais depressa de tão indesejável carga.
Libertando-nos do invólucro carnal, alçaremos voo como a borboleta saída do constrangedor casulo que a aprisionava. Buscando os céus infinitos, galgaremos altura para uma compreensão melhor de toda a problemática da vida.
Ensaiemos nossos primeiros voos exercitando-nos sempre que pudermos. Tenhamos consciência do que mais nos convém. Apuremos e depuremos nossos sentidos.
Padre Miguel do Nascimento
27.2.1978
9 - Purificai-vos
Meus irmãos, estamos satisfeitos com o desenrolar dos vossos trabalhos. A fé, conforme sabeis, é fator preponderante para o êxito das reuniões. Não vos atemorizeis, pois Deus supre todas as vossas deficiências.
Mentalizai em vossas concentrações muita luz a vos envolver, como remédio salutar para purificar vosso perispírito, que vai oferecer, se bem preparado, elementos indispensáveis à permuta de energias, veiculadas com mais facilidade quanto mais desprendidos de toda preocupação.
Entregando-vos assim de corpo e alma, estareis proporcionando o aparelhamento necessário para o intercâmbio que aqui se faz. Os médiuns, como o nome indica, são o veículo de recepção e transmissão ao mesmo tempo das energias que se vão purificando e se eterizando na medida de vosso aprimoramento moral.
Daí a importância de vigilante controle na colaboração de um psiquismo equilibrado para que, com uma consciência livre de todo o mal, possais oferecer-vos pura e sinceramente ao trabalho. Não vos esqueçais da grande responsabilidade que vos assiste ao sentarem-se em torno de uma mesa de trabalho espiritual.
Tomemos sob nossos ombros a grande responsabilidade que temos como continuadores de uma obra que dispensa qualificativo. Jesus, como nosso guia, seja o facho luminoso que purifica nosso ambiente para o que aqui deverá se cumprir.
Batuíra
28.2.1978
10 - A porta larga da tentação
Todo mal tem sua raiz. Precisamos procurar, nos males que nos afligem, a causa que lhes deu origem. Como chaga cancerosa que precisamos extirpar de nós, nossos vícios também se extirparão se opusermos a vontade firme da extinção do mal.
Vasculhando nossas fraquezas, vamos entendendo o porquê de tais aflições, de tais conflitos e com soberania de nossa compreensão, assumamos o posto da vanguarda, opondo resistência a tudo que é daninho.
Exercitando nosso intercâmbio com as forças superiores, que nos oferecem sempre o equilíbrio e a energia para nos fortificarmos, vamos orando e vigiando todas nossas atitudes.
Estamos empenhados na recuperação moral de muitos de nossos companheiros e por isso estamos aqui a vos dizer estas palavras. O bem que fazemos repercute de forma esplendorosa; disso não tenhamos dúvida. Continuaremos trabalhando no anonimato, pois esta é a nossa vontade.
Deus vos pague pela oportunidade que nos ofereceis. Por todo bem que fizestes, haveis de ser muito recompensados. As falanges superiores dirigem vossos trabalhos.
Padre Miguel do Nascimento
O bem que havermos de difundir não tem limites. Nossa tarefa é de amor fraterno a todas as criaturas de diferentes credos e raças; não haverá fronteira para o nosso amor.
Não vos preocupeis com a nossa identificação. É apenas uma faceta do que por vontade divina será trazido para todos vós.
Deus vos cubra de bênçãos para poderdes continuar.
Bezerra de Menezes
29.2.1978
11 - Preparando-se para o trabalho
A finalidade desta mensagem é fazer-vos conhecedores dos novos planos de trabalho que se desenvolverão daqui por diante. Reintegrados no amor de Deus, de quem nos vem toda a Sabedoria, vamos começar por expor certos requisitos indispensáveis à boa ordem. Sabeis que, como sempre, a base de nosso intercâmbio apoiar-se-á no mais completo recolhimento para o qual chamamos a vossa atenção. Nenhum motivo deverá haver para vos distrair. A própria música se for motivo de entrave, é melhor que não se faça ouvir. O silêncio é uma prece pela qual nos reencontramos com a Criação.
No que tange ao equilíbrio físico, emocional e espiritual, achamos estar tudo bem compreendido. O preparo para estas reuniões se faz de maneira constante à custa da vigilância de nossas emoções. Tornamos a vos advertir que o trabalho é sério demais para qualquer desvio. Somos vossos tutelares e nos julgamos com obrigação de assim vos falar, pois a responsabilidade também é nossa.
Já vos advertimos também quanto à alimentação, que quanto mais frugal, melhor. Não há nisso nenhum exagero, pois conheceis a necessidade desses cuidados.
Deus compensará os vossos esforços.
Padre Miguel do Nascimento
Em quaisquer ocasiões o amor vencerá todas as procelas iluminando com sua ardente chama as almas dos que nos buscam. Mesmo através de consideráveis distâncias, essa chama se fará valer como energia propulsora dos corações.
Nas nossas andanças pela vida compenetremo-nos da necessidade do nosso equilíbrio para que, iluminados pela luz de Deus, possamos doar o bem e sairmos sempre vitoriosos.
Batuíra
Estaremos daqui por diante mais unidos para o trabalho que nos compete.
Bezerra de Menezes
O reinício de uma nova série de trabalhos será autografado pelo espírito de nosso irmão Batuíra, que vos facultará mais livre acesso aos planos superiores.
Allan Kardec
1.3.1978
12 - O presente precioso
O futuro é consequência do presente. Trabalhemos com dedicação e sem outro interesse senão o de servir de alguma forma, embora humilde, a nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é quem faz as atribuições e não os homens.
Cumpramos nossas obrigações, ainda que no recinto de nosso lar, invisível aos olhos dos homens, mas não aos de Deus. Quando tiver de pedir contas, Ele saberá a quem pedir.
De uma coisa devemos nos convencer: nossa cruz nunca é maior do que a que podemos carregar. Confiemos em Jesus e vamos em frente. Temos de ter mais coragem para vencer os tropeços, que não vêm de Deus, mas dos próprios homens.
Alegria, alegria de viver e poder sentir o amor no coração.
Deus vos abençoe.
Padre Miguel do Nascimento
2.3.1978
13 - Psicologia transcendental
No interior de cada coração há uma chama a arder de esperança por uma vida melhor. Sondaremos esse interior para buscar os meios de sanar muitos males. Será um trabalho de pesquisa no campo emocional e espiritual.
Abriremos caminho a muitas criaturas estacionadas na senda do progresso espiritual. À medida que forem aparecendo os problemas, faremos aqui, por intermédio destas mensagens, o elo necessário sobre o caso, procurando sanar todas as dificuldades.
É um novo campo que se abre para nós dentro da psicologia experimental, que fará aqueles que se encontram em conflito ver os caminhos a percorrer para a concretização de seus ideais. Estará tudo baseado num programa já elaborado e até os interessados no caso já fazem parte há algum tempo deste programa. Portanto, confiança em todas estas orientações, que serão sempre dadas à luz da verdade e da Suprema Sabedoria.
Sigmund Freud
2.3.1978
14 - Irmãos afastados da Verdade
Para abrir esta nova série de trabalhos, que não deixam de ser espirituais, diremos em poucas palavras, à luz da reencarnação, da necessidade de uma melhor divulgação dos princípios doutrinários reencarnacionistas como base de um conhecimento que há de vir aos poucos para muitos de nossos irmãos afastados da verdade, por ignorância e indiferença ou pelo que realmente lhes convém.
Nossas conversas, sob o zelo de que sois capazes, serão orientadas no sentido de levar este conhecimento a quem, por ordem de necessidade, está incluído no nosso programa. Não vos preocupeis, que os acontecimentos irão vindo à baila na medida em que os problemas puderem ser resolvidos. Bastará a vós, meus filhos, se preservarem de todo mal, mantendo-vos em constante vigília para o bom desempenho de nossas missões.
Em todos os lugares que frequentares, mantende sempre puros os vossos corações para que a luz possa neles incidir e refletir com intensidade. Os casos a serem resolvidos irão sendo encaminhados até nós dessa forma; fé, muita esperança e muita caridade em vossos corações.
Batuíra
3.3.1978
15 - Lei da Causa e Efeito
Apresentaremos, para começo de nossas dissertações, um quadro sinótico sobre as diferentes dificuldades concernentes ao espírito que, encarnado ou desencarnado, tem de vencer para se sobrepujar a si próprio. Podemos reunir as lutas íntimas do espírito em três grupos distintos: o da sociabilidade, como ser humano e portanto de natureza essencialmente social; o da superação dos instintos, mesmo os mais grosseiros; o do autodomínio para concretização de seus mais nobres ideais. Essas três categorias de lutas íntimas são compulsórias a todo homem normal. Não cogitemos ainda do homem supranormal, que é a minoria da humanidade que conhecemos.
Dentro deste quadro sucinto discorreremos com objetividade sobre os problemas que constituem as angústias, as aflições, as depressões da grande parcela de espíritos devedores perante a Lei que conhecemos como de Causa e Efeito.
1 – Considerando o problema social, vamos encontrar nas mais diferentes nuances o resultado de um mal, cuja raiz está dentro do próprio espírito. Se para muitos a sociabilidade é um desabafo de tendências e inclinações, para outros, no entanto, é o inverso, isto é, apresenta-se como uma obrigação difícil de ser cumprida, em cuja dificuldade afoga um mundo de recalques e inibições.
Analisando profundamente as diferentes facetas dos intrincados enigmas, chegaremos com boa vontade e compreensão à luz que nos guiará para orientar tais criaturas. E como o mal não se faz notar, somente no plano carnal, com auxílio dos mentores espirituais, chegaremos à mais fácil e rápida conclusão.
Todo problema aqui abordado será tema de comentários, críticas, análise completa, segundo os padrões da elevada Psicologia Transcendental, cujos ensinamentos iremos trazendo à medida que se fizer luz sobre vossos espíritos.
Conforme prevenimos, tudo será fruto de trabalho redentor, portanto, irá nisso tudo uma dose considerável de amor fraterno, sem o qual jamais poderemos chegar até o íntimo de nossos irmãos.
2 – Da mesma forma, entraremos no domínio dos instintos responsáveis sempre por vultosa soma de misérias na face da Terra.
3 – Embora mais elevada e digna, a concretização de valores e ideais é causa também de muitos desacertos e desequilíbrios, que, uma vez estudados com conhecimento de causa, poderão ser, de igual forma, sanados e superados completamente.
Como vedes, é um trabalho de monta o que temos como parte primeira do nosso programa, e justamente é a primeira por ser ela muito importante em vista do interesse que temos na recuperação de muitos companheiros que irão futuramente fazer parte da nossa equipe de trabalho.
Aguardamos com muita esperança a volta desses espíritos para o nosso círculo operoso na gigantesca obra que se nos apresenta como o mais belo ideal a cumprir.
Fundados sobre o alicerce inabalável do amor, ergueremos o mais belo edifício de nossas realizações.
4.3.1978
16 - Diagnóstico acertado
A Psicologia nos ensina a observar, analisar, confrontar, estudar os fenômenos por mais insólitos que nos possam parecer. Por meio de reiterado estudo, chega-se ao escopo desejado. Dos melindres embaraçosos no caso em questão, o pesquisador com argúcia e perseverança recolherá os refolhos para um diagnóstico acertado.
Penetrando os labirintos obscuros da mente humana, chegará, ainda que por ensaios e erros, ao conhecimento implícito da verdade. Sondar com amor os corações é trabalho do psicólogo, que deverá atentar aos mínimos detalhes do comportamento, camuflado com frequência por um instinto de defesa exageradamente desenvolvido.
Como e por que esse excesso de defesa? À primeira vista, tudo nos dirá de uma educação erradamente oferecida nos padrões de uma hierarquia familiar exagerada, conceito, aliás, que tende a desaparecer, dada à acelerada transformação da sociedade no sentido de dar ao homem mais liberdade. Preso a preconceitos vários, o ser humano debate-se numa teia que tende cada vez mais a se emaranhar.
Desenvolvendo-se a percepção para uma visão mais ampla do problema social, caberá ao psicanalista desembaraçar essa teia, libertando seu paciente o mais cedo possível das garras aterradoras que sua própria consciência vai alimentando para sua consequente anulação.
Será trabalho muito nobre o podermos contribuir para a libertação dos nossos irmãos que precisam também viver para ser felizes.
Batuíra
5.3.1978
17 - O riso é a manifestação dos anseios da alma
A felicidade que tanto almejamos transparece no riso estertorante e nervoso que esconde, muito embora não nos pareça, as angústias, os problemas enigmáticos que só a compreensão dos que amam pode penetrar.
Desde já podemos vos garantir que, quanto mais estridente a risada, tanto mais dores e recalques se escondem no coração.
Procuremos penetrar de maneira dócil e perspicaz na alma das pessoas, que assim se nos apresentam como necessitadas de uma grande dose de amor.
Pela confiança que lhes possamos oferecer, chegarão elas até nós para depor aos nossos cuidados toda bagagem inútil de seus complexos e ansiedades. É nisso principalmente que poderemos muito ser úteis, conferindo aos que nos procuram o carinho e a afeição que lhes foram negados por outros.
Abarquemos num suave amplexo a todas estas criaturas ávidas de segurança e orientação. Jesus brilhará sobre nós quando nossas intenções forem puras, baseadas no mais respeitoso amor ao próximo.
Batuíra
6.3.1978
18 - Renúncia em prol de alguém
O caminho a percorrer é sinuoso e cheio de imprevistos; por isso a vigilância tem de ser maior.
A cruz que temos a carregar é nossa, de mais ninguém; suportemo-la com dignidade, abençoando os que nos fazem senti-la mais pesada. A ombros fortes muita responsabilidade será conferida. Na escuridão de nossos anseios, procuremos vislumbrar a luz – a ela nos apegaremos fazendo valer nossos direitos e obrigações.
Se temos a capacidade de amar, por que não havemos de ter a de sofrer pelos que amamos? Renunciar a própria felicidade em favor da felicidade alheia é progresso para o nosso espírito. O tesouro maior que possuímos é a compreensão para a aceitação dos desígnios que nos foram conferidos. Há muitas formas de demonstrar um grande e sublime amor.
Padre Miguel do Nascimento
7.3.1978
19 - As investidas do mal
Meus filhos, queremos vos falar do amor que nos invade a alma por todo sucesso que a vós auguramos. Temos tido muito trabalho a vencer, mas estamos quase no fim de uma longa caminhada.
Temos tido força suficiente para manter a situação de maneira razoável e, se hoje vos falamos assim, é para vos alertar quanto aos perigos que vos espreitam quando a obra é de regeneração geral.
As forças do mal se unem ostensivamente para atacar sem complacência. Estamos em luta constante contra as sombras que nos ameaçam. É preciso muita tranquilidade e paz de espírito para sair vencedor.
Apliquemo-nos de corpo e alma para vencer nossa batalha. Sabemos ser o amor a arma mais poderosa contra qualquer mal. Amemo-nos, meus filhos.
Constantino
Para conheceres melhor as tuas possibilidades, concentra-te em Jesus. O amor de Jesus nos trouxe até aqui e com Ele oferecemos a todos o nosso quinhão de trabalho. O que temos feito em teu benefício é fruto de um amor imorredouro. Continuaremos a teu lado, pois o trabalho é de todos nós.
Batuíra
Muita luz recebereis através destas reuniões. Embora não possais muitas vezes transmiti-la em palavras, recebereis o prêmio que aos fiéis será conferido. Deus é pródigo no seu amor. Vamos em frente com as nossas vibrações.
Jean-Martin Charcot
8.3.1978
20 - Limpando o caminho
O homem precisa parar a fim de raciocinar, medir as suas possibilidades para avançar um pouco mais. Na escola da vida aprendemos a tolerar as falhas alheias, mas aprendemos também a nunca perdoar os nossos deslizes.
Se devemos ser complacentes para com os outros, não o sejamos, porém, conosco. Nosso dever nos incita à caminhada, a tirar as pedras com as nossas próprias mãos, limpando o caminho de toda erva daninha. Estamos numa fase de trabalho espiritual em que não deveremos retroceder. Se tivermos de parar, será para medir nossos valores, capazes de nos engrandecer em face da tarefa que temos a cumprir.
O campo está muito bem preparado, mas mesmo assim não estará isento de nossos cuidados. A vigilância é norma de conduta do discípulo sincero. Vamos trabalhar com a certeza do amparo divino, que nos favorece sobremaneira.
Unamos nossos recursos em prol do bem que devemos prestar, sem nunca nos deixar contaminar pelas moléstias alheias. Limpos de corpo e espírito, vamos à luta.
Deus é nosso guia.
Bezerra de Menezes
Meus filhos, é grande nossa alegria e nos unimos para um trabalho do qual muito esperamos.
Allan Kardec
Em nome de Jesus, continuaremos. O trabalho é de muita responsabilidade.
Batuíra
9.3.1978
21 - O sofrimento necessário
O fim que almejamos é sempre de luz para vossos olhos. O caminho a percorrer é sem dúvida difícil, mas é nessa dificuldade que reside a aprendizagem. Ninguém pode se vangloriar em receber de graça os bens naturais; tudo se consegue à custa de trabalho, perseverança e sofrimento.
É nestas experiências vividas e sentidas que está a nossa fortaleza. Todos os que conseguiram alguma coisa, não foi por acaso e nem por privilégio conferido. Lutaram todos eles contra as suas próprias intemperanças e também contra as adversidades do meio.
Pelos exemplos que conhecemos de toda figura que se sobressaiu de alguma forma, constatamos que para todos a vida se mostrou hostil. Tudo é por Deus, que só confere talentos aos que podem fazê-los multiplicar.
Convictos das possibilidades de que somos capazes, enfrentemos todas as agruras que nos forem impostas como medida para aferir nosso valor. Unidos na fé indispensável para o êxito de nossas realizações, façamos o que de melhor nossa consciência nos dita como norma de conduta.
Distribuamos alegria, paz, amor e compreensão, que por certo estaremos trilhando o melhor caminho.
Padre Miguel do Nascimento
10.3.1978
22 - Visões alentadoras
Com o coração em festa, vimos hoje vos falar das delícias espirituais que vos esperam quando houverdes sorvido o último gole do cálice regenerador. Antegozando a vitória dos que sabem lutar pela conquista do bem geral, queremos nos congratular com todos os que se dedicaram até hoje a esta tarefa preparatória de um trabalho muito promissor.
Nossas almas estão em festa, pois nossas visões são alentadoras quanto ao êxito de toda esta dedicação. Jesus está à nossa espera incitando-nos à caminhada. Muitos irmãos nossos, recém-chegados de suas andanças pela vida, se preparam para se entrosar e compartilhar da nova excursão que empreenderão sob os auspícios de iluminados mensageiros do Pai.
Como se imensa caravana se reabastecesse dos víveres mais necessários para a nova jornada, todos nós, alegres, nos preparamos para juntos empreender viagem sob um céu que se apresenta limpo, sem nuvem alguma a nos causar qualquer suspeita de futuras tempestades. O tempo está firme, a paisagem exuberante. A união é a prerrogativa dessa imensa caravana que se movimentará até o infinito.
Deus, o supremo bem, dirige nossos passos e sentimos que eles se tornaram seguros, certos e decisivos.
Sigamos em frente, meus irmãos.
Batuíra
11.3.1978
23 - Orientações adequadas
O estudo que estamos fazendo envolve um certo número de criaturas aficionadas às práticas filantrópicas, mas que nem por isso deixam de precisar de algumas orientações acerca de como melhor deverão exercitá-las.
A cada um será dada orientação adequada na hora precisa, e tudo deverá seguir as normas que até hoje temos seguido de maneira cordial, amiga, franca, pois só num ambiente assim preparado as conversas transcorrerão sem dissimulações e sem evasivas, de modo que não haja qualquer constrangimento por parte dos interessados.
Amparados por mentores capazes de penetrar nos recônditos da alma, aqui estaremos para ajudar, transmitindo ao médium a intuição que se fizer necessária.
Nem é mais preciso falar da confiança que deveis ter em todas as ocasiões que alguém vos bater à porta para tais orientações.
Se houver necessidade de recomendações escritas, o faremos. Continuai o vosso trabalho de amor fraterno amparando com a vossa compreensão e orientando com vossa palavra amiga.
Deus,vos cubra de bênçãos.
Batuíra
12.3.1978
24 - Buscando energias purificadoras
O homem procura a felicidade fora de si, quando ela está tão perto e dentro dele próprio. Os que chegaram à compreensão de ordem superior, deverão procurar no âmago do seu espírito a resposta para seus anseios.
Por mais dificultosa que lhes possa parecer, a vida é sempre a escola viva dos problemas que nos são oferecidos para uma resolução que está perfeitamente enquadrada nos meios que temos para resolvê-los. Nenhuma lição acima da nossa capacidade nos é proporcionada. Nossos mentores espirituais têm visão ampla do que podemos realizar e, se não o fizermos, será sempre por nossa negligência. As quedas frequentes são indício de fraqueza e, se não quisermos ser fracos, cuidemo-nos.
Na questão espiritual, o remédio é sempre de ordem espiritual. Busquemos na fonte pura do amor de Deus as energias que nos facultarão andar com mais desembaraço. A nossa fortaleza está em função do que podemos captar dessa inesgotável fonte de luz e amor. Jesus, o exemplo que nos é mais caro, é o nosso lenitivo; é a força que nos alevanta e nos anima a caminhar.
Sigamos o Mestre.
Padre Miguel do Nascimento
13.3.1978
25 - Livres de preconceitos
O amor que sentimos por todos vós nos faz achegar para vos reportar notícias de alto valor para o andamento de vossos trabalhos. Tudo o que temos a dizer é que caminhamos para breves realizações e a passos largos.
Pelo pouco que podeis avaliar, nossos trabalhos têm tomado um rumo em que se evidencia o alto gabarito dos espíritos que nos assistem. Iremos vos orientando aos poucos, na medida em que certas doutrinações forem sendo feitas, como parte mesmo do programa que temos.
Os mesmos espíritos que, por ora, se comunicam, voltarão brevemente para concluir a tarefa que também lhes caberá. Um pouco mais de paciência quanto aos prognósticos que vos fazemos para podermos unir nossas forças em torno das próximas reuniões, em que será necessário muito equilíbrio, muita coesão de pensamentos e intenções.
Até que consigamos um ambiente bem favorável, iremos vibrando em benefício dos irmãos que ultimamente têm se comunicado.
Se conhecêsseis a personalidade de muitos deles, veríeis que, de fato, temos sobejas razões para assim afirmarmos. Com a tenacidade, com a capacidade que têm de fazer valer sua vontade, muito conseguirão na tarefa que em breve abraçarão. As nossas reuniões têm o cunho essencial de receber indiferentemente a todos, livres de preconceitos religiosos, raciais e políticos. Formamos todos uma grande família que, unida pelo mais sublime amor, muito bem se espargirá por todo este mundo de Deus.
Batuíra
14.3.1978
26 - Na Seara Bendita
É tempo de receber com naturalidade as bênçãos que dos céus descem para todos os que se prontificam a trabalhar com sinceridade numa seara que sabemos ser bendita por todo bem que nos inspira.
Aceitemos, com o coração aberto, as verdades que nos chegam porque a isso nos predispomos. A fé, fortificada pelo nosso trabalho de uma vida inteira, não nos faltará. O trabalho nos pertence e unidos estamos para essa finalidade.
Comunguemos nossas aspirações em torno de ideal tão sublime. Jesus é nosso Mestre e Amigo; confiemos no nosso Jesus tão querido.
Um vosso irmão tão somente.
14.3.1978
27 - Resultados incontestáveis
O bem que fazemos aos outros, ainda que de maneira inconsciente, continua sendo um bem, cujas vibrações surtirão o efeito de paz, harmonia e beleza em todos os sentidos. Se tivéssemos dinheiro no bolso e o distribuíssemos sem muito pensar no que isso significaria para os que o recebessem, ainda assim haveria beneficiados. Se somos portadores de bens espirituais, embora não possamos aferi-los, vamos pelo menos ofertá-los com boa vontade a quem, sabemos, será muito beneficiado. Se as energias de tal natureza não podem ainda ser medidas, os resultados contudo são incontestáveis.
Mesmo sem conhecer o benefício da água em nosso corpo, nem por isso deixamos de bebê-la; muitos fenômenos naturais subsistem antes que tenhamos deles qualquer compreensão. A própria vida nos ensinará muita coisa e aos poucos iremos nos conscientizando, como participantes de nosso eu, de nossa natureza. Iremos conhecendo a nós mesmos à medida que vencermos nossas próprias dificuldades; novas fronteiras se abrirão quando nos conhecermos melhor.
A cada um será dado conforme as suas obras; esse ensinamento evangélico se torna cada vez mais compreensível para nós. Quanto mais trabalharmos em benefício de nosso próximo, seja ele quem for, com maior facilidade penetraremos o nosso íntimo, e os nossos sentimentos desenvolvidos nos facultarão a possibilidade de uma sensibilidade também maior. Muita coisa está por vir; confiemos naquilo que por ora podemos fazer. Por pouco que seja, é um começo que não devemos desleixar.
Apliquemo-nos com boa vontade. A criança que aprende o caminho do bem, pressentimo-la nas situações e reações favoráveis que o bem lhe oferece. Cuidemos de nós para cuidarmos futuramente com muito proveito dos nossos irmãos que, na grande maioria, se acham muito longe dos conhecimentos que já possuímos.
Jesus vos abençoe, meus filhos.
Jean-Martin Charcot
15.03.1978
28 - Lições simples
Jesus, o humilde e meigo nazareno, costumava visitar seus parentes e amigos e, em toda visita, deixava em cada lar parte de si, que se multiplicava em luz e paz. Na mais modesta aparência, falava de amor, ensinando aos homens a prática de uma vida melhor.
Suas lições não tinham o cunho da ostentação; pelo contrário, eram palavras simples que calavam profundamente e penetravam os recônditos da alma necessitada. Assim vamos nós, a exemplo do Cristo, pregando as nossas lições sem pretensão no coração.
Quando compenetrados dessa obrigação maior, relegamos para plano secundário as comezinhas obrigações do mundo material. Deus, supremo Bem e suprema Verdade, nos investe de coragem, de entusiasmo que nos fazem enxergar um novo cenário de possibilidades, agora livre do campo transtornado e ensanguentado pelas lutas fratricidas.
Esse novo cenário, sem mazelas, sem todas as preocupações menos dignificantes, abre-se esplendorosamente como uma messe divina que o Senhor nos oferece para cultivar.
16.3.1978
29 - Preces íntimas
É com o coração dilacerado que assistimos à luta pela conquista de um Bem tão precioso; como é difícil ao homem vencer suas pesadas barreiras e transpô-las com soberania! Vemos constritos que, somente por uma férrea vontade de vencer, chegará o homem à concretização de seus mais puros ideais. Se não houver uma fé convicta e muita vontade de vencer, serão poucos os que se apresentarão impunes aos pés do Pai.
Estamos empenhados numa tarefa por demais sagrada para nos mesclarmos aos desajustes humanos. Nossas convicções, que nos fizeram chegar até aqui, nos dizem da responsabilidade que temos em face do aprendizado. Quanto mais se conhece, mais se tem o dever de fazer valer esse conhecimento. Não fosse para empregá-lo bem, de que adiantaria adquiri-lo?
Reajustemo-nos com Jesus, fonte de toda nossa segurança, equilíbrio e ponderação. Façamos nossas preces íntimas e aguardemos o resultado. Tudo nos diz que será sempre a nossa felicidade e a dos que nos rodeiam. Oremos.
Batuíra
17.3.1978
30 - Medindo nossas forças
De todas as circunstâncias, tiremos o melhor proveito analisando os problemas, eliminando as falhas e escolhendo o melhor. Tudo o que vivemos é uma necessidade para nossa evolução, e os próprios males são um bem do qual muita lição tiraremos, medindo nossas forças nas horas de combate.
Quando o céu está azul, tudo é paz, tudo é felicidade. Compenetremo-nos de nossas obrigações e entreguemos a Deus a razão de nossos dias procurando usufruir a lição que a vida nos proporciona. Não descuidemos da nossa vigilância para que as forças do mal não nos peguem desprevenidos.
A união faz a força e agora mais do que nunca. Atravessamos uma fase muito difícil, como prevenimos há algum tempo, mas tudo isso é necessário.
Depois da tempestade virá a bonança.
Padre Miguel do Nascimento
Nossa tarefa é de amor e muita união, por isso vamos nos unindo em nome de Jesus para nos fortificar. Somos muitos mesmo no plano invisível a colaborar.
Por pouco que pareça fazermos, estamos sempre nos preparando para levar mais adiante este trabalho.
Batuíra
18.3.1978
31 - Aplicando os conhecimentos
Nenhum conhecimento será válido se não houver oportunidade de aplicação. Muito louvável é o saber, mas muito mais a prática dos bens que adquirimos. A ciência caminha a passos largos na medida em que o desenvolvimento intelectual do homem se dilata. O que não acompanha, porém, esse crescimento é o amor dentro dos corações.
Temos razões para essa advertência, pois o mundo atravessa horas de intensas aflições, quando mais haveria recursos para sanar males bem palpáveis. O egoísmo tem sido o entrave para a evolução de aptidões que levassem o homem a mais concretas e felizes realizações.
Quando o homem se libertar da terrível teia que o acrisola em seu egocentrismo, verá com olhares mais amplos, mais devassadores, as maravilhas que o cercam e então pensará mais nos outros do que em si próprio.
A felicidade que tanto buscamos está tão perto de nós se soubermos colocar a alegria do próximo antes da nossa; se soubermos doar antes de receber; se soubermos amar antes de querer sermos amados.
Pondo nossas aptidões em atividade constante e sob intensa vigilância, constataremos, com nossa própria percepção, quanta verdade nesses ensinamentos que ainda não pudemos abstrair, porque ainda não pudemos senti-los dentro de nós.
O exercício é a mola mestra que porá em ação a nossa capacidade de sentir, vibrar e amar. A prática consciente de atividades, que a nossa consciência nos dita como nobres, far-nos-á senhores de nós mesmos, donos do nosso centro de ação, a projetar-se a um raio tanto maior quanto maior for a capacidade que tivermos para irradiar o nosso amor.
Dos espíritos luminares que já passaram pela Terra, sentimos até hoje o reflexo da intensidade de sua vibração amorosa. Se a vida é um constante evoluir, por que negarmos a nós o direito de sermos também alguém no cenário da Terra?
Trabalhemos para deixar atrás de nós o rastro luminoso das nossas realizações para um futuro em que hão de reflorir muitas e muitas invenções e descobertas.
Bezerra de Menezes.
19.3.1978
32 - Na certeza de dias melhores
Das lições que temos vivido, podemos tirar muito proveito. Já não nos abate a dúvida, nem o receio da incompreensão dos que ainda não podem enxergar a beleza do caminho. Resta-nos, no entanto, não desanimar jamais, por mais difíceis que se nos apresentem os problemas. Insolúveis, sabemos não serem eles, pois para Deus tudo é possível, e por mais negra que seja a noite, o dia sempre chega resplandecente de luz.
Na altura dos acontecimentos, revigoramos nossas forças e, em louvor ao nosso Pai Supremo, erguemos nossa prece para que possamos continuar livres de quaisquer tentações. Não estaremos, por certo, livres de muitos males, pois num mundo mau, ainda vivemos, mas sentimos que a nossa proteção é bem maior que todas as trevas. Unidos estamos, cônscios de nossos deveres também e nada mais nos amedronta.
Aguardaremos as oportunidades, que por certo virão se provarmos nossa tenacidade e nossa coragem no bem. Para isso nos temos preparado e para isso nos oferecemos com todo o amor ao trabalho redentor.
Que a exemplo de nosso Mestre, possamos praticar muito bem, muita caridade. Nossas palavras dirão do que está cheio o nosso coração e assim vamos indo com Jesus a nos abençoar.
Somos ricos e poderosos, pois no poder de Deus nos concentramos.
Emmanuel
20.3.1978
33 - O melhor caminho
Quantos são os caminhos que nos conduzem a Deus!
Estamos empenhados em ajudar nossos irmãos e melhor caminho não poderíamos escolher. Sempre com o coração aberto às bênçãos que nos vêm, vamos transmiti-las também aos que nos procuram. Neste intercâmbio amoroso, ampliamos nossas possibilidades, pois quanto mais dermos, mais teremos para dar.
É Lei Suprema que nos rege e que nos faz sentir locupletados do amor divino. Neste mister infinito, nos engrandecemos perante o Pai e nos congratulamos com os que participam deste banquete celestial.
Na apoteose do nosso sentir, louvamos a Deus por sermos seus filhos pródigos que ainda têm muito que fazer para redimir seu passado culposo.
Aos céus erguemos as preces de agradecimento pela felicidade que sentimos nestes momentos de intercâmbio fraterno.
Batuíra
21.3.1978
34 - Reencontrando o caminho perdido
Bem-aventurados os que fazem a vontade de nosso Pai, que está nos céus, pois Ele virá julgar os vivos e os mortos. Jesus nos mostrou o caminho vivendo intensa vida de trabalho redentor, reunindo almas perdidas do rebanho do Pai. E o trabalho ainda não terminou; há, sem dúvida, os trabalhadores de última hora e isso para nós é muito importante. Com dedicação, carinho e muita compreensão, vamos estendendo as mãos para aqueles que nos procuram, como meio de se reencontrarem e acharem outra vez o caminho perdido.
Tem sido esse o nosso trabalho; sentimos que tem surtido muito efeito. Continuaremos, sob os auspícios de Jesus, a difundir a paz, o amor e a verdade sobre a face da Terra. Por pouco que nos possa parecer, estamos realizando muito. A nossa alegria íntima nos fala do muito bem que ainda poderemos fazer.
Nossa união se perde no infinito das alturas celestiais e em prol de uma Causa Única lutamos.
Batuíra
22.3.1978
35 - Uma missão assumida
A vida, minha filha, tem de ser intensamente vivida e, neste viver, estão incluídos todos os sofrimentos, que fazem parte do nosso aprimoramento espiritual. Da luta constante que travamos contra as forças do mal, sairá vencedora nossa alma em ascensão.
Quanto mais avançamos na senda do progresso, mais responsabilidade temos perante a Vida. Se já podemos reconhecer em nossos companheiros a chaga cancerosa que trazem na alma, tanto melhor, pois uma vez conhecido o mal, tanto mais fácil será saná-lo. As doenças de ordem espiritual se curam sempre com uma boa dose de compreensão, carinho e amor.
O desespero só tende a tornar a doença mais perniciosa e contagiosa. Nos momentos de grande dificuldade, eleva a Jesus uma prece em silêncio e espera, que a resposta sempre virá em forma de paz, tranquilidade e equilíbrio para poderes tomar as melhores decisões.
Não te preocupes tanto com as aparências, mas procura sondar o íntimo da alma que deverás encaminhar, mesmo à custa dos maiores sacrifícios. Escolheste esta missão e por isso és digna de toda a consideração e ajuda. Liga-te com as esferas superiores para que possas carregar com mais facilidade a tua cruz.
Lembra-te de que não estás sozinha; no invisível uma falange de espíritos protetores te ampara e te espera. Caminha com o coração aberto ao amor de Jesus, que encontrarás sempre palavras adequadas ao teu magistério de amor.
Vigia através da oração constante para não seres também vítima de tentações, que te impediriam de caminhar mais livremente.
Ora com tua filha, que a união faz a força.
Deus te ampare e te ilumine.
Um espírito protetor
36 - Saibamos usar nossos talentos
Todos os que vivem na Luz, devem refleti-la em seu derredor. A Sabedoria que vem de Deus não é apanágio de ninguém; difundi-la faz parte da Obra Universal. Vivendo pura e simplesmente, sem qualquer laivo de ostentação, estaremos agindo segundo a grande Ordem.
Preconizando os ensinamentos dos muitos representantes de Deus na Terra, abstraindo de todas as filosofias a essência divina, não poderemos jamais incorrer em erros lamentáveis para espíritos que já deveriam estar livres de todas as tentações.
A vida é bela demais para a esbanjarmos em loucuras vãs. Se o Sol brilha sobre nós durante o dia, por que procurarmos a noite para sermos alguém? Façamos resplandecer em nós a exuberância da vida pura, livre e benfazeja.
Todos os recalques da alma humana são resquícios dos males que as afligem. Eximida das torpezas, ao alçar voo novamente às esferas siderais, ela busca na Fonte Suprema o seu alento para a vida.
Bezerra de Menezes
23.3.1978
37 - Fazendo bom uso das oportunidades
Da Lei ninguém foge, embora muitas vezes se negligencie; cedo ou tarde, temos de cumpri-la. Se uma encarnação não bastar para redimir nossas faltas, outras virão, pois o que é nosso, por nós tem de ser vivido.
O tempo passa; cabe a nós fazer bom uso das oportunidades que se nos apresentam, como presente de Deus, para nos propiciar condições de desembaraço de nossas faculdades. De diferentes formas somos chamados a cumprir nosso dever, dever este que não pode ser negligenciado, porque assim o queremos.
Não querer enxergar por obstinação é pior do que se fôssemos condenados a andar nas trevas da ignorância, porque viveremos em eterno conflito. As chagas que trazemos na alma, devemos pensá-las nós mesmos, com a nossa coragem, com a nossa autoridade moral.
Não cabe aos outros apontar os nossos erros, senão a nós mesmos e para isso existe uma consciência. Integrados na consciência universal, inteiremo-nos de nossas obrigações sagradas perante a eterna Lei.
Bezerra de Menezes
23.3.1978
38 - A constante ação no Bem
Pelo muito que temos feito aos nossos irmãos que nos buscam, achamos que nos restam razões para abençoar estes trabalhos. É no preparo simples e despretensioso que está o começo de uma possibilidade que culminará um dia com os mais belos quadros de realização espiritual.
Sabemos ser a vossa vida difícil de viver, mas em toda essa dificuldade está o aprimoramento de vossas aptidões. Não tivesse o agricultor o peso da enxada bruta a lhe desenvolver os braços, e estes se atrofiariam na inércia. Da mesma forma, as ferramentas que não têm uso se corroem com a ferrugem. Tudo isto é sabido, mas temos de vos alertar para que não deixeis vossas ferramentas no desuso. A vida nos impõe trabalho e temos de ser ativos.
Todas as dificuldades serão sanadas quando a intenção for de puro amor. Levemos a todos o consolo de nossas palavras e a energia de nossa constante ação no bem.
A alegria é a recompensa que recebereis como o mais alto salário.
Deus vos pague por todo este esforço.
Batuíra
23.3.1978
39 - O campo está limpo para a semeadura
Na alegria de bem servir, vamos atirar as sementes e aguardar sua germinação. A natureza, pródiga em seus bens, facultará os elementos necessários para isso. O tempo passará e, quando menos esperarmos, estarão vicejando os prenúncios de novas árvores que, por sua vez, também frutificarão.
O ciclo evolutivo se completará independente de nossa vontade, pois a vida é ininterrupta e em cada época medram os frutos necessários a suprir as necessidades gerais.
Com paciência e confiança no poder de Deus, que a tudo dirige, aguardemos os resultados.
Batuíra
24.3.1978
40 - No cume da montanha
Do cume da montanha, devassamos, por certo, novos e amplos horizontes, mas atenhamo-nos com firmeza para que a vertigem das alturas não nos perturbe.
Mesmo que sejamos compenetrados de nossas maiores obrigações, ainda assim, corremos o risco de perder o fruto de nosso trabalho se descurarmos de nós mesmos. Daí a responsabilidade que cresce em nós com o desenvolver de nossa capacidade.
Enquanto estamos com os pés na Terra, somos por ela fortemente atraídos e não poderemos alçar voos se não nos desprendermos das primordiais condições que põem o homem num nível peculiar da espécie humana, que se caracteriza pelo domínio imperioso das paixões.
Se não quisermos ser vítimas, ainda por longo tempo, de tão nefastas condições, comecemos por burilar nosso comportamento, que por certo não deverá apresentar as características próprias da condição animal. Se sonhamos com os anjos, não percamos tempo com divagações que, embora pareçam nos deleitar, nos escravizam e nos fazem sofrer.
Se observarmos melhor o resultado de uma e outra coisa, veremos que o que é bom será sempre agradável e perene; ao contrário, o que é mau trará sempre maus resultados, ainda que nos enganando com deleites passageiros.
Se a nossa perspicácia evoluiu, usemo-la principalmente para nosso próprio proveito. Não que tenhamos pressa de nos corrigir, mas para que outros não saiam prejudicados por nossa causa.
Bezerra de Menezes
24.3.1978
41 - Falando com Deus
O mal que nos aflige será extirpado por nós mesmos com o esforço e a compreensão que já temos. É um trabalho de autorrecuperação que já estamos capacitados a fazer. Mergulhados no seio de Deus, através da meditação, encontraremos a paz que nos abrirá caminho para discernir da situação o que mais nos convém.
Na tranquilidade de nossa prece íntima, falamos a Deus, contando a Jesus as dores que nos torturam, falamos das nossas intenções que, se sagradas, só poderão ser abençoadas. É assim que conseguimos sair impunes de situações aflitivas, que antes poderiam nos desequilibrar.
Dessa forma ganhamos terreno na batalha que travamos no nosso íntimo e avançamos um pouco mais na senda do progresso espiritual. Resolvendo nossos problemas, podemos ajudar a resolver também os dos outros com a paz que nos envolve e a experiência que adquirimos. Auferindo confiança em nós mesmos, aprendemos a confiar também na vida superior que nos dirige e, entrosando-nos com as divinas hostes, ampliamos nosso conhecimento, que sempre se reverterá em benefício dos que nos cercam.
E a Lei se faz cumprir mais uma vez quando, resgatando nossos débitos, nos prontificamos a trabalhar com mais desembaraço na seara de Jesus.
Alegramo-nos de maneira que nos toca as fibras mais sutis do coração e rejubilamo-nos com o nosso Criador, que nos faculta sempre novas oportunidades para nos elevarmos perante esta vida maravilhosa.
Batuíra
É assim que se constrói um futuro brilhante em vista da importância da vida que temos de viver. Cumprindo nossos mais sagrados deveres, que a nossa consciência nos dita como norma de conduta, estaremos na trilha certa que Deus sempre abençoará.
Com tranquilidade vamos em frente. Continuaremos na luta de amor ao próximo, sofrendo, mas amando muito.
Padre Victor
28.3.1978
42 - A bandeira da paz
O caminho está traçado para os que sempre fizeram a vontade de Deus, que é baseada no amor, que deve unir a todas as criaturas. Por esse caminho, também nós seguiremos, pois nos sentimos bastante fortes para fazê-lo.
Não precisamos olhar para trás, pois tudo o que passou serviu-nos como proveitosas lições, das quais só guardaremos a essência. A essência divina que em nós retemos, como dádiva conquistada por nós mesmos, enriquece-nos o espírito e ilumina-nos mais intensamente o caminho.
Sob nossa responsabilidade, outras criaturas seguirão e teremos muito a oferecer. Não nos entristeçamos por este fato, pois muitos também seguem à nossa frente oferecendo-nos os tesouros que possuem. A vida é isso mesmo: uma permuta constante de valores que, quando bem compreendidos, se enaltecem e se enobrecem.
Vamos assim espalhando amor por onde passarmos para que a alegria seja a nota principal a vibrar com ressonância angelical pelos caminhos que devemos percorrer. Nossa presença há de ser marcante e contagiante; levaremos todos juntos a bandeira branca da paz, desfraldando-a com majestade suprema nos campos ainda a percorrer.
Essa bandeira jamais se deixou vencer; continuará na sua marcha triunfal a albergar sob sua proteção os corações de todos os que lutam ingloriamente por poderes efêmeros e sem nenhum valor; agasalhará a alma sedenta do amor universal; espalhará sua sombra amiga e acolhedora sobre todos os rincões esquecidos desta Terra em evolução.
Mares, ares, desertos, planícies e montanhas, conhecereis o manto opalino da consolação que almas benfazejas estenderão sobre vós.
E o mundo terá paz; e o homem será feliz.
Deus assim o quer e assim será.
Bezerra de Menezes
29.3.1978
43 - O que Deus uniu, não separe o homem
A luta pela vida nos leva por diferentes caminhos, que muitas vezes nos fazem sofrer mais do que poderíamos imaginar. No entanto, as pedras rolam, rolam, e um dia se encontram novamente se a força que rege a harmonia de todo o universo, e que outra coisa não é senão Deus, agir conforme a Vontade Suprema.
Por isso nunca podemos dizer: "Desta água não beberei", como se fôssemos senhores supremos dos nossos destinos. Quem sabe se beberemos ou não é a Suprema Vontade, e nós, humildemente como suas criaturas, dobremos a cerviz e curvemos a fronte, abençoando e aceitando os desígnios do Pai.
A vida é sagrada e, quanto mais nos inteiramos dessa verdade, mais a achamos bela e proveitosa. Se soubéssemos usufruir de todos os momentos preciosos que temos, entregaríamos a Deus nossa alma leve, pura e brilhante como a fonte que lhe deu origem. Agradeçamos a felicidade que temos em gozar as delícias de uma vida bem vivida espiritualmente, bem compreendida e bem aceita.
Nossos sofrimentos serão as flores que colheremos nesta existência para entregá-las ao Pai Supremo como oferenda do nosso coração. Não mais lamúrias, não mais lágrimas de desespero, mas apenas a prece em louvor por todo o bem que tivemos oportunidade de praticar.
E a nossa existência será um rosário de luz, onde cada conta significará um degrau que conseguimos avançar, e todas num só conjunto representarão todos os nossos padecimentos e aflições transformados agora num foco de intensa luz para o nosso próprio espírito. É assim que se vive; é assim que se realiza e concretiza uma vida de amor.
Vivamos à luz de Deus para um dia nos unirmos àqueles a quem amamos como criaturas dignas da Vontade Suprema; rolemos, rolemos como as pedras, e iremos todos um dia nos encontrar no seio infinito do nosso Criador.
O bem que se faz aos outros volta em dobro para nós, pois a justiça divina paga com juros nossos trabalhos.
Batuíra
30.3.1978
44 - Poucas palavras, mas certeiras
O propósito que nos move orienta-nos quanto às atitudes sóbrias e desinteressadas que devemos ter diante dos menos afortunados perante a vida. Com a compreensão do dever, não nos esqueçamos de que o bem se faz sem ostentação e sem muitas palavras. Quanto mais nos recatarmos em relação ao que de bom fazemos, tanto melhor.
O muito falar descamba sempre para a incompreensão e intolerância. Seja o nosso parecer: sim, sim; não, não. Se formos convidados a uma opinião pessoal, então usemos do discernimento necessário em face das grandes verdades que já conhecemos através de estudos feitos e da nossa própria vivência.
Neste particular, o Mestre era exemplo. Com poucas palavras, aprofundava-se no assunto, dizendo somente o que atingiria em cheio a alma de seu interlocutor. Ponderemos bastante antes de emitir qualquer opinião. Elevemos em prece íntima o nosso pensamento a Deus, concentrando-nos na pureza de sua perfeição. Sem dúvida, seremos atendidos. Fé e muita esperança para poderdes praticar de fato a caridade.
Padre Victor
31.3.1978
45 - Um programa de ação exige preparo
O amor que nos une seja a porta pela qual penetrarão muitas almas ansiosas por um bem maior. Sempre que vos prontificais a receber com carinho essas criaturas, um manancial de bênçãos jorra sobre vós. A alegria que daí advém é a melhor prova de que está tudo certo.
Muitas oportunidades vos ressurgirão para a prática do amor no seu mais alto significado. Preparamos-vos para isso e com muita razão para que não sejais apanhados desprevenidos. Nisto o esforço é válido no constante intercâmbio que mantemos para vos alertar com muita paciência quanto aos cuidados de que deveis vos precaver quanto ao exercício do magistério espiritual.
Antes de levar a alguém uma palavra, uma orientação, elevai vosso pensamento a Jesus, munindo-vos das forças necessárias. Toda empresa bem-sucedida tem antes de tudo o preparo consciente e a edificação de um programa de ação. Não vamos fazer as coisas nesciamente. Pedindo forças a Deus, Senhor de todas as coisas, haurimo-nos do Poder que Ele não nega a seus filhos sinceros.
Batuíra
31.3.1978
46 - Desanuviando a mente
O paraíso perdido será reencontrado por todo discípulo fiel às mais sagradas obrigações. Qual filho pródigo, ansioso de reaver os direitos perdidos, voltemos ao Pai Onipotente o nosso olhar humilde e suplicante de perdão por nossos erros, nossas vacilações, nossos enganos, nossas ilusões e, propondo-nos novamente a trabalhar com amor, esqueçamos todo o passado tormentoso, reiterando-nos na luta do dia a dia com a Sabedoria adquirida pela dor.
A dor transformada em amor redentor nos reerguerá e nos fará subir na escala dos nossos valores esquecidos e negligenciados por nós mesmos. Reabrindo os olhos com mais clareza e nitidez, veremos as mesmas situações desanuviadas e com a aparência pura e real que elas possuem.
Sem o espesso véu que nos impedia discernir os contornos, veremos a vida em todo o seu verdadeiro cenário de harmonia e beleza transcendentais. Tudo nos sorrirá outra vez de maneira perene, fraterna e universal.
Estamos de novo com o nosso Pai, e na luz andaremos.
Padre Miguel do Nascimento
3.4.1978
47 - Responsabilidade assumida
O que nos incita a trabalhar é justamente o resultado patente num bem que sentimos e constatamos, por uma análise racional, que nos aumenta a fé em todo o poder de Deus.
Na inconcebível alegria que sentimos, vibramos o amor imortal que, descendo sobre todos nós, nos iguala em condições de espíritos também imortais. Numa união de possibilidades perante a vida infinita, propomo-nos a trabalhar amorosamente, cada um com as condições condizentes ao seu tempo de vivência bem compreendida e bem realizada. Aliás, a única diferença que poderia nos separar seriam estas condições particulares.
Mas, quando nos unimos em nome de Deus, em prol de uma causa única e verdadeira, nos igualamos e, purificando-nos todos à luz da Verdade, somos todos um para exercer as nossas obrigações. É este pormenor que muitas vezes vos faz afastar do grande rebanho, porque não quereis aceitar a igualdade que nos faz simplesmente filhos de Deus. Queremos vos falar e com certa insistência neste tom para que possais receber as verdades com naturalidade e também sem presunção.
A nós foi dada uma missão de muita responsabilidade que nos facultará, se muitas alegrias, também muitas decepções, pois, como bem o sabeis, toda verdade é sempre recebida com grande rebeldia e até maldade por parte da maioria dos nossos irmãos. Estamos vos preparando acerca de tudo de bom que receberemos num vasto sentido espiritual, mas que requererá de vós muita energia e muita convicção para não vacilardes e não cairdes jamais.
Em nome de Deus, Todo-Poderoso, e em nome dos espíritos que têm sempre demonstrado perante vós o seu inigualável valor como batalhadores no Bem, trazemos-vos hoje a bênção especial, em nome de Jesus, que vos alerta quanto à grande responsabilidade que vos assiste quando vos reunis em Seu nome. Hoje, pelo menos hoje, não queremos deixar assente nossa personalidade, que fazemos questão de anular perante a excelsa unidade e grandeza desta reunião.
4.4.1978
48 - Nova série de mensagens
Por enquanto continuaremos a dar mensagens esparsas de acordo com as oportunidades. No entanto, já está programada a chegada de uma nova série de ensinamentos para um futuro bem próximo.
Recomendamos muita atenção aos nossos trabalhos, como preparo necessário e indispensável. Muitas recomendações já foram feitas outras vezes e não vamos repeti-las. Pedimos tão somente que as releiais, se puderdes, para que nada seja esquecido.
Os espíritos incumbidos dessa nova série serão outros, mas a obra é uma só – Jesus continua sendo nosso farol. A eternidade nos espera e precisamos fazer por merecê-la em companhia de criaturas benfazejas.
O amor, chama imortal, continuará nos ligando e somos felizes em sentir o vínculo de união fraternal cada vez mais forte, não só entre vós, encarnados, mas também entre todos os que se comprazem num trabalho espiritual de grande alcance.
A prece diária que ofereceis a Deus é semente de amor que retorna até vós em pródiga frutificação. Assim sendo, vamos cultuando estes momentos de prece em união com os espíritos que aqui comparecem, os quais também deverão fazer um preparo.
Mentalizemos a luz divina, que refulge sobre todos nós nestes instantes de suave meditação. Muito bem acontece de forma que ainda não podeis compreender. É que esta força resultante da união de vossos puros sentimentos é alavanca poderosa na luta contra todo e qualquer mal.
Façamos no fim de nossos trabalhos um momento de concentração das energias que recebemos e ofereçamo-las àqueles que sabemos necessitados. Deus nos favorece e podemos realizar muito nesse sentido.
Padre Miguel do Nascimento
6.4.1978
49 - O amor vence todas as procelas
É com o coração transbordante de amor que superaremos as aflições e tribulações do mundo. Se para muitos amar ainda nada significa, para aqueles que sabem sentir as dores alheias, o amor é a fortaleza que os defenderá do ataque de inúmeras criaturas mal-intencionadas que, ignorantes de um bem maior, obstinam-se na maldade.
Conhecedores de seus anseios pela expansão do sentimento fraterno que o caracteriza, sabemos também de seus sofrimentos quando alguns de seus irmãos falham em demonstrar tal amor.
Por isso, vimos hoje trazer-lhe uma palavra carinhosa, a fim de que possa amenizar seu sofrimento em relação àqueles que ainda não sabem sentir no coração as provações alheias.
Unindo nossos pensamentos positivos em prol de uma melhor convivência entre os homens, queremos deixar claro que nenhum sacrifício de nossa parte será em vão se, a toda atitude inadequada, opusermos a couraça do amor em nossos corações.
De peito aberto, sem temores, certos da barreira inexpugnável que naturalmente opomos ao mal, vamos nos conscientizando de nossas possibilidades de nada sofrermos em nosso prejuízo. A causa que abraçamos é justa, digna e estamos certos da vitória.
Padre Miguel do Nascimento
7.4.1978
50 - Os Clarins da Vitória
É com o ardor da batalha que conseguimos ouvir os clarins da vitória. No calor da luta, nos estertores do sofrimento, no estampido dos canhões, é que o soldado valente encontra a razão para se tornar ainda mais forte e corajoso, porque sabe que, depois do caloroso e árduo combate, virá a trégua para se refazer e reencontrar sua posição.
Neste ínterim, poderá medir de novo suas forças e retemperar-se para novas investidas. É assim mesmo; as vitórias fáceis não cobrirão de louros seus vencedores; quanto mais difícil a empresa, maiores nos tornaremos aos nossos próprios olhos e mais confiança teremos daí para a frente.
A escola da vida renova dia a dia as oportunidades e só passaremos adiante quando tivermos superado as lições mais fáceis. Não vos desespereis; toda situação difícil foi dosada convenientemente e faz parte do programa. Embora não possais compreender a razão dos fatos, Deus está convosco.
Tudo é para o vosso aprimoramento, que se constatará pelo mínimo que puderdes oferecer em vosso próprio favorecimento. Continuai a orar, a vigiar, a refletir sobre o valor da Vida e aprofundai-vos em vossa meditação, pois nisso estará a vossa tranquilidade e realização.
Padre Miguel do Nascimento
10.4.1978
51 - Negligenciando nossos talentos
O tema que temos para hoje é sobre o desperdício que o homem faz dos dotes que Deus lhe confere. Infelizmente, a maioria se perde no torvelinho do mundo, gastando e esbanjando preciosos dons, faculdades maravilhosas que poderiam contribuir para o bem-estar de muita gente.
Nossa obrigação, como tutelares que somos de vosso desenvolvimento, é a de abrir com insistência vossos olhos espirituais para a beleza da Vida, que, só por si, se apresenta tão magnificente, sem considerarmos este lado espiritual que se revela a nossos olhos.
O exercício no bem, através de atitudes que conheceis, deverá ser norma de vossa conduta. Somos insistentes neste ponto, pois, assim, será mais fácil a nossa tarefa.
Não vos esqueçais de que o resultado de todo o nosso esforço, até hoje, se medirá, em grande parte, pela vossa colaboração. Estamos todos empenhados neste intercâmbio de amor, mas, sem a pedra basilar da vossa compreensão, tudo será mais moroso e, como sabeis, são muitas as almas que necessitam do nosso apoio.
Continuamos a postos, salvaguardando a ordem que se faz necessária para a execução do nosso programa. Confiamos na vossa força de vontade de vencer e fazer sempre o melhor.
A luz do Senhor esteja convosco.
Padre Miguel do Nascimento
12.4.1978
52 - A quem muito tem; muito será pedido
Quem quer que seja que se faça juiz será réu de culpa, pois, para ajuizarmos acerca de qualquer questão, devemos, em primeiro lugar, conhecê-la devidamente. Ainda que a conhecêssemos, não estaríamos isentos de enganos, principalmente se nos encontrarmos presos aos liames da carne.
Por mais esclarecido que seja o espírito encarnado, nem tudo lhe é dado entender e, se vive ainda dentro de uma limitação que a matéria lhe impinge, não pode devassar o invisível em toda a sua plenitude.
Se dizemos isto, é para vos inteirar da verdade que deveis simplesmente constatar e isto já o podeis fazer, dadas as situações sempre favoráveis que vos acolhem depois de verdadeiras lutas íntimas que travais dentro de si, conturbando-vos a envoltura carnal com detritos e radiações a nós conhecidas de sobejo; luta sempre gerada pela ignorância das maravilhas que poderiam vos cercar mais de perto, se soubésseis proporcionar condições mais condizentes com a vossa categoria espiritual.
Sim, temos que vos dizer isto com certa autoridade até, visto que vos tendes esquecido da verdadeira finalidade da vida a que vos propusestes viver. Enleados pelos prazeres fáceis, esqueceis-vos da investidura moral de que deveis ser portadores para levar adiante o exemplo do bem e do verdadeiro amor entre as criaturas.
Que será da humanidade se até os que se julgam alienados dela pela compreensão e capacidade intelectual se puserem a prevaricar e fugir às suas mais sagradas obrigações? Por acaso, Deus dá tesouros a quem não os sabe guardar?
Na imensa falange dos espíritos incumbidos da recuperação de uma grande porcentagem desta humanidade, vós sois contados também como porta-vozes de uma verdade que se faz patente pela sua Lei, que é inexorável.
Não vamos aqui entrar em polêmicas que de nada adiantariam; tão somente, estamos a vos alertar e a todos quantos esta mensagem chegar, o que não será por acaso, da grande, da enorme responsabilidade que tendes perante esta Obra comum.
A quem muito tem, muito será dado; mas também muito será pedido. Confiamos em que a meditação que praticais vos levará infalivelmente ao encontro do que mais vos convém. Como amigos e irmãos que somos, pedimos-vos que não descureis de vossas obrigações.
A felicidade está sempre ao nosso alcance; façamos por merecê-la.
Padre Miguel do Nascimento
13.4.1978
53 - O que foi programado, será cumprido...
...e já não há mais motivo de preocupação. Temos a grata satisfação de vos relatar a auspiciosa notícia sobre o reinício de nossas atividades, não só no plano espiritual, mas também no plano físico. Estamos satisfeitos com o andamento de tudo, o que esperávamos como motivo de uma nova fase, a qual logo conhecereis.
Estivemos empenhados no desenvolvimento de uma série de fatores que eram indispensáveis, fossem bem assentados e definidos para a reintegração de nossos planos. Com a consciência tranquila pelo dever cumprido, estaremos de posse de nossas energias, no sentido de oferecermos um padrão vibratório de grande pureza para a execução da nossa tarefa.
Estão todos a postos; toda esta imensa falange, que se movimenta para o bem da humanidade, da qual muitos espíritos já são por vós conhecidos, aguarda ansiosa o momento em que poderemos trabalhar com mais desembaraço.
Confiai no que vos afirmamos, como em outras vezes o fizemos. Preparai com amor e dedicação o ambiente espiritual em que será mais fácil o nosso acesso. Pensamentos puros de elevação ao que há de mais supremo devem ser a constante de vossas mentes.
Alegria, meus filhos, para vencerdes mais uma vez!
Padre Miguel do Nascimento
14.4.1978
54 - Ligados ao Plano Superior
O que nos resta fazer para melhor intercâmbio é desprendermo-nos um pouco mais dos problemas mundanos. Concentremo-nos em Jesus. É assim que se adquire mais confiança e mais firmeza de pensamento.
O nosso intuito é pôr-vos bem à vontade, naturalmente ligados ao plano superior. Condicionados a uma introspecção racional, vamos recebendo as mensagens que nos chegam. Não há exclusivismo nesta manifestação. Somente é necessária uma boa dose de vontade e humildade em aceitar o que Deus nos tem trazido.
Como parte primeira desta nova série, versaremos sobre assuntos variados, mas de grande aplicação à vida cotidiana das pessoas em geral, independentemente de qualquer religião.
Batuíra
17.4.1978
55 - Nada temos por temer
Em plena luz do dia, com o sol sempre a brilhar, empunhemos nossa arma, que de amor deve ser feita para vibrar com mais intensidade sob a luz que a ilumina. Na claridade, e não na escuridão, lutaremos, com discernimento, com a certeza de onde queremos chegar.
O combate é árduo mesmo, cheio de espinhos e de dor, mas com a coragem do bravo abriremos caminho, avançaremos sem temor. Passo a passo, a caminhar sempre, com a arma na mão, enfrentaremos o inimigo que, por trás do mal, se esconde.
Deus é nosso vanguardeiro; Dele tudo esperamos. Com Seu amor a nos mover, nada temos por temer. No refúgio de teu lar, muito bem hás de fazer. São muitos a te pedir amparo e proteção; e outra coisa não são que o amor do teu coração.
19.4.1978
56 - Quem com a pedra fere com ela será ferido
Antigamente, antes da vinda de Jesus ao mundo, era comum, muito comum mesmo, o apedrejamento. Como pena máxima que se podia infligir às criaturas, era dado este suplício, geralmente em praça pública, para maior humilhação do culpado. Assim foi, mas continuou sendo com todo o aparente progresso humano.
Se as pedras hoje não são visíveis, são, porém, muito mais poderosas, pois se transformaram em palavras acerbas que desferem o mais terrível golpe; e o que é muito pior, à distância pode-se sentir o seu cruel e lastimável efeito.
Sempre que vos fazemos alguma advertência, é sempre com a finalidade de vos ajudar e como meio de prevenção das prováveis pedradas que, por certo, haveis de receber.
A vida é assim mesmo, mas somente sofrerão os que estiverem desprevenidos e afastados de Deus. Discípulos de Jesus, por certo, não se deixarão derrubar pelas vibrações perniciosas das palavras de criaturas ignorantes que não sabem ainda discernir o que é bom do que é mal.
Estamos empenhados num trabalho de finalidade filantrópica de alto valor e significação e não podemos vos deixar ao dissabor das tormentas. Por isso, vos fazemos hoje esta séria advertência quanto aos cuidados e precauções que deveis tomar para que tudo saia a contento.
Não vos esqueçais de que, acima de todas as circunstâncias menos felizes, está Deus a nos dirigir e, embora vejamos tão somente o mal, tudo será para a ordem e progresso geral. A humanidade tem que caminhar e será sob a luz de Deus que colherá os melhores resultados.
Tudo mais será em vão, será inútil, será transitório. A vida nos ensinou que só com a prática do amor sincero, puro e eterno encontraremos a felicidade suprema que nos unirá a todos na glória do Senhor.
Compenetremo-nos cada vez mais das obrigações a cumprir e saibamos perdoar aqueles que nos ferem, sem saber que serão eles os maiores prejudicados na ordem dos acontecimentos.
Deus vos pague.
Padre Victor
21.4.1978
57 - No meio da multidão nos isolaremos,...
...se soubermos nos encontrar no nosso mundo interior. As forças que não poderíamos encontrar nos outros, achá-las-emos em nós próprios.
A luz brilha sempre; é eterna. Deixemos que ela brilhe também para nós. Mergulhados neste infinito de luz, conhecer-nos-emos melhor; todo o nosso ser emergirá das trevas de seus conflitos e enfrentaremos a vida com sabedoria.
Pelas dificuldades que temos em nos recolher deste modo é que sofremos ainda o desconforto da indecisão. Propiciando-nos condições favoráveis para uma autoafirmação, seremos alegres, seremos felizes e nossa felicidade contagiará aqueles que nos buscam como intermediários de um bem que eles anseiam.
Quanto êxtase, quanta sublimidade, quanta pureza neste sentir! Que manancial de energias veiculamos quando haurimos do Criador as benesses que nos locupletam a alma sonhadora! Reabastecidos nesta fonte inexaurível de beatitude e de amor, levamos adiante a propagação destas ondas sutis e esplendorosas.
Sentimos que somos; sentimos a vida reverberar em nós – criaturas divinas.
22.4.1978
58 - O apego aos bens materiais
Não é assunto novo este do qual queremos vos falar, pois, nos mais remotos tempos, Deus falou ao homem nas mais diferentes formas, prevenindo-o contra o abuso deste desvirtuamento de suas atenções.
O homem, ser encarnado e, portanto, material, tem, obviamente, que viver também num mundo material. Até aí, nenhuma novidade, pois a matéria atrai matéria na razão das massas de que são constituídos os corpos. É lei física e sabida por muita gente. O que passa, porém, despercebido é que, na ordem de valores materiais, esta atração será tanto mais forte quanto mais bruta e rudimentar a matéria em questão.
Na escala de valores materiais, sabemos ser o diamante uma pedra bruta de bastante peso atômico. Assim como o diamante, outros corpos existem constituídos de matéria bem condensada, ou melhor dizendo, com pesos atômicos bem altos. Por incrível que nos possa parecer, porém, quanto maior este peso, tanto mais dinâmico o corpo em questão.
Por dinamização, devemos entender o poder de desagregação das suas partículas atômicas. Essas partículas, quando acionadas por um estímulo, que poderá ser também artificial, desencadeiam-se num emitir constante e frequente, de maneira ascensional e progressiva, de ondas vibratórias de alto poder.
Assim sendo, esta desintegração da própria matéria vai atingir outras tantas na razão direta de suas semelhanças: corpo denso bombardeia corpo denso com muito mais repercussão. Baseado neste princípio, Hahnemann compilou os ensinamentos terapêuticos da tradicional homeopatia; estudo, por sinal, muito louvável, mas que não é o caso de nossos comentários.
Falávamos, a princípio, do apego aos bens materiais e é sobre isto que queremos mesmo atentar. A explanação que fizemos e que parece não ter nada relacionado com o caso será, no entanto, muito admissível se, raciocinando com um pouco de boa vontade, nos propusermos a encontrar a solução do problema.
Vejamos: o homem, na sua maioria, empresta elevada cotação à matéria bruta; dizemos e afirmamos, bruta mesmo, e quanto mais bruta for, maior valor para ele terá. É desta forma que são tão valorizados o ouro, o diamante, o ferro, o cobre, o bronze e outros tantos mais que, se raros, ainda mais preciosos serão. E tanto maior atração por eles terão quanto mais pesada for também sua bagagem corporal.
Brutalizado em suas intenções, sofre ele a força desta atração que o domina e o fascina. Escravo das ambições, vibra o ser humano, ainda não desenvolvido em suas qualidades mais nobres, num diapasão bastante grosseiro. Suas cargas deletérias chocam-se incessantemente com as radiações destes mesmos corpos de que são constituídos e uma constante luta se trava dentro de seu próprio ser. E ele luta consigo próprio, luta contra esta forte atração que sobre ele exerce o reino mineral.
Só à custa de muitas e muitas encarnações, à custa de muito lutar e sofrer, irá se desfazendo da pesada carga que o iguala na escala destes mesmos valores materiais, indo, na medida em que se depura, libertando-se desta cadeia, fazendo conscientemente a seleção natural dos valores que lhe passarão a pertencer dentro de uma ordem de equilíbrio e ajustamento de suas mais delicadas funções como parte que é de um todo. Sua vida, à medida que evolui, irá também exigindo de si mais simplicidade, até mesmo na escolha de seus alimentos.
A alimentação passará a ser mais frugal e a água, elemento tão simples da natureza, passará a ser por ele preferida como condutor de todas as energias de que necessita para viver e amar. E a evolução se faz mais uma vez quando o homem, desapegando-se da pesada matéria, se dirige para fins mais nobres e mais elevados que só o espírito imortal poderá lhe conferir.
Homo faber – homo loquens – homo sapiens... homo filius Dei.
23.4.1978
59 - O que for isento de culpa, atire a primeira pedra.
Todos nós nos sentimos de alguma forma culpados pelas situações desagradáveis e tão comuns no nosso planeta. Não deve, porém, ser isto causa de desânimo e negativismo; é medindo as nossas possibilidades e fraquezas que nos retemperamos. A vida tem que ser vivida, tem que ser sentida para tirarmos conclusões acertadas do que mais nos convém.
Somos frequentemente experimentados e desta luta íntima nascerá a flor angelical que ofereceremos a Deus como prova do nosso amor redimido. Sentimos porque amamos e, se já sabemos amar, é porque estamos em franca ascensão como almas que anseiam por um bem maior.
Tudo é evolução e do lodo também nasce a flor. Toda a vida é um exemplo de renascimento, de recuperações, de novas florescências, novas venturas que se converterão em gozos divinais quando houvermos sorvido o último cálice da amargura.
Com a fé aumentada na nossa capacidade de doar uma grande parcela de amor a todas as criaturas, sejam elas quem forem, vamos à frente, pisando e massacrando os espinhos que nos dilaceram a alma. Vamos certos de que, quanto mais áspero o caminho, mais suave, mais doce a conquista do bem que nos espera.
Batuíra
24.4.1978
60 - Todo mal será extirpado,...
...quando fizermos valer nossa vontade, vontade que não é só nossa, porque é de Deus.
A água desce do monte, tanto mais impetuosa quanto mais pedras lhe barram a descida; à altura das grandes quedas, ela ressoa estertorosa, procurando, nas sinuosidades do caminho, o curso que mais depressa a levará ao vale.
Do ínfimo filete que era, transforma-se em gigantesco caudal; no seu percurso, rasga o seio da terra, arrebenta ribanceiras, massacra vegetais que, débeis, tombam sem defesa; desce encostas, modela o seu curso e, neste vai e vem, estrutura o rio – caudaloso, poderoso, majestoso, mas pacífico e solidário.
Cansada dos embates de toda a trajetória, remansa tranquila na mesma água impetuosa que desceu dos montes. Atingida a meta, autentifica-se, realiza-se no cumprimento de sua verdadeira finalidade: dessedenta os rebanhos, alimenta a vegetação ribeirinha, entretém, em seu seio dadivoso, toda uma natureza a reverberar de amor, numa permuta de favores e de bens incontestáveis.
É a vida, suprema vida, que se faz valer mais uma vez na suave harmonia dos elementos naturais. E a paz se faz sentir em todo este potencial de energias harmonicamente distribuídas num eterno e divinal concerto de amor.
25.4.1978
61 - No âmago de cada criatura...
...encontrareis a centelha divina que a incita a viver. Por mais sofrimentos que a vida apresente, ela tem que ser vivida e disso já sabemos. O que muitas vezes nos foge à lembrança é o dever que temos para que esta vida seja o mais proveitosa possível nos padrões que todo espiritualista bem conhece.
Viver uma vida intensa e, ao mesmo tempo, de paz não é comum ao homem que se confunde com muita facilidade na luta do ganha-pão material, esquecendo-se do pão espiritual, que é o alimento que lhe pode garantir tudo o mais.
No retiro espiritual que fazeis, com compreensão das possibilidades de um intercâmbio vigoroso de energias vitais para os mais diferentes males, haveis de encontrar o pão espiritual que vos há de saciar não só a fome, mas também a sede e anseios mais dignos e nobres.
Se já sois capazes de aliviar as dores e as aflições de vossos irmãos, através de pensamentos positivos que favorecem o fluxo destas energias equilibradas, estais, por certo, em condições de atender a muitos de nossos irmãos afastados do caminho.
Será, não resta dúvida, por meio de nossa conduta que se repercutirão até eles as correntes poderosas de nossas vibrações amorosas em torno de um sublime ideal que os deverá também alertar e encorajar.
O tempo passa e parece nada termos feito; mas é este mesmo tempo que porá as coisas no lugar e nos ensinará importantes lições. O bem e a atenção que dispensarmos aos outros nunca serão perdidos. No íntimo de cada um, a centelha divina ganhará mais força e, aumentando seu potencial, fará dela emanar também uma nova fonte do amor divino.
Batuíra
26.4.1978
62 - Levai convosco...
...a certeza do amor eterno, imperecível, inegoísta em vossos corações amargurados pela aparente solidão. Só os covardes se acham sozinhos, porque a todo aquele que é capaz de enfrentar os problemas de cabeça erguida é dada e aumentada a força de continuar lutando.
São muitas as maneiras pelas quais demonstraremos o nosso verdadeiro amor; até pela submissão aos desígnios de Deus demonstramos a nossa capacidade de amar. Aceitar a vida com suas surpresas, boas ou más, deve ser o nosso esforço constante para perseverarmos no bom caminho.
Embora não compreendamos a razão de tais situações difíceis e até descabidas para nossa obliterada visão, tudo que nos acontece faz parte de um plano sabiamente elaborado, ainda antes de aqui encarnarmos.
Nossa vida é muito complexa e, se pudéssemos descerrar os véus que encobrem nossos pretéritos, sentir-nos-íamos até muito felizes ao vermos como a Lei é sábia, como a Lei é suprema e irrevogável, tudo fazendo para que a harmonia se restabeleça, para que o verdadeiro amor possa renascer, mesmo através da dor e da desolação.
Tudo se encaminha, podeis crer, para uma meta há muito esperada, através da redenção espiritual de muitas almas afins aos problemas que vos fazem sofrer.
Será lindo, muito belo e divinal o reencontro de almas que, há muito, haviam esquecido suas mais sagradas obrigações. Aguardemos dias bastante ditosos, ainda mesmo revestidos do pesado invólucro carnal que tantas ilusões nos traz.
Batuíra
27.4.1978
63 - Ser ou não ser? Eis a questão!
Quantas vezes nos debatemos inutilmente quando já poderíamos ser donos de situações privilegiadas! Nossa vivência, nossa consciência, nosso discernimento nos falam de tudo que somos, de tudo que podemos, de tudo que já temos realizado. Mas o homem – a carcaça daquilo que realmente somos – se anula, se digladia, se compraz num mal que, na verdade, não devia existir. Sofre, por certo, mas em grande parte porque insiste numa conquista inútil.
A exemplo da maioria que se enaltece pelas tantas conquistas indevidas, mescla-se na multidão dos erros que são norma de conduta dos que se julgam grandes. Pena, muita pena mesmo, sentimos dos que assim se aviltam quando há tanto bem para se gozar e distribuir.
A humanidade está tão carente dos bens que vós, meus filhos, podeis praticar com tanta naturalidade e facilidade, apenas vos predispondo ao exercício de vossas faculdades alcançadas, é certo, pelo vosso esforço, através dos tempos e muito sofrimento. Tendes um patrimônio espiritual que vos põe acima de qualquer problema e isso vos dizemos para vos alertar quanto à grande possibilidade de um magistério louvável e abençoado por Deus.
Sois donos de um tesouro inigualável do qual deveis tomar conta vós mesmos, com vossos zelos, com vossa dedicação ao que conheceis como mais conveniente.
Insistimos neste assunto, pois vossa causa é também a nossa causa. Vamos juntos, pois, pelos caminhos iluminados do amor, de mãos dadas, oferecendo, em troca de nossas dores e aflições, o carinho, a compreensão, as palavras adequadas que já podemos dirigir àqueles que sofrem mais do que nós, pois o fazem na ignorância e na cegueira espiritual em que vivem.
Sejamos autênticos.
Padre Miguel do Nascimento
28.4.1978
64 - Lutar pelos direitos humanos...
...é prerrogativa dos fortes, dos que galgaram os degraus de sua autoperfeição para poderem dedicar suas atenções aos que deles precisam. Luta sagrada de amor é defender os oprimidos, aumentando-lhes a esperança numa vida melhor.
Almas mensageiras de Deus são estas, às quais rendemos hoje nosso pleito de admiração. Muito sacrifício, muita renúncia, muita abnegação são dispensados por estes espíritos de escol que se realizam no oferecimento de um amor sincero, de um devotamento a toda prova.
Trabalhos existem das mais variadas formas, levados pelos mais diversos interesses; mas trabalho ímpar é este trabalho, muitas vezes anônimo, altruísta e sem qualquer recompensa que não seja a felicidade alheia.
"Dia do Trabalho" – sim, um belo dia para se render homenagem a todos os trabalhadores do Bem e da Verdade. Luzes inimagináveis iluminam o cenário da Terra quando, compenetrados do alto valor que o trabalho nobre dispensa ao homem, se unem todos os filhos de todos os rincões numa hegemonia de raças, de credos, de aptidões para levantarem aos céus louvores de agradecimento por toda oportunidade de realização em prol de um bem-estar comum. São muitos os mensageiros da Grande Obra Redentora de toda esta humanidade que hoje, especialmente hoje, se congratulam com todos os batalhadores honestos da seara do Pai.
Chuvas de bênçãos vos acariciam nestes momentos em que vos consagrais ao magistério com que Deus vos aquinhoou. Com a tenacidade dos bravos, havereis de lutar para vencer todos os tropeços, todas as dificuldades que vos amedrontam. Que a grandeza de vossos propósitos se sobreponha a toda e qualquer ineficiência de vossos espíritos, ainda encarnados num mundo tão conturbado e tão necessitado do zelo dos que o compreendem.
Padre Miguel do Nascimento
1.5.1978
65 - A Natureza é pródiga,...
...nos bens que nos oferece. Desfrutemos, porém, destes bens na medida da capacidade que temos para colhê-los.
Os campos se estendem verdejantes, exuberantes de viço e beleza; os rios correm sem cessar, levando no seu marulhar as sujeiras que encontram pelos caminhos, numa constante renovação para se manterem como a Mãe Natureza quer – limpos e piscosos; os terrenos cultivados se exuberam na riqueza dos frutos que se renovam em cada estação; o sol e a chuva banham a tudo com suas energias vivificantes; os pássaros completam a obra do homem, semeando daqui e dali, oferecendo também sua parcela de trabalho. Tudo canta, tudo é luz, tudo é alegria quando Deus está presente. A vida é um eterno jardim onde vicejam belas flores. A paz proveniente de toda esta harmonia é o selo divino de toda esta Criação.
Terra abençoada, mundo de Deus! Quantos sonhos de amor! Que ventura imensa a nos esperar! Momentos felizes podemos desfrutar num prelúdio de Eternidade. A vida é tudo isso – um eterno cantar – sinfonia etérea de sons melodiosos, arpejos sutis que nos deliciam e nos inebriam. Banhados como tudo está pelo sol, que é luz divina, pelas chuvas de bênçãos que dos céus caem, gozemos também as maravilhas que nos cercam e tanto mais visíveis ao nosso espírito serão quanto mais a elas dedicarmos nosso sincero afeto, nossa dedicação e afeição. Somos felizes só em podermos meditar sobre este bem imenso; tanto mais o seremos quanto mais pudermos levar aos outros o bem que já sentimos.
Nesta vibração amorosa, abracemos todos os nossos irmãos, anulando-nos neste amplexo infindável de uma paixão imorredoura.
Mergulhemos no oceano infinito da vida.
3.5.1978
66 - As dores são rosário de paz para os espíritos
Meus filhos, sofremos convosco as vossas dores, mas assim é preciso para que a Lei se faça cumprir. As dores são rosário de paz para os espíritos. Sofrer é viver; só os néscios não sofrem. A cada um é dado o galardão de que faz jus e este é sempre sinônimo de sofrimento para os que sabem entender a vida.
Venturas as temos também, se fazemos valer nossos direitos na sublime arte de amar – porque, quanto mais se ama, mais feliz se é dentro das próprias amarguras que ferem o coração, mas aliviam a alma. A vida carnal é cheia de aparências, às quais sempre queremos dar mais valor do que merecem. Só quem também sofreu as mesmas dores pode avaliar as alheias e, se avaliamos, é porque já as ultrapassamos. Tudo será muito belo quando, despojados da matéria que arrasa e tiraniza, sentirdes a leveza de vossos espíritos livres deste jugo cruel.
Não são meras palavras que proferimos; como tema de dissertação – brotam do nosso ser em ressonância com as enternecedoras vibrações que nos fazem amar-vos como a nós mesmos.
Batuíra
4.5.1978
67 - A humildade é a virtude, que deveis cultivar...
...para que possais levar avante a vossa tarefa de amor. No âmbito de nossas vibrações amorosas, unimos nossos corações em prece aos pés do Divino Mestre. Levantamos nossos espíritos, reerguendo-nos de todas as fraquezas, para podermos alcançar aquela beatitude que muitas vezes encontramos.
Reequilibrando-nos neste intercâmbio de energias, vamos nos retemperando da luta que temos que enfrentar como parte do programa que devemos cumprir. Desta luta íntima muito bem advirá, trazendo como consequência mais um de nossos irmãos, há muito afastado das boas lides.
É um trabalho há algum tempo começado e que trazemos hoje ao vosso conhecimento. Trata-se de um irmão muito querido e que muito em breve nos dará o ar de sua presença. Espírito dotado de grandes possibilidades, encarnado num ambiente ainda muito adverso, mas que lhe facultou, ainda assim, possibilidades de se reerguer com mais convicção, graças ao sofrimento por que tem passado.
Embora não possais alcançar ainda o que queremos dizer, há em vosso meio quem compreenderá com grande clareza esta mensagem.
Deus vos abençoe pelo muito que tendes proporcionado a muitas criaturas à distância e mesmo sem o saberdes.
Padre Miguel do Nascimento
5.5.1978
68 - Não sejamos presas nas garras do orgulho e da vaidade
A humildade, conforme temos falado, o que não constitui novidade para muitos, é uma virtude que devemos cultivar para não cairmos aprisionados nas garras do orgulho e da vaidade.
A espíritos inteligentes é muito comum acontecer este desvio que muitos transtornos lhes podem trazer. Abjurando os mais sublimes exemplos dos tantos e tantos representantes de Deus na Terra, obstinam-se numa autossuficiência que os ensoberbece e os alucina. São muitos os que, tendo alcançado uma destacada posição na escala evolutiva, resvalam num despenhadeiro que os arrasta ao mais deprimente lodaçal.
Debatendo-se confusamente na mais negra escuridão, achafurdam-se na lama e só com grande sofrimento e pela piedade de alguma alma amiga que os entenda, reerguer-se-ão; e desta mesma lama nascerá a flor, renascida agora com toda sua pureza e angelitude.
É obra de grande empenho, de grande vulto, o que temos conseguido, através de um amor muito sincero que une estas criaturas. Enlaçadas através de muitas e muitas reencarnações pelo amor divino, muito lutaram e muito sofreram juntas ou separadas.
Hoje, porém, podemos vos garantir, estas almas se reencontram felizes, revigoradas embora trazendo ainda os resquícios das turbulências sofridas. Enaltecendo sempre o amor que as une, caminharão juntas por esta maravilhosa estrada da Vida, que há de reflorir no coração destes espíritos amantes.
Temos, meus filhos, concluído um grande e muito importante trabalho. Só temos que nos congratular com o vosso progresso espiritual.
A alegria entre nós é muito grande.
Bezerra de Menezes
6,5.1978
69 - O concerto da vida se faz ouvir
Olhando para o céu, nos sentimos pequenos diante de tanta grandeza e majestade. Quer seja no azul translúcido dos dias de outono, quer seja no cinzento misterioso dos dias frios; na noite iluminada pelo esplendor dos astros ou na escuridão sem lua e sem estrelas; todo o céu nos fala ao coração.
À pouca luz do crepúsculo matutino, querendo a luz varrer a sombra; o sol subindo na sua trajetória diária e constante, querendo se fazer valer e ostentar-se atrás das nuvens espessas a impedir sua glória; ao clarão refulgente de um luar em que as nuvens se tingem de dourados tons; no raio que corisca, iluminando a atmosfera – quanta beleza, meu Deus, quanto ensinamento para quem quer aprender: aprender com a Vida, que majestosa impera; aprender com a Natureza, que pacífica ou indômita se impõe sem ostentação.
Na quietude plangente de um céu salpicado de estrelas, no troar intrépido dos retumbantes trovões – tudo nos fala de Deus – tudo é ordem, é equilíbrio, é paz também.
O concerto da Vida se faz ouvir....
Batuíra
7.5.1978
70 - A vida é para ser vivida com alegria e com compreensão.
Uma vez cumprida a missão, saibamos deixar a escola que frequentamos em companhia de nossos irmãos queridos. É sempre tempo de reatarmos novas amizades e, tanto para o que parte como para o que fica ainda a burilar seus conhecimentos, sempre haverá oportunidade de trabalho enobrecedor.
Temos diante da vida que vivemos obrigações a cumprir e, quanto mais formos cumpridores, tanto mais fácil será a nossa quitação com os planos que nos dirigem.
Nossas mensagens têm sido no sentido de vos alertar para que os que ficam possam também continuar sua missão com galhardia e discernimento, sem nunca perder o precioso tempo que lhes resta para isso.
Esta mensagem é para ser divulgada entre teus irmãos que muito necessitam trabalhar para que também cheguem ao fim do caminho com a serenidade e o coração leve, como só os que têm a consciência tranquila podem estar.
Que pensem como quiserem, pois a responsabilidade é de cada um e nós só estamos mais uma vez vos alertando para que a Vontade Suprema possa se cumprir com mais desembaraço.
A humanidade está carente do amor que a ela podeis dispensar. São muito poucos os que poderão ajudar neste sentido mais nobre, mais digno e mais elevado. Que o divino Mestre vos ilumine, pois os tempos estão chegando para todos. Ninguém é mais criança e o corpo carnal vai se desgastando. A hora Suprema chegará para todos.
A vida é eterna, mas podemos, desde já, torná-la muito feliz.
Padre Victor
8.5.1978
71 - Companheiros de viagem
Meus amigos, trazemos-vos as palavras que brotam do nosso coração; são de amor e muito amor as que hoje vos dirigimos. Se Jesus é o modelo que queremos seguir, que outro sentimento deveremos ter em nós senão todo o carinho, compreensão e misericórdia para com as falhas alheias?
Amar ao próximo como a ti mesmo – este é o mandamento sublime que enlaça todos os demais. Amar é pôr-se no lugar do que sofre ou mesmo do que é feliz; é permitir vibrações que se enaltecem pela ligação enternecedora de espíritos afins.
Se para muitos já é fácil esta ligação, para outros, entretanto, faz-se necessária uma boa dose de boa vontade para vencer as barreiras do antagonismo espiritual. Somos viajantes eternos e estaremos no mesmo vagão enquanto não tivermos capacidade para melhores reajustamentos.
Enquanto não soubermos nos entender com os companheiros de viagem, não alcançaremos melhores condições de relacionamento. A vida tem nos ensinado que conseguiremos vencer nossas rebeldias e, se nos humilharmos perante nossa pretensiosa personalidade, venceremos nossas próprias dificuldades.
Não desejando viver isolados, dentro mesmo de nossas possibilidades, vamos procurando nos entrosar melhor com todos os que se abeiram do caminho. Sejamos cristãos na verdadeira acepção da palavra, seguindo os exemplos de Jesus.
O que temos a vos alertar, meus irmãos, é quanto à homogeneidade de pensamentos e intenções para alcançardes os objetivos almejados nestas reuniões. O preparo espiritual de cada componente do grupo é uma necessidade.
Orai e vigiai vossas atitudes antes do início dos trabalhos, que começam muito antes de aqui chegardes. O zelo pelo bom êxito depende do controle emocional de cada um. Embora seja uma recomendação já feita outras vezes, sentimos que devemos renová-la.
Padre Miguel do Nascimento
9.5.1978
72 - Barreiras contra o mal
O amor que nos une será a barreira intransponível às forças do mal que sempre procuram nos assediar. Com o coração puro, cheio de sentimento amoroso por todos que nos procuram e ainda por aqueles que, mesmo não conhecendo, amamos de forma impessoal e universal, vamos, em nome deste amor, disseminando o bem, a compreensão e dando a cada um a dose do carinho e as palavras adequadas, encaminhando-os para a recuperação de uma situação mais estável e mais proveitosa em face da vida que todos nós temos e o compromisso de viver.
Com a pura intenção de ajudar, vamos recolhendo, arrebanhando todas estas criaturas perdidas, orientando-as com toda a paciência, procurando entender a situação de cada uma, pondo-nos no lugar daquele que sofre, fazendo como o bom samaritano, que amou antes de qualquer coisa.
É esta a caridade que podemos realizar à custa do cabedal de experiências que adquirimos. Será um trabalho de alto valor filantrópico, do qual a humanidade está muito carente.
Amemo-nos, meus irmãos, como nos amou Jesus.
Batuíra
12.5.1978
73 - Somos resultado do que semeamos
No imenso manancial do amor universal iremos buscar as alegrias que suprirão as agruras dos que ainda muito têm por sofrer. Enriquecendo-nos do bem que é eterno, transmitiremos aos menos ditosos o prazer de nossa companhia esfuziante de dotes espirituais.
Somos o que somos e somos o que sentimos; irradiamos profusamente todo o bem em nós acumulado e transformado das maneiras mais diversas; esta força que em nós cresce expande-se prodigiosamente num contágio irrefreável.
É a Natureza em toda a sua glória, em todo seu esplendor, a nos transmitir em palavras mudas toda poesia inigualável por nenhum poeta decantada. É o hino do amor fraterno que nos faz vibrar em uníssono com seu Criador. Tudo é festa; tudo é paz; tudo é alegria.
Em frente, meus irmãos!
Padre Miguel do Nascimento
13.5.1978
74 - Sombras para que ei de querê-las?
Sombras para que ei de querê-las, se tenho a luz a me guiar os passos?
Se posso enxergar o caminho e andar despreocupado, se tenho Jesus, por amigo, se tenho a vida a me sorrir? Quimeras? Ilusões?
Nada disso. Verdade, muita verdade em tudo, que sinto de bom a me falar de amor, a me entusiasmar, a me fazer feliz.
Lembranças? Só as queremos, se forem para nosso bem; para acertarmos o passo, que com a fúria da tormenta nos desequilibrou.
Aprumando a nossa mente no fanal a conquistar, andemos com a destreza, de quem já soube lutar.
Batuíra
14.5.1978
75 - À mão inapta não é dado um cinzel para esculpir
De onde estivermos, sempre poderemos espalhar amor, paz e saúde para os que sofrem. Nossos pensamentos são força poderosa e, posta em exercício no bem, aumenta-se de maneira extraordinária. Nunca é demais vos falar do poder das vibrações amorosas endereçadas aos que sabemos necessitados. Aureolados por esta vibração, envolveremos de igual forma os que são atingidos pelo nosso pensamento.
Não se descreve com vossas palavras o que acontece nestes momentos enaltecidos pelo amor. Constatam-se, isto sim, os resultados.
O mais importante de tudo é que este bem volta sempre para quem o dirigiu, sob forma de benefícios os mais diversos. Daí dizer-se que o bem gera o bem. Tudo retorna à sua fonte de origem.
O treinamento que temos feito neste sentido é de suma importância na ordem dos fatos; pois só poderemos ser realmente úteis quando entrarmos definitivamente em harmonia mental para dirigirmos nossos pensamentos com autenticidade.
Embora possa vos parecer perda de tempo, garantimos-vos outrossim que isto é muito importante para o vosso desenvolvimento. Nossas reservas estão aumentando dia a dia para que, no momento oportuno, possamos fazer bom uso destas energias acumuladas.
Tudo é obra de esforço, de sacrifício e abnegação. A Natureza é pródiga, mas precisamos nos capacitar a fazer bom uso de suas forças.
À mão inapta não é dado um cinzel para esculpir.
Batuíra
15.5.1978
76 - Não podemos exigir de nós, o que ainda não possuímos!
O tempo passa e os acontecimentos vão se sucedendo, independentemente muitas vezes da nossa vontade. Situações as mais inesperadas nos constrangem ou nos alegram, sem que pudéssemos premeditá-las. Nossa inteligência e nosso bom senso são postos à prova e medimos nós próprios a capacidade que temos em reagir bem ou mal.
Dentro de nossas parcas possibilidades de discernimento, procuramos sempre o que nos gera prazer imediato, apesar de, no íntimo, reconhecermos que nem sempre as decisões precipitadas são as melhores para nosso futuro bem-estar. Mas a vida é isso mesmo. Não podemos exigir de nós o que ainda não possuímos.
Só a vivência nos trará como resultado a autocrítica de nossas atitudes. Só a própria vida nos porá à altura das condições acertadas. Enquanto não formos autossuficientes com nossas mais insignificantes reações, vamos ser mais humildes e pedir aos nossos amigos mais capacitados que nos ajudem em nossas deliberações, como se pedíssemos aos nossos pais o apoio de que necessitamos nas horas difíceis.
Sabemos ser a vida uma troca constante de bens e não podemos negar o intercâmbio amoroso dos espíritos que velam por nós. Se no plano físico temos quem nos ama e encoraja, por que não no plano espiritual, onde tudo é mais perfeito?
Padre Miguel do Nascimento
16.5.1978
77 - Os direitos alheios
O que Deus uniu está ligado através dos tempos e das distâncias, porque é através do amor que as criaturas realmente se unem. Não nos preocupemos com as falsas aparências, que muitas vezes nada significam, mas saibamos conservar no íntimo de nossos corações a verdadeira felicidade que só uma união abençoada pode nos proporcionar.
A vida é doce, é suave enlevo, quando conferimos a ela a importância que ela tem de nos proporcionar condições que, embora aparentemente tristes, são as que mais nos convêm. As lições são ministradas no momento exato de nossa capacidade de apreensão.
Se a vida é eterna, por que temermos que tudo se acabe sem mesmo parecer ter começado? Não nos iludamos com as alegrias passageiras; há outras muito maiores reservadas para os que fazem bom uso das oportunidades.
O bem, em toda situação, deve ser geral e não exclusivo. Tudo o que é exclusivismo cairá por si, porque, como sabemos, o amor é universal. Em todas as filosofias sempre aprendemos a respeitar os direitos alheios para sermos também respeitados.
O amor encobre a multidão de nossos pecados.
Padre Miguel do Nascimento
17.5.1978
78 - Práticas esotéricas
O que Deus uniu, não separe o homem por causa de suas convenções tradicionais interesseiras. A vida, em face de uma sublimidade que desconhecemos, deve continuar para os que já se compenetraram de suas mais elevadas vocações.
No íntimo de cada criatura bem intencionada, move-se o impulso de querer seguir a trajetória que lhe é própria e natural – transcender os conhecimentos banais e triviais e lançar-se ao infinito oceano dos conhecimentos supremos.
Não é por estarmos presos aos liames da carne que nosso espírito se veja também obrigado a se aprisionar às fronteiras carnais. A criatura humana que, conhecedora de seus mais sagrados desideratos, se propõe a fazer todo o bem que é capaz, alça voo às esferas siderais, onde vai beber e trazer à humanidade sofredora suaves haustos do supremo amor.
De volta ao planeta que lhe abriga a densa matéria física, traz, em forma de intuição, as orientações de que os homens precisam para se fortificarem na grande caminhada. Por isso, meus filhos, queremos vos prevenir quanto a tudo de bom que poderá advir com as salutares práticas esotéricas que muitos de nossos amigos já cultuam.
A paz, a harmonia, a alegria, a saúde de corpo e de espírito são a prova de todo o bem que é emanado da fonte inesgotável do amor universal.
Júlio Verne
18.5.1978
79 - Livres das pedras e dos espinhos
O amor que vos une seja a pedra basilar sobre a qual se erigirá o majestoso edifício de vossas concretizações filantrópicas. Sem este princípio fundamental, nenhuma instituição será inteiramente válida.
Quando as criaturas se entendem e se comprazem no bem, pelo simples fato da satisfação desinteressada de fazer o bem, tudo mais será decorrência natural que muito há de se multiplicar em transbordamentos de uma obra que não terá limites. O bem que se faz aos outros é sentido à distância e, se hoje vos dizemos isto, é porque conhecemos o íntimo de vossos corações que muito hão de semear em benefício do amor fraterno.
Vencidas todas as barreiras que pareciam intransponíveis, ireis à frente com a convicção dos bravos que tiveram por que e por quem lutar, assenhoreando-se de uma posição que lhes facultará maior visão para os problemas sociais, em sua maioria originários de um mal já por vós conhecido.
Como vedes, não é fácil aplainar os caminhos que só serão bem percorridos quando nem mais um entrave houver à vossa frente. Deslizaremos por este caminho, agora livre das pedras e dos espinhos, aferindo as belezas que ele vos oferecerá.
À luz de vossa compreensão ampliada, agora com a visão superior de um problema tão frequente entre os homens, dados os resquícios de turbulências pretéritas, analisareis com mais acerto os conflitos alheios e procurareis sanar estes males com a mesma paciência e tolerância que temos tido por vós.
Imagineis quanta dor, quanta desventura haverá por este mundo afora; se mesmo onde há uma visão espiritual mais desenvolvida, a desolação ainda se faz presente, que não diremos dos infortunados e ignorantes da raiz de todos estes males?
Só quem sofre poderá entender o sofrimento alheio e é por isso que nossas provas são sempre mais intensas na medida em que abarcamos nossa situação perante a vida. A quem muito tem, muito será dado e aí é que nossas responsabilidades aumentam.
Somos donos de um patrimônio espiritual que não é comum à maioria e teremos que arcar com o peso de nossas obrigações maiores. A cada um será dado conforme suas obras e não segundo seus conhecimentos. A hora se faz presente e não podemos mais adiar nossos compromissos que a própria consciência nos assinala.
Os campos estão bem preparados e sentimos que somos trabalhadores de boa vontade; para nós não haverá escolha de serviço, pois em qualquer lugar por onde andarmos, por certo sempre haverá quem nos mendigará amor e compreensão. À custa mesmo das lágrimas que tantas vezes derramamos, marchemos em frente com a certeza de novas vitórias.
Padre Miguel do Nascimento
19.5.1978
80 - De todo mal nasce sempre um bem
"Meu pai, por que me abandonaste?" Disse eu um dia, cansado de sofrer, de perambular pelo mundo, sem família, sem arrimo, sem mesmo uma fé que me confortasse e me alentasse. Errei daqui e dali, encontrando apenas o conforto acalentador nos desventurados braços de minha mãe, infeliz mais ainda do que eu.
Na cegueira da minha ignorância espiritual, resvalei-me também nos vícios que foram a minha perdição. Por muito tempo vaguei por este mundo infeliz, desafogando minha revolta contra as misérias humanas na depravação e no pecado. Triste sina a de um coração desventurado. A luta pela subsistência não foi pequena.
Mas de todo o mal nasce sempre um bem e o meu maior bem foi ter tido sempre, mesmo nas horas de maior desventura, o amor e a compreensão de minha mãe; doce mãe que Deus me deu e que enalteço hoje para que ela não sofra mais sua triste solidão; mãe que tanto procurei e que encontrei um dia, para agora retribuir-lhe todo o afeto e compreensão que me concedeu nas horas de amargura.
Como a vida é bela! Como tudo é perfeito! Sinto tamanho enlevo em poder hoje vos transmitir esta mensagem que vai cheia de carinho e do amor que por esta alma tão querida tenho devotado.
az-se a luz sobre meu espírito e esta revelação faz-se necessária no momento presente para que outros possam também usufruir do meu grande amor, agora já redimido e generalizado a todos quantos como nós sofremos um dia...; dia já tão distante, mas tão presente em minha memória, porque se não devemos nos prender ao mal, não devemos nos esquecer também que foi por causa dele que nasceu a mais linda flor de minha vida, tão tumultuada – a flor do meu amor puro e sincero por toda uma humanidade que sofre na ignorância de seus próprios erros.
A paz esteja em vossos corações e que esta paz vos possa levar aos píncaros do amor imortal.
Padre Miguel do Nascimento
20.5.1978
81 - Benditas Mãos
Pelas mãos fatigadas de um trabalho sem par, aferimos as bênçãos que recebemos através das mesmas mãos dadivosas. Mãos sofridas, mãos calejadas pelo rude mister, mãos, porém, iluminadas pela luz invisível do Criador.
Estender as mãos sobre os aflitos e vê-los reconfortados; abençoar, num gesto de compreensão, os que resvalam nos vícios; erguer estas mesmas mãos aos céus, num gesto súplice de misericórdia aos doentes – que melhor uso faremos de nossas mãos tão versáteis nas mais diferentes formas de trabalho material?
Completando o rude mister de nossos afazeres comuns, concedamos às nossas mãos a dignidade que elas merecerão quando ultrapassarem estas materiais possibilidades de trabalho para se dedicarem a outros, cuja significação sobrepuja a todos os demais.
Mãos feias, mãos belas, pequenas ou não, brancas ou pretas, jovens ou velhas; que importa? Se todas elas se unem para fazerem o bem?
Nossas mãos são antenas vivas, captando energias as mais sutis para derramá-las sobre aqueles a quem amamos; envoltas num halo de luz, quando em prece as erguemos aos céus, são chispas diamantinas do amor universal.
Batuíra
21.5.1978
82 - Controlar nossas emoções
Somos sempre feridos naquilo que mais tememos; é assim que a vida nos ensina. Sofremos na carne os erros que condenamos nos outros; e tudo é para o nosso bem. Quando soubermos desculpar as falhas alheias, desculparemos também as nossas. A tranquilidade de nossas emoções será a harmonia de nosso próprio eu, vibrando favoravelmente em benefício dos que sabemos necessitados de compreensão.
Quando soubermos medir e controlar nossas emoções em nosso próprio benefício, naturalmente estaremos praticando um bem em favor dos que nos cercam pela resultante das vibrações favoráveis que poderemos desferir. São muitas as maneiras pelas quais poderemos ser úteis e, quanto mais nos equilibrarmos, mais felizes seremos, doando o que possuirmos de melhor.
Neste auto aprimoramento consiste a vida, cuja finalidade reconhecemos ser a felicidade de todos que puderem usufruir de nossas vibrações amorosas. Temos muito por nos corrigir e, prestando mais atenção ao que somos e ao que gostaríamos de ser para nossa autorrealização, tudo depende de esforço, observação, controle de nossas emoções perante as várias situações pelas quais teremos de passar.
Tudo parece ser repetição de um velho tema, no entanto, assim é preciso – a evolução se faz de maneira precisa: sem saltos enganosos, mas nem por isso devemos ser descuidados. Procuremos nos conhecer melhor, analisando nosso comportamento em relação aos demais.
Padre Miguel do Nascimento
22.5.1978
83 - Só o amor perdura
Vossos corações estão abertos para o sublime amor que enlaça soberanamente as criaturas para fazê-las muito felizes.
Que significaria nossa afanosa vida se não fosse tudo pelo amor que nos anima, nos revigora e nos faz esperar sempre pelo melhor?
Tudo é tão fugaz; a mocidade passa, as alegrias são efêmeras, a saúde esgota-se, tudo se perde no fragor da tormentosa vida. Só o amor perdura através das borrascas dos anos, dos séculos e das reencarnações. Vida que nos une, vida que é eterna, como me sinto feliz ao bendizer-te, oh minha vida, que me liga a tantos entes a quem quero bem.
Que suave enlevo sinto ao me reportar a acontecimentos já tão longínquos, mas que o tempo não conseguiu apagar de minha memória.
24.5.1978
84 - Música, divina música!
Acordes suaves nos deliciam os ouvidos num crescendo de harmonias angelicais que nos transportam a um reino encantado de paz, doçura e prazer. Leves como etéreas ninfas, nossos espíritos bailam ao som do doce concerto.
Evanescentes formas inigualáveis em beleza, em mudanças de cores e movimentos graciosos executam o ballet do sonho e da poesia em gestos de amor e ternura. Fadas etéreas do nosso sonhar extasiam-nos com uma doce visão que nos deleita e inebria.
Transportados a este mundo de magia, de fantástica imaginação, concebemos, sem o saber, a realeza de nossas emoções quando nos isolamos do pesado fardo de nossas provações.
Retemperados pelo amor que em tudo vibra, entoamos no íntimo de nossos corações os cânticos, também harmoniosos, de nossa alegria crescente, de nossa esperança nascente, de chegarmos também lá – neste mundo onde não há dores, onde tudo vibra ao eterno concerto do amor.
A música, a divina música, cultivemo-la com agrado e devoção; ela é o facho luminoso que nos guiará até Deus.
25.5.1978
85 - Aferindo nossos valores
Os tempos estão chegados para que todos retomem as rédeas em direção a um rumo melhor. Na ampulheta da vida, todos os minutos são preciosos, assim como as lições bem compreendidas poderão ser contadas a favor no cômputo final de nossa aprendizagem.
Se a balança tem sofrido sérias avarias, é só deixá-la por si chegar ao equilíbrio, o qual por certo chegará. Há fatos na vida que têm mesmo que acontecer, imprescindíveis, que são para aferirmos novos valores; mas nem por isso vamos fazer deles motivo de celeuma, de desarmonia, de tempestade dentro de nós.
Atribuamos-lhes, sim, o valor que têm, como meio de nos propulsionar para frente, fortificando-nos num autoconhecimento que nos amplia a visão para novos problemas. Conhecendo-nos melhor, conheceremos também os outros no que tange às suas necessidades e anseios.
Não podemos ficar desperdiçando nossa capacidade em sermos úteis à coletividade na busca egoísta de prazeres passageiros. Somos donos de talentos muito valiosos, que à maioria não são confiados e, portanto, temos sérias obrigações a cumprir.
Retomando nossos postos de comando, reorganizemo-nos para a nova fase de trabalho que por nós espera. Serenada a tormenta, o mar se mostra novamente promissor; as vagas baixaram e o fragor das ondas revoltas já não nos impede a visão de um panorama outra vez majestoso, grandioso em amplitude e poder.
Sob este céu límpido, translucidamente belo, estamos prontos para velejar.
O que passou, passou e a vida continua promissora para todos.
E assim, encerra-se mais um espetáculo no cenário movimentado da vida.
Padre Miguel do Nascimento
26.5.1978
Fim do Capítulo 6


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